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Tarihi Yarımada 1/5000 Koruma Amaçlı Nâzım İmar Planı (2012)

Na tarefa de elencar elementos pertencentes à agroecologia, Caporal (2009) nos apresenta um caminho de análise contrário, quer seja, a caracterização pela negação. Com isso, verificando elementos que não pertençam à agroecologia, acabamos caracterizando-a.

Como bem sabemos, a agricultura convencional tem se pautado em dois objetivos básicos e que se relacionam: maximizar a produção e ser lucrativa. Nessa investida, a agricultura se lança em práticas descompromissadas com as dinâmicas dos ecossistemas rurais locais, uma vez que estes possuem uma velocidade incompatível com a impaciência do capital. Desta feita, alguns elementos são incorporados e identificados como práticas que não se coadunam com os princípios da agroecologia.

A primeira destas práticas se verifica no uso intensivo dos solos

cultivados, ao qual a agricultura convencional se apropria de técnicas que permitam

melhores drenagens, crescimento mais rápido do plantio, bem como excessivo uso de defensivos agrícolas, a fim de aperfeiçoar o tempo de produção, bem como promover um mais eficiente controle de pragas.

Como consequência natural do uso intensivo dos solos, tem-se comumente a prática da monocultura, ao qual permite à agricultura convencional o uso de técnicas, aos quais segundo Gliessman (2005), corroboram para uma roupagem industrial da agricultura, uma vez que em tal prática verifica-se a minimização do uso de mão-de-obra, acarretando problemas de geração de

emprego e renda no campo, e maximização do uso de insumos baseados em tecnologia.

Em contraste, a agroecologia sugere uma prática agrícola que busque assegurar produção e produtividade em longo prazo. Com isso, lança mão de técnicas de manejo dos solos, permitindo-lhes conservação e regeneração, adotando reciclagem de nutrientes, energia, água e matéria orgânica. A agroecologia caracteriza-se ainda pela adoção de sistemas de rotação do plantio e de pousio, uma vez que com cultivos mistos e diversificados, garante-se uma rica cobertura vegetal que converge para a proteção dos solos, numa perspectiva de continuidade espacial e temporal. O pousio, por sua vez, permite aos solos o descanso necessário para se recompor com nutrientes, permitindo-lhes uma fertilidade mais duradoura.

A irrigação é outro problema que se verifica na agricultura convencional. Sobretudo no nordeste brasileiro, a água destinada para o cultivo se apresenta como fator limitante para a produção no campo. Como saída, a agricultura convencional tem recorrido ao uso de água a partir de lençóis subterrâneos, desvio de águas dos rios (transposições), construções de barragens, entre outras técnicas que, praticadas de forma excessiva, comprometem o ciclo natural da água, bem como afetam os ecossistemas locais.

De acordo com Gliessman (2005), o uso excessivo de águas subterrâneas é o mesmo que pegar emprestado a água do futuro. Ademais, a irrigação também colabora para o aumento do escoamento de fertilizantes das lavouras para dentro dos córregos e rios, além de aumentar a erosão dos solos. Por fim, a construção de represas concorre para efeitos negativos nos ecossistemas dos rios, a jusante23.

Acerca do uso da água, a agroecologia traz como meta basilar sua conservação. Dessa forma, Altieri (2009) sugere que em locais onde a agricultura dependa da água das chuvas, dê-se a rotação do plantio conforme a pluviosidade local. Para áreas pouco úmidas, as técnicas agroecológicas sugerem a preferência por plantas tolerantes à seca. Em contraste, nos locais de alta pluviosidade além de plantios adaptáveis a locais excessivamente irrigados como o arroz, valer-se de sistemas de aquiculturas.

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O uso de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos é outra marca negativa da agricultura convencional. É seguro afirmar que os fertilizantes artificiais são os grandes promotores da revolução verde, uma vez que neles se encontram os nutrientes mais essências às plantas e com ação em curto prazo.

