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Belgede KABUL VE ONAY SAYFASI (sayfa 26-0)

A epopeia de Homero apresenta a maior fonte de ocorr•ncias da questŠo da u3brij encontrada no discurso m•tico grego. Mesmo a trag•dia, essencialmente dependente do fen•meno em exame para se concretizar, se organiza em torno de her‹is extra•dos da poesia hom•rica.

A questŠo da u3brij aparece pela primeira vez na obra de Homero em uma passagem da

Il•ada que narra a c‹lera e o descontentamento de Aquiles com Agam•mnon, que lhe tomara

arbitrariamente uma escrava. O objetivo do chefe dos gregos era compensar a perda de uma de suas cativas, liberta por ordem de Apolo previamente. Inconformado com o abuso de autoridade de Agam•mnon, Aquiles se queixa ’ Atena: “Filha de Zeus tempestuoso, que causa te trouxe at• Tr‹ia? Ver osu3brin (ultrajes) que o Atrida Agam•mnon me faz neste instante?”77.

A contenda entre os dois mostra a importˆncia da di/kh e as consequ•ncias de seu desrespeito na visŠo do poeta. A escrava em questŠo – Briseida – pertencia a Aquiles por direito. Se Apolo requisita a cativa de Agam•mnon – Criseide –, este nŠo deve, de forma alguma, e mesmo como chefe dos gregos, compensŒ-lo por meio do confisco da escrava do desafeto Aquiles. Esta u3brij, isto •, esta transgressŠo do direito, tem consequ•ncias imediatas, como a retirada do filho de Peleu da guerra, o que vai consumir muitos guerreiros helenos at• a morte de PŒtroclo, e tamb•m futuras, como prev• ’ deusa o pr‹prio Aquiles: “ora, te digo com toda a

75JAEGER, Werner. Paideia — A FormaŒ•o do Homem Grego. SŠo Paulo: Martins Fontes, 1995, p.135. 76JAEGER, Werner. Paideia — A FormaŒ•o do Homem Grego. SŠo Paulo: Martins Fontes, 1995, p.135. 77HOMERO. Il•ada. Trad. Carlos Alberto Nunes. SŠo Paulo: Ediouro, 2009, Canto I, 202-203; HOMER. Homeri

Opera in five volumes. Oxford: Oxford University Press, 1920; HOMER. The Iliad. Trans. Augustus Taber Murray. Cambridge, MA/London: Harvard University Press/ William Heinemann, 1924.

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clareza o que vai realizar-se: Vai a exist•ncia [de Agam•mnon] custar-lhe esta grande u3brin (arrogˆncia) de agora”78, talvez prevendo o trŒgico destino que aguardava o comandante dos gregos na volta ’ casa79.

JŒ na Odisseia, mais sortida de passagens sobre o fen•meno em questŠo, Homero apresenta a u3brij sempre em refer•ncia ’ atitude dos pretendentes de Pen•lope, Œvidos pelo trono de ‡taca, vago ante a longa aus•ncia de Odisseu, “nico sobrevivente da guerra de Tr‹ia a nŠo retornar ao lar. Disfar‰ado de mendigo, o filho de Laerte testa a hospitalidade de um antigo funcionŒrio, o porqueiro Eumeu, ao afirmar que pretende mendigar na cidade em vez de permanecer nos dom•nios do rei de ‡taca, e ouve dele a seguinte reprimenda: “‘Por que um tal pensar te sobe ’ mente, h‹spede? Ardes por autoaniquilar-te totalmente, querendo misturar-se ’ turba de chupins, cuja viol•ncia e u3brij chega ao f•rreo ceu?’”80. Semelhante sentimento nutre Tel•maco, o filho de Odisseu, pelos pretendentes ao leito de sua mŠe e, diante do incessante ass•dio daqueles homens, exorta-os a nŠo cometer nenhum ato desmedido: “de minha mŠe pretendentes, u3brin (soberbos) e cheios de orgulho, ora gozemos da festa; ningu•m fa‰a bulha importuna [...]”81. E, em seguida, tal como Aquiles em rela‰Šo a Agam•mnon, o filho de Odisseu arrisca uma previsŠo punitiva ’ conduta dos pretendentes: “Zeus me darŒ, porventura, alcan‰ar a vingan‰a almejada, para que inultos venhais a morrer aqui dentro de casa”82. Ambos os vatic•nios se realizam. O primeiro – acerca de Agam•mnon – das mŠos de Clitemnestra, sua esposa, em parceria com o amante Egisto, e, os “ltimos, das de Odisseu.

