3. TÜRK ANAYASALARINDA SENDĐKA KURMA HAKKI
3.2. TANZĐMAT DÖNEMĐ ÇALIŞMA HAYATI
O Plano Municipal de Educação de Guanambi é fruto das audiências realizadas na sede e no interior do município para a discussão e elaboração das propostas para a educação.
Acompanhando essas audiências públicas, especialmente no que se refere à Educação de Jovens e Adultos, presenciei moradores da zona rural e de todos os bairros da cidade solicitarem turmas para o atendimento de jovens e adultos. Ouvi reclamações a respeito das dificuldades de idosos e até mesmo de adultos de locomoção da zona rural para a cidade para estudar. Logo, a EJA sendo oferecida próximo à localidade onde residem, a frequência é garantida. Outra preocupação expressa nas falas dos pais e de representantes das comunidades diz respeito ao fechamento das escolas rurais e à migração dos jovens do campo para a cidade. Segundo eles, os adolescentes e jovens saem para estudar à noite, na cidade, mas, chegando a Guanambi, saltam do ônibus, tiram o uniforme e vão namorar ou vão para os bares. Infelizmente, não frequentam as aulas e aprendem muitas coisas não tão desejáveis que a vida noturna ensina.
Em linhas gerais, em conjunto, os participantes das discussões do Grupo EJA salientaram que o município de Guanambi precisa reconhecer que todos têm direito à escolarização, independentemente de idade e, do local onde residem, o que implica nova concepção de educação. Para isso o PME deverá assegurar que a formação de classes de Educação de Jovens e Adultos (I Segmento do Ensino Fundamental) em todos os bairros e comunidades do meio rural deve ter a duração de quatro anos. Mas, indo além, os participantes sugeriram a necessidade de professores e gestores discutirem e reverem práticas pedagógicas específicas para o contexto da Educação de Jovens e Adultos e não mais centrarem em padrões do ensino fundamental para crianças e em materiais didáticos que não respeitem o ritmo e o tempo cognitivo de cada sujeito. Ao contrário, deve-se considerar a diversidade desses ritmos em sala de aula. Propuseram, também, a revisão do currículo, do processo de avaliação e do financiamento para a EJA. (Esses dados estão registrados no Diário de Campo, audiência PME, 10/04/2008).
Os questionamentos e proposições, na plenária de apresentação e discussão do PME, revelaram que a EJA não é oferecida em todas as escolas da RME porque muitos diretores não a aceitam. A justificativa deles é que a escola não dispõe de funcionários e curso noturno gera muitos problemas para a instituição, logo, a solução é extingui-lo. De acordo com a SMED, alguns gestores e professores de duas grandes escolas, situadas em dois bairros mais populosos de Guanambi, compreendem que, extinguindo o noturno, os problemas de violência e droga na escola serão resolvidos e a destruição do mobiliário da escola será evitada.
A propósito da violência, segundo Ana, aluna da EJA, a violência no bairro continua, independentemente do fechamento da escola. Para ela, esse problema deve ser resolvido com segurança pública e políticas educativas. Se não se oferece educação para todos, como é que vão acabar com a violência? Ela argumenta que os problemas devam ser enfrentados e não ignorados; afinal dificuldade existe em todo lugar, distribuição de drogas há em muitas escolas da RME. Mas infelizmente as pessoas rotulam a escola e camuflam os problemas de outras.
No caso da Escola Raquel de Queiroz, situada no bairro Beija-Flor, professores, alunos e representantes da comunidade relataram que sempre houve grande demanda dessa modalidade de ensino, mas, em 2008 a escola deixou de oferecê-la para muitos adolescentes, jovens e adultos sem escolarização e sem condição de estudar durante o dia. Além disso, o bairro é afastado da cidade, o que dificulta, ainda mais, o deslocamento. No decorrer da pesquisa, observei que mais ou menos quarenta jovens e adultos do bairro Beija-Flor foram estudar no Colégio Municipal Cora Coralina: a maioria formada por jovens e senhoras que cursavam Aceleração I (3ª e 4ª série). Nessa medida, são oportunas as palavras do professor Marcos na ocasião da audiência pública do PME:
“Acho um absurdo e desrespeitoso ter fechado a escola de EJA de um bairro tão populoso igual ao bairro Beija-Flor; além de ter um alto índice de analfabetismo, há muita evasão escolar no diurno [...]. É desestimulante estudar depois de um dia cansativo de trabalho quando é perto de casa, pior ainda quando as pessoas têm que se deslocar, principalmente as donas de casa, para estudar em outro bairro, uma vez que poderiam estar estudando ao lado de suas residências”.
