A partir da junção de conhecimentos dos pesquisadores e das rendeiras e da análise das experiências anteriores (Oficina de design, Oficina de renda, Pesquisas anteriores do GREPE), a primeira versão do método da oficina de desenho, aprovada no edital do Proext Cultura (2008) foi concebida. Esta proposta elaborada pelo GAE ex (Grupo de Ação Ergonômica Externo) foi discutida com os integrantes do GA (Grupo de Acompanhamento) e do GS (Grupo de Suporte), consistindo na proposta enviada para o órgão financiador desta pesquisa.
A proposta inicial da oficina de desenho foi dividida em sete módulos: Introdução à técnica de Desenho, desenho à mão livre,
Oficinas de teoria e prática de técnicas de desenho (ensino da prática do desenho da renda e confecção dos moldes),
Técnicas de design (representação bidimensional através de composição de imagens através de módulos com pontos da renda),
Criação de novos desenhos (elaboração de novos desenhos e produtos com as técnicas aprendidas),
Conservação e manutenção dos moldes, elaboração de novos produtos (confecção da renda, baseando-se nos desenhos produzidos na etapa anterior),
Oficina de formação de preços.
5.3.2.2 Segunda Versão da Metodologia da Oficina de Desenho
A segunda versão da metodologia da oficina de desenho constituiu-se de uma reestruturação da sequência da proposta inicial e de um detalhamento dos conteúdos, métodos e técnicas de cada módulo.
Nesta fase da modelagem, as mestrandas do GAE ex (Grupo de Ação Ergonômica Externo) estavam acompanhando a Oficina de Renda, situação de referência deste projeto, como alunas e como pesquisadoras, possibilitando a identificação de importantes situações características possíveis de acontecer na Oficina de Desenho, bem como conhecer os potenciais alunos (GF3 e GF1) e as instrutoras (GF2) da Oficina de Renda, permitindo uma adaptação da metodologia às reais necessidades do grupo de rendeiras.
As alterações e detalhamento da segunda versão da oficina foram conduzida pelo GAE ex (Grupo de Ação Ergonômica Externo) em conjunto com o GAE i (Grupo de Ação Ergonômica Interno), com participação de integrantes do Grupo de Acompanhamento e, em algumas situações alguns integrantes dos GF (Grupos de foco). As alterações foram validadas progressivamente, de modo que cada ajuste feito na Metodologia da Oficina era validado pelos GA (Grupo de Acompanhamento) e GS (Grupo de Suporte).
Podemos observar na figura 34, o fluxograma da 2° versão. Para um melhor entendimento, as modificações realizadas nesta versão da metodologia foram destacadas com contornos e setas vermelhas.
O primeiro módulo constituiu-se da apresentação (em data show) do plano de curso, envolvendo os conteúdos abordados na oficina e os objetivos que se pretendia alcançar, a saber: contribuir com o desenvolvimento sustentável da localidade, contribuir com a formação de preços justos de comercialização da renda de bilros, promover melhorias no tocante à produção e comercialização dos produtos de renda de bilros, atrair as novas gerações na produção de renda, bem como resgatar e documentar a cultura e arte da Renda de Bilros na Vila de Ponta Negra. Também seriam apresentadas as finalidades e possibilidades de aplicações dos desenhos dos moldes.
Ainda no primeiro módulo, que consiste em uma etapa preparatória para o módulo seguinte (técnicas de desenho) seriam realizados exercícios práticos com dinâmicas para “soltar a mão”, estimulando as alunas a desenharem à mão livre. Baseado na constatação de que a maioria das alunas tinha pouca ou nenhuma habilidade com desenhos a mão livre, foi inserido um exercício à mão livre onde as alunas passariam “a limpo” desenhos existentes, com o auxílio de papel manteiga (papel fosco transparente). Este exercício teria como finalidade uma familiarização com os desenhos dos moldes existentes (primeiro cobrindo os desenhos, depois olhando e copiando sobre a malha).
Os exercícios do segundo módulo começaram a ser detalhados. Após reunião dos membros internos e externos do GAE (Grupo de Ação Ergonômica) constatamos que o desenho da renda não poderia ser feito em papel milimetrado (comercializado em lojas e papelarias), visto que o desenho da renda segue linhas diagonais e não horizontais e verticais como as existentes no papel milimitrado (figura 35). Em decorrência deste fato foi inserido um exercício específico para se fazer malha para a renda de bilros (figura 36).
