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TARİH VE KURAM PERSPEKTİFİNDEN TOPLUMSAL HAREKETLERİN TANIMSAL ÇERÇEVESİ

Belgede JANUARY 2015 (sayfa 35-38)

TRANSFORMATION OF SOCIAL MOVEMENTS IN THE NEW DIGITAL AGE

TARİH VE KURAM PERSPEKTİFİNDEN TOPLUMSAL HAREKETLERİN TANIMSAL ÇERÇEVESİ

Piaget (1964/1975) afirma que durante o período operatório concreto, que em muitas culturas geralmente coincide com o principio da escolaridade, a vida psíquica (inteligência e afetividade), as relações sociais e a atividade individual tomam novas formas de organização que consolidam as construções do período anterior em um equilíbrio mais estável que inaugura novas construções. Entre sete e onze anos, aproximadamente, a linguagem

egocêntrica vai desaparecendo quase por inteiro, exprimindo agora a necessidade da conexão entre ideais e justificações lógicas. Em vez de ter condutas impulsivas próprias do egocentrismo intelectual, a criança pensa melhor antes de atuar e vai conquistando a atividade de reflexão.

A libertação progressiva do egocentrismo social e intelectual a leva a ser capaz de novas coordenações importantes tanto para a inteligência como para a afetividade. A criança começa a construir a lógica, a partir de um sistema de relações que permite a coordenação de pontos de vista. O sistema de relações sociais e individuais “engendra uma moral da cooperação e a autonomia pessoal, por oposição à moral intuitiva de heteronomia própria dos pequenos” (ibid, p. 65). A operação é o instrumento mental que permite essa dupla coordenação lógica e moral, enquanto que a vontade será o instrumento do plano afetivo. Ambas resultam da conversão do egocentrismo. Assim, a criança estará interessada em jogos de regras e outras atividades que implicam atitudes sociais e comportamentos coletivos regidos pela cooperação (Piaget, 1964/1975, pp. 61-63).

A grande conquista deste período são as operações, definidas por Piaget como ações interiorizadas e reversíveis. As operações se coordenam em sistemas fechados ou estruturas (classificação, seriação, etc.) que supõem a construção de invariáveis (Piaget, 1953-54/2005). Da ação à operação há três conquistas que se constroem ao longo dos cinco ou seis anos que dura o período pré-operatório já comentado anteriormente. Essas conquistas são progressivas porque há obstáculos a superar, sendo que a ação não se prolonga diretamente em representação. O primeiro obstáculo é a necessidade de reconstruir no novo plano da representação o que já tinha sido adquirido no plano da ação. O segundo consiste na realização de um trabalho de descentração que foi atingido no plano da ação, mas que logo abrange um universo muito mais extenso e complexo. Por último essa descentração será de maneira indissociável necessária no universo social ou interindividual.

O meio social é bem importante para entender essa passagem ao pensamento operatório. Nas palavras de Piaget: “Aos 7-8 anos, aproximadamente (mas, repetimos, essas idades médias dependem dos meios sociais e escolares), a criança atinge, por meio de interessantes fases de transição (...), a constituição de uma lógica e de estruturas operatórias que chamaremos concretas” (Piaget, 1964/1975, p. 177).

As operações deste período são concretas, por oposição ao caráter formal de hipóteses sem objetos, porque constituem formas inseparáveis de conteúdos. Durante este período as operações permanecem concretas porque são limitadas ao domínio da manipulação dos objetos e do universo do real (e não do possível) no plano verbal. O pensamento operatório é

capaz de considerar transformações reversíveis, que são sempre relativas a uma invariável. O que é uma invariável? É uma noção ou um esquema de conservação. Por exemplo, o esquema de objeto permanente é a invariável do grupo prático dos deslocamentos. Logo após, a criança descobre a conservação da substância entre 7 e 8 anos, do peso entre 9 e 10, e do volume aos 11 ou 12 anos aproximadamente. Se as reações do período pré-operatório eram centradas nas configurações percebidas ou imaginadas, no operatório estão fundadas na identidade e a reversibilidade por inversão ou por reciprocidade (Piaget & Inhelder, 1966/1972, pp. 97-102).

