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Nesta subseção abordaremos o tema das práticas familiares e das práticas escolares, bem como das inter-relações família-escola, empregadas como estratégias para o bom desempenho escolar.

Compõem essa subseção os artigos dos seguintes autores: Bustamante (2013), Viana (2005), Dessen e Polonia (2007), Alves (2010) e Nogueira (2004).

O quadro 12 apresenta as “unidades de registro” com os recortes/excertos que deram subsídio para a análise realizada e os respectivos autores dos artigos.

QUADRO 12 – “unidades de registro” e autores correspondentes à categoria “Práticas familiares e práticas escolares”

Unidades de registro Autores

“Práticas como o castigo físico, a realização de tarefasdomésticas ou a participação em cultos religiosos apontampara o fortalecimento dessa construção, que se dátanto pensando na criança como futuro adulto quantona criança como membro ativo da vida social.” (p. 514).

Bustamante (2013) “observa-se que a evolução do aprendizado dos alunos que vêem as mães lendo com alguma

frequência têm resultados melhores do que aqueles cujas mães nunca lêem, e que praticamente se mantêm com médias estáveis no período.” (p. 279).

“Tendo em vista as condições econômicas dessas famílias, como já discutido no tópico anterior, o gasto com transporte escolar pode ser considerado um investimento em educação, porque indica a disposição de escolha por uma escola mais distante, porém reconhecida na comunidade como de melhor qualidade.” (p. 289).

“Além desses investimentos indiretos, em geral, os alunos não têm muitas atividadesextraescolares. Mas merece destaque o fato que muitos meninos frequentam escolinhas de futebol oferecidas por um programa apoiado pela prefeitura.” (p. 289).

Alves (2010)

“Os pais supervisioname acompanham não somente a realizaçãodas atividades escolares, mas também adotam, emsuas residências, estratégias voltadas à disciplina eao controle de atividades lúdicas.” (p. 27).

Dessen e Polonia

(2007) “Na verdade, os pais domeio empresarial se servem também (ou até mais) deoutros tipos de

estratégia para salvaguardar ou elevara posição do grupo familiar no espaço social. Nessesentido, pude detectar estratégias de tipo econômico,tais como: preparar os filhos desde muito cedo parasua sucessão; associá-los à empresa paterna; ou abrirpara eles um pequeno negócio, ainda durante seu períodode formação.” (p. 141).

Nogueira (2004)

“Para favorecer o sucesso escolare social de seus filhos, há, nos meios populares, segundo esses autores, pais que elaboram planos de ação e desenvolvem práticas educativasdotados de uma

certa coerência.” (p. 109-110). Viana (2005) Fonte: Própria autora

Muitos artigos têm evidenciado o papel da sociologia nas investigações relacionadas à instituição escolar e à instituição familiar, destacando a relação entre ambas e sua influência no desempenho escolar dos alunos.

Viana (2005), por meio de uma revisão de literatura, chama a atenção para a existência de formas específicas de presença familiar a serem identificadas na escolarização bem sucedida dos filhos e filhas nos meios populares. Viana (2005) constatou que há, nos meios populares, familiares de alunos e alunas que elaboram planos de ação e desenvolvem práticas educativas, dotadas de certa coerência, para favorecer o sucesso escolar e social de seus filhos (elaboram planos de ação e práticas educativas “não pedagógicos”, ou seja, não normatizados por saberes teóricos, sem contornos marcadamente reflexivos, mas, diferentemente, processados diretamente nas atividades práticas e cotidianas, por imitação e imersão).

A principal hipótese que elaboro é a de que, no interior dos processos de socialização familiar nos meios populares – sobretudo nas brechas, a serem exploradas, de suas diferenças internas –, podem ser vislumbradas pistas para identificação de formas específicas de presença das famílias na escolarização dos filhos, presença que não significa, necessariamente, mobilização escolar stricto

sensu. (VIANA, 2005, p. 121)

Dessen e Polonia (2007) destacam, em suas análises, a existência de atividades e práticas familiares, realizadas nas residências, voltadas à disciplina e ao controle de atividades lúdicas, ou seja, atividades e práticas familiares para além do envolvimento no monitoramento das tarefas escolares, ou, ainda, em orientaçõessistemáticas do comportamento social eengajamento dos filhos nas atividades da escola. “Os pais supervisionam e acompanham não somente a realização das atividades escolares, mas também adotam, em suas residências, estratégias voltadas à disciplina e ao controle de atividades lúdicas.” (Dessen e Polonia, 2007, p. 27).

Ao referir-se à função social da família, Bustamante (2013) destaca a adoção de práticas familiares, desenvolvidas no ambiente doméstico, que visam o bom desenvolvimento do indivíduo na vida em sociedade. Segundo a autora, a família preocupa-se, para além da aprendizagem escolar de sua prole, com que a criança possa aceitar e contestar o seu lugar na sociedade, e para isso adota práticas como o castigo físico, a realização de tarefas domésticas ou a participação em cultos religiosos, entre outras, pensando na criança como membro ativo da vida social.

Alves (2010), em seu artigo, procura algumas especificidades no contexto familiar que contribuem para que alunos e alunas obtenham bons resultados escolares. Dessa maneira, a autora destacou algumas práticas familiares que, segundo sua investigação, refletiam no desempenho escolar dos alunos e alunas nas instituições escolares pesquisadas, a saber: atividades extracurriculares, como “escolinhas de futebol”; investimentos indiretos em educação, como, por exemplo, a disposição de escolha por uma escola mais distante, porém reconhecida na comunidade como de melhor qualidade, implicando em gastos com transporte; e presença de livros e práticas de leitura em casa.

“Num contexto de escolas públicas, é esperado que a existência de livros na casa dos alunos seja, em parte, condicionada pelas condições econômicas das famílias. Em várias casas visitadas, os livros disponíveis eram os didáticos ou coleções recebidas da escola.” (Alves, 2010, p. 280).

Nogueira (2004), ao investigar as práticas socializadoras das famílias economicamente privilegiadas, concluiu em seu estudo que essas famílias dispõem de estratégias para salvaguardar ou elevara posição do grupo familiar no espaço social ao qual pertencem,tais como: preparar os filhos desde muito cedo parasua sucessão; associá-los à empresa paterna; ou abrirpara eles um pequeno negócio, ainda durante seu períodode formação.

Nesta subseção destacamos o que os artigos sobre a relação família-escola têm falado acerca das práticas familiares, para além do envolvimento com os assuntos escolares no lar.

Como demonstrado por meio dos estudos aqui analisados, a crença de omissão/apatia dos familiares de alunos e alunas para com a escolarização de seus filhos e filhas mostrou-se um mito, uma vez que as famílias afirmaram ser interessadas na escolarização dos filhos, valorizando e considerando-a como via de ascensão social. (CRUZ, 2007; SARAIVA e WAGNER, 2013; BERTAN, 2005; MARCONDES e SIGOLO, 2012; CRUZ e SANTOS, 2008; DESSEN e POLONIA, 2005; SILVEIRA, 2009).

CAPÍTULO 3. SÍNTESE INTEGRADORA DAS DIFERENTES PERSPECTIVAS DE

Benzer Belgeler