Herbert Alexander Simon (1916 – 2001). Graduado em Ciências Políticas (1936), doutorou-se em 1943. É um estudioso da administração e da economia. Ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 1978. Desenvolveu uma teoria decisória de gerência. Interessou-se pela tomada de decisões gerenciais. Admitia que os processos administrativos sejam processos decisórios que requerem uma tomada de decisão. A escolha de alternativas está presente no ato dos processos administrativos. Ele é de difícil classificação em termos
de determinada abordagem. Ele se situa “[...] no fim da escola behaviorista e no início de um complicado feixe de caminhos que levam à escola matemática, à pesquisa operacional, ao estruturalismo, à escola gestáltica e à teoria de sistemas.” (LODI, 1978, p. 203).
A preocupação central de Simon (1965) reside no estudo do comportamento humano que está inserido no mundo das organizações. Esse movimento de tomada de decisões foi iniciado por ele. Ele influenciou muitos campos do conhecimento humano. Deteve-se no exercício de compreender dentro das organizações todo um processo de tomada de decisões levado a efeito pela mente humana para resolver os problemas existentes nas organizações. E, segundo ele, para tomar decisões, o indivíduo deve estar o mais próximo que puder em termos de racionalidade humana. A análise dos processos decisórios é o ponto alto para se compreender os fenômenos ligados às organizações. Simon é conhecido como o pai do behaviorismo no campo da administração.
Frente aos trabalhos realizados por Simon, Balestrin (2002, p. 3) reflete em cima dos seguintes questionamentos: “O que levaria um pesquisador a passar mais de 60 anos estudando a forma como o ser humano resolve problemas e toma decisões? Esses temas mereceriam tal interesse no campo organizacional?” Para tanto, ele privilegia sistemas de informações computacionais que geram conhecimentos e informações aos tomadores de decisões que têm a tarefa desafiadora de coordenar o esforço grupal a partir das decisões geradas pelo sistema de informações.
Ao programar um trabalho de tomada de decisões, o gerente depara com situações novas e desafiadoras de problemas que vão redundar em novas formas de processos decisórios. Toda e qualquer ação gerencial que surge, implica uma tomada de decisões, segundo Simon (1965). Então, é necessário que se busquem as técnicas de decisão que mais reflitam o momento da decisão e, para ele, há uma diferença entre as decisões programadas e as não – programadas. Trata-se de um continuum que é resolvido com programas de ação, como um atendimento a um pedido de um cliente.
As decisões não-programadas envolvem situações novas ou não-estruturadas ou problemas para os quais não estão disponíveis regras e métodos de solução. Tais decisões são exigidas quando da primeira ocorrência de uma situação ou quando a complexidade do problema impede a rotinização. Como exemplos, podemos citar o lançamento de novos produtos, decisões relacionadas a reduções de pessoal ou à definição de uma nova localização para a empresa. Todas estas seriam decisões não-programadas (mesmo que em algumas fases do processo encontremos subdecisões programadas) já que a organização não dispõe de estratégias detalhadas para lidar com tais situações e, portanto, seus membros terão que recorrer às suas capacidades de solução inteligente de problemas. (PUGH; HICHSON, 2004, p.141).
Em situações novas, as pessoas adquirem competências e são capazes de desenvolverem a inteligência, embora podendo chegar a ser menos eficiente. As decisões precisam ser um processo programado para evitar custos elevados com a tomada de decisões dessa monta. Para as decisões não-estruturadas, não-programadas requer mais cuidados e, portanto, carecem de um programa de treinamento e seleção de executivos para buscar dominar as técnicas, pois vai ser necessário utilizar intuição, inteligência, criatividade e juízo de valor. Com a inteligência, que é construída no social pelos desafios que se apresenta, o ser humano vai aprender a conviver de forma ética e dentro dos valores incorporados com as máquinas que ele vai construindo para resolver os problemas gerenciais da organização, e tomar decisões complexas e necessárias para o dia a dia das empresas.
De um modo geral, após uma crise social, cultural ou de outra natureza, as organizações ficam mais preparadas para enfrentar novos desafios e o processo decisório é revolucionado. O uso do computador vai, cada vez mais, ser demandado nas empresas. Técnicas de computação vão simular o curso de situações não-programadas. São aplicadas
[...] técnicas e análises matemáticas e estatísticas, realização de pesquisas operacionais e desenvolvimento de novas tecnologias de informação, computação e simulação. [...] elementos de julgamento [...] podem agora ser incorporados ao universo dos procedimentos programados. (PUGH; HICHSON, 2004, p. 142). As técnicas de tomada de decisões avançam e ganham novos contornos e, em um futuro promissor, numa espécie de revolução, no sentido de modificar a estrutura hierárquica através do uso de instrumentais, como: análise matemática e estatística, a pesquisa operacional, o processamento eletrônico, a simulação, dentre outras ferramentas oferecidas pelas máquinas para auxiliar e apoiar na tomada das decisões. Dessa forma, as organizações ficam numa posição de vanguarda e num patamar em que vai aquilatar qual a maior capacidade de análise das decisões requeridas, as suas multi e inter-relações. As tomadas de decisões, julgadas mais satisfatórias para aquele momento específico, serão realizadas com mais fundamentos.
