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Belgede BÖLÜM I- SUNUM Sayfa (sayfa 3-0)

Os discursos oficiais de Vargas e de seus ministros foram analisados com base em três categorias: educação, saúde e higiene. Essa análise levou em consideração a quem se destinava o discurso e em que momento histórico ele ocorreu e, nesse sentido, procurou descrever, sinteticamente, algumas ideias enunciadas, as quais foram importantes para a compreensão da proposta educativa-sanitária.

O primeiro discurso analisado refere-se à Plataforma da Aliança Liberal apresentada por Getúlio Vargas, em 2 de janeiro de 1930, na Esplanada do Castelo, centro do Rio de Janeiro, quando ainda era candidato à presidência, em disputa com Júlio Prestes. Foi nessa conjuntura que Getúlio Vargas apresentou seu programa político para a população carioca e para o povo brasileiro.

Referiu-se em seu discurso à “questão social” como um dos problemas brasileiros que merecia atenção dos poderes públicos. Ao destacar as medidas que deveriam ser tomadas ao ser eleito afirmou que deveriam

(...) compreender a instrução, educação, higiene, alimentação, habitação; a proteção às mulheres, às crianças, à invalidez e à velhice; o crédito, o salário e, até, o recreio, como os desportos e cultura artística. (Vargas, 1938a, p.27)

O candidato à presidência não apresentou, nesse primeiro momento, a concepção de educação do governo, mas verificava-se que instrução, educação e higiene mereceriam atenção especial, pois era necessário solucionar esses três problemas que contribuiriam para resolver a “questão social”. Propunha, nesse sentido, a criação de um Ministério, que como

(...) repartição coordenadora exercer-se-á, não só dentro da esfera das privativas atribuições constitucionais da União, como, também, junto às administrações dos Estados, com as quais colaborará, mediante convênios, para a conjugação dos esforços. (Vargas, 1938a, p.40)

O futuro Ministério da Educação e Saúde era pensado por ele como órgão de centralização dos assuntos de educação e saúde, que difundiria suas ações em todos os estados brasileiros, organizando um sistema nacional de educação. Essa era a mesma visão que Gustavo Capanema tinha, após 11 anos à frente do Ministério da Educação e Saúde, em 1945,

(...) o antigo caos e a anterior dispersão dos serviços educacionais cedem lugar a um sistema nacional harmônico, coeso e funcional, que comunica a todas as instituições e aparelhos do nosso ensino uma mesma dinâmica e um só sentido. (Capanema, 1946, p.359)

Ao lado da política social e trabalhista, a educação e a saúde mereceriam relevância durante a gestão de Vargas, tendo em vista o modelo de homem e de sociedade que queria formar e que será discutido mais adiante. Assim, Baía Horta (1994, p.1) afirmou:

Na Plataforma da Aliança Liberal, (...) a educação aparece como um dos instrumentos apropriados para assegurar a „valorização do homem‟ e melhorar a condição de vida dos brasileiros sob o ponto de vista moral, intelectual e econômico. Ao lado do problema da educação, e intimamente ligado a ele, a Plataforma coloca o problema da saúde, cuja solução, (...) exigia como medida imediata e fundamental o saneamento.

O futuro presidente concebia o saneamento como via para purificar física, moral e higienicamente o povo brasileiro nesse momento, e também como forma de abrasileirar os imigrantes. Em sua posição de defesa da nacionalidade, como já foi assinalado, Vargas apontou o propósito que tinha para os imigrantes.

Durante muitos anos, encarámos a imigração, exclusivamente, sob os seus aspectos econômicos imediatos. É oportuno entrar

a obedecer ao critério étnico, submetendo a solução do problema do povoamento às conveniências fundamentais da nacionalidade. (Vargas, 1938a, p.29)

Em outro trecho do discurso ao falar dos recursos financeiros destinados à educação pública dos estrangeiros, destacou que:

Não só o alienígena e seus descendentes, porém, necessitam de instrução efetiva e gratuita. Se a eles se deu preferência, com o intuito de mais ràpidamente nacionalizá-los, a verdade é que os interêsses da nacionalidade não são menos exigentes no tocante à alfabetização dos habitantes das zonas do interior do país, até onde ainda não chegaram quaisquer levas imigratórias. (Vargas, 1938a, p.41)

Por dados apresentados em mensagens presidenciais em 1935 e 1936, o governo federal em cooperação financeira com alguns estados brasileiros como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apesar do discurso em favor do investimento no ensino primário dos brasileiros, não se isentou de auxiliar na educação dos colonos estrangeiros, visto o projeto de nacionalidade para o Brasil83. Segundo Schwartzman (2000, p.181-182):

O episódio da nacionalização do ensino mostra bem o conteúdo do projeto nacionalista brasileiro do período pós- 1937. (...)

