A paisagem natural aliada ao conjunto arquitetônico possibilita que os turistas vivenciem diversos segmentos turísticos em Diamantina e seu entorno. Na região, o turismo pode ser explorado sob inúmeras perspectivas e o desafio a ser vencido é a montagem de uma adequada estrutura informacional que estimule o turista a visitar os atrativos do entorno e a conhecer a diversidade local. Não há referências claras aos vários parques e às atividades de lazer disponíveis nos mesmos. Observa-se também poucas atividades disponíveis que propiciam vivências culturais ligadas à identidade diamantinense, remetendo à música e ao garimpo, por exemplo. Estes gargalos são
derivados da ausência de uma estratégia de interpretação dos patrimônios natural e cultural.
A técnica da interpretação ao comunicar através de mensagens a história e a cultura de um lugar faz com que ele adquira nova dimensão. Por meio dela é possível destacar o caráter diferencial de suas atrações culturais, estimular o olhar do visitante, diversificar o produto turístico e por último, mas não menos importante, despertar o interesse e o orgulho da comunidade sobre o significado de seu patrimônio cultural, incentivando práticas preservacionistas. (MURTA, S.; GOODEY, B. 1995 apud ALBANO, 2002) Não há, no centro histórico, qualquer referência às atividades do entorno para que o turista sinta-se instigado a experimentá-las. Aliar o turismo cultural às atividades que envolvem contato com a natureza é uma possibilidade de distinção do destino “Diamantina”, fortalecendo-o com produtos de qualidade, competitivos e com alto valor agregado.
Uma alternativa que contribui para consolidar Diamantina como destino turístico é pensar a cidade a partir da sua formação urbana, suas formas e lugares como oportunidade de aproximar o leitor (observador) da paisagem à história e à identidade local. A partir disso, implantar, no centro histórico, elementos interpretativos que façam referência ao entorno, incluindo as Unidades de Conservação. Além de apresentar roteiros temáticos incluindo assuntos aliando natureza e cultura.
Vasconcellos (2004:171) afirma que “o conhecimento da região circunvizinha valoriza cada um dos pontos considerados, pelos paralelos, que suscitarão, pelas descobertas de similitudes e diferenciações, pela possibilidade de preferências...” No projeto interpretativo, será importante que a pessoa compreenda a importância do diamante e que não é possível entender todo o contexto e história local visitando apenas o centro da cidade. É interessante que o turista conheça, por exemplo, o Garimpo Real, um local de garimpo artesanal autorizado pelos órgãos ambientais e aberto à visitação. O projeto interpretativo fará referência a este garimpo localizado no entorno da cidade. A interpretação faz com que fatos, lugares e celebrações adquiram nova dimensão; resgata sentimentos de pertencimento e encanto na comunidade, ao mesmo tempo em que estimula o visitante a conhecer melhor não apenas a cidade, mas toda a região.
A oferta de produtos turísticos como o Garimpo Real resgata e fortalece a cultura local por meio da valorização de lugares referência para a comunidade, que antes não eram percebidos. Esta atividade vivencial está associada às motivações do
turista que, na maior parte dos casos, busca prazer, entretenimento, educação e proximidade com novas culturas. Há certo temor de que a interpretação turística prejudique as expressões culturais que ocorrem em Diamantina. E, neste aspecto, há que se considerar que
algumas vezes o sentido do lugar pode ser arruinado pela interpretação. Quem interpreta deve estar atento e ser sensível na avaliação do lugar e das oportunidades oferecidas, e até recomendar a não interpretação, se assim for necessário. Afinal, espaços destinados pura e simplesmente à contemplação são tão importantes quanto os que passaram por um processo de interpretação. (MURTA e GOODEY, 2005: 33)
Algumas pessoas descobrem a história da qual fazem parte através da interpretação do patrimônio. Apesar da interpretação, geralmente, objetivar fins turísticos, propicia ao cidadão entender a importância de Diamantina em determinado período, compreendendo o contexto em que se insere a cidade na economia global. Desta forma, torna-se factível que a população local entenda o porquê a cidade é reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
A interpretação do patrimônio é uma forma de valorizar a história do lugar, sempre relacionando eventos passados com o presente, a fim de permitir ao observador um canal de comunicação que o faça sentir parte do processo histórico e natural da região visitada. A interpretação contribui para a montagem de uma atração turística que faz referência a várias outras e, assim, manter o turista por mais tempo na região, ao mesmo tempo em que atrai mais pessoas fascinadas com a singularidade local.
Diamantina desperta o interesse de visitantes a procura de paisagens singulares e manifestações culturais seculares. O turismo cultural, não depende apenas do que se vê, mas, principalmente, de como se vê.
O estudo da paisagem diamantinense revela cenários fascinantes, indica possibilidades de interpretação do patrimônio que considere as mudanças da paisagem durante as estações do ano e, também, ao longo do dia. As ladeiras favorecem caminhadas lentas, cujo movimento permite apreciar ângulos variados de um mesmo objeto. As vias urbanas são tortuosas e se assemelham, se assim se pode dizer, a um labirinto para o expectador desatento ou novato.
Na cidade o espaço “fala”, e a interpretação é a tradução deste falar. Santos (1984:06) resume esta posição ao afirmar que “os espaços urbanos são livros abertos,
que a cada instante dizem aos que estão neles não só onde estão, mas quem são e quem são os outros.” E, para se tornar a leitura do espaço urbano acessível a diferentes públicos, sugere-se como o eixo temático da interpretação do patrimônio do centro histórico de Diamantina “A Formação Urbana”. Nesta dissertação, no que tange a caracterização urbana, far-se-á um recorte do chamado centro histórico, a fim de verticalizar os estudos da área.