• Sonuç bulunamadı

A equipe se constituiu, portanto, a partir das necessidades instrumentais do projeto no que diz respeito às competências técnicas, à limitação dos prazos e às habilidades específicas para a condução do projeto. Entretanto, foram as competências individuais no sentido de fazer com que todo o processo se movimentasse que permitiram, possibilitaram e efetivamente constituíram a estruturação da equipe e a realização das atividades.

Todos os sujeitos fornecedores estavam em comum acordo no que diz

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De acordo com Boesch (1995), a finalização da ação é definida pelos sujeitos. Dessa forma, para os sujeitos “cliente” o término da ação foi a data de entrega do programa; já para os fornecedores a entrega fazia parte do processo de execução da ação, visto que suas intenções iam até mais longe no futuro.

respeito à finalidade última, que seria a realização do projeto. Este era, portanto, a motivação para o trabalho de forma coletiva. Entretanto, para que se conseguisse atingir tal meta, foi necessário aos sujeitos uma ação de reorganização individual e de inter-relação com os outros sujeitos e com seus processos de ação pessoais e suas inter-relações com os outros. Foi a partir das competências individuais à relação social de buscar o ajuste mútuo, ou o equilíbrio da relação, de se adaptarem e se reorganizarem a partir de suas finalidades e metas, de coordenarem suas ações particulares, que o coletivo de trabalho se tornou possível.

7.2.1.1. Ação comunicativa e disponibilidade de ação

Havia nos sujeitos envolvidos no processo uma disponibilidade para a ação quando esta dizia respeito ao coletivo de trabalho. Por exemplo, ocorreu de uma pessoa se introduzir, ela mesma, na conversa, como o caso ocorrido em uma das reuniões de avaliação do programa em que o “fornecedorII” explicava uma nova funcionalidade aos sujeitos “fornecedorI”. Um deles apresenta dificuldade em compreender sua explicação; seu colega de equipe se introduz na conversa para explicar à sua maneira – a maneira que ele crê ser mais fácil compreender.

Pode ocorrer também da ação de alguém ser solicitada, mesmo que indiretamente, pelo outro, como no caso da introdução de uma terceira pessoa na discussão – o setor jurídico e do setor de TI pelo “cliente” nos correios eletrônicos relativos ao contrato, via envio de correio eletrônico, “com cópia”, visto que estes seriam os que poderiam possuir o instrumental necessário para a resolução do problema ou que poderiam encaminhá-lo, autorizá-lo.

sujeitos, ora uma decisão de iniciativa pessoal em se posicionar na discussão. Elas permitiram que outros, mesmo não sendo aqueles a quem a mensagem foi dirigida numa primeira instância, tivessem acesso e pudessem “entrar” na conversa ou serem convidados a “entrar”. No caso do convite, o sujeito é reconhecido na posição que ele ocupa pelo grupo, e esta posição é validada pelo convite ou, como no caso citado, o sujeito se posiciona ele mesmo, podendo ter sua posição aceita, reconhecida, ou rejeitada, ignorada.

Esses processos ocorreram em paralelo ou simultaneamente e que de uma forma ou outra estavam imbricados na constituição da nova conformação organizacional; as relações devem, portanto, ser percebidas em sua inter- relação com outros processos de outros sujeitos individuais ou coletivos.

7.2.1.2. Simultaneidade dos processos individuais na ação coletiva

Para diferenciá-los dos processos coletivos na condução do projeto, optou-se por denominá-los subprocessos, não no sentido de menos importantes, mas de que são constituídos em situações particulares e possuem uma duração pequena em comparação aos outros processos que estavam diretamente relacionados às finalidades coletivas. O que não quer dizer que não tenham contribuído para o alcance das metas coletivas.

Poderia se afirmar que esses subprocessos foram situações pontuais de ajustamento e adequação das diferenças entre os sujeitos agentes envolvidos necessários de serem resolvidos para permitir o andamento do projeto. “Processos secundários” ou “sub-relações” são aqueles que têm objetivos e finalidades imediatas específicas e divergentes da finalidade principal (em Boesch, “actema”, em Maggi, “outros processos”); podem ser de natureza hierárquica e reforçar a idéia de divisão de “território” e de poder, como no caso “cliente” e “fornecedores”; podem ser, como no caso entre

“fornecedorI” e “fornecedorII”, complementares e reforçarem a idéia de cooperação; e podem ainda ser de outra natureza, numa relação de semelhança: “eu sei que somos diferentes, mas creio que te conheço de tal forma bem a ponto de saber como te dar as informações para que você possa compreender”.

Não é uma relação simétrica do tipo “espelho”, em que os dois são iguais em suas posições, tampouco uma relação estritamente afetiva: “eu realmente te conheço bem, porque trabalhamos juntos já vários anos o que me permitiu experienciar” – mais do que experimentar ter vivido ele mesmo, em sua humanidade, a experiência e interação com outros em circunstâncias que lhe deram a possibilidade de conhecer e aprender a lidar com várias facetas e particularidades do comportamento do outro em determinadas situações. Esse tipo de relação ocorreu com freqüência entre os sujeitos do “fornecedorI” e os sujeitos do “fornecedorII”.

Os “subprocessos”, pode-se dizer, coexistiram no decorrer do processo coletivo, mesmo possuindo características distintas, e se desenvolveram a partir do “possível”, ou seja, as relações se constituíram no espaço delimitado pelos recursos humanos, técnicos e ambientais disponíveis; dessa forma, as posições e atribuições se modificaram a partir das funções de origem no decorrer do processo.

Benzer Belgeler