Simon (1965) critica duramente as teorias clássicas da administração. Ele mostra que os estudos em administração são superficiais, carecendo de uma metodologia mais científica. Há excessos de simplificação e falta de objetividade nos seus trabalhos. “[...], de um modo geral, tem sido deixado de lado estudar a localização real das funções decisórias, contentando-se em falar de termos como autoridade, centralização, alcance de controle e função, sem [...] defini-los operacionalmente.” (BALESTRIN, 2002, p. 5).
Entender o processo decisório é a tônica que norteia as principais ideias de Simon (1965). Seus trabalhos contribuíram para a melhor forma de compreender os fenômenos organizacionais, dando consistência aos debates e às discussões dos principais temas voltados ao comportamento organizacional. Há um sistema de decisões presente no mundo organizacional e os indivíduos que estão situados nas organizações enfrentam os impactos de tudo isso e são desafiados a tomar decisões e buscar respostas para elas. E o grande imperativo que se impõe reside numa palavra-chave: o planejamento.
A proposta de Simon (1965) apud Albuquerque e Escrivão Filho (2005, p. 4) é constituída de três etapas, a seguir:
1) O relacionamento de todas as possíveis estratégias que poderão ser adotadas (a estratégia representa o conjunto de decisões que determinam o comportamento a ser seguido num determinado período de tempo);
2) A determinação de todas as consequências decorrentes da adoção de cada estratégia;
3) A avaliação comparativa de cada grupo de consequências e escolha de uma alternativa entre várias disponíveis, a partir de valores pessoais e organizacionais. A escolha indica a preferência por um conjunto de consequências.
As informações são limitadas nas suas possibilidades e num nível considerado satisfatório que ajuda a mostrar os problemas que são relevantes bem como as alternativas de solução dos mesmos. Portanto, a pessoa precisa munir-se de estudos contextuais que possam colaborar nas mudanças desejadas. É preciso focar na melhor alternativa de resposta que se apresente no estudo. Para tanto, é preciso também atentar para os princípios de natureza ética e moral e os valores organizacionais e inter-relacioná-los bem na busca da melhor alternativa de escolha e tomada de decisões. Fazer coincidir os valores individuais aos organizacionais, para não tomar decisões conflitantes. A meta é conseguir conciliar e integrar comportamentos individuais e grupais. O indivíduo é, por natureza, um ser racional que toma decisões.
A empresa ou organização é vista como um sistema de decisão onde o indivíduo participa, racional e conscientemente, escolhendo entre alternativas mais ou menos racionais. Isto modifica o próprio caráter da autoridade, pois o indivíduo obedece não pela legitimação da autoridade, mas decidindo que, entre as alternativas de obedecer ou não, a desobediência traz desvantagens que ele quer evitar ou a obediência lhe traz vantagens que ele quer conservar. (LODI, 1978, p. 204).
As pessoas que trabalham nas organizações cada vez mais estão sendo estimuladas para desenvolverem mais autonomia, independência e criatividade. Elas são estimuladas a enfrentar as situações com coragem e determinação. As ferramentas tanto tecnológicas quanto não-tecnológicas, como as humanas, estão presentes e sendo mais
exploradas no sentido de expandir a inteligência humana no intuito de oferecer respostas mais oportunas e apropriadas. Os investimentos nas pessoas, no comportamento individual e organizacional, estão sendo trabalhados em prol das mudanças que estão revolucionando o mundo das organizações e, em consequência, melhorando a sociedade como um todo.
No polo teórico, foram abordadas as teorias da avaliação educacional, a humanista da pedagogia e a educação gerencial. Na teoria da avaliação educacional, destacam-se: a avaliação responsiva de R. Stake, a iluminativa de Parlett e Hamilton e a emancipatória de Ana Maria Saul. Na teoria humanista da pedagogia foi priorizada a teoria humanista de Carl R. Rogers, e na educação gerencial, enfatizaram-se as teorias humanistas da liderança, como Abraham Maslow, Douglas McGregor, Frederick Herzberg e Herbert Alexander Simon.