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Tartışma

Belgede Elektrik dipol geçişler (sayfa 79-87)

6. ARAŞTIRMA, SONUÇLARI VE TARTIŞMA

6.2 Tartışma

Sendo a dinâmica espacial da maneira existencial da sociedade e dos processos de territorialização dos serviços bancários pautada na expansão técnica, não se pode deixar de lado as normas que surgem depois e/ou concomitante para retardar ou acelerar esses processos, uma vez que têm por objetivo coordenar, uniformizar, limitar e/ou proteger grupos ou instituições, possibilitando compreender melhor ―quem usa e quem regula‖ (SILVEIRA, 2012, p. 217) processos.

Antas Jr. (2005, p. 22) já evidenciou que Max Sorre (1948), em sua Les fondements de

la Géographie Humaine II, dedicou-se a este tema, bem como ainda Jean-Marie Perret (1992)

no artigo Pour une géographie juridique e René David (1996) em seu artigo Géographie

demonstrou e trouxe para a Geografia a importância de se incluir, no percurso investigativo, as normas na explicação dos processos geográficos.

Tomando por base as considerações de Godelier (1972) de que a vida em sociedade é organizada por princípios explícitos, isto é, ‗―normas criadas intencionalmente‘‖ (GODELIER, 1972 apud SANTOS, 2009a, p. 228), Milton Santos mostra que ―o espaço, por seu conteúdo técnico, é regulador, mas um regulador regulado, já que as normas administrativas (além das normas internas às empresas) é que, em última análise, determinam os comportamentos‖ (SANTOS, 2009a, p. 230). Isso se tornou mais evidente, sobretudo a partir do momento em que se aprofundou a divisão do trabalho, a partir da década de 1970, devido às novas tecnologias incorporadas cada vez mais aos processos produtivos, em que foram organizadas novas formas mais elaboradas de controle e cooperação, pois ―as novas necessidades de complementaridade surgem paralelamente à necessidade de vigiá-las, acompanhá-las e regulá-las‖ (SANTOS, 2009a, p. 232) ou ao contrário, isto é, regula-se também para atender à necessidade de complementaridade, como se verifica com relação ao processo de expansão geográfica dos serviços bancários. Por se darem até mesmo à distância, essas novas necessidades de regulação e controle constituem uma diferença entre as coexistências do passado e as do atual período.

A organização do homem em sociedade, no que diz respeito à busca pela produção, é acompanhada, ao mesmo tempo, pelo desejo de controlar. Como a sociedade sempre se apresenta fragmentada em grupos, classes, castas etc., as formas de controle são cada vez mais firmadas. Foi esta a constatação fundamental de Marx e Engels (1996, p. 9) ao

afirmarem que ―a história de toda a sociedade que existiu até agora é a História da luta de classes‖, fato este não desprezado por Sartre (1980, p. 72), para quem a descoberta da luta de

classes foi uma verdadeira descoberta, afirmando crer nessa luta ―[...] totalmente, ainda hoje em dia, na forma em que Marx escreveu, [pois], a época mudou mas é sempre a mesma luta entre as mesmas classes, com o mesmo caminho [...]‖.

Diante disso, faz-se oportuno destacar algumas perspectivas normativas que favoreceram a expansão geográfica das instituições bancárias e financeiras no Brasil, importantíssimas para a compreensão da ordem espacial locacional dos canais de atendimento bancários dispersos no Rio Grande do Norte.

A instituição espacial dos fixos bancários articula-se à estrutura social e à organização do território, cuja finalidade é a regulação dos comportamentos e diretrizes das ações da

sociedade, pautadas pelo que se configura útil a essa ordem. Daí, Santos (1999) falar em território normado – configuração territorial, e/ou parte dela, comandada, regulada e – em território como norma, no sentido de ser a configuração territorial produtora de normas. Segundo Santos (1988, p. 111), a configuração territorial também chamada configuração

espacial é dada pelo arranjo ―[...] dos elementos naturais e artificiais ou de uso social:

plantações, canais, caminhos, portos e aeroportos, redes de comunicação, prédios residenciais, comerciais e industriais etc.‖.