O projeto nacionalista do Estado Novo valorizava, em outras palavras, a uniformização, a padronização cultural e a eliminação de quaisquer formas de organização autônoma da sociedade, que não fosse na forma de corporações rigorosamente perfiladas com o Estado.

A formação do Estado Nacional passaria necessária e principalmente pela homogeneização da cultura, dos costumes, da língua e da ideologia.

Desse modo, o nacionalismo, uma das características mais marcantes nos discursos e ações do governo Vargas difundida, principalmente, na gestão de Capanema contribuiria para fundamentar a formação do Estado Nacional brasileiro articulando-se na organização, estruturação e implementação de programas de seus ministérios.

Conforme Gomes (1982) afirmou o Estado Nacional que se configurou durante o governo Vargas combate a “questão social” como um problema

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A “União dispendeu, em 1935, a importância de 558:000$, sendo 342:000$, para auxilio ao Estado de Santa Catarina, e 216:000$, para auxilio ao Estado do Paraná” (Vargas, 1935, p.115).

coletivo em que todos os cidadãos, de todas as classes sociais, estavam convocados a participar. Cabe destacar que, apesar do aspecto de coletividade que os problemas exigiam, os discursos de Vargas não se destinavam sempre à sociedade brasileira, mas sim a grupos específicos, e isso dependia do momento, do lugar e do assunto.

Em sessão solene no teatro municipal do Rio de Janeiro, em 1931, Vargas apresentou o manifesto O primeiro ano do Governo provisório e as

suas diretrizes em que destacou a indissociabilidade entre educação e saúde,

explicitando o motivo da criação de um Ministério da Educação e Saúde Pública.

O homem valoriza-se, é certo, pela cultura da inteligência, mas não poderá atuar, no sentido de eficiência social, se, por efeito de causas congênitas ou adquiridas, estiver fisicamente incapaz ou encontrar meio hostil, inapto à vida saudável e sem condições de adaptação produtiva. (Vargas, 1938a, p.227)

Nessa perspectiva, a completude e a capacidade do indivíduo estavam sujeitas à sua plena condição física e intelectual. Somente, dessa forma seria capaz de atender o que a Nação esperava dele. Era necessário instruir amplamente as crianças e jovens para que se tornassem moral, higiênica e fisicamente preparados para essa finalidade, atingindo os fins que o Estado havia reservado a eles. Isso significava que subsumido ao projeto político encontrava-se um projeto de homem a ser formado e que foi apresentado por Getúlio Vargas no dia da instalação da Assembléia Nacional Constituinte em 15 de novembro de 1933.

Referindo-se aos membros da Assembléia como “legítimos representantes do povo brasileiro”, pôs em evidência a quem se destinava sua declaração. Os políticos que estavam reunidos eram os intermediários entre ele e a população em um momento significativo da história brasileira, que o qual resultaria na promulgação da Constituição Federal de 1934, após conflitos e reivindicações por uma nova Carta Magna84. Por isso afirmou que “Convocados para dar ao país novas instituições, tereis bem avaliado a soma de responsabilidades impostas pela magna tarefa que vos cabe realizar” (Brasil,

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As reivindicações do Estado de São Paulo resultaram na Revolução Constitucionalista de 1932 que contribuiu para que Getúlio Vargas convocasse uma Assembléia Nacional Constituinte em 1933.

1933, p.3). Nesse aspecto, ele destacava o papel dos parlamentares ao debater e elaborar uma carta constitucional para o Brasil, pois sua relevância dependia dos personagens que a escreveriam. Outrossim, eles difundiriam pela Nação as ideias apresentadas pelo presidente, evidenciando o papel destinado ao governo e ao povo para a reconstrução do Brasil. Essa nova Constituição assentaria “os fundamentos legais para a vida e o Govêrno da Nação” (Brasil, 1933, p.3).

Desse modo, evidenciou a importância do “movimento revolucionário de 1930” e que, ao longo dos três anos de mandato, o “Governo Provisório procurou colocar-se acima das competições partidárias ou facciosas, para não trair os compromissos assumidos com a Nação” (Brasil, 1933, p.18). Ao se referenciar ao papel da Revolução de 1930 como o recomeço brasileiro, Vargas procurou induzir a quem o ouvia, naquele momento, o auxílio nesse empreendimento.