Essa conquista acarreta uma alteração qualitativa essencial, mas sem ser um começo absoluto porque no curso do desenvolvimento, para Piaget (1970a/1983), o que é novo procede de diferenciações progressivas ou coordenações graduais. A pré-causalidade sensório-motora precede à pré-causalidade representativa, que é assimilação à ação própria em sua orientação egocêntrica. No nível das operações concretas ela se transforma em uma causalidade racional por assimilação às operações que são coordenações gerais das ações. Um exemplo citado por Piaget é o atomismo infantil, pesquisado na prova do açúcar dissolvido em água. Até os 7 anos, aproximadamente, a criança pensa que o açúcar desaparece, mas progressivamente entende que se conserva. Outra conquista importante deste período são as formas operatórias de causalidade, que são produto de um longo processo porque o real resiste à dedução e tem sempre uma parte maior ou menor de aleatório. Assim, a noção de probabilidade se constrói devagar, e só será concluída depois dos 11 ou 12 anos (Piaget, 1966/1972, pp. 113-115).

Como foi apresentado anteriormente no quadro do paralelismo entre o desenvolvimento da inteligência e da afetividade elaborado por Piaget (cf. item 2.2), na perspectiva afetiva, este período das operações concretas é correspondente ao estágio dos afetos normativos que incluem a vontade e os sentimentos morais autônomos. As transformações afetivas deste estágio são correspondentes às cognitivas. Os valores constituem progressivamente sistemas coordenados e reversíveis. Para Piaget existe uma lógica da afetividade que não consiste na pura e simples imposição da lógica intelectual aos afetos intuitivos. Entre as normas lógicas e as normas morais só existem diferenças de graus. O ato voluntário, definido como instrumento de conservação dos valores no plano afetivo é para o autor análogo às operações no plano da inteligência. Inspirado em William James, Piaget entende que o ato voluntário implica um conflito entre duas tendências das quais a mais débil se transformará em mais forte no transcurso do ato voluntário (Piaget, 1953-54/1994, pp. 270-271).

De modo geral, Piaget propõe uma analogia entre a vontade e a operação. Nos problemas de inteligência é indispensável que o sujeito domine a configuração perceptiva do

momento para fazer aparecer relações que não estavam na origem (dedução lógica). De maneira similar, a vontade consiste em superar uma configuração afetiva, mudar o ponto de vista para que se construam outras relações. Em ambos os casos há descentração. Para não entender isso como uma interpretação intelectualizada da vontade, é preciso lembrar que para Piaget não existem condutas puramente afetivas nem intelectuais. A vontade, na sua perspectiva, é uma regulação em segundo grau, regulação das regulações (ibid, p. 275-277).

Além dos atos voluntários livres, durante o quinto estágio da afetividade exposto no quadro dos paralelismos (cf. item 2.2), progressivamente aparecem outros sentimentos autônomos, que consistem em avaliações morais pessoais e sentimentos que podem entrar em conflito com os de obediência. Esses valores se organizam em um sistema novo de reciprocidade moral normativa e de respeito mútuo que difere do unilateral e enriquece os diversos sentimentos pré-existentes (ibid, p. 278). Assim, o ato de vontade consiste em subordinar a situação a uma escala permanente de valores. A vontade na ótica piagetiana não pode ser entendida em termos de um imperativo social, mas como uma regulação de regulações da conduta que implica mudar de ponto de vista e, portanto, resulta análoga à descentração.

Em linhas gerais, o respeito unilateral do período anterior se converterá em respeito mútuo, e os sentimentos morais vão adquirir certa autonomia uma vez que organizados a partir de um sistema de valores mais coerente e geral. Em relação ao pensamento pré- operatório a conquista das operações e da lógica comporta uma expansão cognitiva e afetiva fundamental no desenvolvimento, porque consiste em “corrigir a intuição perceptiva, sempre vitima das ilusões do ponto de vista momentâneo, e, por conseguinte, em ‘descentrar’ o egocentrismo, por assim dizer, para transformar as relações imediatas em um sistema coerente de relações objetivas” (Piaget, 1964/1975, p. 73).

Belgede JANUARY 2015 (sayfa 35-38)