4. Protein Dizilimlerinin Gösterimi
5.4 Sistemler ve Yöntemler
5.4.2 Tanımlamalar ve Deneysel Düzenek
Esta seção objetiva apresentar um panorama da maneira como se desenvolveu a trajetória tecnológica da indústria de bioetanol no Brasil no período entre 1920 e 2014. Para reconstruir a trajetória tecnológica da indústria, foram utilizadas evidências empíricas de primeira e segunda mão, assim como consultas na literatura de catch-up (detalhes dos procedimentos metodológicos adotados são apresentados no capítulo 5). A interpretação da trajetória tecnológica da indústria
sofreu mudanças conforme as evidências coletadas eram confrontadas com a literatura. Foi realizado um trabalho sistemático para verificar a consistência da trajetória tecnológica desenvolvida pela indústria de bioetanol no Brasil com trajetórias identificadas em estudos de catch-up em outros contextos (ex.: KIM, 1997a; LEE; LIM, 2001). Posteriormente, verificou-se que a trajetória tecnológica da indústria se assemelhava mais com a trajetória tecnológica desempenhada pela indústria florestal, de celulose e papel do Brasil (FIGUEIREDO, 2010).
A partir da análise das evidências, foi construída uma representação da trajetória tecnológica da indústria de bioetanol no Brasil no período de 1920 a 2014 (Figura 6.1). Nessa figura, o eixo horizontal representa o período de tempo examinado (1920 a 2014). O período entre 1920 e 1974 (background) será examinado a título de pano de fundo da pesquisa. O background da pesquisa está dividido em dois períodos: crise do mosaico (1920 a 1932) e pós-crise do mosaico (1933 a 1974). Esta pesquisa se propõe a examinar em profundidade o período entre 1975 e 2014. Esse período está dividido em três fases: fase de emergência (1975 a 1989), fase de crescimento (1990 a 1999) e fase de maturidade (2000 a 2014). O eixo vertical representa os níveis de acumulação de capacidades tecnológicas, conforme apresentado no Quadro 5.2 do capítulo 5. No centro da Figura 6.1, foram desenhadas três linhas de tendência que representam três trajetórias tecnológicas. A área sombreada ilustra a trajetória da indústria de bioetanol no Brasil no período de 1920 a 2014.
A trajetória tecnológica (A) na cor vermelha, no topo da Figura 6.1, representa a trajetória tecnológica estabelecida por países líderes, por exemplo: primeiro, os Estados Unidos foram um dos países líderes tecnológicos na produção de bioetanol desde o início do século XX. Contudo, o bioetanol dos Estados Unidos é originado de uma matéria-prima diferente da usada no Brasil, o milho. Esforços em melhoramento genético do milho nos Estados Unidos eram realizados desde o século XIX (FITZGERALD, 1990). Ademais, em 1826, Samuel Morey realizou experimentos de combustão interna que usavam o bioetanol como combustível. Em 1896, Henry Ford desenvolveu o primeiro veículo totalmente movido a bioetanol: Quadricycle. Posteriormente, em 1908, Henry Ford produziu o Ford Modelo T, que era movido por gasolina, bioetanol ou pela sua combinação.
Figura 6.1. Trajetória tecnológica da indústria de bioetanol no Brasil no período de 1920 a 1974 (background) e de 1975 a 2014 (foco da pesquisa)
Segundo, nações como Inglaterra, Alemanha, França e Estados Unidos foram os países líderes no início do século XX na criação de tecnologias industriais em métodos de fermentação e destilação para fabricação de álcool. Por exemplo, o método francês de fermentação Melle- Boinot, patenteado no final da década de 1920, ou o uso da tecnologia de peneiras moleculares para destilação de bioetanol, inventada na Inglaterra na década de 1920. Ambas as tecnologias foram largamente adotadas na indústria de bioetanol do Brasil ao longo do século XX.
Terceiro, países como Austrália, Índia, África do Sul, Indonésia etc. não possuíam uma produção relevante de bioetanol no início do século XX. Contudo, esses países eram líderes mundiais de tecnologias em cana-de-açúcar com o propósito da produção do açúcar. De forma mais específica, Austrália e Índia haviam construído estações experimentais de melhoramento genético de cana-de-açúcar no final do século XIX e lançado variedades próprias no início do século XX. A Indonésia (região de Java) possuía variedades logo no início do século XX, que foram empregadas pelo Brasil nas décadas de 1920 e 1930 para superar a crise do mosaico. A indústria importou variedades melhoradas da Indonésia (região de Java) e realizou estudos de caracterização para selecionar as mais aptas para renovar os canaviais nas regiões afetadas pela doença do mosaico.
Quarto, a Austrália, na década de 1930 havia desenvolvido máquinas agrícolas específicas para a cultura de cana-de-açúcar. Na década de 1970, mais de 90% de sua produção de cana-de- açúcar era colhida de forma mecânica. Níveis de mecanização acima de 90% na colheita de cana-de-açúcar no Brasil só foram atingidos a partir da década de 2000.
