RAPOR AŞAMASI Tez raporunun
4.8. Taranan Çalışmaların Sosyoekonomik Statü ile Bağıntı Durumu:
O segundo curso foi planejado inicialmente com 80 horas e tinha como princípio orientador a relação teoria-prática. Nossa intenção era a de que as professoras pudessem de experimentar os exercícios em classe, discutir sobre suas impressões, aplicar na sala de aula e tornar a discutir com as colegas de curso. Queria que as professoras tivessem oportunidade de refletir coletivamente sobre as leituras de seus alunos e partilhar as experiências.
O curso teve vários problemas na sua realização, pois de 80 horas fora reduzido para 20 e justamente por isso o processo de ida e volta imaginado para o curso não pôde acontecer da forma como foi planejada, além disso, o período disponível para a realização no final do semestre prejudicou a atividade das professoras com seus alunos. Mesmo assim foi possível extrair situações nas quais houve um acréscimo de novas camadas de sentido para as atividades apresentadas.
Uma dessas situações foi a leitura do filme de animação For the birdes produzido pelo estúdio Pixar para a Disney. O desenho conta a história de um grupo de pássaros que pousam num fio, e reagem mal à aproximação de um pássaro grande, mas terão motivos para se arrepender dessa atitude.
Inicialmente foi feita uma leitura quadro a quadro sobre as técnicas utilizadas para construir a narrativa do filme. A atividade foi conduzida por Sandra Mara de Oliveira Souza e nela as professoras começaram a utilizar os termos “enquadramentos”, “ângulos”, e relacioná-los com as intencionalidades e o seu papel na construção da narrativa do filme.
Imagem 11 - Leitura dos vídeos quadro a quadro
E as professoras falaram de suas primeiras impressões sobre a aproximação do pássaro grande:
E eu como espectadora do vídeo, eu entendi aquele outro animal como sendo a mãe, deu a entender assim quando um monte de criança tava dando trabalho aí os nossos filhos ou os alunos e a mãe chega e repreende pelo som diferente, até o som dele é diferente, então eles pararam primeiramente eu achei que ele fosse a mãe ou alguém que e ele tivesse tomando conta deles (Conceição, depoimento oral)
A primeira coisa que eu fiz foi achar que eles se gostavam estavam assim apaixonados (risos) foi eu disse todos acharam assim né ficou apaixonado e aí depois detonaram o coitado (Gil, depoimento oral)
Chamamos a atenção para o fato de que assim como estava acontecendo com as professoras, dar oportunidade para as crianças falarem sobre as diferentes versões era importante e precisavam ser registradas. Isso porque geralmente as crianças são levadas a ter uma só interpretação, normalmente a do adulto e a medida que elas têm a possibilidade de expressar suas leituras, podem acrescentar novas possibilidades de interpretação, agregar novos sentidos à sua leitura original através da partilha coletiva.
Num outro momento, foi a vez das professoras lerem em grupos um determinado trecho do filme Nenhum a menos. Uma produção chinesa que conta a
história de uma escola de uma aldeia no interior da China83. Os grupos tiveram que responder questões baseadas na apostila Look Again84 sobre temáticas diferentes: cenário, câmera, história.
Imagem 12 - Grupos assistindo à história
O primeiro Grupo respondeu questões sobre a história, as professoras Iana e Marluce não conheciam aquele filme, e mesmo assistindo a um trecho que não estava dublado nem legendado, foi possível perceber a temática central – tratava-se da história de uma professora que tentava resgatar um aluno e que fez de tudo para ajudar a escola que trabalhava. Também perceberam que havia uma diferença entre a vida na cidade e a vida na aldeia que era muito pobre, que através da atuação da professora a escola ganhou doações.
Todas essas situações estão realmente abordadas na história, mas como se tratava de um trecho apenas do filme e as duas professoras não conheciam a
83
O filme conta a história de uma adolescente que substitui um professor em suas férias com a incumbência de não permitir que os alunos abandonem a escola, com a promessa de um ganho extra se for bem sucedida. Mal a jovem professora se estréia, um dos alunos é obrigado a ir trabalhar para a cidade, pois vive só com a mãe, que está doente e imersa em dívidas. A professora segue até a cidade para recuperá-lo.
84
BFI/DfES. Look Again: a guide to moving image education 3-11. London: BFI, 2004, com tradução para estudos de Ric Pereira.
história inteira, elas usaram a sua experiência pessoal para completar ou dar sentido a partes que não conheciam, mesmo porque, sem o texto, as referências eram a imagem, a trilha, etc...
Imagem 13 - Iana e Marluce discutindo a história
Marluce, por exemplo, disse que a garota era pedagoga e que se dedicava muito à educação. Já Iana destacou a perseverança e a garra da professora. De um modo geral elas colocaram suas experiências, Após as falas procuramos destacar o fato de que a narrativa da história não é feita apenas pelo texto escrito – as palavras, mas que o som, a entonação das vozes, o encadeamento das cenas, a expressão dos atores, colaboram para a formação do significado. E essa leitura é feita pelas experiências dos leitores. Onde não havia história as professoras recriaram a partir de suas vivencias pessoais, bem como de suas projeções.
