6.UZUNKÖPRÜ İLÇESİN’DEKİ KOOPERATİFLERİN KALİTATİF ANALİZİ
6.2. Tarımsal kalkınma kooperatifleri 1.Balabankoru
Retomamos aqui as perguntas formuladas inicialmente neste capítulo e que serviram de fio condutor para a pesquisa empírica. Para elaborar as respostas a essas perguntas tomamos como base o acompanhamento das matérias publicadas nos jornais Zero Hora e Correio do Povo em comparação com as notícias veiculadas no espaço www.mst.org.br, no período de 12 a 26 de abril de 2011, as entrevistas feitas com jornalistas de Zero Hora e Correio do Povo e o acompanhamento da
dinâmica de trabalho da equipe da página do MST, bem como as entrevistas realizadas com integrantes do movimento:
a) É evidente que o site serviu de fonte para os jornalistas de Zero Hora e Correio do Povo na composição das matérias? Existem dados que foram retirados do site?
Não, não há evidências nas matérias dos jornais Correio do Povo ou Zero Hora de que algumas informações foram retiradas do site, caracterizando que esse espaço serviu como fonte na composição das reportagens. No entanto, os jornalistas entrevistados (ainda que nem todas as matérias analisadas no período tenham sido de autoria desses repórteres) informam que algumas vezes utilizam o site do MST como fonte. Ainda assim, como salientam os jornalistas, o uso é feito com certa reserva, uma vez que os números, por exemplo, podem estar “inflacionados”, bem como as informações tendem a apresentar um caráter “propagandístico” e/ou “panfletário”. Dessa forma, o que se percebe é que o site do MST pode ser uma fonte parcial, ou seja, vista como interessante para sugerir algumas pautas (cujos dados precisam ser confrontados com outras fontes). Também para dar uma ideia das mobilizações organizadas pelo MST, mas, como mostram os entrevistados, há que se ter cuidado nessa utilização do site enquanto fonte, uma vez que nesse espaço não há uma separação entre “publicidade e informação”. Por isso mesmo não isenta os jornalistas da busca pelas fontes “in loco”, em geral lideranças do movimento destacadas para dar entrevistas nos locais onde ocorrem as ações.
De maneira geral, afirmar que a página do MST é fonte para matérias pode ser temerário, uma vez que essa aferição é praticamente impossível, na medida em que, conforme nos relatou Santos (2011), a dinâmica de trabalho dos jornalistas do movimento nos escritórios regionais é de redigir a matéria, enviar à página e, ao mesmo tempo, disparar para o mailing, o que dificulta ao pesquisador saber, de fato, se o que foi publicado em outros locais teve como base o site do MST ou o release enviado pelo assessor de imprensa.
Há momentos em que o release não é encaminhado a um mailing e, como exemplo, apresentamos a pauta “bloco de carnaval Unidos da Lona Preta” que, segundo Lima (2011), foi uma matéria publicada diretamente na página (figura 6), ganhando repercussão em outros veículos, a exemplo do site do jornal Folha de São Paulo (figura 7). Nesse caso, evidenciando o uso da página do movimento como
fonte, no entanto, em um tema cujo grau de importância para o movimento é claramente menor.
b) As reportagens publicadas nos jornais eram dissonantes do que era publicado na página do MST e, então, a versão do movimento funcionou como contraponto?
As reportagens publicadas nos jornais apresentavam, de maneira geral, uma abordagem diversa daquela observada no site do movimento.
O tema da mobilização no Rio Grande do Sul, relativa à Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, e que no Estado se caracterizou pela ocupação da sede do Incra e da Fazenda Guerra, nos jornais obedeceu a tratamentos similares em ambos os veículos analisados. Tanto em Zero Hora como no jornal Correio do Povo havia uma ampliação das fontes, além do MST, como é de se esperar na prática do jornalismo feita por veículos de Comunicação tradicionais. Sendo assim, compunham as matérias outras fontes como polícia, governo estadual, representantes dos proprietários da fazenda, etc.
No site do MST as matérias sobre as ações no Rio Grande do Sul eram centradas no ponto de vista do MST com uma exposição maior em torno das reivindicações e das promessas, cumpridas ou não, feitas pelos governos federal e estadual, em tempos passados, além de dados sobre as negociações. Ainda que as reivindicações estivessem expostas nas matérias dos jornais, no site do MST elas surgiam em maior número e com explicações ampliadas. No site essas reivindicações e mobilizações ganhavam outra conotação, a partir dos conteúdos correlatos organizados por tags e que figuraram como possibilidades de aprofundar as leituras sobre o tema. Também no site era possível ter informações a respeito da jornada em todo o Brasil, dada a sua abrangência nacional, o que não era possível nos jornais, que possuem um caráter regional.
Em relação à matéria sobre a colheita do arroz orgânico no assentamento do MST em São Gabriel, percebe-se que essa notícia foi valorizada pelo site do movimento, mas não foi merecedora de qualquer menção nos jornais analisados. Sabemos que a produção de alimentos livres de agrotóxicos é uma das bandeiras do movimento, assim como entendemos que mostrar a colheita de produtos cultivados em assentamentos é de grande valor para o MST, uma vez que
demonstra a produtividade nesses espaços e uma consequência positiva do processo de Reforma Agrária. Daí a compreensão do destaque dessa matéria no
site.
No sentido inverso, a notícia relativa às escolas itinerantes não ganhou qualquer referência na página do movimento, enquanto que para o jornal Zero Hora a matéria chegou a ser anunciada na capa.
Em relação às escolas itinerantes, Zero Hora abordou os aspectos polêmicos do tema, sugeridos inclusive pelo título da reportagem, recuperando a história do embate que resultou no fechamento das escolas itinerantes e repercutindo a possibilidade de reabertura junto ao procurador do Ministério Público que liderou o fechamento naquela ocasião. É bem verdade que no dia em que houve a divulgação dessa informação, a página do movimento encontrava-se com problemas, fora do ar, mas, mesmo posteriormente, a opção do movimento foi de não noticiar nada sobre o assunto.
No que diz respeito à notícia referente ao curso de Medicina Veterinária para assentados na UFPel, as abordagens em Zero Hora e no site foram diferentes. Zero Hora apresentou uma matéria que recupera os problemas do curso no passado (chegou a ser suspenso), além dos debates em torno da carga horária diferenciada. No site do MST, o foco da matéria foi a importância do curso para os assentados, destacando que a faculdade vai beneficiar colonos de nove Estados, valendo-se do
case de uma estudante para mostrar o valor dessa faculdade para o MST,
considerando-a como uma conquista.
c) O que é notícia no site do MST também é notícia em Zero Hora e/ou Correio do Povo?
Percebemos ao analisar os conteúdos desses três meios, no período de 15 dias, que, nem sempre, o que é notícia no site do MST é notícia em Zero Hora ou no Correio do Povo. E que o contrário também é verdadeiro, notícias que surgiram nos jornais não tiveram qualquer menção no site.
Quando há notícias similares ou que versam sobre o mesmo tema no site e nos jornais, em geral, as abordagens são diferentes. Também é possível que fatos que não receberam espaço nos jornais possam figurar com destaque na página do MST.