in the Private Sector in the Context of the Queen Bee Phenomenon
6. Tartışma ve Sonuç
Ao longo dos anos, tem-se observado que o interesse pelo burnout tem crescido, despertando assim uma ampliação de seu campo de estudo. As primeiras investigações tiveram como foco os profissionais de ajuda e, com o passar do tempo, foram surgindo estudos em outros âmbitos profissionais e, até mesmo, com estudantes (Tarnowski & Carlotto, 2007). Constatou-se que o desenvolvimento do burnout, tanto em profissionais
130 quanto em estudantes, pode ocorrer de maneira aleatória, ou seja, não existe uma sequência lógica ou que siga uma determinada ordem (etapa por etapa), justamente por ser considerada uma síndrome (Barboza & Beresin, 2007).
Para efeito de fundamentação teórica, considera-se que o alargamento do conceito de burnout em estudantes, ou seja, a uma atividade pré-profissional (Carlotto, Nakamura & Câmara, 2006) foi proposto com rigor e suporte empírico por Schaufeli, Martinez, Pinto, Salanova e Bakker (2002). Tal estudo, de acordo com a compreensão de Carlotto e Câmara (2008, p.102-103), “confirmou a estrutura trifatorial original do Maslach Burnout Inventory
(MBI)14”, instrumento criado para avaliar burnout em trabalhadores.
Tal qual a definição original da síndrome para profissionais, o conceito de burnout em estudantes também se constitui em três dimensões: (1) Exaustão Emocional, sendo esta caracterizada pelo sentimento de estar exausto, devido às exigências do estudo; (2) Descrença, compreendida como sendo o desenvolvimento de uma atitude cínica e distanciada com relação ao estudo; e (3) Ineficácia Profissional, que tem como característica a percepção de estarem sendo incompetentes como estudantes (Carlotto & Câmara, 2008; Carlotto, Nakamura & Câmara, 2006).
Conforme levantamento apresentado por Tarnowski e Carlotto (2007) é possível afirmar que o burnout em estudantes se caracteriza pelo “sentimento de exaustão devido às demandas do estudo, ocorrendo uma atitude de descrença em relação ao mesmo e um sentimento de ineficácia profissional, isto é, de que o ensino não lhe oportuniza aprendizagem útil para sua formação profissional” (p. 174).
131 Barboza e Beresin (2007) contextualizam que é no início da fase adulta que, geralmente, ocorrem importantes mudanças na vida das pessoas. Isto se deve, principalmente, por esta ser uma etapa repleta de expectativas e processos decisórios que poderão ser determinantes no futuro do jovem adulto. Desta forma, tomadas de decisões tais como a difícil escolha pela profissão, a formação acadêmica e o trabalho, já podem ser considerados elementos (bastante) estressores. Ainda de acordo com as autoras, é nesta época que os jovens estão em busca de descobrir a si mesmos e, por esta razão, este período da vida caracteriza-se por ser um momento transitório e de adaptação entre o fim da adolescência e o começo da fase adulta. Além disso, o fato de estar exposto a um novo ambiente educacional (universidade ou um curso de formação de oficiais, como é o caso dos cadetes militares), bem como de trabalho, conduz o estudante a questionar-se acerca da sua capacidade de lidar com a incerteza, a contradição, a imperfeição e, até mesmo, a refletirem sobre questões relacionadas com o compromisso e a responsabilidade.
Durante os anos que passam na universidade (ou academia militar), os estudantes estão imersos numa situação ideal, na qual os problemas e dificuldades da prática profissional quase sempre são abordados de forma superficial. Isto conduz os discentes a adquirirem um conhecimento que, a princípio, lhes parece adequado às futuras situações de intervenção, o que, nem sempre, se confirma nas situações práticas (Carlotto & Câmara, 2008). Sendo assim, “a falta de formação prática, o tempo reduzido de experiência e o preparo pessoal nas escolas e centros universitários constituem um problema para os jovens que se iniciam no exercício profissional” (Barboza & Beresin, 2007, p. 226).
Em outras palavras, conforme observação de Tarnowski e Carlotto (2007), os estudantes estão constantemente expostos a diversos estressores psicossociais ao longo de
132 sua formação. Muitas vezes passam por situações que os conduzem a uma série de fatores estressores semelhantes aos que ocorrem em situações de trabalho profissional (Pena & Reis, 1997). Desta forma, seus maiores receios configuram-se em cometer algum erro, prejudicar alguém e não serem reconhecidos por seus pares (colegas) e professores (ou superiores) (Nogueira-Martins, 2002).
Para Barboza e Beresin (2007), apesar do trabalho se constituir num dos aspectos mais importantes na formação da identidade de uma pessoa, pois é a partir dele “que ocorre uma afirmação de si mesmo e o desenvolvimento mais complexo da interação social” (p. 226), ele também pode vir a se configurar enquanto um fator gerador de estresse. De maneira análoga, em se tratando de estudantes, verifica-se que, no caso dos estressores psicossociais persistirem, é possível se afirmar que o início da síndrome de burnout pode ocorrer já durante a fase acadêmica, ou seja, no período de preparação para o trabalho (Cushway, 1992, citada por Carlotto & Câmara, 2008).
Na concepção de Martin Monzón (2007), o estresse acadêmico é um fenômeno complexo e, portanto, os pesquisadores devem realizar análises que levem em consideração variáveis inter-relacionadas, como é o caso de: estressores acadêmicos, experiência subjetiva do estresse, moderadores do estresse e, por fim, efeitos do estresse no contexto universitário. Segundo Tarnowski e Carlotto (2007), o aluno/estudante pode experimentar, mesmo que de uma forma transitória, uma sensação de falta de controle sobre o ambiente que potencialmente está gerando estresse, resultando, assim, no fracasso acadêmico.
No entendimento de Carlotto e Câmara (2008), devido à convivência num ambiente de competição encontrado entre alunos, professores e supervisores, é possível verificar o surgimento de conflitos entre os mesmos, levando-os ao estresse e à exaustão emocional.
133 Assim, de acordo com essas autoras, uma atenção especial se faz necessária, já que o burnout pode começar no período de formação acadêmica e prolongar-se durante a vida profissional. Porém, é preciso levar em consideração que fatores relacionados à personalidade dos estudantes contribuem significativamente na previsão de os graduandos virem a desenvolver burnout na conclusão do seu curso (Barboza & Beresin, 2007).
Estas autoras salientam que, em algumas categorias de estudantes universitários (por exemplo, nos graduandos em enfermagem), o desenvolvimento da síndrome de burnout é iniciado antes mesmo da formatura, sendo este fato atribuído às expectativas que os graduandos geram ao ingressarem na faculdade. Logo, perante tal constatação, evidencia-se a importância de se agir, preventivamente, antes do total desenvolvimento do burnout já no processo de formação dos estudantes, posto que, ao passo que estes se relacionam direta e emocionalmente com pessoas, estão constantemente expostos a uma enorme variedade de fontes de estresse (Tarnowski & Carlotto, 2007).
A seguir serão apresentados alguns estudos realizados sobre a síndrome de burnout em estudantes.