• Sonuç bulunamadı

P- Pesquisador: Renato E- Entrevistado: Cristiano

P- Comece me contando a sua idade.

E- 19 anos, mas daqui a poucos dias faço 20 já. Mas eu queria ter 19 para sempre! (risos)

P- E você faz o que?

E- Comecei o curso de arquitetura esse ano, a noite, na cidade vizinha, viajo todos os dias.

P- E você mora com seus avós?

E- Isso, meu avô teve um derrame, e desde aquela época, eu já dormia lá todos os fins de semana, mas mudei para lá para ajudar a tomar conta dele, ele acabou dependente de mim, mas até quatro anos atrás eu morava com meus pais e meus dois irmão mais novos, um tem 17 o outro tem 7 e é muito parecido comigo.

P- Entendi, falando de criança, me conte um pouco da sua infância, como você começou a perceber que gostava de meninos?

E- Ah, era, tipo, com amiguinhos que iam em casa, eu me lembro uma vez que estava brincando na piscina lá em casa, com um outro menino, vizinho, e eu lembro que minha mãe chegou, eu estava com ele dentro da piscina de sunga abaixada, os dois... mas eu não me lembro... não aconteceu nada, a gente só estava olhando, aquela coisa de descobrir o outro quando é criança, ‘o que você tem aí?’ acredito que poderia ser isso... teve outras vezes também, tipo, eu na casa de outro amigo, e o pai chegou e a gente estava do mesmo jeito, éramos um pouquinho maiores, acho que, já tinha uns oito, nove anos, e acho que nessa idade você já conhece bem o corpo.

E- Não, não, era sempre assim: olhava, sempre aquela coisa de ‘toca ou não toca?’ que eu me lembre a gente nunca tocava.

P- Você chegava a ter ereção? E- Não me lembro...

P- E a reação de seus pais?

E- Eu acho que levaram numa boa, eu não lembro de briga, de discussão, nada, nunca brigaram, acredito que eles pensaram que era normal naquela idade, eu ainda lembro que nessa época fui na casa de uma amigo meu, tinha o filme do Tarzan, e ele ganhou uma tanga do Tarzan, e era solta na berada, a gente tirava a cueca e colocava aquilo lá pra brincar, era tudo brincadeira, não tinha desejo nem malícia, eu acho.

P- Você sempre morou com os seus pais? E- Sempre.

P- E me diga, quando começou a surgir a malícia então?

E- Ah, eu creio que foi já na sétima série, quando eu comecei a despertar, até então eu tinha aqueles amores platônicos, eu sempre gostei de uma menina, mas nunca acreditei que poderia ficar com ela, já tentava, via ela com outro menino e chorava, eu já tive isso antes, eu lembro de uma que eu gostava muito, você conhece, a Fernanda, ela me disse que é sua paciente, nossa! Aquela lá é meu amor até hoje, meu amor platônico, sou apaixonado por ela, eu falo que se fosse ela pra beijar eu ficava com ela, ela... nossa! Eu já disse pra ela “Fer, se fosse por você, talvez hoje eu seria hetero”, eu lembro que na época ela ficava, quer dizer, na época não tinha ficar, era namoradinho né? Ela ficava com o Marcelo Canello, e eu chorava de ver os dois juntos, uma outra época ela ficou com o César Silva, e isso a gente não estava nem na quinta série, era no ensino fundamental, era esses rolinhos de criança, namoradinhos, e eu não suportava aquilo, porque eu gostava da Fernanda, eu ia pedir um apontador, eu tinha, mas eu pedia para Fernanda, pedia lápis, era pra ela. Era assim.

P- Com primos, você tinha contado?

E- Não, os únicos primos que tinham não moram aqui e a gente não tinha muito contato. Eu já tive assim: a mulher do meu tio, minha tia não de sangue, tem uma irmã na cidade vizinha, a gente sempre tava indo pra lá, e eu me considerava primo do filho dela que se chama Rodrigo, eu tinha uns dez anos, e com ele eu já tive brincadeiras mais maliciosas com ele, por essa idade, a gente dormia lá, e na hora de dormir, é incrível né? De dia brincava e corria como se nada tivesse acontecido na noite, nunca aconteceu nada demais, além de carícias, nunca aconteceu beijo ou penetração...