Tomando por base a teoria de Milton Santos, Antas Jr. (2005, p. 54) afirma que

―indivíduos, grupos e/ou populações têm seus comportamentos constantemente submetidos a

enquadramentos geradores de resultados ‗socialmente desejáveis‘‖. Ou seja, o sujeito mesmo gozando da liberdade que lhe é inerente (SARTRE, 1984) está posto a uma coação produzida externamente a si por instituições da autocriação humana (CASTORIADIS, 1987), ou às materialidades aparentemente inertes, que uma vez em conjuntos sistêmicos de objetos e

ações constituem arranjos intencionalmente dispostos ―[...] a obstaculizar dadas ações ou, ao

contrário, a promover-lhes a fluência‖ (ANTAS, RJ, 2005, p. 54).

Pautados em objetos técnicos padronizados, os bancos submetidos às regulações do Banco Central do Brasil conseguem impor normas de uso que direcionam, em alguma medida, as ações dos indivíduos, como é o caso do autoatendimento47, que contribui para essa impessoalidade com que se constituem parte das relações nos serviços bancários. Assim, percebe-se que as ações dos atores bancários ―[...] só se realizam por meio da técnica e da norma, e atualmente de modo intensificado, pois as ações se tornaram sobremaneira complexas [...]‖ (ANTAS JR, 2005, p. 58).

Videira (2006, p. 173) mostra que ―desde fins do século XIX o Estado se fazia

presente na regulação do sistema financeiro e bancário brasileiro‖, uma vez que o direito de

emitir papel-moeda e regular as demais instituições financeiras existentes era prioridade do Banco do Brasil, instituição bancária controlada pelo governo, que desempenhava, à época, as

47 O autoatendimento caracteriza-se por incluir o cliente como mão de obra no processo de realização de serviços. Para as instituições bancárias e financeiras, esta mão de obra é gratuita e substitui, parcialmente, o funcionário tradicional de atendimento nas agências bancárias. Isso gera uma economia de custos extremamente significativa para os bancos. Com a evolução técnica e tecnológica cada vez mais aplicada aos mecanismos de produção econômica é provável que configurações significativas na organização das prestações dos serviços bancários e financeiros, bem como outros tipos de serviços, em um futuro não muito distante, sofram impactos significativos, até porque, entende-se, se dependesse apenas dos bancos, todas as agências como as que existem hoje seriam fechadas e os clientes fariam as suas operações por meios eletrônicos, fato que alastraria demasiadamente os lucros.

funções de Banco Central (SINGER, 2001; CONTEL, 2006; COSTA, 2012). Isso vigorou desde a época da criação da primeira instituição bancária brasileira fundada em 12 de outubro de 1808, o Banco do Brasil, quando da vinda, para o Brasil, da Família Real portuguesa, até a década de 1940, quando o Governo Getúlio Vargas, através do Decreto-Lei nº. 7.293 cria, em 2 de fevereiro de 1945, a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC), órgão diretamente subordinado ao Ministério da Fazenda, que tinha por objetivo exercer o controle do mercado monetário e preparar a organização do Banco Central (CONTEL, 2006; COSTA, 2012). Assim, o Banco do Brasil, até meados da década de 1940 foi a instituição bancária oficial a nortear as políticas monetárias no país, atuando como Banco Central, no sentido de que não havia, nesse período, uma instituição com tal função em território nacional. Segundo Oliveira (2013), a SUMOC representava os anseios às práticas de Breton Woods48 no que concerne à ordem internacional.

Mudanças significativas só se efetivaram a partir de 31 de dezembro de 1964, quando o Governo Castello Branco promulgou a Lei nº. 4.595, instituindo a Reforma Bancária, com a função primordial de normatizar e dar as regras para o funcionamento do sistema financeiro e monetário nacional (CONTEL, 2006; COSTA, 2012; VIDEIRA; 2006). A Reforma Bancária e Financeira de 1964 teve papel importante no processo de regulação do sistema financeiro brasileiro, pois além de criar a instituição mais importante – o Banco Central do Brasil (BC), órgão responsável pela execução das políticas traçadas pelo Conselho Monetário Nacional (CONTEL, 2006), possibilitou reduzir o número de sedes bancárias existentes no país, o que favoreceu a concentração dos bancos nas mãos de poucos (CORRÊA, 2006).

Além disso, contribuiu para a expansão geográfica das agências pelo território nacional (Tabela 2), visando reter o saturamento quanto ao número de agências bancárias nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e a passagem de bancos de atuação local e regional para uma atuação nacional (CONTEL, 2006; VIDEIRA, 2006; CORRÊA, 2006; COSTA, 2012).

