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Em seus diversos conceitos, a utilização da terminologia ciberespaço ocorreu na obra de ficção científica de William Gibson “Neuromancer”, de 1984. Em sua obra, Willian Gibson refere-se a um mundo futurista onde as tecnologias digitais, em destaque o uso do computador, é utilizado como instrumento para a origem a um mundo com novas possibilidades, no qual seres humanos poderiam estar separados num contexto físico, mas em contato direto através das redes digitais de comunicação e informação.

Hoje, o uso do termo ciberespaço tornou-se bastante conhecido ao fazer parte da fundamentação de estudos científicos ligados aos conteúdos da internet. Estudiosos de diversas áreas, dentre as quais a Ciência da Informação utiliza essa terminologia.

Lévy (2007) afirma que o ciberespaço refere-se ao universo das redes digitais como o espaço de encontros e de contingências, ambiente de conflitos diversos, identificado como uma nova fronteira econômica e cultural. “O ciberespaço, dispositivo de comunicação interativo e comunitário, apresenta-se justamente como um dos instrumentos privilegiados da inteligência coletiva” (LÉVY, 1999, p. 29). Em sua definição o ciberespaço é

[o] espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores. Essa definição inclui o conjunto dos sistemas de comunicação eletrônicos (aí incluídos os conjuntos de redes hertzianas e telefônicas clássicas), na medida em que transmitem informações provenientes de fontes digitais ou destinadas à digitalização. Insisto na codificação digital, pois ela condiciona o caráter plástico, fluido, calculável com precisão e tratável em tempo real, hipertextual, interativo e, resumindo, virtual da informação que é, parece- me, a marca distintiva do ciberespaço. Esse novo meio tem a vocação de colocar em sinergia e interfacear todos os dispositivos de criação de informação, de gravação, de comunicação e de simulação. A perspectiva da digitalização geral das informações provavelmente tornará o ciberespaço o principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade a partir do início do próximo século. (LÉVY, 1999, p. 93).

Ainda de acordo com Lévy (1999), há três princípios que fazem com que o crescimento do ciberespaço torne-se possível. O primeiro é a interconexão que é fundamental para manter o ciberespaço ligado através de redes. O segundo é a criação de comunidades

virtuais, que seria a implantação da massa crítica, unidas por um interesse comum,

participando de vários mecanismos de interação. O terceiro é a inteligência coletiva, na qual se propõe que informação de todos para todos aumentaria a possibilidade de geração de novos conhecimentos.

As tecnologias de informação e comunicação surgiram, como a infraestrutura do ciberespaço, espaço de comunicação, organização e transação, mas também mercado da informação e do conhecimento. É essa sociabilidade abordada por Lévy (1999) que nos interessa; na perspectiva da pesquisa ela acontece no ambiente virtual, onde os indivíduos criam vários círculos de disseminação de sociabilidades.

Essas tecnologias digitais de informação e comunicação nos permitiriam criar e percorrer sítios virtuais, colocando sobre novas bases os problemas das pessoas com deficiência e abrindo possibilidade não somente para pensarmos e também procurarmos soluções coletivamente, analisando seus perfis, suas características, suas peculiaridades e o modo de vida deste segmento nas diversas regiões da Paraíba.

Na interpretação de Nunes Filho (2009), devemos avaliar o ciberespaço como um sistema virtual complexo e ramificado de significações produzidas, armazenadas e disponíveis em forma de textos, imagens estáticas – dinâmicas e som. Trata-se de um ambiente desterritorializado, que opera com diferentes fluxos de informação dispostos de modo não linear ao formar uma rede digital como conexões sucessivas.

A arquitetura tecnológica do ciberespaço (rede virtual entrelaçada por uma infraestrutura de multiservidores, cabos ou satélites, bancos de

armazenamento e agenciamento de conteúdos) possibilita o diálogo com diferentes mídias e linguagens, formando um amplo tecido fragmentário com partes que se interconectam a partir de escolhas deliberadas pelo usuário e onde a noção de tempo anula a noção de espaço geográfico. Ainda neste contexto, o ciberespaço pode ser dimensionado como metáfora das grandes cidades, com seus fluxos de organizações, redes visíveis e invisíveis, movimentos espontâneos, sinalizações, regras de funcionamento, deslocamentos e leis de convivência coletiva. (NUNES FILHO, 2009, p. 221).

Lévy acrescenta (1999) que o ciberespaço incentiva formas, estilos e comportamentos de relacionamentos com uma independência de comunicação assíncrona (no que se refere ao tempo) e na relação telecomunicação com a geografia e seus espaços (tele presença). Segundo o autor, esta ideia não chega a ser uma novidade absoluta, uma vez que instrumentos como o telefone nos habituaram a uma comunicação interativa. Se a escrita nos adaptou a uma tradição bastante antiga de comunicação recíproca, assíncrona e a distância, só as peculiaridades específicas do ciberespaço permitem aos humanos de um grupo coordenar, cooperarem, alimentarem e consultarem uma memória comum, ocorrendo em tempo real, apesar da localização geográfica e da diferença de horários. Com base nestes pressupostos de ideias, e concordando com Nunes Filho (2009), o ciberespaço pode ser caracterizado como um espaço híbrido de informações significantes que se enlaçam de forma recorrente e nos remete, infinitamente, a novas informações, dada a sua natureza pluritextual e sonoro-visual.

