foto realizada Monumento do Coração de Jesus (1936).
Fonte: Ribeiro (1976, p.98). Fonte: Arquivo pessoal da Pesquisadora (2008).
Em 1931, o CNSN comemorou 25 anos de atividades, sob a direção da Sagrada Família, e a equiparação à Escola Normal e consolidou o Curso Comercial. A grande motivação era decorrente do fato da importância que se dava ao ensino normal na época e que o mesmo não fazia parte desse colégio desde os seus primórdios, posto que, inicialmente, o ensino na instituição foi destinado apenas à educação de crianças.
Conforme Ribeiro (1976), em 1938, o CNSN possuía a revista Flor de Neve: Sede puras, sede fortes, organizada pelas alunas e ex-alunas do colégio. Esse subtítulo da revista, segundo o depoimento da ex-aluna Cristina Soares, seria o mesmo lema da bandeira do colégio. Ribeiro apenas faz referência à sua existência com o registro da fotografia da capa de um exemplar. Conforme se pode observar na imagem a seguir, esse seria o VIII ANNO de publicação, mas não se conseguiu localizar nenhum número desta revista.
Imagem 1: Capa da revista Flor de Neve (1938). Fonte: Ribeiro (1976, p.97).
Encontrou-se no processo de Equiparação do Colégio ao Pedro II Nº 906, o documento que registra em 1950, devido o sucesso da instituição, confirmado pelo
grande número de matrículas, as sucessivas ampliações e construções
continuaram a acontecer no interior do seu espaço físico.(Ver anexo B).
Após diversos desdobramentos e enfretamentos de inspeções e crises institucionais, na década de 1970, com a justificativa da falta de matrículas para dar continuidade ao curso, foram encerradas no colégio apenas as atividades do ensino Normal. Acontecimento que não desestruturou as demais atividades escolares da instituição.
Na ocasião da publicação do livro organizado por Ribeiro (1976) sobre o CNSN, em comemoração aos 70 anos de portas abertas, sem interrupções de suas atividades escolares, estavam no comando desta instituição as diretoras Ir. Emília de Jesus Cardoso (Superiora) e a Ir. Margarida Marcelo (Diretora do Colégio). Merece destaque aqui a Ir. Margarida pelo fato da mesma ter sido aluna
da instituição, tendo recebido o hábito religioso na Congregação da Sagrada Família. A mesma deu continuidade a sua missão educativa na própria instituição, dedicando-se plenamente ao exercício do magistério na Paraíba. A religiosa permaneceu neste ambiente escolar até 1999, quando faltavam apenas três anos para o encerramento da funcionalidade educativa desta instituição, também marcou história por ter sido uma das primeiras freiras a tirar o hábito na instituição e em um momento de reflexão sobre a educação da família institucionalizou o ensino a meninos poucos anos antes de sair da instituição.
Ainda segundo Ribeiro (1976), na comemoração dos setenta anos foram rememorados os sacrifícios e as preocupações de apostolado cristão, de abnegação, de amor, de esperança, confraternização e renúncia a serviço de Deus, em prol do que se considerava ser a boa educação da família paraibana e adjacências.
Apesar de todo o esforço para manter a escola funcionando, a exemplo da grande comemoração de 70 anos de escola de portas abertas, o colégio enfrentou diversas crises que levaram a implementação de mudanças, tais como: o encerramento das atividades do magistério em 1970 e a integração do sistema de ensino misto, sendo assim, mudanças de ordem estrutural e pedagógica.
Todavia, as mudanças não foram suficientes para a manutenção dessa escola no ensino da Paraíba e o colégio fechou definitivamente suas portas no final de 2002. Atualmente funciona em sua estrutura a Faculdade de Ciências Médicas.
As marcas desse processo, com significativas implicações nos anos seguintes, ainda estão presentes no imaginário e na memória das personagens que a vivenciaram (alunas e professoras e diretora). Essa, porém, foi uma tarefa de pesquisa realizada e que será analisada nos capítulos seguintes desta dissertação.