O pacto social proposto deveria ser constituído por meio da legitimidade o que, segundo ele, não ocorria no Brasil até então. Por meio de uma reforma eleitoral, ocorreria um “saneamento político da nação”. Nesse momento de seu discurso, subsidiado por um jargão bastante utilizado por médicos sanitaristas e higienistas, utilizou a acepção de saneamento como higienização de um processo eleitoral sem idoneidade e fraudes que não representavam a “realidade” brasileira.

Nessa perspectiva, ele entendia o Estado como “(...) coordenador e disciplinador dos interêsses coletivos ou a sociedade organizada como poder para dirigir e assegurar o seu progresso” (Brasil, 1933, p.23). Verifica-se que a ideia de disciplina, de controle e, desse modo, centralização esteve sempre presente nas intenções de Vargas e que apenas se tornou mais contundente após 1935. O Estado, pelos propósitos de Vargas, caracterizava-se pela intervenção na vida política, social e econômica do país, por meio de seus instrumentos de controle – os ministérios, diretorias, dentre outros – que como um polvo estenderia seus tentáculos em todas as direções.

Vargas evidenciou que a República não havia conseguido resolver “os dois problemas capitais da sua organização (...): o trabalho e a educação” (Brasil, 1933, p.137). Referiu-se, em sua fala, ao papel e à concepção de educação que deveriam nortear as propostas e ações governamentais e, por

conseguinte, naquele momento, as discussões relacionadas à educação na Constituinte. Afirmou que se referira à “(...) educação, no significado amplo e social do vocábulo: física e moral, eugênica e cívica, industrial e agrícola, por base, a instrução primária de letras e a técnica e profissional” (Brasil, 1933, p.138).

Identifica-se em seu discurso três elementos que delineariam a proposta educacional do governo varguista: 1) uma concepção de educação abrangente, que não se limitava a alfabetizar os alunos, visto que isso não garantiria a formação de cidadão idealizado. Assim, assinalava que havia

profunda diferença entre ensinar a lêr e educar. A leitura é ponto inicial de instrução e essa, pròpriamente, só é completa quando se refere à inteligência e à atividade. O raciocínio, fôrça máxima da inteligência, deve ser aperfeiçoado, principalmente por sabermos que o trabalho manual também o exige, pronto e arguto. (Brasil, 1933, p.138)

Em outra passagem afirmou: “O analfabetismo é estigma de ignorância, mas a simples aprendizagem do alfabeto não basta para destruir a ignorância. A massa de analfabetos, pêso morto para o progresso da nação” (Brasil, 1933, p.142).

Propiciar apenas instrução era reduzir as potencialidades do homem brasileiro e, com base nos excertos, infere-se o segundo aspecto: 2) a educação física como formadora de valores nos alunos e construtora de brasileiros fortes, hígidos que fariam do Brasil um país melhor, e 3) o ensino técnico-profissionalizante que garantiria a formação de jovens imbuídos de um ofício, trabalhadores produtivos, tendo em vista o processo de industrialização85.

Entretanto, essa proposta não deveria se restringir ao homem da cidade; Vargas propunha que o homem da zona rural também fosse educado com vistas a atender suas especificidades.

A par da instrução, a educação: dar ao sertanejo, quase abandonado a si mesmo, a conciencia dos seus direitos e deveres; fortalecer-lhe a alma, convencendo-o que existe solidariedade humana; enrijar-lhe o físico pela higiene e pelo trabalho, para premiá-lo, enfim, com a alegria de viver,

85 Em 1939 “Criou-se e pôs-se em funcionamento a Escola Nacional de Educação Física e

Desportos, destinada à formação de professores de educação física, técnicos dos desportos e médicos especializados em educação física” (Capanema, 1946, p.357).

proveniente do conforto conquistado pelas mãos. (Brasil, 1933, p.138-139)

O processo educativo não tinha como propósito retirar o homem do campo, pois era necessário fortalecê-lo para que o Brasil, um país ainda dependente da agricultura, pudesse ampliar sua produção agrícola, por meio da melhoria das condições de vida e de saúde de sua população rural, dando- lhe alimentação, trabalho e educação.

Entretanto, pelas considerações de Gustavo Capanema, em 1943, sobre as ações e os problemas relacionados à saúde da população durante o governo Vargas, constata-se que esse problema não havia sido resolvido. “Atualmente, como no passado, ainda os maiores problemas a resolver, para a distribuição equitativa do povoamento do Brasil, são conseqüentes da dispersão e mobilidade da população rural” (Capanema, 1943, p.412).