De acordo com Gliessman (2005), ao passo que permitem a fertilidade das plantas em curto prazo, ignoram a fertilidade dos solos no longo prazo. Como consequência tem-se a expansão das fronteiras agrícolas, principalmente sobre matas nativas e áreas de preservação, em virtude do rápido esgotamento dos solos. Ademais, tais fertilizantes são facilmente lixiviados pelo solo para áreas aquíferas, causando eutrofização24. Por fim, Gliessman (2005) atenta para o fato de que tais fertilizantes são produzidos a partir de combustíveis fósseis e da extração de depósitos minerais, fator que condiciona os preços destes produtos aos aumentos do custo do petróleo.

Os agrotóxicos por sua vez também tem participação fundamental na promoção da crescente produção agrícola. Sua utilização permite um mais eficiente controle de pragas no curto prazo. No entanto, acaba provocando a resistência das populações de pragas pela seleção natural a tais defensivos, forçando seu uso excessivo e indiscriminado. Além disso, o uso dos agrotóxicos acaba interferindo na saúde humana, tendo se verificado o aumento de incidência de doenças na população campesina, bem como nas populações urbanas que consomem os alimentos produzidos com uso de agrotóxicos, bem como os da cadeia alimentar diretamente ligados à referida produção, conforme estudos recentes na população rural do estado do Ceará (ABRASCO, 2012).

Como alternativa para o problema da fertilidade das plantas e solos, bem como o controle de pragas, a agroecológica insere em suas práticas diversas estratégias como a própria diversificação dos cultivos, conforme já mencionado. A diversificação do plantio evita ataques catastróficos de pragas, ao passo que as coberturas vegetais podem suprimir o crescimento de ervas adventícias, diminuindo a necessidade de controlá-las, conforme sugere Altieri (2009). A multicultura age ainda em favor da fertilidade dos solos, agregada a pousios naturais bem como uso de compostagem, esterco, adubação verde, plantio consorciado com leguminosas, entre outras tecnologias ecológicas.

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Excessivo acúmulo de matéria orgânica (nutrientes) em ambientes aquáticos aos quais concorrem para crescentes taxas de poluição nestes ambientes.

Não esgotando as negações da agroecologia frente a agricultura convencional, uma vez que nos deparamos com uma diversidade de práticas e estratégias, Gliessman (2005) apresenta-nos um conceito essencial na análise da agroecologia enquanto sistema produtivo diferenciado da agricultura predominante: o conceito de agroecossistema.

De forma bem sucinta, um agroecossistema refere-se a um local de produção agrícola, compreendido como um ecossistema (GLIESSMAN, 2005). Trata-se de uma concreção da proposta metodológica da economia ecológica que compreende a economia como um subsistema de um sistema mais complexo: a natureza. Com referido conceito, Gliessman (2005) nos propõe a compreensão da agricultura como um sistema formado de partes que interagem e se inter-relacionam como ecossistemas naturais. Com efeito, nela encontramos elementos que se organizam em níveis hierárquicos (comunidades, população, organismos, etc), que apresentam fluxo de energia, ciclagem de nutrientes, regulações, etc. Enfim, agroecossistema seria um ecossistema agrícola.

Diante desse basilar conceito podemos sintetizar a agroecologia como o conjunto de práticas que, a partir de uma visão holística e complexa, possa compreender e atender de maneira integrada os seguintes critérios, conforme apresenta Gliessman (apud CAPORAL, 2009):

a) possuir baixa dependência de inputs comerciais; b) utilizar recursos renováveis;

c) utilizar os impactos benéficos ou benignos do meio ambiente local; d) aceitar e/ou tolerar as condições locais;

e) prover a manutenção, a longo prazo, da capacidade produtiva; f) preservar a diversidade biológica e cultural local;

g) utilizar conhecimento e cultura da população local; e

h) produzir produtos para o consumo interno antes de produzir para a exportação.

Enfim, inúmeros são os elementos verificados na agricultura convencional que são negados a partir das práticas de uma agricultura sobre bases ecológicas. Entretanto, a principal negação repousa na compreensão da agroecologia enquanto

uma alternativa socioeconômica que, decisivamente não se pauta na lógica de mercado ao qual está inserida a agricultura moderna e hegemônica.

Benzer Belgeler