Do ponto de vista econômico, o valor relevante de um determinado recurso ambiental é aquele importante para a tomada de decisão, ou seja, é a contribuição do recurso para o bem estar social (ORTIZ, 2003). Dessa forma, todo recurso ambiental tem um valor intrínseco que reflete os direitos de existência e interesse por espécies e recursos naturais. De acordo com MOTTA (1997), o valor econômico de um recurso ambiental existe na medida em que seu uso altera o nível de produção e consumo pela sociedade.
O valor econômico dos recursos ambientais geralmente não é observável no mercado através de preços que reflitam seu custo de oportunidade. Dessa maneira, o valor econômico do recurso ambiental deve ser definido por uma função de seus atributos.
O Valor Econômico de um Recurso Ambiental (VERA) pode ser classificado
em duas categorias: Valor de Uso e Valor de Não Uso. O Valor de Uso (ou do
usuário) é o valor que os indivíduos atribuem a um recurso natural pelo seu uso no presente ou seu uso potencial no futuro, podendo atribuir preços de mercado
praticados ou substitutos, ou seja, sob a ótica da econômica ambiental, o valor de um
bem ambiental associado a uma utilidade presente, é chamado de valor de uso. Os elementos do meio ambiente podem não estar gerando utilidades no presente, mas podem gerar no futuro. Por exemplo, o silício, no século passado, servia basicamente para produzir vidro. Hoje, ele é a base dos computadores. Todo bem ambiental pode ter uma utilidade no futuro (MOTTA, 1997).
32 Este valor de uso pode ser desagregado em: valor de uso direto, valor de uso indireto e pelo valor de opção (quando o indivíduo percebe como sendo o valor potencial, dos usos diretos e indiretos da natureza no futuro, e que se evidencie disposto a pagar para conservar os recursos naturais para tais usos) (IBAMA, 2002).
O valor de uso direto (VUD) é o valor que os indivíduos atribuem a um recurso ambiental pelo fato de que dele se utilizam diretamente. O VUD está associado ao ativo natural e é determinado quantitativamente e qualitativamente. São exemplos de uso ou usufruto do recurso natural os produtos que possam ser aproveitados de forma sustentável e comercializados legalmente, como madeiras, alimentos, látex, fibras, óleos e fenóis, e aqueles produtos que incluem os benefícios ambientais proporcionados pelas áreas de lazer, recreação e turismo, estética da paisagem, valor espiritual, educação e pesquisa (MOTTA, 1997).
O valor de uso indireto (VUI) representa o valor que os indivíduos atribuem a um recurso ambiental quando o benefício do seu uso deriva de funções ecossistêmicas. Estes valores incluem os benefícios derivados dos serviços que as áreas naturais fornecem como aporte aos bens e serviços de produção, ou seja, os valores estimados, por exemplo, no controle da erosão, manutenção da qualidade da água, controle climático, preservação da biodiversidade, do material genético entre outros. Ao inferir estas funções ambientais, por exemplo, a uma floresta, a mesma mantém em sua bacia hidrográfica espécies de fauna e flora, realiza a ciclagem de nutrientes, regulariza o clima e exerce diversas outras funções ecológicas vitais para a manutenção do ecossistema, e essas, muitas vezes não são percebidas diretamente pelos indivíduos (MOTTA, 1997).
O valor de opção (VO) de um recurso ambiental é o valor que o indivíduo atribui em preservar recursos, que podem estar ameaçados, para usos diretos e indiretos no futuro próximo. Os usos futuros podem ser diretos ou indiretos, como, por exemplo, o benefício advindo de fármacos desenvolvidos com base em propriedades medicinais ainda não descobertas de plantas existentes nas florestas (MOTTA, 2006). Se as preferências do consumidor e as disponibilidades futuras são certas, o valor de opção será zero, estando garantido o seu uso, porém, as incertezas futuras geram expectativas no presente no consumidor que se declara disposto a
33 pagar algum valor no presente para conservar os recursos naturais a fim de que tenha a opção de seu uso no futuro (MOTTA, 1997).