Identificando-se com a personagem, Marluce, e Iana projetam para ela qualidades que na verdade são suas, como dedicação, perseverança e garra. Da mesma forma quando as crianças comentam o que assistem, projetam suas visões de mundo, e se tivermos abertura e acolhimento para esses entendimentos, poderemos identificar essas visões, problematizá-las e torná-las mais conscientes.
O grupo da câmera com a Suely, Valdelice e Laura, discutiu entre si. Falaram de como percebiam agora os movimentos de câmera dando sentido à história, as intencionalidades presentes na organização das cenas. Perceberam o uso do close para chamar a atenção para uma determinada informação, a passagem das imagens construindo o ritmo, auxiliando a entender melhor o enredo da história.
Imagem 15 - Conceição relatando as impressões sobre o cenário
A dupla, Conceição e Tereza, fez a descrição dos diferentes cenários – cidade grande e vila, chamando a atenção para os seus contrastes:
[...] em relação ao cenário, a história a gente percebe que ela acontece na China né pela questão das características das pessoas, da língua né, e começa com um ambiente da cidade, a gente percebe que é uma cidade pelo movimento, pelas luzes, pela própria TV (...) e muda o cenário, vai da cidade prá um vilarejo, e entre um lugar e outro há como se fosse veículos, e no percorrer desse caminho a gente vai vendo o que a mudança de paisagem né (...) vai vendo montanhas, área verde, aí chega num lugar onde as casas são casebres, é outro estilo de vida... (Conceição depoimento oral).
A forma como Conceição descreve a cena vai dando conta de como esses elementos se encadeiam para ajudar a contar a história. Já Tereza conhecia o filme, mas disse que as questões ajudaram a perceber melhor os elementos do cenário.
[...] eu tive a oportunidade de agora pelo menos nesse pequeno trecho, direcionar realmente o olhar eu acho que esse está sendo o nosso trabalho aqui, realmente direcionar o nosso olhar e poder fazer isso com o meu aluno na sala de aula, pra que eles observem detalhes que muitas vezes passam despercebidos, então ver esses detalhes assim, a questão da emoção das características das
pessoas pra saber onde realmente está acontecendo [...]. (Tereza depoimento oral).
A cada comentário procurávamos a partir da própria fala delas para ressaltar elementos que as auxiliariam a interpretar e expandir as experiências de seus alunos com as mídias.
Cada um teve uma leitura diferente da história (Marluce depoimento oral)
As leituras diferentes se complementam e ampliam as possibilidades de apreensão da história e da forma como ela foi elaborada...
Como eu não assisti, [não conhecia o filme] eu fiquei sem saber o que ela dizia que passava tanta emoção pra criança (Laura depoimento oral).
Mesmo quando se trata de crianças que ainda não sabem ler, é possível inferir que elas atribuem significados, identificam emoções, através do texto visual assim como as professoras vivenciaram no exercício.
Antes eu não percebia, no inicio quando ta passando a menina [professora] lá na televisão, o menino está de costas assistindo a televisão então a gente já tem aquela percepção que a gente está por traz do menino, também assistindo a televisão, entendeu? (Conceição depoimento oral)
Praticamente é como se a gente sentisse a mesma emoção (Laura depoimento oral).
Durante a discussão, ressaltamos a importância do registro com as crianças como modo de organização das diferentes possibilidades de interpretação numa perspectiva processual, para que pudessem recorrer a eles em diferentes momentos e refazer suas hipóteses, encontrar outras formas de expressão. De certa, forma o caráter processual foi captado:
É interessante porque a gente vai poder assim repassar de forma mais clara para nossos alunos. Por quê? Porque a gente assiste ao filme, a gente não tinha esse entendimento. Estamos começando a vivenciar esse conceito, não que eu já entendi por completo, mas estamos começando, porque é totalmente diferente você sem ter esse entendimento passar pras crianças, outra coisa é a gente ter de maneira mais clara tudo isso que a gente está estudando aqui. (Valdelice depoimento oral).
Aqui a professora experimenta duas sensações, a de que ela ainda está aprendendo e de que esse aprendizado é um processo, no entanto quando se refere aos alunos usa o termo repassar, ou seja, a cultura escolar orientada pelo paradigma do estímulo resposta se faz presente em sua fala. Nesse sentido retomo a ideia das prevalências. O fato de haver em seu discurso duas perspectivas diferentes indica que existe uma disputa na qual as vivências debatidas no grupo podem auxiliar a ampliar o campo de influência da perspectiva processual. Enquanto isso sua ação pedagógica vai se orientar por uma ou outra concepção de acordo com as visões que prevalecerem em um dado momento sem que a professora tenha maior controle sobre isso, à medida que não é uma luta consciente.