E- É isso mesmo! Criança faz isso. E dez anos não tem uma cabeça tão ampla pra isso, talvez hoje que tem internet.

P- É, não sei se a cabeça não era mais ampla antes, imagina só se todo mundo pudesse crescer gostando de uma Fernanda e pegando no pinto do primo quando dorme, talvez isso seja amplo né?

E- Verdade...

P- Mas enfim, tem essa fase da Fernanda, do primo, e depois, como o amor, o sexo, a amizade, enfim, como esses sentimentos começam a aparecer para você em relação a outros gartotos?

E- Amor não, amor é forte, acho que desejo.

P- Certo, seu primeiro beijo, por exemplo, foi em um menino ou em uma menina? E- Foi em um menino!

P- Sério?

E- Sério, ninguém acredita quando eu conto, mas o primeiro foi, quando eu tinha quase 17 anos, foi em um carnaval e estava perto do meu aniversário, e com 16 anos eu comecei a ter quadros de enxaqueca, que eu nunca sabia de onde vinham, desejo de vez enquando eu tinha mas eu não queria aceitar, foi quando eu comecei a... primeiro eu fui no oftalmologista, achei que enxaqueca era por conta de vista, ele me deu um óculos e me encaminhou para um neuro, depois o neuro fez um monte de exames, não deu nada, e ele me encaminhou para um psicólogo, e eu fui no psicólogo né? E daí a gente começou a tratar, começou a conversar...

P- Era um psicólogo homem?

E- Não era uma mulher daqui, a Silvana Lobato. P- Ah sim, eu conheço.

E- Não, minto, primeiro foi a Rosana, aqui no consultório dessa mesma rua. P- Sim, conheço também, é minha prima distante.

E- Só que com ela eu não me sentia bem, me sentia preso, não conseguia me abrir com ela, eu ficava contando do meu dia-a-dia mas eu nunca falava porque eu não me aceitava.

P- Você atribui suas dores de cabeça ao fato de estar descobrindo que sentia atração por meninos?

E- É. Eu ficava segurando isso, eu não tinha certeza, eu sabia que eu tinha uma atração, mas eu não tinha certeza, e não aceitava, acho até que por causa da criação, pai e mãe, que pensam que o certo é homem, mulher, família, então eu não aceitava, se você

perguntar se eu tinha medo, não, é que eu não me aceitava, eu não gostava de pensar naquilo, acho que isso acarretava enxaqueca, que fazia pesar muito, enfim, acho que era isso, e quando eu comecei com a Silvana, ela já sabia de mim, porque eu a conheci em uma festa, e eu fui apresentado para ela assim: ‘olha esse é meu namorado’, na hora eu fiquei meio assim, mas ela me cumprimentou, e eu procurei ela depois porque pensei ‘bom com ela não preciso me abrir a parte chata, chata não, difícil, já aconteceu, então vai ser melhor’ mas eu... acho que perdi o foco... o que eu estava falando antes.

P- Não perdeu não, os assuntos veem e vão, mas deixa eu entender uma coisa, depois dessas brincadeira com esse primo aos dez anos, tem-se uma pausa em relação a contatos, até beijos, seja em relação a meninos ou meninas?

E- isso.

P- As pessoas te chamavam de viadinho ou bixinha na escola? E- Quando?

P- Nas primeiras séries.

E- Nas primeiras séries não, eu lembro que a primeira vez que falaram alguma coisa foi na sétima série, quando entrou um aluno diferente na turma, a gente não conhecia ele, chama-se Lauro, e ele era todo assim, atentado, muito afeminado e tal, e eu tinha feito uma amizade com ele, eu me senti seguro para ter uma amizade com ele de boa, só que aí começaram a falar, que eu tava saindo com ele, que eu ficava com ele, mas não acontecia isso.

P- Você era ‘atentado’ também para ter se aproximado dele?

E- Não, como eu posso te explicar? Eu era muito solidário, não sei se essa é a palavra, eu sou muito assim, eu via que ele tava quieto em um canto, principalmente no começo, depois ele foi se mostrando mais, ficando amigo de todo mundo, foi se soltando mais, aí eu que parei a amizade com ele por ele ser muito atentado mesmo, eu me envolvia em encrenca por causa dele, tipo ele fazia muita bagunça e eu não era disso, eu sempre sentava nas primeiras carteiras, mas quando a gente teve contato a gente sempre fazia trabalho junto, sabe? As pessoas já começaram a achar que era algum caso.