Assim, pode-se atribuir um valor atual ao fluxo de utilidades que esse bem produzirá no futuro. Ainda, um indivíduo pode valorizar um bem ambiental, mesmo que não pretenda utilizar seus benefícios hoje ou no futuro, simplesmente porque ele considera que outro indivíduo pode utilizar aquele bem. Por exemplo, serão poucos os indivíduos no Brasil que pensam utilizar os benefícios estéticos dos monumentos antigos do Camboja, mas eles valorizam esse bem porque outros indivíduos no mundo podem perceber essa utilidade. Dessa forma, esse tipo de valor, que representa a opção de benefício futuro ou benefício do outro, chama-se valor de opção.
Já o valor de não uso (VNU) ou valor de existência (VE) se refere ao valor dissociado do uso, expressando o valor intrínseco do uso e refletindo, desta forma, o seu valor de existência (IBAMA, 2002). Esse valor está dissociado do uso e está relacionado à satisfação pessoal em saber que o objeto está lá, sem que o indivíduo tenha vantagem direta ou indireta dessa presença. A atribuição do valor de existência é derivada de uma posição moral, cultural, ética ou altruística em relação aos direitos de existência de espécies não-humanas ou da preservação de outras riquezas naturais, mesmo que estas não representem uso atual ou futuro para o indivíduo. A mobilização da opinião pública para salvamento dos ursos pandas ou das baleias mesmo em regiões em que a maioria das pessoas nunca poderá estar ou fazer qualquer uso de sua existência representa um exemplo deste valor (MOTTA, 2006). A moderna ética considera que todos os seres vivos têm direito à vida e, portanto, têm um valor intrínseco. As gerações futuras têm o direito de ter acesso e conhecer esses bens e esse valor é o de existência (ZANQUETI, 2011).
Há, ainda, na literatura, uma controvérsia com relação ao valor de existência representar o desejo do indivíduo de manter certos recursos ambientais para as gerações futuras possam usufruir de seus usos diretos e indiretos. Esta é uma questão conceitual que de certa forma é irrelevante na medida em que para a valoração ambiental o desafio consiste em admitir que os indivíduos atribuam valor a recursos mesmo que dele não façam qualquer uso (BRAGA et al., 2003).
34 Assim pode-se resumir o VERA na seguinte expressão:
VERA = VU + VNU Ou seja:
VERA = (VUD + VUI + VO) + VE onde:
VERA = valor econômico do recurso ambiental VUD = Valor de uso direto
VUI = Valor de uso indireto VO = Valor de opção VE = Valor de existência
A Figura 1 a seguir demonstra a decomposição VERA.
Figura 1 - Decomposição do valor econômico de um recurso ambiental. Fonte: adaptado Maia, Romeiro e Reydon (2004)
Os usos e não-usos dos recursos ambientais compreendem valores os quais precisam ser mensurados para se fazerem opções entre usos e não-usos diversos e até mesmos conflitantes, ou seja, quando um tipo de uso ou de não-uso exclui, necessariamente, outro tipo de uso ou não-uso (DUBEUX, 1998).
Se todos os efeitos das atividades de produção e consumo não se refletem diretamente no mercado, eles não são devidamente ajustados e contribuem para preços distorcidos, que não refletem necessariamente o valor social e real do bem em
35 questão (PINDYCK e RUBINFELD, 2002). Conseqüentemente, o VERA não pode ser revelado pelas relações de mercado, e, na ausência deste, algumas técnicas foram desenvolvidas no sentido de se encontrar valores apropriados aos bens e serviços oferecidos pelo ambiente. A importância dos métodos de valoração ambiental decorre não só da necessidade de dimensionar impactos ambientais, internalizando- os à economia, mas também de evidenciar custos e benefícios decorrentes da expansão da atividade humana (MARQUES e COMUNE, 1996).