Técnicas de design, tais como teoria e prática da cor e representação bidimensional continuariam a ser repassadas no terceiro módulo, porém foram detalhados conteúdos teóricos com a explanação de conceitos teóricos sobre cor e representação bidimensional. Os exercícios aplicados nesta etapa foram planejados.
O módulo de conservação e manutenção dos moldes, passou a ser realizado antes do módulo de criação de novos moldes, tornando-se assim o Módulo 4. Esta medida foi tomada após reuniões entre o GAE ex (Grupo de ação ergonômica externo) e o GA ex (Grupo de Acompanhamento Externo), visto que, esta etapa seria melhor aproveitada se fosse executada logo após a criação dos moldes, pois haveria a oportunidade colocar em prática o aprendizado nos moldes desenhados pelas alunas.
O módulo de criação de novos moldes passou a ser o quinto módulo da oficina.
O módulo direcionado à formação de preços tornou-se o sexto, em face da possibilidade de repassar os conhecimentos sobre formação de preço antes de iniciar o processo de produção das peças de renda pois, desta maneira, as alunas poderiam praticar os conhecimentos no sétimo módulo.
O sétimo e último módulo seria composto de aulas práticas onde seriam produzidos os produtos em renda de bilros a partir dos moldes concebidos no quinto módulo, colocando em prática a leitura dos desenhos, a realização dos furos nos desenhos (pinicar), a contagem e o posicionamento inicial dos bilros, assim como exercitariam o levantamento das informações para a formação de preços. Aqui, elas também receberiam orientações a respeito de conservação dos moldes feitos.
5.3.2.4. Versão Piloto da Oficina de Desenho de Renda de Bilros
A partir da validação contínua durante o processo modelagem, chegou-se a versão piloto da Oficina de Desenho, na qual os exercícios a serem aplicados foram detalhados. Esta foi dividida em sete módulos (Figura 37).
Nesta versão, o primeiro módulo propõe uma introdução acerca da importância de saber desenhar os moldes da renda, ressaltando a importância do domínio desta etapa do processo produtivo para aprimorar os conhecimentos a respeito da técnica do rendar, bem como possibilitar o processo criativo para a criação de novas peças.
No segundo módulo, seriam propostos exercícios desenvolvidos especialmente para a oficina de desenho. São exercícios práticos onde, a partir das explicações da instrutora, as alunas fariam os exercícios olhando e copiando os moldes. Também seriam ensinadas as noções preliminares da leitura dos desenhos, contagem e posicionamento dos bilros nos moldes. Estes ensinamentos serão repassados de forma progressiva, acompanhado os cinco níveis de complexidade dos desenhos inseridos neste módulo.
No terceiro módulo, as alunas estariam aptas a começar a criar seus próprios moldes; para isso, uma oficina de criatividade será ministrada. No decorrer deste módulo, serão repassadas instruções de como realizar a manutenção e conservação dos moldes.
No quarto e quinto módulos seriam repassadas técnicas de design: representação bidimensional e teoria e prática da cor, respectivamente.
No sexto módulo, elas receberiam informações básicas a respeito de formação de preços dos produtos, e por fim, no sétimo módulo, as rendeiras desenvolveriam novos produtos a partir dos moldes e desenhos criados na oficina, se utilizando de todos os conhecimentos adquiridos.
Ao final da oficina, as alunas (GF 5 e 6) deverão estar aptas a criar e produzir desenhos e os respectivos produtos.
5.3.2 Prototipagem Ergonômica da Oficina de Desenho
Para Saldanha (2004), “à medida que a modelagem vai evoluindo de forma e conteúdo, o modelo vai sendo transformado em protótipo”. De acordo com Saldanha (2004) “este
processo de transformação do modelo em protótipo exige a participação de ajudas especializadas que consistem de uma apropriação contratual de instrumentos, métodos e
conhecimentos especializados, focados e úteis para resolver problemas específicos”, que neste caso se referem ao conhecimento das técnicas da renda de bilros, do desenho dos moldes e do repasse destes conhecimentos.
A elaboração dos exercícios para a Oficina de Desenho foi realizada através de um processo participativo, de restituição e validação progressiva a partir de reuniões do GAE. Estas reuniões foram realizadas na residência da Rendeira integrante do GAE (Grupo de Ergonomia Interna), no período de Julho e Agosto de 2009, antes da implementação da Oficina de Desenho. Este procedimento foi de extrema importância nesse processo de prototipagem, unindo conhecimentos técnicos e tácitos.