2.2 Historicizando o curso normal: da equiparação em 1924 ao encerramento das atividades do curso em 1970.
Conforme as informações sobre o Curso Normal que habilitava as alunas do CNSN a serem professoras do ensino primário no período de 1924 a 1970 nesta instituição, e mediante a realidade em que este curso encerrou todas suas atividades definitivamente em 1970, houve a necessidade de buscar mais informações sobre a trajetória da tão aguardada institucionalização do Curso Normal neste estabelecimento de ensino, como o desenvolvimento e definhamento do mesmo curso dedicado à educação de mulheres. Para tanto, merece destaque aqui, a contribuição dos documentos encontrados na Inspetoria Técnica de Ensino-ITE: Setor de Escolas Extintas do Estado da Paraíba, a exemplo do Processo de Equiparação do CNSN ao Pedro II Nº 906, encaminhado a Inspetoria Geral do Ensino Secundário em (1935-1958).
Em 1924, o CNSN, em caráter provisório, conseguiu efetivar sua equiparação à Escola Normal do Estado, concedendo a diplomação para o exercício de magistério para 295 alunas da instituição (Anexo C). Mediante o fato de não localizar nenhum documento que datasse o primeiro dia de aula desse Curso Normal e com o auxílio de dados encontrados nos documentos do Processo de Equiparação do colégio ao Pedro II, Nº906, foi identificada a duração do curso, que consistia em cinco anos. Nesse sentido, entende-se que o início do curso Normal, nessa instituição teve início em 1919, cinco anos antes do que é conferido no referido documento.
Essas informações também podem ser confirmadas com a segunda via de um diploma expedido a uma aluna da primeira turma do Ensino Normal, concluída em 1924, também encontrado no setor de escolas extintas. O diploma destaca-se por se constituir de duas folhas. A frente é a imagem Nº1, que tem como título no alto do documento: COLÉGIO NOSSA SENHORA DAS NEVES. Equiparado a Escola Normal do estado da Paraíba, por decreto n. 1229, de 8 de fevereiro de 1924. O diploma confere à professora gozar de todos os direitos e prerrogativas inerentes a esse título. No verso do diploma encontram-se dois selos embaçados,
por conta da ação do tempo. O primeiro contém as seguintes palavras: BRASIL TESOURO NACIONAL, CR$ 5,00 e o outro só foi possível visualizar o valor de CR$ 1,50.
Imagem 2: Diploma expedido para aluna concluinte do Curso Normal em 1924. Fonte: Processo de legalização do ensino Comercial.
Ao abrir a segunda página desse documento, conforme pode ser conferido na imagem Nº2 encontram-se dados que afirmam a aprovação da aluna nos respectivos anos 1º, 2º, 3º, 4º e 5º do Curso Normal e que foi paga a importância de quatro mil e oitocentos reis correspondente ao diploma conferido.
Imagem 3: Segunda parte do diploma expedido para aluna concluinte do Curso Normal em
1924.
Fonte: Processo de legalização do ensino Comercial.
Conforme os documentos pesquisados na Inspetoria Técnica de Ensino, particularmente, nos relatórios para efeito de inicializar a inspeção preliminar para equiparar o colégio ao Pedro II Nº 906, até conseguir a inspeção permanente do CNSN, destinado ao Ministério da Educação e Saúde Pública, especificamente na Divisão de Ensino Secundário, do Rio de Janeiro, essa instituição já era considerada na época uma das mais importantes do país em face da destacada eficiência do ensino. Um exemplo dessa realidade constatou-se nos relatórios (Anexo D), que contém registro do sucesso de alunas, que ao serem transferidas por algum motivo para outras instituições escolares, reafirmavam o êxito do ensino desse estabelecimento educativo e as alunas que eram diplomadas como professoras normalistas não deixavam de contribuir para a consolidação do bom nome desta instituição.