Na I Conferência Nacional de Educação, em 1927, Belisário Penna defendia uma política agrossanitária colonizadora que contribuísse para a educação e a fixação do homem no campo, mas, 16 anos depois, esse ainda era um problema a ser resolvido, como se evidenciou pelos discursos de Vargas e Capanema. O país estava em expansão industrial, mas carecia, também, do setor agrícola.

Rumo ao campo deve ser a preocupação máxima dos dirigentes. Para isso, é indispensável emancipar e dignificar o brasileiro, facilitando-lhe a posse da terra; regenerando-o fisicamente, pelo combate as endemias, ao alcoolismo, por larga assistência médica e prof ilática; reabilitando o intelectual e moralmente, pela instrução e educação; preparando-o para obter o máximo rendimento do trabalho, pelo ensino prático dos modernos processos de agricultura e por meio de transportes rápidos e econômicos. (Penna, 1997, p.625)

A educação era o meio para tirar o homem do campo do atraso, da apatia física resultante do “esquecimento” dos poderes públicos em que, por meio de força argumentativa, Getúlio Vargas imputava a si e aos demais políticos presentes a responsabilidade pela situação da população da zona rural, pois “se vegeta decaído e atrasado, culpemos a nossa incúria e imprevidência” (Brasil, 1933, p.139). A visão do sertanejo apresentada pelo presidente o retratava como “matéria prima excelente” e um ser paradoxal, pois em um corpo fragilizado residia a fortaleza de um desbravador.

Por vezes, o seu aspecto é miserável, mas, no corpo combalido, aninha-se a alma forte que venceu a natureza amazônica e desbravou o Acre. Em algumas regiões, vêmo-lo quebrantado pelas moléstias tropicais, enfraquecido pela miséria, mal alimentado, indolente e sem iniciativa, como se fôsse um autômato. (Brasil, 1933, p.139)

Entretanto, a miséria da população não estava presente apenas na zona rural, as grandes cidades eram espaços de doenças e epidemias. Segundo Moura (2009, p.34), nesse ambiente, cresciam as crianças pobres que passavam pelo “abandono, fome, desnutrição, exploração do trabalho, mendicância, crimes e contravenções (...)”. Desse modo, a ideia de nacionalizar a educação tinha um duplo sentido: 1) desenvolver uma educação essencialmente nacionalista, por meio de práticas, preceitos e atividades que estimulassem o senso patriótico e de valorização da Nação; e 2) que essa educação se difundisse por todo o país, ao afirmar que ela deveria ser concedida a todos os brasileiros, o que não significava que se pensasse em uma educação para todos, sem distinção, como foi possível perceber nos trechos extraídos de seu discurso.

Contudo, o discurso de Getúlio não foi sucedido de ações específicas para o ensino primário, visto que como o próprio Ministro Gustavo Capanema relatou anos depois, foi “A partir de 1942, [que] o Governo Federal iniciou uma nova política com relação ao ensino primário” (Capanema, 1946, p.360), por meio da formalização do Convênio Nacional de Ensino Primário entre o governo federal e os estados e a criação do Fundo Nacional de Ensino Primário, ambos em 1942.

Em relação à educação primária, foi publicado em 1941, apresentando dados de 1937 a 1939, o boletim Situação Geral do Ensino Primário, em que se destacava a “importância do ensino primário, como serviço de caráter nacional” (Brasil, 1941, p.11), “único instrumento de educação comum posto ao alcance de mais considerável massa da população” (Brasil, 1941, p.12), afirmando-se que de “cada cem alunos, de tôdas as idades, e em tôdas as escolas brasileiras, 90 cursam escolas primárias” (Brasil, 1941, p.11)

TABELA 4 – Distribuição percentual da matrícula geral, pelas séries, no ensino

fundamental comum, no período de 1932 a 193886

ANOS 1.ª série 2.ª série 3.ª série Total das 3 primeiras séries 4.ª série 5.ª série Total da 4.ª e 5.ª séries87 1932 55,77 22,61 13,13 91,51 6,66 1,83 8,49 1933 60,48 21,22 11,86 93,56 5,50 1,94 7,44 1934 59,53 20,63 12,66 92,82 6,02 1,16 7,18 1935 57,58 21,81 13,72 93,11 5,93 0,96 6,89 1936 59,33 21,01 12,89 93,23 5,92 0,85 6,77 1937 57,90 21,60 13,50 93,00 6,10 0,90 7,00 1938 56,12 22,25 14,14 92,51 6,52 0,97 7,49 Fonte: BRASIL (1941).