P- Você tinha vontade de ficar com ele? E- Não, com ele não.

P- Como ele reagia quando as pessoas comentavam isso?

E- Ele xingava, brigava, já eu não fazia isso, eu ficava quieto, porque ele brigava, ele caçava encrenca, quando alguém mexia, ele brigava, ele rebatia, eu não. Aí a gente se afastou um pouco, depois começou a criar atrito entre a gente, eu falava ‘para de brigar’ e ele ‘ah, você também vai começar a fazer graça?’ Esses dias postaram uma foto no facebook da nossa turma de oitava série toda, e todo mundo tava lá, ele tava lá, e todo

mundo comentando ‘nossa, quanto tempo, que saudade’ aí apareceu ele e postou ‘gente, estão lembrados de mim? O terror da escola’. Ele comentou isso! Eu falei ‘nossa, é brincadeira, nem vou comentar nada porque do jeito que ele é ele vai achar que ta mexendo com ele e vai querer brigar’.

P- Ele não mora mais aqui?

E- Olha eu acho que mora sim, vi ele pouquíssimas vezes aqui, mas acho que ele mora porque trabalha numa loja daqui e uma amiga minha que treinou, e ainda falou assim ‘ele é insuportável’ e eu conheço a peça, ele é muito cri cri, insuportável, chato, briga, e eu comecei a amizade com ele pelo fato de ele ser novo e não conhecer ninguém, então vamos fazer a recepção, vamos ser o legal da sala, eu sempre fui disso.

P- Nesse período, você disse que não se aceitava muito, você se apaixonou por algum menino?

E- Não, na escola. Paixão mesmo, o único amor que eu tive, que era platônico, foi pela Fernanda, agora com menino eu nunca senti nada assim ‘ai eu sou apaixonado’, tinha assim... desejo... mas isso já foi com 16 anos, que eu tinha aquela coisa ‘ai ta vendo aquele menino, eu preciso fica com ele!’.

P- E foi um cara desse que você beijou pela primeira vez?

E- Isso! Foi em um carnaval, e eu não acreditava! Eu não acreditava porque eu sempre falava assim ‘ah’ e eu não tinha ninguém para conversar sobre, amigos, assim... e eu tinha muito medo porque quando o César Silva falou que era gay teve alguns amigos da sala assim... que deram o pé na bunda dele, que cortaram as amizades, né? E eu pensava ‘ai meu deus do céu, olha o que aconteceu com o César, é o mesmo destino que o meu se eu falar alguma coisa pra alguém’ e até então eu não tinha certeza, e ele até mudou de escola por causa disso, ele não tinha mais ninguém, e eu acredito que era por causa disso, ele não tinha mais ninguém na sala, eu tinha uma amizade com ele, e nesse meio tempo a gente já tinha brigado algumas vezes e justamente por ele ter me xingado ‘ah você é bixinha, você é vidado, sai daqui seu baitola’, e eu brigava com ele, a gente acabou discutindo e a gente estudava junto desde o prézinho, ele chegou a estudar o primeiro semestre do primeiro colegial com a gente depois mudou de escola, por isso que eu acho que foi esse o motivo, senão ele teria começado o ensino médio direto na outra escola, acredito eu, não sei...

P- Entendi, agora vamos falar desse que você beijou, você disse que já observava ele. E- Já.

P- Ele era da escola?

E- Orkut! Pelo Orkut! Tanto é que... como foi mesmo que eu achei ele? Eu não sabia nada, não sabia nome só achava ele diferente, porque ele tinha o cabelo assim liso, meio

um estilo... não Emo de ser... ele tinha o cabelo como de Emo mas não se vestia como um...

P- Você o viu primeiro na rua ou foi passeando pelos Orkuts da vida?

E- Foi passeando, eu nem estava a fim de achar ele, foi sem querer, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o cabelo, porque era diferente, era azul! Azul não, tinha algumas coisas azuis, primeiro eu pensei assim ‘que cabelo’, aí eu comecei a ver as outras fotos e pensei ‘nossa, que moço bonito!’, foi quando começou a me despertar. P- Daí você já adicionou ele no Orkut?

