Outubro de 2016
6º CURSO DE MESTRADO EM ENFERMAGEM
ÁREA DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO UNIDADE CURRICULAR – ESTÁGIO COM RELATÓRIO
Intervenção do Enfermeiro Especialista em
Enfermagem de Reabilitação na promoção do
autocuidado da pessoa com doença de
Alzheimer:
Jornal de Aprendizagem
Outubro de 2016
Docente Orientador:- Prof. Vanda Marques Pinto Sandra Tomé Bandeira Fonseca Nº 6601
O presente jornal de aprendizagem foi realizado no âmbito da Unidade Curricular- Estágio com relatório, do 2º ano, 3º semestre do 6º Curso de Mestrado em Enfermagem na Área de Especialização em Enfermagem de Reabilitação, com o objetivo de registar situações da minha prática clínica enquanto futura enfermeira especialista em enfermagem de reabilitação, utilizando, para tal, o Ciclo Reflexivo de Gibbs, e, consequentemente, promover e desenvolver a minha capacidade reflexiva e de análise crítica sobre a situação experienciada.
A situação experienciada ocorreu ao longo das primeiras semanas de Ensino Clínico. Tendo em conta que o tema do meu projecto é “Intervenção do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação na promoção do autocuidado da pessoa com doença de Alzheimer”, achei pertinente efectuar, primeiramente, uma correta identificação e caracterização da população abrangida pela Unidade de Saúde familiar (USF), que possuísse o diagnóstico de doença de Alzheimer.
Para tal, tive que efectuar uma introdução ao programa informático “Medicine One”, de modo a conseguir efectuar um cruzamento de dados dos utentes que possuíssem doença de Alzheimer. Neste programa informático, as patologias são identificadas utilizando a terminologia ICPC (International Classification of PrimaryCare), que consiste na Classificação Internacional de Cuidados de Saúde Pimários. Esta classificação permite que os profissionais envolvidos possam utilizar uma linguagem comum a nível internacional, através de um sistema de codificação adequado à sua prática.
A dificuldade começou nesta etapa da pesquisa, pois o ICPC apenas inclui um código que inclui a doença de Alzheimer, o código “P70- Demências”. Ao fazer o cruzamento de dados dos utentes desta USF, obtive o resultado de 85 utentes com demência. No entanto, eu pretendia era obter a informação do número de utentes com, especificamente, doença de Alzheimer e não com demência (visto existir vários tipos de demência). Pude constatar que todos os doentes estavam classificados com este código, independentemente do tipo de demência.
Assim, para tentar identificar correctamente, desses 85 utentes com diagnóstico de demência, quais é que possuíam demência por doença de Alzheimer, tive analisar os registos pessoais de todos esses utentes no Medicine One. Deparei- me então com o segundo problema: Apesar de só existir uma codificação para a
demência, nos próprios registos médicos e de enfermeiros informatizados, na maioria dos utentes, não estava especificado o tipo de demência. Para tentar ultrapassar esta dificuldade, tive que aceder à Plataforma de Dados em Saúde e, a partir daí, aceder aos registos médicos disponíveis no Hospital Y, para verificar se nestes registos faziam referência ao tipo de demência de cada utente. Os restantes utentes que não possuíam nenhum tipo de registo informatizado que fizesse referência ao tipo de demência, foi pedido à equipa médica responsável que fizesse a distinção. Só deste modo é que consegui fazer a distinção dos tipos de demência e, assim, pude chegar ao resultado de 27 utentes com doença de Alzheimer clinicamente diagnosticada.
Para tentar compreender melhor a situação, fui estudar este sistema de classificação da ICPC.
Para WONCA (2011, p.5) “os sistemas de informação e registos clínicos são
um componente essencial na matriz em que está assente a governação clínica e de saúde”. Assim, e deste modo, a utilização da ICPC poderia funcionar como um modo
de conhecer melhor a carga de determinada patologia nos cuidados de saúde primários. A ICPC “é facilmente usada pelo médico e constitui uma forma simplificada
de um registo manual centralizado de dados colhidos em qualquer lugar (…) com vista a aumentar a coerência da codificação, foram introduzidos critérios de inclusão para o uso de cada rúbrica na ICPC” (WONCA, 2011, p.15-33). Deste modo, o objectivo
deste sistema de classificação é aumentar a coerência da codificação, evitando minimizar os riscos de uma codificação errada.
