5. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA 17
5.5. Tane Verimi 28
Nesta unidade de registro se analisa a frequência das categorias de gêneros, durante todo o recorte histórico. Especificamente aqueles pertencentes às espécies: Comentário, Relato, Crônica e Outros e às suas respectivas subespécies. A taxonomia aqui utilizada e adaptada é proposta por Chaparro (2008), conforme descrito no capítulo 2 – (Ver 2.3). Abaixo, gráfico comparativo entre os gêneros mais trabalhados por cada periódico, considerando o universo total de publicações que compõe o corpus.
Gráfico 6 – Diário de Notícias/Público – Gêneros Jornalísticos
Fonte: Elaborado pelo autor
Observando os dados referentes ao Diário de Notícias, fica evidente que o gênero nota informativa foi o mais trabalhado pelo jornal durante todo o recorte histórico, com 24,65% de ocorrências. Esse gênero está enquadrado na espécie Outros, já que não havia sido contemplado por Chaparro (2008) e se refere a pequenos textos noticiosos, de poucas linhas e sobre temáticas
0,68% 0,68% 17,80% 3,42% 0 4,79% 0,68% 3,42% 0,68% 24,65% 2,73% 1,36% 0,68% 15,75% 8,90% 0,68% 4,79% 0,68% 0 1,36% 4,79% 1,36% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
Diário de Notícias / Público
Gêneros Jornalísticos
diversas. O segundo e o terceiro gêneros mais trabalhados pelo Diário de Notícias são respectivamente: Notícia, com 17,80% de ocorrências e Coluna-Relato, com 4,79%.
Durante a revisão de literatura sobre gêneros percebeu-se que há poucas referências que apontem para uma conceituação sobre nota e, quando há, essas se apresentam com divergências. Andrade e Medeiros (2001) trazem uma boa definição para nota, que se aplica perfeitamente ao item aqui analisado. Para eles, nota é uma “notícia que se caracteriza pela brevidade do texto. Pequena notícia que se destina à informação rápida” (ANDRADE E MEDEIROS, 2001, p. 110).
Também se percebe que há uma relação entre nota e notícia nos estudos acadêmicos, até devido às características de ambas, sendo a nota definida e tratada como uma pequena notícia. Essa mesma ideia é discutida no Dicionário de Comunicação de Rabaça e Barbosa (2001). Para os autores, a nota é caracterizada como uma “pequena notícia destinada à informação rápida. Caracteriza-se por extrema brevidade e concisão [...]” (RABAÇA E BARBOSA, 2001, p. 512).
Sobre a nota ser considerada uma pequena notícia, Sousa (2001) acredita que não há fronteiras rígidas para a notícia, enquanto gênero jornalístico, porém especula quais os tamanhos ela possa ter:
O tamanho da peça também não funciona como um elemento distintivo válido. Embora uma notícia não costume ultrapassar muito os dois mil caracteres, quando ela atinge esta dimensão frequentemente também se pode classificar como uma pequena reportagem, ou, pelo menos, como uma notícia desenvolvida (SOUSA, 2001, p. 232).
Sousa ainda acredita que uma notícia breve se situa como possuindo cerca de duzentos caracteres. Tomando como base essa premissa de Sousa, as notas informativas aqui analisadas se enquadrariam, de fato, como pequenas notícias, considerando que possuem, em sua maioria, menos de duzentos caracteres. A partir do modelo de Chaparro (2008), as notas informativas, consideradas como pequenas notícias, poderiam compor o gênero Relato, dentro das espécies narrativas, devido ao seu formato (pequena narrativa) e ao seu conteúdo (factual, informativo, direto).
Sobre o gênero Relato, ele é dividido em espécies narrativas – onde estão as notícias – e práticas (Ver 2.3). A Coluna-Relato também faz parte desta espécie e nada mais é do que uma notícia estruturada em forma de coluna. Para Chaparro (2008), os componentes deste gênero têm como característica a representação objetiva da informação. De acordo com o autor, nesta categoria destacam-se as histórias de vida, o relato dos acontecimentos e a apresentação
de personagens de uma forma imparcial – quando possível. É neste gênero que estão também os conteúdos de serviços e entretenimento. O que diferencia as espécies narrativas e práticas são seus objetivos e estratégias textuais – as enunciações (FREIRE E CUNHA, 2009).
Segundo o subdiretor do Diário de Notícias, Pedro Tadeu, a grande quantidade de notas informativas, bem como de notícias sobre o Brasil se dá devido ao interesse de Portugal por sua ex-colônia, principalmente nas questões culturais e políticas. Mais uma vez a cultura brasileira é posta como um importante valor-notícia. “Todas estas pequenas coisas [telenovelas, política, música, futebol, artistas e jogadores] criaram um pequeno universo noticioso, que é variado. Além do interesse político, da relevância noticiosa, há também o interesse popular pela cultura brasileira” (TADEU, 2012, informação verbal).
Assim, ainda segundo o subdiretor, a variedade de temáticas culturais e políticas, bem como seus atores, são os responsáveis pelo alto número de notas informativas sobre acontecimentos diversos, que geram interesse no público leitor em Portugal. Resumidamente, os gêneros mais trabalhados pelo Diário de Notícias, no recorte delimitado são: 1. Nota informativa (24,65%); 2. Notícia (17.80%); 3. Coluna-Relato (4,79%); 4. Reportagem e Fotolegenda (3,42%); 5. Capa (2,73%); 6. Editorial, Artigo Crônica e Coluna-comentário (0.68%).
