De acordo com dados do INCRA (2008), o Assentamento Guapirama, situado em Campo Novo do Parecis-MT, as margens esquerda e direita da BR 364, km 849, possui área de 3.293,7568 ha. e foi instituído através do Ato de Criação nº 00107, de 14 de dezembro de 1998; já a desapropriação ocorreu em 28 de maio de 1998. O assentamento, de acordo com Nunes (2004) é fruto da reivindicação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campo Novo do Parecis-MT junto ao INCRA, em conjunto com o poder público municipal, com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura (FETAGRI). A área foi escolhida pelos trabalhadores e pelos órgãos citados, os quais, posteriormente entraram em contato com o
26 O termo “pareci” é referência a serra e ao povo indígena de Mato Grosso (paresi). (FERREIRA, 1954 apud
proprietário da terra, quando o mesmo autorizou a indicação da propriedade ao INCRA para realizar o assentamento desses trabalhadores. Feito isso, a próxima etapa foi acampar as margens da rodovia BR 364 (na época MT 170) com a intenção de agilizar o processo, o qual transcorreu de modo pacífico, sem invasões ou desordens. Assim, no ano de 1998 foi feita a solicitação de compra da área considerada improdutiva27 para beneficiar famílias que já estavam acampadas no local à espera da terra. Ao final do mesmo ano, realizou-se sorteio para escolher os lotes que caberiam aos trabalhadores. Para isso, a então fazenda foi dividida em 54 lotes com média de 45 ha cada, sendo 52 lotes para assentados e dois destinados à instalação da agrovila e realização de pesquisas e ainda uma reserva comunitária de 600 ha.
Esse assentamento encontra-se em fase de consolidação, fase esta, de acordo com INCRA, cujos beneficiários já se encontram instalados, com dotação de infra-estrutura básica, e com acesso ao PRONAF-A28.
Em relação às pessoas que residem e trabalham no local, Vieira (2008) identificou residem e lá desenvolvem seu trabalho 172 pessoas29. A maior parte dos titulares é originária da Região Sul do País (78%), os quais chegaram a esse município para trabalhar nas grandes propriedades rurais produtoras de soja. Diante da possibilidade de ter um lote de terra para produzir e morar com a família, esses trabalhadores foram para o assentamento onde exploram a propriedade a mais de 09 anos. O assentamento existe há 10 anos e nesse local as famílias cultivam soja, milho, arroz, eucalipto, criam ovinos, bovinos de corte e leite; ainda, em pequena escala, algumas famílias fazem artesanato com fibra de bananeira e sementes, os quais são comercializados no município de Campo Novo do Parecis-MT e também em feiras fora do estado. O nível de escolaridade dos trabalhadores que são proprietários de lotes no assentamento, de um modo geral, pode ser considerado baixo; há presença de analfabetos (1,92%), mas o que predomina é o ensino fundamental incompleto (73,08%). Existem também produtores com ensino superior completo, embora em pequeno percentual (1,92%).
Quanto ao número de filhos de produtores que moram no assentamento, Vieira
27 O imóvel (propriedade rural) considerado improdutivo pelo INCRA é aquele que, embora seja agricultável, se
encontra total ou parcialmente inexplorado pelo seu ocupante ou proprietário. Nesta condição, torna-se passível de desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária.
28 O programa é composto dos seguintes grupos: “A” e “ A/C” de acordo com a condição de assentado; e “B” e,
PRONAF- Comum, de acordo com a renda bruta anual obtida pelo produtor, que pode variar de até R$ 5.000,00 para o Grupo B e acima de R$ 5.000,00 até R$ 110.000,00 para o PRONAF Comum.
