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2.4. Günümüze Ulaşan Türk Mimarisi Evleri

2.4.5. Taraklı Evleri

Entre as principais correntes que desconsideram o papel ecológico e ambiental no processo de estratificação social da espécie humana está a que coloca o controle ideológico como fator central na transformação estrutural (DIAMOND, 1997; EARLE 1987, 1997). Para os autores que discutem esta teoria, a estratificação social decorreria do crescente poder das instituições que controlavam o mundo ritualístico e simbólico dos povos (EARLE, 1997). Alguns indivíduos utilizariam a crença no mundo metafísico para manipular e controlar o fluxo dos recursos produzidos dentro do grupo (JOHNSON; EARLE, 2000). Uma vez que a prática ritualística se encontrava presente entre os grupos igualitários, foi apenas com a

49 institucionalização da religião que o controle das crenças e da realidade simbólica espiritual teriam se voltado para a manutenção da desigualdade e para o controle do fluxo de recursos (DIAMOND, 1997).

O principal indício material que sustenta esta hipótese está no registro arqueológico das localidades nas quais se originaram os primeiros Estados, como é o caso da Mesopotâmia (STEIN, 1994). Entre as habitações aparentemente homogêneas das vilas agrícolas existem construções diferenciadas, que seriam utilizadas como locais públicos em que seriam celebrados os eventos ligados ao mundo simbólico. O crescimento no número destas construções, ao longo do tempo, traduziria o crescente papel dos primeiros templos na mudança das estruturas sociais da região (AKKERMANS,1989). Acredita-se que os primeiros chefes e líderes de Estado poderiam ter tido seu poder diretamente associado a estas instituições (ROTHMAN, 2004).

A presença de sinais do poder simbólico das lideranças parece estar representada na arqueologia dos lugares em que teria emergido a desigualdade material hereditária (AKKERMANS, 1989; HAYDEN; ADAMS, 2004; OATES, 1993; STEIN, 1994). Entretanto, entende-se aqui que a relação entre a reestruturação sociopolítica dos povos e o aumento na importância do poder simbólico não poderia ser traduzida apenas pelos registros arqueológicos. Uma possível crítica a esta teoria poderia ser a existência de indícios de cultura material ligados à rituais e ao mundo do sagrado em diversas ocupações humanas ao longo de toda a história evolutiva (LEWIS-WILLIAMS, 2004; RAPPAPORT, 1971). Isto é, faltaria a esta argumentação explicar porque, neste momento, em diferentes partes do mundo, o poder sobre o mundo simbólico e ritual dos povos teria sido utilizado para fins da estratificação social. Diamond (1997), por exemplo, localiza o controle ideológico como um mecanismo de manutenção das estruturas hierárquicas, mas não de causalidade da DMH.

Entre as teorias de estratificação social decorrentes, majoritariamente, da agência humana, está aquela que coloca a emergência da DMH como produto do uso da força. O debate sobre o papel da guerra na emergência das sociedades

50 estratificadas foi marcado pelo trabalho de Robert Carneiro (1970), que propôs o uso desse mecanismo de dominação como uma ferramenta de subjugação e de obtenção de força de trabalho escrava. A guerra, segundo Carneiro (1970), seria um dos caminhos que grupos rivais teriam utilizado não só para se sobrepor uns aos outros, como, também, para garantir o uso e o acesso a recursos estratégicos e a expansão dos grupos vencedores. Sua elegante teoria, baseada na circunscrição ambiental e social, usava a falta de alternativas viáveis para se deslocar ou migrar como explicação para a submissão dos indivíduos à realidade estratificada em que se encontravam, mesmo que insatisfeitos, de maneira que sem alternativas, estes não tinham outra opção a não ser se sujeitarem às elites.

Entretanto, o próprio Carneiro (1970) teria reconhecido que a guerra, por si só, não seria suficiente para explicar a emergência das sociedades estratificadas, com o que concordam outros autores (ARNOLD, 1993). Devemos aqui, porém, observar que a teoria de Carneiro (1970) trata da fundação do Estado, e não das origens da desigualdade material hereditária. Parece-nos, aqui, que o uso da força armada e institucionalizada teria representado um mecanismo de manutenção da estrutura desigual, e não de causalidade e transformação, necessariamente.

