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5. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER

5.2. Tartışma

Em Conversando sobre Capoeira..., publicado em 1996, Esdras M. Santos propõe uma divisão cronológica da capoeira regional que nos auxilia na compreensão de seu desenvolvimento.

Na primeira fase, inicial ou de criação (1930 a 1937), Bimba, juntamente com Cisnando Lima e Ruy Gouveia, desenvolve sua luta regional baiana, estabelecendo sua academia.

Na segunda fase, consolidação (1938 a 1966), a capoeira regional, com suas feições definidas, vai ganhando terreno e os discípulos de Bimba como Esdras, Garrido, Peres, entre outros, começam a apresentar-se em outros estados. Nessa fase, Angelo Decânio Filho destaca-se como aluno e médico de mestre Bimba.

Na terceira fase, propagação (1967 a 1973), há uma grande migração de capoeiristas baianos para São Paulo e Rio de Janeiro. Migram para São Paulo os representantes da capoeira angola Ananias, Valdemar Angoleiro, Brasília, Silvestre e Limão e os da regional Joel, Suassuna, Paulo Gomes, entre outros. Esses capoeiristas vêm para São Paulo em busca de melhores condições de vida, trabalhando em diversos ofícios durante o dia e dando aulas de capoeira durante a noite. Foi assim que mestre Brasília, pedreiro, e mestre Suassuna, office-boy, abriram a Academia Cordão de Ouro, localizada no bairro de Santa Cecília. Foi nessa época que começaram a surgir as primeiras academias em São Paulo.

Para o Rio de Janeiro vai Arthur Emídio, que abre sua academia nos subúrbios cariocas. Em Ipanema, no início da década de 60, um grupo de adolescentes formado por Paulo Flores e Rafael, que haviam tido algumas aulas com mestre Bimba em Salvador, e Gato e Gil Velho, começa a treinar por conta própria e, mais tarde, com o auxílio de alunos de Bimba como Preguiça, Anzol, Camisa Roxa e Camisa constituem o grupo Senzala. Esse grupo formou capoeristas como: Nestor Capoeira, Toni Vargas, Cláudio “Moreno”, entre outros. O grupo Senzala tornou-se muito famoso entre fins da década de 60 e inícios da década de 70, vindo a fragmentar-se em 1974, quando seus componentes resolveram trabalhar individualmente, abrindo suas próprias academias, como Camisa, fundador do Abadá, grupo de capoeira com diversas escolas no Brasil e no exterior (CAPOEIRA, 2001).

Nessa mesma época, em Curitiba, mestre Burguês funda o Grupo Muzenza. Em Salvador, Bimba forma discípulos como Jair Moura, Ubirajara Guimarães Almeida (Acordeon) e Raimundo César Alves de Almeida (Itapoan), que são responsáveis pela produção de importante bibliografia sobre a história da capoeira, notadamente da regional, e sobre a vida de mestre Bimba, material que utilizamos como parte do nosso corpus de análise e como fonte para a elaboração deste histórico, ao lado de outros trabalhos. Não podemos esquecer também de José Andrade Bittencourt (Vermelho) e de Ezequiel Martins Marinho, que deram continuidade à academia de mestre Bimba quando este foi para Goiânia.

Na quarta fase, contemporânea (1974 até os dias atuais), a capoeira, principalmente a paulista, é marcada pela mesclagem dos estilos angola e regional. Esses estilos conviviam pacificamente na Academia Cordão de Ouro, fundada, como já observamos, por Suassuna, da capoeira regional, e por Brasília, representante da angola. Foi também nesse período que a capoeira ganhou caráter internacional, sendo levada para a Europa por mestres e praticantes desse jogo.

Com relação ao número de golpes, Santos (1996, p. 43) observa:

Um fato interessante é que nessa fase contemporânea (ano de 1995), a Capoeira Regional já possui 90 (noventa) golpes anotados. Creio que tal inflação de golpes só pode ter ocorrido em função do desdobramento dos golpes fundamentais.