Consta, também, nos citados documentos, um esforço administrativo no sentido de redobrar as atenções para tornar o ensino ali ministrado eficiente, sob todos os aspectos. Assim, já em 27 de março de 1941, o corpo docente do CNSN, constituído pelas religiosas do Instituto da Sagrada Família era, também, composto por professores que exerciam as suas funções no Lyceu Paraibano e no Colégio Pio X, grandes referências educacionais da Paraíba. (Anexo E)
No processo de Nº 906, encontrou-se um relevante ofício comunicando a aprovação da idoneidade moral de quem estava sob a administração da escola, como, também, de seu corpo docente, diagnóstico considerado necessário para a manutenção do respeito que alcançava a instituição. Também se encontra nessa documentação atestados documentais de idoneidade moral dos funcionários da escola (Anexos F). Essa consideração na sociedade reflete no sucesso da instituição e é prova de créditos morais do estabelecimento, que além da boa instrução, transmite às educandas o espírito da ordem, respeito e moralidade.
Ainda nesse processo mencionado, consta que em 31 de dezembro de 1935, o colégio requereu Inspeção Preliminar, algo que foi concedido em 8 de janeiro de 1937. Esse foi um dos primeiros passos do processo que foi constituído em várias etapas, até ser alcançado a de equiparação definitiva da instituição. Foram encontrados nos documentos de Equiparação do CNSN ao Pedro II Nº 906, os critérios de classificação da instituição de forma resumida, disposto em cinco partes: local, edifício, instalação, salas de aula e salas especiais.
Em 17 de setembro de 1938, o ginásio foi classificado como “BOM” com 8,174 pontos (publicado no Diário Oficial, de 30 de setembro de 1938). Por decreto de Nº 7.165, de 12 de maio de 1941, foi concedido a favor do CNSN Inspeção Permanente. (Anexo G). Nos relatórios, consta o documento assinado por Getúlio Vargas, concedendo a Inspeção permanente ao CNSN, em 12 de maio de 1941 (Anexo H). Em 10 de abril de 1945, foi aprovada a classificação que a colocou como categoria: “BOM” e com a menção de 9,180 pontos. (Anexo I). Em 03 de abril 1945, no relatório para revisão da ficha de classificação do Ginásio Nossa Senhora das Neves (1ª parte), foram encontrados dados que informam que além do Curso Secundário, o Ginásio das Neves mantém um Curso Comercial
oficializado e fiscalizado pelo Governo federal (Inspeção Preliminar, portaria ministerial nº188 de 21 de julho de 1942) e um Curso Primário destinado especialmente a preparar candidatos aos exames de admissão para os diversos cursos.
Em 1958, consta no processo de Equiparação do CNSN ao Pedro II Nº 906, um ofício, que emite a ordem de arquivamento do processo em questão (1º volume) na Inspetoria Seccional. (Anexo J) Isso implica que o processo de equiparação definitiva do CNSN perdurou por muito tempo, visto que o curso normal foi equiparado em 1924 e, em 1935, foi solicitado uma Inspeção Preliminar de Equiparação do colégio ao Pedro II e, finalmente, em 1941 concedida ao colégio a Inspeção Permanente.
Neste percurso em busca da equiparação definitiva, identificou-se que o processo de equiparação perdurou por 23 anos, para se passar por todas as inspeções necessárias até se consolidar a equiparação definitiva. A cada Inspeção Preliminar tinha-se que cumprir alguns requisitos e mesmo depois da equiparação definitiva em 1941, o colégio ainda continuou a passar por várias revisões e só após se certificarem que os critérios definidos, foram atendidos e tiveram continuidade e qualidade no decorrer dos anos seguintes ao título conquistado, é que o referido processo foi arquivado, em 1958.
Após todos esses desdobramentos que envolveram o processo de equiparação do curso Normal, que em 1924 foi tão almejado nesta instituição, em 1970, essa realidade não era mais a mesma e o curso Normal teve todas as suas atividades encerradas definitivamente.