A busca por prestígio e status figura no centro dos debates de causalidade social da DMH, e pode ser exemplificada pela figura dos aggrandizers, propostos por Clark e Blake (1994) em seu trabalho sobre os Mokaya, cultura que teria ocupado parte da região onde fica atualmente o México, cerca de 1500 A.C. Os aggrandizers seriam os indivíduos que, em busca do reconhecimento social e/ou de seguidores, utilizar-se-iam da estratégia da generosidade competitiva, através da qual criariam laços de dívida por meio da construção de uma imagem de destaque e provimento assimétrico de recursos. De acordo com os autores (op.cit.), o propósito da estratégia estaria em atrair outros indivíduos para uma mesma localidade, de maneira a promover um processo de aumento demográfico em torno do indivíduo que buscava aumentar seu prestígio. Processo semelhante àquele discutido previamente em relação aos Big Man.

51 Para Clark e Blake (1994), em decorrência da pressão populacional e no contexto adequado, a estratégia dos aggrandizers poderia levar à estratificação. Se a conquista e a manutenção das posições de prestígio pelos aggrandizers pudessem ser legitimamente herdadas, poderiam manter a diferenciação social de uma determinada linhagem, configurando assim a emergência da desigualdade social (CLARK; BLAKE, 1994). Estes indivíduos caracterizariam as estruturas sociais transigualitárias já mencionadas, como os Great Men, Head Men e Big Men. Entre as quais os indivíduos promovem eventos públicos de demonstração da capacidade de produção e acúmulo, como os banquetes, buscando através da oferta de alimento para toda a população estabelecer laços indiretos de dívida e subjugação (PRICE; FEINMAN, 1995).

A principal crítica a este modelo está, justamente, no seu determinismo social, ou mais especificamente, no determinismo individual. Para Clark e Blake, “[a]s the

process depends on an unpredictable concatenation of factors and contexts negotiated in social interaction”, o mesmo seria difícil de ser previsto (1994 p. 21).

Ademais, existem exemplos em que a emergência da estratificação social parece ter sido decorrente de processos sociais que não se resumem à busca pelo prestígio, como teria sido o caso de transformação social vivido pelos Enga, povos de Papua Nova Guiné, nos últimos quatrocentos anos (WIESSNER, 2002), inviabilizando o caráter universal desta explicação.

A última das teorias sobre a origem da estratificação social apresentada aqui é a do controle comercial (SMITH et al., 2010; YESNER, 1980). Neste caso, teria sido o controle tanto de rotas comerciais, como do comércio de artigos valiosos, que teria permitido o surgimento de um superávit, de um excedente manipulável (WIESSNER, 2002). O acesso às primeiras rotas comerciais da história humana poderia ter garantido a determinados indivíduos, ou povos, o poder de barganha que teria permitido o acúmulo de excedentes (HAYDEN, 1983; YESNER, 1980). Trata-se, portanto, de uma proposta que tem na agência humana e na disposição geográfica dos recursos de interesse a chave para a emergência da estratificação. A teoria do comércio coloca um grupo de indivíduos em uma posição de relativa vantagem frente à maioria da população. A busca por recursos em regiões distantes

52 poderia implicar em altos riscos, o que explicaria a pequena quantidade de pessoas realizando tal atividade; por outro lado, se a busca fosse bem sucedida, talvez pudesse gerar o ganho de um excedente (ARNOLD, 1992; 1995; HAYDEN, 1983; SMITH et al., 2010a). Entretanto, essa teoria encontra uma capacidade explicativa restrita, pois o acúmulo evidenciado entre os grupos das chamadas sociedades transigualitárias poucas vezes apresenta correlação com o comércio de artefatos específicos (PRICE; FEINMAN, 1995; WIESSNER, 2002).

Finalmente, revistas as principais teorias sobre o surgimento da estratificação social e da desigualdade material hereditária, percebemos que várias perguntas sobre o período de transição entre sociedades relativamente igualitárias e as desiguais permanecem sem respostas. O que teria causado esta transição? O que permitiria o surgimento dos privilégios, ou a emergência dos aggrandizers? Por que naquele período histórico, e não antes? O que teria mudado no ambiente ou na cultura dos povos que fizeram a transição, levando à emergência de novas estruturas sociais? Ou, nas palavras de Blake e Clark (1999):

“How did societies, at different time periods and in different

parts of the world, developed hereditary inequality? This is becoming one of the most widely asked research questions in archaeology today and one for which tentative answers are

beginning to come forward” (p.55).

Benzer Belgeler