E- Isso.

P- E ele aceitou?

E- Aceitou, numa boa, só que assim, antes do carnaval eu tinha adicionado ele, já fazia um tempo já, provavelmente depois do rodeio (em agosto) porque tinha umas amigas que tinham outras amigas, e a gente ia pro rodeio numa turma, e essas outras meninas eram amigas dele, e numa foto saiu ele com a gente, e até então eu não tinha percebido, porque ele tava de chapéu, parecendo um cowboy, e eu falei ‘putz e o cabelo, onde esta?’ então foi quando eu fiquei meio assim ‘será que é esse, será que não é?’ daí passeando pelo face das outras meninas eu vi que era ele nas outras fotos, aí eu vi a foto do rodeio no Orkut dele e falei ‘ai é ele’, achei ele muito bonito, sempre conversei com ele, nada sobre eu estar a fim.

P- Você diria que ele é afeminado?

E- Não, e as nossas conversas era sempre ‘oi tchau’.

P- Alguém comentava alguma coisa com você sobre ele beijar meninos?

E- Não, eu via ele beijando meninas, não que eu via sempre, eu já tinha visto ele beijando menina em um baile, inclusive teve um dia que a gente ficou, depois eu vi ele beijando uma menina.

P- Qual era a idade dele? Você disse que tinha 17.

E- Acho que ele tinha 18, ele ia fazer 19 em dezembro daquele ano. P- E vocês se beijaram no carnaval?

E- Isso, era uma terça-feira, ultimo dia, foi assim, eu trabalhava no comércio, e ele queria azul de metileno, e eu vi ele postando no Orkut alguma coisa sobre, aí eu comecei conversar com ele para saber como ele fazia aquilo no cabelo, puxando conversa, era intensão minha ter conversa, daí ele me contou que usava azul de metileno, falei que vendia isso no meu trabalho, e ele ‘nossa, e quanto que é?’ tal... e eu pensei ‘nossa, já ganhei ele em alguma coisa’ daí eu falei o preço, falei para ele ir lá, e ele foi, era carnaval, e eu estava com o cabelo cumprido, minha tia tinha feito não

lembro o que no meu cabelo e ele tava lisinho, e ele foi na farmácia, pegou o azul de metileno ‘oi tudo bem’ e foi embora, e eu fiquei extasiado ‘aí meu deus ele veio aqui!, já tive um contato!’ e daí que eu vi que nossa ele é muito lindo, de perto, nossa, ele é perfeito, daí ele usou o azul de metileno, e até eu usei também, mas meu cabelo ficou verde, não consegui ficar azul, mas tudo bem. Aí ele puxou conversa comigo dizendo que achou meu cabelo legal, e a gente começou a falar de cabelo, aí não lembro como a gente entrou no assunto, aí ele falou que tava a fim de ficar comigo, daí pus a mão na cabeça e falei ‘mentira!’ porque eu nunca tinha ficado com ninguém até então, e eu só pensava ‘não pode ser verdade! Não pode ser verdade!’ tanto é que eu nunca tinha conversado sobre com ninguém, a minha melhor amiga acreditava cegamente que eu era hetero, a gente conversava sobre, então começou a conversa mais ou menos assim ‘você não ta ficando com ninguém?’ e eu ‘não, eu tô de boa’.

P- Ele já jogou para você na lata? O que você acha?

E- Ai não sei, eu falo assim que ‘uma estrelinha conhece a outra’ você olha e pensa ‘ah, se esse não curte então não sei’, e ele falou ‘eu estou a fim de ficar com você’ tipo eu que nunca tinha falado para ninguém, na noite eu falei para 3 pessoas! Eu não aguentei, eu tinha que dar uma desculpa, e eu combinei com ele ‘ah então você vai no carnaval hoje? Como que vai ser?’ Daí ele disse ‘Ó, sabe os espelhos do clube, na entrada? Fica ali tal hora, umas duas da manhã’ eu não tinha nem celular naquela época, daí a gente vai, e neste dia foi pro carnaval minha mãe, minha madrinha, uma colega de trabalho... P- Nossa! (risos)

E- Então, naquele carnaval parecia que eu tava extasiado a noite inteira. P- Você bebia?