De acordo com os depoimentos e as rodas de conversa observadas, os alunos da escola do bairro Beija-Flor são adultos e idosos que migraram do campo para a cidade, são pessoas que estão com um pé na cidade e o outro pé no campo, pois trabalham nas roças próximas a Guanambi ou em fazendas da região. Trata-se, em grande parte, de adolescentes e jovens que
sofrem as marcas do fracasso escolar, do preconceito e da discriminação. Uma jovem, que estuda no Colégio Municipal Cora Coralina e reside no Bairro Beija-Flor, comentou, com indignação, em uma das aulas a que eu assisti, que o fato mais marcante na vida dela foi ter engravidado aos 12 anos. A forma desdenhosa como os colegas, a direção, a coordenação e professores enfrentaram o problema, e pior, a atitude punitiva, preconceituosa e prejulgamento, no lugar de acolhimento, de atenção, de carinho, de compreensão foi tudo que recebera naqueles momentos difíceis de sua vida.
Assim sendo, tem razão a opinião de gestor de que a EJA precisa ser levada a sério pelo Poder Público em Guanambi, devendo ser defendida como política de Estado e não de Governo. É preciso evitar campanhas e programas temporários e compensatórios. A EJA tem que ser prioritária e universal em Guanambi.
Nesse contexto, foi relatado pela coordenadora de EJA que, em 2007, os moradores de um povoado de Guanambi reivindicaram a oferta dessa modalidade de ensino na escola da localidade, mas, como só havia 16 alunos matriculados, a SMED não autorizou o funcionamento da turma. Após a mobilização e um termo de compromisso assinado pelos alunos em participar assiduamente das aulas, o funcionamento foi autorizado para aquele ano. Vale lembrar que a autorização de turmas de EJA só é permitida a partir 35 a 40 alunos matriculados. Os critérios observados para tal são a quantidade de alunos por turma e não as necessidades locais. Além disso, para as escolas da RME oferecerem a EJA no noturno, é necessário que funcionem 50% mais um das salas do diurno (matutino ou vespertino).
A propósito, percebi, nas falas dos participantes durante as audiências públicas para a elaboração do PME, uma nova visão de sujeito da EJA, que se traduzia num novo modo de participação e acolhimento efetivo dos educandos em relação às discussões sobre o processo de escolarização deles. Percebi isso não somente em relação ao modelo de currículo a ser adotado, mas também na forma como os conteúdos são incorporados no cotidiano da sala de aula. De acordo com Haddad (2007), isso significa reconhecer que a garantia do direito humano à educação passa pela elevação da escolaridade média de toda a população e pela eliminação do analfabetismo. Para tal, se faz necessário reconhecer os sujeitos históricos que compõem as classes de EJA na sua condição de demandadores de direito à educação.
Nessa direção, os participantes da audiência PME sinalizaram que é importante reconhecer e considerar a história e os princípios da Educação Popular no Brasil, tomando, como referência, as contribuições práticas, o caráter emancipador e a dinamização dos tempos
e dos espaços no campo da EJA. Entre outros aspectos, foi proposto pelo grupo de discussão da EJA, serem incorporadas no PME as seguintes ações: 28
• Incentivar e motivar as instituições públicas e privadas, principalmente a Prefeitura Municipal de Guanambi, a reduzir a carga horária de trabalho (8h para 6h diárias) dos alunos que são funcionários públicos, estão matriculados e frequentam, com assiduidade, a escola, objetivando garantir disponibilidade de tempo e espaço para o estudo.
• Efetivar políticas públicas de formação continuada dos profissionais que atuam na EJA no município, o que implica: rever a condição do trabalho docente nessa modalidade, evitar a precariedade das condições objetivas de sua realização, realizar concurso público para a contratação de professores e coordenadores para atuarem na EJA, cuja exigência mínima é ser formado em Magistério ou em Pedagogia, preferencialmente que tenham experiência comprovada nesse campo de atuação.
• Oferecer apoio aos adultos responsáveis por crianças, viabilizando um local adequado (salas de leitura, jogos, vídeo) para que eles possam acomodar-se, enquanto seus responsáveis participam das aulas presenciais.
• Incentivar e orientar os alunos da EJA em relação às práticas e possibilidades da Economia Solidária.
• Estabelecer parcerias entre as secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social para a melhoria da qualidade de vida de jovens e adultos no município, garantindo-lhes atendimento médico e aquisição de documentos pessoais e óculos.
• Implantar, nas unidades prisionais e estabelecimentos que atendam adolescentes, jovens e adultos em situação de risco/infratores, programas de Educação de Jovens e Adultos de nível fundamental e médio.
• Implantar e garantir classes de Educação de Jovens e Adultos no turno diurno.
• Oferecer aos educadores de jovens e adultos orientações didático-pedagógicas em relação ao processo de inclusão de pessoas jovens e adultas com necessidades educativas especiais nas turmas de EJA.
• Incentivar e apoiar os sujeitos da EJA a participarem dos encontros do Pró- Fórum Regional de EJA em Guanambi.
Finalizando, na construção do PME, professores, alunos, representantes das comunidades e gestores assumiram papéis de protagonistas no processo educativo de
28
As ações listadas foram transcritas das anotações do Diário de Campo, feitas na ocasião da audiência de apresentação e aprovação do Plano Municipal de Educação de Guanambi-BA, em 10/04/2008.
mobilização, organização e intervenção, escutando e promovendo o diálogo como princípio gerados da democracia e da participação.