Já o Público apresentou a notícia como o gênero mais trabalhado, com 15,75% das ocorrências. Em segundo lugar, está a Reportagem (8.9%), a Coluna-Relato e a Nota informativa figuram em terceiro lugar (4,79%). Para a editora internacional do Público, há muitas notícias sobre o Brasil, porque o interesse do leitor português hoje é maior do que antigamente. “Há mais curiosidade do leitor português a tentar perceber a realidade brasileira, do que se via 10 anos atrás. Porque é isso, é um país que pode representar uma oportunidade, ou porque as famílias tem pessoas a viver lá” (AMADO, 2012, informação verbal).
Sobre a notícia, pode-se considerá-la como o gênero básico do jornalismo. Na mesma perspectiva, Sousa (2001) aponta que a notícia é essencialmente um enunciado reportativo, um discurso sobre um fato qualquer. Para ele, esse gênero pode admitir elementos da entrevista, como as citações, por exemplo. Uma das características da notícia, segundo Sousa (2001, p. 232) é que ela sempre deve apresentar “informação nova, actual e de interesse geral”. Porém, o autor argumenta que também há notícias analíticas, ou seja, que não são exclusivamente factuais. Assim, nessas notícias, os fatos servem de pretexto para as análises, sendo comum também a correlação de fatos neste tipo de estrutura.
A respeito da reportagem, o segundo gênero mais trabalhado pelo Público, ela se diferencia da notícia justamente por procurar aprofundar, expor causas, consequências e contextualizar o máximo que puder do acontecimento. Sousa (2001) completa o pensamento e afirma que a reportagem tem de informar, contando uma história completa, fazendo com que o leitor “viva” o acontecimento. Foram comuns reportagens de página dupla sobre a cultura brasileira no Público, tema mais trabalhado pelo periódico no recorte histórico de análise, conforme discutido acima na seção Temas (Ver 4.1).
É importante destacar que a reportagem pode abrigar elementos de diversos outros gêneros jornalísticos, como a entrevista, a notícia, a crônica, os artigos. O que importa é que ela alcance seu objetivo principal: informar com exaustividade, procurando trazer todas as perspectivas possíveis para que se tenha uma boa história.
Retomando os gêneros mais trabalhados pelo Público, são eles: 1. Notícia (15,75%); 2. Reportagem (8,90%); 3. Coluna-Relato e Nota Informativa (4,79%); 4. Artigo, Capa e Editorial (1.36%); 5. Coluna-Comentário, Crônica e Entrevista (0,68%).
Percebe-se que alguns gêneros pouco foram trabalhados, tanto pelo Público, quanto pelo Diário de Notícias, durante todo o recorte histórico. Gêneros como Artigo, Editorial, Crônica, Coluna-Comentário e Capa registraram poucas ocorrências. Já a Entrevista registrou somente uma ocorrência no Público.
O gênero Capa, aqui descrito e enquadrado na espécie Outros, corresponde à pequenas chamadas para notícias expostas na capa do jornal. O Diário de Notícias apresentou uma maior tendência, em relação ao Público, para expor o Brasil logo na capa. São geralmente notas informativas, podendo estar acompanhadas ou não de imagens fotográficas, que tem o intuito de captar a atenção do leitor e gerar curiosidade/interesse quanto à produção jornalística contida nas páginas que formam os cadernos do jornal.
Já a fotolegenda foi o quarto gênero mais trabalhado pelo Diário de Notícias, ao mesmo tempo em que nenhuma ocorrência foi registrada no Público. Assim como a infografia, a fotolegenda, que também não é contemplada na classificação de Chaparro, poderia ser enquadrada tanto na espécie Gráfico-artista, pela sua forma, como na espécie Narrativa, pelo seu conteúdo.
Gêneros como o Artigo e a Coluna-Comentário também tiveram poucas ocorrências em ambos os jornais estudados. Todos esses gêneros, segundo Chaparro (2008), são subespécies da espécie Argumentativa, pertencendo a um gênero macro, o qual o autor chama de Comentário (Ver tabela explicativa, em 2.3). Na conceituação de Chaparro, o gênero
Comentário congrega, ao mesmo tempo, as espécies argumentativas e gráfico-artísticas. Segundo Freire e Cunha (2009), deste gênero fazem parte os conteúdos impressos em que a opinião e a subjetividade preponderam. Os artigos são assinados e trazem as opiniões qualificadas de especialistas sobre temáticas diversas. Já as cartas (ou e-mails) reproduzem as opiniões dos leitores. As colunas-comentário geralmente são assinadas e também podem ter um caráter argumentativo. Elas representam os pontos de vista de pessoas destacadas pelo jornal para opinarem sobre os mais variados assuntos da atualidade. Freire e Cunha (2009) bem ressaltam que, nas colunas, as opiniões expostas não são, necessariamente, as mesmas do jornal, que se expressa pelo editorial.
A respeito deste gênero, o editorial, percebe-se que também foi pouco trabalhado por ambos os jornais. Entende-se esse tipo de texto como um espaço exclusivo, no qual o jornal, ou seu proprietário, argumenta sobre determinado assunto ou temática. Essa peça poderia ser incluída no gênero Comentário de Chaparro, especificamente na espécie Argumentativa, subespécie Artigo, levando em conta seu formato e conteúdo.
O próprio Manuel Chaparro (2008) reconhece isso e trata, por vezes, o editorial como artigo (comentário). Ainda dentre os gêneros menos trabalhados por ambos os jornais está a Crônica. Sobre elas, Chaparro as identifica como livre de classificações. Para o autor, a crônica destaca-se pela “liberdade em transitar entre jornalismo e literatura, entre narração e argumentação, entre realidade e ficção, entre emoções e poesia” (CHAPARRO, 2008, p.178- 179).