48 Chama-se às conferências realizadas em New Hampshire, EUA, ocorridas em 1944, que definiram o Sistema Bretton Woods, sistemas de ações e práticas de gerenciamento internacional financeiro, monetário e comercial que deveriam vigorar no período pós Segunda Guerra Mundial. Foi aí em que se criou o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para nortear a ordem monetária entre os Estados-Nação independentes. Ou seja, falar de Bretton Woods é falar de um sistema de ações constitutivas daquilo que Milton Santos chamou de verticalizações presentes, até hoje, nas dinâmicas existenciais das sociedades ocidentais, como a brasileira.

Vale ressaltar ainda, que a expansão da rede bancária em território nacional foi possível também por meio da instalação de postos de serviços em empresas privadas e públicas, bem como ainda por meio das incorporações e fusões bancárias que essa norma possibilitou aos agentes envolvidos (CORRÊA, 2006).

Tabela 2 – Brasil: Distribuição Espacial e Percentual do Número de Agências Bancárias em

1962 e 1996

REGIÕES/SÃO PAULO AGÊNCIAS EM 1962 (%) AGÊNCIAS EM 1996 (%)

Norte 1,3 3,9

Nordeste 9,1 15,2

Centro-Oeste 4,0 8,9

Sudeste e Sul 85,7 72,1

Estado de São Paulo 36,3 29,9

Fonte: Elaboração Própria com base em Santos e Silveira (2002, p. 186).

A partir desses dados levantados por Santos e Silveira (2002, p. 186), percebe-se que o mapa financeiro nacional era mais concentrado do que após a Reforma Financeira de 1964, já que houve, após essa regulação, uma expansão geográfica partindo, sobretudo das regiões Sul e Sudeste rumo às regiões Centro-Oeste (onde estava ocorrendo a expansão das atividades ligadas ao agronegócio) e Nordeste (devido ao processo de industrialização e densidade demográfica interessante (intencional) constitutiva da região).

Apesar dessa dispersão de agências bancárias nas diversas regiões, nota-se que um maior número ainda se fazia presente no estado de São Paulo, como ocorre até hoje, já que aí um desdobramento de possibilidades constitutiva da existência configurado no arranjo econômico-social e político, ao longo da formação territorial e econômica do Brasil, possibilitou essa configuração. Nesse sentido, essa expansão-dispersão das agências bancárias deu-se ―[...] em virtude das oportunidades de financiar uma produção e uma circulação

altamente dependente de capitais adiantados‖, sendo as áreas preferidas por esses elementos

do espaço geográfico (os bancos) aquelas de ―[...] maiores densidades demográficas, técnicas

e econômicas‖ (SANTOS, SILVEIRA, 2002, p. 186).

Isso evidencia a importância da instância espacial nesse processo de dispersão de fixos bancários, cujo intento foi e é a existência dos lugares, isto é, o fazer-se social constitutivo de um conteúdo altamente visado a determinados elementos do espaço, como por exemplo, pelos atores bancários. Isso não significa menosprezar a norma enquanto elemento motor desse

processo de expansão e integração bancária do território, sobretudo porque ela é parte desse conteúdo geográfico do qual esses atores se utilizam para expandirem-se geograficamente.

No período de 1945 (ano de criação da SUMOC) a 1964 (ano da Reforma Bancária e Financeira), houve um expressivo crescimento do número de agências bancárias no estado do Rio Grande do Norte, haja vista terem sido implantadas 12 agências no estado, sendo Macau e Jardim do Sediró cidades que passaram, juntamente com Natal, Mossoró, Caicó, Açu, Currais Novos, Pau dos Ferros, Angicos e Santa Cruz a comporem as cidades potiguares com sistemas de objetos e sistemas de ações bancários (Mapa 9). Macau, devido à dinâmica econômica instigada, sobretudo pela extração do sal marinho, atividade econômica que lhe deu e ainda dá um importante movimento na economia, como nota-se nos trabalhos de Andrade (1981; 1995) e, principalmente, Costa (1993). Jardim do Seridó, em função da dinâmica econômica decorrente da atividade comercial e industrial ligada à cotonicultura, à época dada, sobretudo, pela Indústria Medeiros S.A. ligada ao beneficiamento do algodão (AZEVEDO, 1989). Ou seja, devido ao conteúdo existencial desses lugares, expresso no arranjo econômico, social e também político.

Belgede Elektrik dipol geçişler (sayfa 79-87)

Benzer Belgeler