Ao iniciar a pesquisa, uma das primeiras perguntas feitasa Irmã Margarida, ex-diretora do CNSN, foi: por que o curso do Magistério o Primário foi encerrado em 1970? Ela respondeu imediatamente: “Pela falta de matrículas”. Essa resposta da Ir. Margarida foi confirmada com a análise das fichas de matrículas de 1961 a 1970, realizada na Inspetoria Técnica de Ensino-ITE.
MATRÍCULAS DO COLÉGIO NOSSA SENHORA DAS NEVES 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 Nenhum dado no arquivo 11 Nenhum dado no arquivo 26 34 31 34 29 18 20
Quadro de Matrículas de alunas do terceiro ano do curso Pedagógico Primário (1961-1970). Fonte: Setor de Escolas Extintas-STE.
O quadro acima ratifica o decréscimo gradativo das matrículas dificultando a manutenção do curso nessa instituição. Enquanto em 1924, na primeira turma do Magistério Primário havia 295 alunas recebendo seus respectivos diplomas, em 1970, há 20 alunas.
No entanto, apesar de todos os esforços para mudar esta realidade, entre o fim dos anos de 1960 e início dos anos de 1970, a brusca queda nas demandas por matrículas, inevitavelmente, impôs a mais drástica decisão histórica à administração da instituição, qual seja: encerrar o ciclo histórico da tradicional formação de magistério, em 1970.
Mediante contatos realizados com ex-alunas do CNSN, foi disponibilizado para essa pesquisa, através da ex-aluna Cristina Soares Cavalcante, um poema que foi recitado por ela, cujo, conteúdo foi uma homenagem a uma madre francesa, que veio da Europa para averiguar a atual situação em que a instituição se encontrava em 1970.
A referida madre, representante enviada pela Ordem Religiosa da Sagrada Família, ficou hospedada no CNSN durante dois meses, com o intuito de fiscalizar todo o trabalho desenvolvido na instituição. No retorno da madre à França, o colégio organizou uma despedida com a presença de todas as alunas e demais profissionais da instituição, tendo a religiosa francesa comunicado o seu parecer favorável à manutenção das atividades desenvolvidas na instituição. O ápice da despedida foi a leitura do poema, logo abaixo, em francês, recitado pela ex-aluna Cristina Soares e, ao mesmo tempo foi uma espécie de agradecimento por suas conclusões positivas em prol da instituição.
Imagem 4: Poema recitado em homenagem à Ir. Francesa. Fonte: Ex-aluna Cristina Soares.
Em um dos contatos realizados com a Ir. Margarida, ao mostrar-lhe o poema fornecido pela ex-aluna, imediatamente pegou-o e realizou a leitura em francês e, em seguida, uma segunda leitura traduzindo-o para o português (Anexo L). A ex-diretora lembra-se da composição do poema e menciona que foi escrito para ser declamado por uma aluna:
[...] nós todas as alunas do colégio Nossa Senhora das Neves e agradecemos a sua generosa visita, para bem fazer a nós todos. Obrigada por ter deixado abertas as portas da congregação, aqui no Brasil, pelas quais conhecem todas as graças sociais e onde as alunas são é acolhida, pela caridade, em nome das alunas que são filhas de Santa Emília de Rodat e desejamos a sua volta ao seu caro país que a nossa lembrança não se apague em seu coração pelo e sobre tudo sempre em suas orações.[...] (Tradução livre da Ir. Margarida)
Neste sentido, confirma-se o momento de instabilidade em que o colégio passou por dois meses sob inspeção da madre francesa, e que apesar do parecer favorável à instituição, em 1970, tem-se registrado nesse mesmo ano o encerramento das atividades do magistério.
A fotografia a seguir, ilustra a bênção dos anéis na festa de formatura das ex-alunas da última turma do magistério no CNSN, em 1970.