Segundo Vieira (2005), o sujeito que interage no ambiente tecnológico, é o mesmo que fora possui papel definido na sociedade, como cidadão, como ator social, definindo-se como, o cibercidadão.

A Internet é concomitantemente real e virtual (representacional), informação e contexto de interação, espaço (site) e tempo, porém que se transformam as próprias coordenadas espaço-temporais a que estamos acostumados, compactando-as, ou seja, o espaço e o tempo na rede existem na medida em que são construções sociais partilhadas (Silva, 2008). Esta constituição é alicerçada pelos vínculos e valores sociopolíticos, desse modo, Guerreiro (2006), expõe que toda tecnologia é social por excelência. Inicia-se com uma necessidade local, reflete e soluciona uma barreira do desenvolvimento social universalizado, incidindo não apenas em ferramentas e aplicativos, mas em projetos, processos, determinando soluções a serem implantadas, gerando conhecimento.

Diante do exposto Freire (2008a, p.56) afirma que no ciberespaço constituído pela Internet, milhões de informações se cruzam todos os dias, na medida em que as pessoas “visitam” sítios virtuais e utilizam banco de dados, trocam correspondência e participam de

grupos de trabalho. Tal feito só é possível através da grande rede de comunicação, que possibilita a interconexão de computadores em todo o mundo. Este campo comunicacional, o ciberespaço, é um espaço informacional que possibilita novas formas de relação [...] (FREIRE, 2008a, p. 56).

Cavalcanti e Nepomuceno (2007) estabelecem e contextualizam no livro “O conhecimento em Rede”, que o ciberespaço a partir de um modelo constituído por duas etapas (Quadro 1) e identificam três formas de gerar inteligências coletivas na sociedade:

(i) a inconsciente, na qual o usuário contribui para o coletivo sem saber; (ii) a consciente, aquela em que o usuário contribui voluntariamente; e

(iii) a plena, aquela na qual, em um mesmo ambiente, consegue-se potencializar as inteligências inconsciente e consciente.

Neste estudo trabalhamos no sentido de formar uma inteligência coletiva plena nos atores sociais analisados, cuja metodologia utilizou tecnologias de informação e comunicação para coletar e reunir os dados da inteligência coletiva inconsciente na web e profissionais de informação. Desenvolvendo juntos, em prol da produção e comunicação do conhecimento, como recomendam os autores, “os profissionais do conhecimento, entre os quais se incluem os profissionais de informação e comunicação, devem se encarregar de implantar e monitorar a Inteligência coletiva Consciente, na qual se lida basicamente com pessoas” (CAVALCANTI; NEPOMUCENO, 2007, p. 39). Realizando um levantamento de informações necessárias ao segmento das pessoas com deficiência nas diversas regiões paraibanas para a construção desta inteligência coletiva e armazenamento de conhecimentos.

Destacamos que para a construção e realização da inteligência coletiva devem ser utilizadas ferramentas de interação social, como as salas de conversa, grupos de discussão e blogs, dentre outros, o que para Wertheim (2001) produziria um novo espaço para o convívio social. Essas diversas ferramentas digitais de interação, que fazem parte da Web 2.0*, representam a base de novos projetos de interação através do ciberespaço.

Quadro 1 – Fases do Ciberespaço

Etapas Fases Características

Web 1.0

Formação (1960-1995)

Do âmbito acadêmico à entrada da Internet comercial

Povoamento (1995-2005)

Da chegada da Web 2.0 (projetos assumidamente voltados para o muitos para muitos)

Web 2.0

Início dos projetos de

Inteligência Coletiva de forma efetiva

Da chegada da Web 2.0 (projetos assumidamente voltados para o muitos para muitos)

Fonte: Cavalcanti; Nepomuceno (2007, p. 31).

De acordo com a descrição do quadro acima, baseando-se no argumento de que o ciberespaço pode se tornar um espaço do saber com a ajuda das ferramentas da Web 2.0, e de que as tecnologias de informação e comunicação e a interatividade servirão de suporte para a democratização de informações possam contribuir para a efetivação de uma inteligência coletiva com informações, dados, legislações e pesquisas. Com a construção do sítio virtual (Blog) interagimos de forma rápida e prática, modificando o conceito inicial de comunicação presencial. Utilizando grupos de discussão e ferramentas de interatividade social na criação de um fluxo informacional entre os atores sociais que compõem o regime de informação: pessoas com deficiência no Estado da Paraíba.