Mesmo sendo reconhecida como luta nacional, a capoeira ganha status de esporte com a criação da Federação Paulista de Capoeira em 14 de julho de 1974, que resultou da união de representantes de algumas academias paulistas, entre as quais: Associação K’poeira, representada por Airton Neves Moura; Associação Fonte do Gravatá, por Sérgio Médice Dieston; Associação São Bento Pequeno, por Djamir Pinatti; Associação Capoeira Zumbi, por Edson Oliveira Lima; Associação de Capoeira Santo André, por José Andrade; e Associação de Capoeira Melo, por Antônio Melo. Em seguida, foi criada a Federação Carioca de Capoeira.23. Nesse mesmo ano, a capoeira passa a integrar os esportes universitários quando Gladson Oliveira Silva a introduz

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Essas informações foram obtidas por meio de entrevista com Gladson Oliveira Silva, mestre de capoeira e docente dessa modalidade no CEPEUSP. Foi Diretor Técnico da Federação Paulista de Capoeira na época de sua criação.

entre os cursos oferecidos pelo Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo.

Em 1985, a capoeira é incluída nos Jogos Estudantis Brasileiros, JEBs, que reúnem alunos de escolas do ensino fundamental e médio de todo o país. Entretanto, em 1991, em virtude da troca dos Secretários de Desportos, a capoeira é excluída das atividades dos JEBs, voltando apenas em 1994 (BARBIERI, 1994).

O próximo passo para a esportização da capoeira foi a criação da Confederação Brasileira de Capoeira em 23 de outubro de 1992. Portanto, até essa data, as federações de capoeira de todo o país constituíam um dos departamentos da Confederação Brasileira de Pugilismo, única existente no país. Essa relação era estritamente burocrática, pois cada federação tinha autonomia para estabelecer e organizar campeonatos.

Outra conquista da capoeira-esporte foi o seu reconhecimento pelo Comitê Olímpico Brasileiro, em 1995. Quatro anos mais tarde, em 1999, é criada a Federação Internacional de Capoeira (FICA), que tem como objetivo homogeneizar as regras, a denominação dos movimentos, a formação dos professores de capoeira e o sistema de graduação, identificado por meio de cordões que representam as cores da bandeira brasileira.24

Há uma séria divergência entre a política das federações estaduais, brasileira e internacional, e os grupos de capoeira existentes. A maioria dos grupos visa à autonomia e à prática de uma capoeira criativa, livre de regras. Portanto, muitos deles não são filiados à Federação. De acordo com Sérgio Luiz de Souza Vieira, presidente da FICA, as federações querem que as regras concernentes à capoeira sejam bem- definidas, para que a capoeira seja praticada de forma homogênea em qualquer parte do país e do mundo, salvaguardando as origens brasileiras do esporte.

Essa tentativa de homogeneização resultou numa lista de golpes oficiais, que foram estabelecidos em reuniões com representantes da capoeira baiana, discípulos de Bimba e das federações, especialmente, a paulista, representada por Valentim Rodofo Muzzareli25, em 2001. Como podemos perceber pela evolução histórica da capoeira, o vocabulário utilizado para referir-se aos golpes, considerado gíria no início do século

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Entrevista realizada com Sérgio Luiz de Souza Vieira, presidente da Confederação Brasileira de Capoeira e da Federação Internacional de Capoeira, em 27.02.2002, em São Paulo.

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XX, tornou-se, pelo reconhecimento social e também pela sistematização da capoeira como esporte, uma terminologia.

Atualmente, vêm sendo incorporados vários movimentos acrobáticos na capoeira, como reversões para frente, para trás, saltos, executados principalmente em apresentações. Entretanto, neste trabalho nos concentraremos nos movimentos mais tradicionais, visto que nosso corpus é formado por manuais, nos quais não encontramos tais movimentos.

Além de ser reconhecida como esporte na década de 70, a capoeira tem sido objeto de estudo de várias áreas do conhecimento como Sociologia, História e Educação Física, desde a década de 90, resultando daí várias dissertações de Mestrado e teses de Doutorado.

Benzer Belgeler