Entretanto, o destino s‹ se encaminha desta forma por conta da lei mantida pelos deuses. Aquele que pratica um ato contrŒrio ’ ordem, isto •, que ultrapassa seus limites, deve necessariamente pagar. Dessa forma, e no entender de Pi•rre Chantraine, a “u3brij • um termo importante para o pensamento moral e jur•dico dos gregos. Em Homero, caracteriza a viol•ncia

78HOMERO. Il•ada. Trad. Carlos Alberto Nunes. SŠo Paulo: Ediouro, 2009, Canto I, 214-215; HOMER. Homeri

Opera in five volumes. Oxford: Oxford University Press, 1920; HOMER. The Iliad. Trans. Augustus Taber Murray. Cambridge, MA/London: Harvard University Press/ William Heinemann, 1924.

79Esta hist‹ria • narrada no Agam‡mnon, de …squilo, primeira parte da Or‚stia.

80Diante da for‰a originŒria da palavra, o tradutor da passagem – Trajano Vieira – preferiu, provavelmente, manter

o original, abstendo-se de traduzir u3brij e perder o efeito integralizante do fen•meno resultante da parcialidade de suas tradu‰”es mais comuns. Cf. HOMERO. Odisseia. Trad. Trajano Vieira. SŠo Paulo: Editora 34, 2012, Canto XV, 326-329, p. 461; HOMER. The Odyssey. Trans. Augustus Taber Murray. Cambridge, MA/London: Harvard University Press/William Heinemann, 1919; HOMERO. Odisseia. Trad. Carlos Alberto Nunes. SŠo Paulo: Ediouro, 2009.

81HOMERO. Odisseia. Trad. Carlos Alberto Nunes. SŠo Paulo: Ediouro, 2009, Canto I, 368-369. Cf. HOMER.

The Odyssey. Trans. Augustus Taber Murray. Cambridge, MA/London: Harvard University Press/William Heinemann, 1919 e HOMERO. Odisseia. Trad. Trajano Vieira. SŠo Paulo: Editora 34, 2012.

82HOMERO. Odisseia. Trad. Carlos Alberto Nunes. SŠo Paulo: Ediouro, 2009, Canto I, 379-380. Cf. HOMER.

The Odyssey. Trans. Augustus Taber Murray. Cambridge, MA/London: Harvard University Press/William Heinemann, 1919 e HOMERO. Odisseia. Trad. Trajano Vieira. SŠo Paulo: Editora 34, 2012.

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brutal que viola regras”83. Homero, mesmo “excluindo”84os titŠs de seu panteŠo, apresenta a centraliza‰Šo de um poder que zela pela lei “nŠo escrita” de forma rigorosa: de acordo com Jos• Cavalcante de Souza, “a suserania de Zeus introduz na fam•lia divina um princ•pio de ordem [...] chegando afinal a admitir uma certa unidade na a‰Šo divina”85. Na obra de Homero, a u3brij • entendida como a puni‰Šo dos deuses contra o atentado ao direito humano, isto •, contra a di/kh, que, segundo Jaeger, “equivale aproximadamente a dar a cada um o que lhe • devido”86. A u3brij nŠo remete, na obra hom•rica, a atitudes contra os deuses, restringindo-se apenas ’ estrutura‰Šo da vida humana em suas regras, legisladas e julgadas pelas divindades, como o pr‹prio Homero atesta em trecho da Odisseia no qual coloca na boca de um dos pretendentes uma reprimenda a Ant•noo, outro postulante ao leito de Pen•lope, por ter agredido Odisseu, ainda travestido de mendigo: “Homem funesto, e se ele for um nume excelso? Deuses, iguais a forasteiros de outras plagas, circulam pelas urbes em fei‰”es diversas e veem se empŒfia (u3brin) ou retidŠo norteia o homem”87.