Naturalmente, este sistema de classificação e de critérios não é isento de erro.
“A medicina, principalmente no que diz respeito ao doente individual é tão rica que requer uma nomenclatura muito mais exaustiva do que a ICPC, principalmente quando se trata do registo de um pormenor específico que deve constar no registo individual de um doente” (WONCA, 2011, p.12). Assim, a meu ver, além da
nomenclatura da ICPC, no caso do diagnóstico de demência, deveria ser explicitado o subtipo de demência, pois só sabendo o subtipo de demência existente é que se poderá obter um prognóstico mais claro e correto da situação do utente e, a partir desse ponto, poder planear-se uma intervenção adaptada e personalizada ao utente, que satisfaça correctamente as suas necessidades de cuidado.
Os utentes encontravam-se todos com a classificação “P70 Demência”, que inclui apenas a doença de Alzheimer e a demência senil. Os critérios de inclusão pressupõem a “existência de um síndrome devido a uma doença do cérebro,
geralmente de natureza crónica e/ou progressiva com perturbações clinicamente significáveis das funções do córtex superior (memória, pensamento, orientação e compreensão) mas sem afetar a consciência” (WONCA, 2011, p.85).
Em alternativa, poderiam ser classificados como “P20- alterações da memória que inclui amnésia, desorientação, dificuldades de concentração (…) ou P 29- Sintoma/queixa psicológica, que inclui ilusões, problemas em comer, alucinações, sintomas psicológicos múltiplos, falta de higiene, comportamentos estranhos e desconfiança.” (WONCA, 2011, p.85).
Também encontrei dados onde incluíam a demência derivada da doença de Parkinson no critério “P70- demência”. Esta deveria ser classificada no Sistema neurológico, “N87- Parkinsonismo, inclui o parkinsonismo induzido por medicação,
paralisia agitante e doença de Parkinson. Os critérios de inclusão são a existência de pobreza e lentidão dos movimentos voluntários, tremor em repouso que melhora com movimentos ativos e rigidez muscular” (WONCA, 2011, p.83).
Em alternativa a algum dos diagnósticos referidos anteriormente, tratando-se mesmo de demência, poder-se-ia utilizar o diagnóstico “P70-Demência”, mas especificar em observações qual o subtipo de demência de o utente possui.
Em 2016, ocorreu uma reformulação da ICPC que sugere que para a correcção desta situação se faça um mapeamento pelo ICD 10 (International Classification Disease 10th edition), seleccionando o código que corresponde ao tipo de demência apresentado (WONCA, 2016, p.490).
Para concluir, o registo de informações e dados do utente deveria permitir acedermos de forma rápida à sua informação clínica e, acima de tudo, fazer um diagnóstico correto da sua situação, de modo a facilitar e a permitir uma gestão eficiente de tempo e recursos. Algo que deveria ter sido relativamente rápido a fazer, como a correta identificação e caracterização da população com doença de Alzheimer, demorou imenso tempo a efectuar e tive que recorrer a várias plataformas de registo de dados para o fazer. Assim, e com o intuito de prevenir situações semelhantes futuramente, foi proposto a elaboração de uma sessão de informação à equipa
multidisciplinar, não só para apresentar o meu projecto e objectivos de estágio, mas também para expor esta situação a todos os elementos da equipa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
WONCA (2011)- Classificação Internacional de Cuidados de Saúde Primários-
Segunda edição. Oxford: Oxford University Press.
WONCA (2016)- Classificação Internacional de Cuidados de Saúde Primários-
6º CURSO DE MESTRADO EM ENFERMAGEM
ÁREA DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO UNIDADE CURRICULAR – ESTÁGIO COM RELATÓRIO
Intervenção do Enfermeiro Especialista em
Enfermagem de Reabilitação na promoção do
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Novembro de 2016
6º CURSO DE MESTRADO EM ENFERMAGEM
ÁREA DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO UNIDADE CURRICULAR – ESTÁGIO COM RELATÓRIO
Intervenção do Enfermeiro Especialista em
Enfermagem de Reabilitação na promoção do
autocuidado da pessoa com doença de
Alzheimer:
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Novembro de 2016
Docente Orientador:- Prof. Vanda Marques Pinto Sandra Tomé Bandeira Fonseca Nº 6601