A trajetória tecnológica (B) na cor vermelha, na parte inferior da Figura 6.1, representa o início da trajetória tecnológica da indústria de bioetanol no Brasil. A indústria inicia sua trajetória tecnológica em 1920 percorrendo a trajetória tecnológica previamente mapeada pelos líderes mundiais, utilizando tecnologias agrícolas (feedstock e processos agrícolas) e industriais importadas de outros contextos. Essa trajetória tecnológica imitadora ocorreu de 1920 até meados da década de 1940. Contudo, conforme abordado no capítulo 2, indústrias intensivas em recursos naturais são caracterizadas pelas especificidades das condições agrícolas e edafoclimáticas que variam de país para país. Isso impede (ou pelo menos limita) a mera replicação tecnológica e, consequentemente, seguir em trajetórias tecnológicas desenvolvidas em outros contextos.
A trajetória tecnológica (C) nas cores cinza-escura (background) e preta (foco da pesquisa), na parte central da figura, ilustra a trajetória tecnológica da indústria de bioetanol no Brasil. Essa trajetória tecnológica desenvolvida pela indústria inicia-se em meados da década de 1920 e de forma concomitante com a trajetória tecnológica (B).
Entre as décadas de 1920 e 1970, a indústria de bioetanol do Brasil explorou a produção de bioetanol anidro, assim como era feito na trajetória estabelecida (A). Essa nova trajetória tecnológica é caracterizada pelos esforços iniciais de obtenção de novas variedades de cana-de- açúcar e de atividades inovadoras de adaptação de processos agrícolas e industriais para adequação às características da matéria-prima. A partir da década de 1970, a indústria aprofundou suas capacidades e criou novas capacidades tecnológicas na nova trajetória tecnológica (C). Foram realizados esforços em P&D de novas variedades de cana-de-açúcar, em processos agrícolas e industriais (o que abriu oportunidades para explorar novas linhas de negócio). Ademais, o período entre as décadas de 1970 e 2014 é caracterizado pelos esforços da indústria em tornar o bioetanol hidratado um combustível em escala nacional. Dessa forma, a partir da década de 1970, a trajetória tecnológica desenvolvida pela indústria combinava tanto a produção de bioetanol anidro (de forma análoga à trajetória tecnológica estabelecida (A)) quanto a produção de bioetanol hidratado em escala comercial (pioneiramente explorado pelo Brasil na forma de combustível distribuído em todo o país).
Portanto, a indústria de bioetanol do Brasil não realizou um processo de catch-up tecnológico baseado no aprofundamento de capacidades tecnológicas em trajetórias tecnológicas previamente mapeadas por líderes mundiais. Em outras palavras, a indústria não realizou um processo de catch-up path-following (KIM, 1997a; LEE; LIM, 2001), assim como não realizou um processo de catch-up tecnológico baseado na criação de uma nova trajetória tecnológica após ter acumulado capacidades próximas ou na fronteira tecnológica internacional da trajetória vigente, conforme descrito nos estudos de Lee e Lim (2001), Lee, Lim e Song (2005), Whang e Hobday (2011), entre outros.
A indústria de bioetanol do Brasil, de forma resumida, desempenhou uma trajetória path- creating. Esse processo ocorreu logo nos estágios iniciais da construção das suas capacidades tecnológicas. A forma como a indústria realizou seu processo de catch-up tecnológico se assemelha com a forma como a indústria florestal, de celulose e papel do Brasil desempenhou sua trajetória tecnológica (FIGUEIREDO, 2010). A indústria realizou um desvio qualitativo da
trajetória tecnológica estabelecida pelos líderes mundiais por meio, principalmente, de seus esforços de inovação para obtenção de novas variedades de cana-de-açúcar para produção de bioetanol anidro. A partir da década de 1970, a indústria intensificou seus esforços de P&D em melhoramento genético e na criação de novos produtos. Esses esforços possibilitaram a introdução do bioetanol hidratado como produto combustível em escala industrial.
Conforme mencionado no início da seção, o propósito deste capítulo é descrever a trajetória tecnológica e o processo de acumulação de capacidades tecnológicas da indústria de bioetanol no Brasil no período entre 1975 e 2014. Entretanto, a indústria emergiu em meados da década de 1920. Portanto, a seção 6.3 tem o propósito de descrever, a título de pano de fundo, os principais eventos institucionais e tecnológicos que moldaram a trajetória tecnológica da indústria no período de 1920 a 1974. Essa descrição não é parte formal da pesquisa proposta para esta tese, contudo esse pano de fundo é necessário para elucidar a trajetória tecnológica da indústria. A seguir, as seções 6.4 a 6.6 examinam de forma aprofundada o processo de acumulação de capacidades tecnológicas da indústria no período entre 1975 e 2014 em três áreas tecnológicas (feedstock, processos agrícolas e processos industriais). O período entre 1975 e 2014 foi dividido em três fases: fase de emergência (1975 a 1989), fase de crescimento (1990 a 1999) e fase de maturidade (2000-2014).
6.3 A Trajetória Tecnológica da Indústria de Bioetanol no Brasil na Fase de Background