O PROGER Turismo foi instituído em abril de 2003, porém, no Relatório de
Gestão do FAT referente ao exercício daquele ano, não há informações sobre os
investimentos no programa, apenas uma breve menção à sua criação.
Através de relatório específico sobre o PROGER, o MTE divulgou que, no ano
de 2003, houve 59 operações de crédito com o valor total investido de R$ 3.369,00
através da linha PROGER Turismo Investimento, sem operações na categoria
PROGER Turismo Capital de Giro. (BRASIL, 2007, p. 12).
Não há “Relatório PROGER nos municípios” com dados de 2003, disponível
no site institucional do MTE, mesmo um relatório que contenha apenas os dados
referentes a outras linhas do PROGER (programa mais amplo).
Quanto à evolução no número de ocupações, como é possível verificar na
ilustração 1, em dezembro de 2002, anteriormente à criação do PROGER Turismo, a
região Nordeste já representava 18% da mão-de-obra ocupada no Brasil nas sete
ACTs, em comparação às demais regiões, com o total de 123.635 ocupações.
Ações para o desenvolvimento do turismo no Nordeste não são novidade. Em
estudo sobre o mercado de trabalho na atividade turística nesta região, ainda nos
anos 1990, Paiva (1996) afirma que “o turismo representa hoje para o Nordeste a
mais importante alternativa de desenvolvimento econômico, tanto por seu potencial
natural, como pelo relativamente baixo custo das inversões (se comparado à
indústria, por exemplo), e ao retorno financeiro bastante rápido, típico da atividade.”
Com essa justificativa, a partir dos anos 1980, foram implementadas inúmeras
ações voltadas ao desenvolvimento do turismo na região, dentre elas, a Política de
Megaprojetos Turísticos e o Programa para o Desenvolvimento do Turismo no
Nordeste (PRODETUR-NE), e a autora constatou que:
No período de 1980 a 1990 o turismo foi crescendo na região, e de 1990 para 1995 as suas atividades sofrem os impactos da globalização, tanto no que se refere ao mercado quanto aos imperativos de gestão da força do trabalho. O Nordeste, que tradicionalmente participava do padrão de acumulação capitalista brasileira com matéria-prima e mão-de-obra, encontra nas atividades turísticas novo mercado de trabalho para a sua população, sobretudo a jovem. Contudo, muitas são as contradições surgidas em decorrência dos reflexos da formação socioeconômica, política e cultural da região. (PAIVA, 1996, p. 278).
Assim, apesar das contradições mencionadas pela autora, uma expressiva
participação do Nordeste no turismo brasileiro, incluindo participação na mão-de-
obra ocupada na atividade turística em nível nacional, é reflexo de ações que já vêm
sendo implementadas na região há mais de duas décadas.
Em dezembro de 2003, oito meses após a instituição do programa, as
participações de cada região sofreram uma mudança quase imperceptível, com a
perda de um ponto percentual da região Sudeste para o Centro-Oeste, e a
participação do Nordeste permaneceu inalterada em termos relativos, ainda com
18% de participação na mão-de-obra ocupada no país, como mostra a ilustração 2.
Em termos absolutos, houve na região um aumento de 998 ocupações, um
crescimento de aproximadamente 0,81% no número de ocupações em relação a
dezembro de 2002. A considerável participação do Nordeste no cenário do turismo
nacional se dá, sobretudo, graças à atividade nos estados da Bahia, Pernambuco e
Como mencionado no início desta seção, não há dados disponíveis dos
investimentos do PROGER Turismo para o ano de 2003, entretanto, afirma
Pochmann (2002) que “[...] cabe destacar que a experiência brasileira de
oferecimento de linhas de crédito popular encontra-se hoje fortemente concentrada
em algumas regiões, sobretudo no Nordeste, responsável pela absorção de 66% do
total dos recursos.” (POCHMANN, 2002, p. 131).
Ilustração 1 Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo por região do Brasil em dezembro de 2002
Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo por região do Brasil em dezembro de 2002 7% 18% 4% 54% 17% Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul
Fonte: Compilação da autora (2008) com base nos dados do IPEA (2007).
Caso houvesse dados que apresentassem o porte dos empreendimentos
financiados pelo PROGER Turismo na região, seria possível observar se esta linha
de crédito pode ser considerada como uma modalidade de crédito popular. Mas,
ainda que a proposta do programa seja de financiar empreendimentos de pequeno
população de baixa renda, pois seu teto de financiamento é para empresas que
faturam até R$ 5 milhões ao ano e, se a maior parte dos empreendimentos
financiados se encaixa nessa faixa de lucro, o público-alvo do programa não está
sendo realmente aquele mais necessitado de soluções para sua situação de
informalidade e precariedade no trabalho.
Ilustração 2 Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo por região do Brasil em dezembro de 2003
Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo por região do Brasil em dezembro de 2003 8% 18% 4% 53% 17% Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul
Fonte: Compilação da autora (2008) com base nos dados do IPEA (2007).
Na ilustração 3, é possível ver que, dentre os estados do Nordeste, em
dezembro de 2002, a Paraíba participava com a fatia de 6% das ocupações totais
nas sete ACTs nesta região, com 7.060 ocupações.
Na ilustração 4, vê-se que, ao final de 2003, o estado havia caído um ponto
percentual em sua participação na região e teve uma perda, em valores absolutos,
em relação a dezembro de 2002. O Rio Grande do Norte foi o único estado que teve
sua participação elevada em um ponto percentual, que significou a elevação em 746
ocupações, representando um crescimento de 7,23%.
Ilustração 3 Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo nos estados do Nordeste em dezembro de 2002
Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo nos estados do Nordeste em dezembro de 2002 6% 29% 13% 7% 6% 22% 4% 8% 5% Alagoas Bahia Ceará Maranhão Paraíba Pernambuco Piauí
Rio Grande do Norte Sergipe
Fonte: Compilação da autora (2008) com base nos dados do IPEA (2007).
A evolução no número de ocupações na Paraíba entre dezembro de 2002 e
dezembro de 2003, distribuída nas ACTs, se deu da seguinte forma:
a) Alojamento: aumento em 29 ocupações, crescimento de 1,85%.
b) Alimentação: aumento em 35 ocupações, crescimento de 2,80%.
c) Transporte: redução em 315 ocupações, queda de 8,50%.
d) Aux. transporte: aumento em 12 ocupações, crescimento de 31,58%.
f) Aluguel de transporte: redução em 04 ocupações, queda de 14,29%.
g) Cultura e lazer: aumento em 19 ocupações, crescimento 5,86%.
Ilustração 4 Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo nos estados do Nordeste em dezembro de 2003
Mão-de-obra formal ocupada nas atividades características do turismo nos estados do Nordeste em dezembro de 2003 6% 29% 13% 7% 5% 22% 4% 9% 5% Alagoas Bahia Ceará Maranhão Paraíba Pernambuco Piauí
Rio Grande do Norte Sergipe
Fonte: Compilação da autora (2008) com base nos dados do IPEA (2007).