Na Tabela 4 identifica-se a concentração de matrículas na primeira série do ensino primário, o que não se verificou nos anos subsequentes. Houve um aumento mínimo de 1932 a 1938, o que pressupõe que, apesar de se destacar a importância do ensino primário no Boletim, ele era um nível de ensino pouco privilegiado pelo governo federal e com investimento de recursos distribuídos de forma desigual nos estados do país, pois esse nível de ensino era de responsabilidade dos governos estaduais.

As ações governamentais não denotaram, necessariamente, uma mudança significativa nesse nível de ensino durante o governo Vargas que não se constituiu como objetivo prioritário de sua gestão, diferente do que apontou no discurso da Assembléia Constituinte em 1933:

A instrução como a possuímos, é lacunosa. Falha no seu objetivo primordial: preparar o homem para a vida. Nela devia, portanto, preponderar o ensino que lhe desse o instinto da ação no meio social em que vive. (...) o nosso maior esforço tem de consistir em desenvolver a instrução primária e profissional, pois, em matéria de ensino superior e universitário, nos moldes existentes, possuímo-lo em excesso, quase transformado em caça ao diploma. (Brasil, 1933, p.140)

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O ensino comum era aquele destinado às crianças sem defasagem idade/série.

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Cabe fazer algumas considerações sobre o que ele mencionou como finalidade da instrução e a prioridade da educação primária e profissional. Apesar de apresentar distinções entre instruir e educar, o propósito de instruir, nessa parte de seu discurso, assemelhava-se e, em alguns aspectos, confundia-se com o propósito de educar, visto que a escola ao desenvolver capacidades morais e físicas nos alunos o preparava, também, para a vida.

Deveria ser propiciado às massas um ensino profissional que as preparasse para a vida, entendida, pelo discurso de Vargas, para a indústria e o comércio, para a produção capitalista; por isso fez crítica aos profissionais que se diplomavam em cursos superiores como forma de ascender socialmente, considerando-se donos de um saber privilegiado e ocupando cargos públicos, mas que não produziam para o país:

O doutorismo e o bacharelato instituíram uma espécie de casta privilegiada, única que se julga com direito ao exercício das funções públicas, relegando para segundo plano, a dos agricultores, industriais e comerciantes, todos, enfim, que vivem do trabalho e fazem viver o país. (Brasil, 1933, p.141)

O governo precisava de especialistas produtores e não parasitas que se tornavam um ônus para o Estado; por isso enfatizava, em seus discursos, a preparação para o trabalho e a distinção de profissões na hierarquia social.

Em outro trecho do discurso, essa questão aparecia com mais clareza:

Em tudo, com o caráter prático e educativo, dotando cada cidadão de um oficio que o habilite a ganhar, com independência, a vida ou transformando-o em um produtor inteligente de riqueza, com hábitos de higiene e de trabalho, conciente do seu valor moral. (Brasil, 1933, p.141)

A educação escolar destinava-se, nesse sentido, a formar, como já foi ressaltado, um indivíduo com valores morais, um trabalhador produtivo e, também, saudável, capaz de gerar seres sadios para a preservação e fortalecimento da raça brasileira, pois ela era “a solução do problema fundamental da nacionalidade” (Brasil, 1933, p.142).

A saúde, preservada ou alcançada, por meio da educação, estava atrelada ao bom rendimento que, consequentemente, asseguraria a produtividade no trabalho. Segundo Vargas, “Questões interdependentes e correlatas por natureza e finalidade, as referentes à educação e saúde públicas (...) só admitem solução comum” (Brasil, 1933, p.148).

Cabe ressaltar que circularam na Assembleia Constituinte, em 1934, várias concepções de educação e saúde. Miguel Couto participou das discussões para aprovação da nova Constituição, que contou com 60 representantes da área médica (Anaes apud Moura, 2009, p. 23).

Outro médico foi Pacheco e Silva (apud Moura, 2009, p. 24) que destacou a importância de um movimento de defesa da saúde do povo brasileiro:

Os que compõem a Assembléia Nacional Constituinte de 1934 dariam um mau atestado do seu patriotismo, da sua visão de homens públicos se, sob o pretexto de atender tão somente às necessidades imediatas dos cidadãos, relegassem para um segundo plano as questões que tocam de perto a formação da nacionalidade.

Cumpre-nos adotar um programa de defesa nacional da saúde, encarando sob os seus mais diversos aspectos, baseando-se em fundamentos de ordem eugênica, racial e social, como se faz hoje nos países mais adiantados do mundo. Devemos criar a nossa antropologia política, proporcionar meios para que o ambiente em que vive o nosso povo seja mais propício à saúde, velar pelas leis que regem a transmissão dos fatores

Belgede BÖLÜM I- SUNUM Sayfa (sayfa 3-0)

Benzer Belgeler