E- Nada! Pra não falar que eu não bebia a gente foi na casa de uma amiga e ela tinha feito saque, até então foi uma das primeira bebidas que eu experimentei, a primeira vez que bebi vodca eu cuspi na cara do menino que me deu, eca, enfim, eu tinha tomado só um tantinho de saque para experimentar, 16 anos né? E eu estava animado, agitado, acho que era.

P- Imagino, marcar o primeiro beijo da vida deve ser tenso!

E- Então né? E a hora não passava, e a minha amiga veio perguntar “Cris, por que é que você tá tão assim?’ aí falei, ‘ai eu preciso contar um negócio, eu vou beijar!’ ‘quem você vai beijar? Meu deus?’ ‘eu não quero falar’ ‘não, pode contar para mim, eu não falo pra ninguém’ aí eu falei assim ‘é o fulano’ e ela ‘UUU! É homem?’ “É!’ ‘ Como assim Cris? Como assim’ daí eu falei assim ‘Ó, eu vi e gostei, e eu preciso experimentar, eu preciso saber como é, e eu vou beijar ele!’ ‘você vai mesmo?’ ‘vou’ então ela disse assim ‘então vai que eu não vou falar para ninguém onde você está, se alguém perguntar eu falo que eu te perdi, que eu tô te caçando, fica tranquilo que eu não vou contar para ninguém, mas eu quero saber de tudo depois!’ então graças a deus não falou nada contra, achei que ela pudesse tentar, mas não, ela provou para mim que era

minha amiga mesmo, então deu a hora, e eu daquele jeito, ansioso, ele passou, achei que não ia voltar, ele não tinha me visto, aí ele olhou pra tras, veio até mim e disse ‘ó, sai, sabe aquela rua da padaria? Vai seguindo reto que eu já vou sair, hora que você chegar na esquina você desce, que eu já vou sair’ eu falei ‘tá bom’ eu virei e ele me alcançou, eu perguntei ‘a gente vai aonde?’ e ele ‘tem um lugar ali’ e eu ‘que lugar?’ é um terreno aí e eu ‘tereno!?’ (risos) daí chegamos lá, ele veio me beijar e eu falei ‘não, perae’ eu não beijei primeiro, dei uma pausa, respirei fundo, eu não lembro que eu pensei, respirei fundo e falei ‘tá bom, agora vai’ (risos) aí foi.

P- Provavelmente ele já tinha beijado outros meninos...

E- Ah já, ele falou que já, não falou quem... nossa senti um frio na barriga que nem aquele dia, agora contando! Então, depois eu sai de lá extasiado, parecia que não tinha acontecido.

P- E vocês tomaram o cuidado de voltar sozinhos para o salão?

E- Sim, mas descobriram, ai como que chama o rapaz? Descobriu não, liga as coisas né? Eu era inexperiente, um besta, nunca tinha ficado com ninguém... foi o Luiz Germano. P- Ah sim, o que namora o Renan...

E- Isso, acho que é isso, é esse, eu lembro que ele tava sentado na escada, ah e ele já deu em cima de mim! Enfim, na época ele tava sentado na escada tava o César Silva também, e eu sai, o Fabio saiu, era Fabio o nome dele, ele saiu também, e na hora que eu voltei o Luiz Germano que veio me falar ‘ah você acha que eu não sei! Eu vi’.

P- E você tinha amizade com ele? E- Não só tinha ele no Orkut!

P- Nossa, um querendo denunciar o armário do outro!.

E- É! E eu só tinha ele no Orkut porque na época eu me preocupava com quantidade não com qualidade, na época não era face. E ele veio no bate-papo do Orkut me falar ‘você ficou no carnaval com o Fabio né?’ e eu pensei e agora, o que é que eu vou fazer? Daí eu falei ‘fiquei por que?’ e ele falou ‘Porque você não conseguiu esconder nada, todo mundo viu.’ E eu falei assim ‘todo mundo quem?’ ‘todo mundo que estava sentado lá’, nisso eu já fiquei com medo da minha mãe, da mina família saber que eu tinha saído de lá pra ficar com alguém, mas graças a deus ninguém soube, só eles ali, mas assim...

Benzer Belgeler