De acordo com Giovanni Reale, e em consonˆncia com a concep‰Šo ordenadora do pensamento do autor da Il•ada e da Odisseia, “a imagina‰Šo hom•rica jŒ se estrutura segundo o sentido da harmonia, da eurritmia, da propor‰Šo, do limite e da medida”, elementos que se revelarŠo, depois, “uma constante da filosofia grega, a qual erigirŒ a medida e o limite at• mesmo em princ•pios metafisicamente determinantes”88.

Hes•odo participa da posi‰Šo do autor da Il•ada em Os Trabalhos e os Dias ao exortar o irmŠo, Perses, que se recusava a dividir a heran‰a dos pais com o poeta, a reconsiderar suas a‰”es:

Tu, ‹ Perses, escuta a Justi‰a (di/khj)e o Excesso (u3brin) nŠo amplies! O Excesso (u3brij) • mau ao homem fraco e nem o poderoso facilmente pode sustentŒ-lo e sob seu peso desmorona quando em desgra‰a cai; a rota a seguir

83CHANTRAINE, Pierre. U3brij. In: CHANTRAINE, Pierre. Dictionnaire Štymologique de la Langue Grecque

– Historie des Mots. Paris: …ditions Klincksieck, 1984, p. 1150.

84Homero nŠo chegou necessariamente a excluir os TitŠs, mas tomou os deuses ol•mpicos como parˆmetro para

explicar a realidade hel•nica. De acordo com Nietzsche, o expediente faz parte do projeto grego de suavizar os horrores da exist•ncia (Dioniso, que produziria um efeito titˆnico) por meio da arte (Apolo): “o grego conheceu e sentiu os temores e os horrores do existir: para que lhe fosse poss•vel de algum modo viver, teve de colocar ali, entre ele e a vida, a resplendente cria‰Šo on•rica dos deuses ol•mpicos. Cf. NIETZSCHE, Friedrich. O Nascimento da Trag‚dia ou Helenismo e Pessimismo. Trad. Jacob Guinsburg. SŠo Paulo: Companhia das Letras, 2001, 3, p. 36.

85SOUZA, Jos• Cavalcante de. Do mito ’ filosofia. In: PR…-SOCR„TICOS – OS PENSADORES. SŠo Paulo:

Abril Cultural, 1978, p. XI.

86JAEGER, Werner. Paideia — A FormaŒ•o do Homem Grego. SŠo Paulo: Martins Fontes, 1995, p. 135. 87HOMERO. Odisseia. Trad. Trajano Vieira. SŠo Paulo: Editora 34, 2012, Canto XVII, 484-487. Cf. HOMER.

The Odyssey. Trans. Augustus Taber Murray. Cambridge, MA/London: Harvard University Press/William Heinemann, 1919 e HOMER. Homeri Opera in five volumes. Oxford: Oxford University Press, 1920.

27 pelo outro lado • prefer•vel: leva ao justo; Justi‰a (di/kh) sobrep”e-se a Excesso (u3brioj) quando se chega ao final: o n•scio aprende sofrendo”89

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A passagem de Hes•odo mostra de forma exemplar a oposi‰Šo existente entre di/kh e u3brij e como esta configura‰Šo conspira a favor de uma ideia subjacente de me/tron, que, como exposto previamente, desembocarŒ em uma discussŠo ontol‹gica empreendida, no futuro, pela filosofia.

Belgede KABUL VE ONAY SAYFASI (sayfa 26-0)

Benzer Belgeler