29 Verifica-se uma diminuição no número de pessoas residentes no assentamento, haja vista que em 2004
(2008) constatou que 34,62% dos produtores têm mais de um filho que reside no local junto com os pais, no entanto, 36,54% dos produtores não possuem nenhum de seu(s) filho(s) que resida(m) na propriedade. Há também pessoas que residem no assentamento, porém trabalham em outros locais. Das 52 famílias assentadas, na maioria (42,31%) há uma pessoa na família que sai para trabalhar fora. Existem casos em que mais de uma pessoa (21,15%) trabalha fora do assentamento. Ainda, ocorrem situações entre os assentados (9,62%) em que ninguém da família trabalha na propriedade, a qual está arrendada ou com um empregado para tomar conta. Sobre a prática de arrendamento, os agricultores denominam como “parcerias”, haja vista que, segundo eles, o INCRA não permite que as terras sejam arrendadas; já as parcerias são permitidas.
No que se relaciona a assistência técnica, a qual de acordo com o INCRA é um trabalho de orientação a ser prestado gratuitamente pelo Estado as famílias assentadas, que abrange aspectos como: cultivo, armazenagem, comercialização, criação de animais entre outros, nesse local, deveriam ser atendidos pelos serviços de ATER, a qual objetiva contribuir para o desenvolvimento dos assentamentos, ou seja, orientar para busca de autonomia e de alternativas que favoreçam iniciativas de cooperação entre os assentados. Essa assistência, no assentamento é prestada pela Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (EMPAER), a qual é responsável pelo serviço de Extensão Rural, serviço este constituído no estado de Mato Grosso em setembro de 1964.
Essa entidade foi criada por conta da fusão da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), Empresa de Pesquisa Agropecuária (EMPA) e Companhia de Desenvolvimento Agrícola (CODEAGRI), das quais é sucessora. É uma sociedade de economia mista, e está vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (SEDER). A referida instituiçao está presente em 94% dos municípios do Estado, e oferece serviços de assistência técnica e extensão rural, pesquisa e fomento aos agricultores familiares em 141 municípios (incluindo o municipio de Campo Novo do Parecis-MT) através da operacionalização de 132 escritórios locais, nove regionais, dois centros de pesquisa, seis campos experimentais, quatro viveiros de produção e um núcleo de laboratórios. Toda essa estrutura conta aproximadamente 600 funcionários. A EMPAER tem como slogan “A Serviço da Família Rural” e, como objetivo “prestar atendimento a produtores rurais, e incentivar a produçao sustentável, de modo favorecer o crescimento sócio-econômico da média e pequena propriedade rural”.
Com vistas a conhecer a atuaçao dessa empresa no municipio, foi realizada visita a EMPAER local, no mês de setembro de 2008. Constatou-se que a equipe desta
unidade é composta por dois funcionários: um engenheiro agronômo e um técnico, os quais são responsáveis pelo atendimento dos seguintes locais: Projeto Seis Lagoas (44 propriedades); o Assentamento Paloma (82 propriedades), Assentamento Guapirama (52 propriedades), Assentamento Nossa Senhora Aparecida (13 propriedades). Além desses locais, prestam asistência a um grupo de 30 horticultores em chácaras próximas ao perímetro urbano no município e também atendem sete aldeias indígenas pertencentes a Campo Novo do Parecis-MT. Conforme relato dos funcionários desse orgão, diante do público a ser atendido pela equipe, fica evidente a impossibilidade do serviço que prestam atingir a todos. Além da falta de pessoal de nivel técnico e administrativo, o que segundo o técnico Edson Nunes, deverá ser suprida via concurso em que serão abertas 300 vagas, também há falta de equipamentos e recursos de locomoção (veículos para levar equipamentos e combustível). Essa unidade da EMPAER possui apenas um veículo (Fiat Uno), o qual por conta das distâncias a serem percorridas e condições de trafegabilidade das estradas, não é adequado. Diante da falta de recursos para atender a população alvo, o técnico disse que priorizam o atendimento aos agricultores que tem financiamento; quanto aos demais, são levados alguns cursos ou palestras em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) sobre diferentes assuntos do interesse desses produtores.