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4. STRONGLY θ-PRE-I SÜREKLİ FONKSİYONLAR

4.2. Tanım ve Karşılaştırmalar

1 Programa de Pós-graduação em Psicobiologia, UFRN, Brasil. 2 Departamento de Fisiologia, UFRN, Brasil.

3 Correspondência deve ser endereçada à W. T. H. (Caixa Postal 1511, Campus Universitário, Natal, RN, Brasil, 59078-970, [email protected])

RESUMO

A literatura sugere um padrão universal para preferências na escolha de parceiros para nossa espécie, com diferenças sexuais marcantes. Preenchendo uma lacuna no estudo da escolha de parceiros, identificamos as características importantes em parceiros em potencial durante a adolescência e avaliamos o seu grau de importância na busca de semelhanças e diferenças sexuais. Nossas amostras foram compostas por 467 estudantes do município do Natal, Brasil, com idade entre 12 e 19 anos. Utilizamos um questionário aberto para o levantamento das características consideradas importantes e uma escala Likert de cinco pontos e 60 itens para avaliação do grau de importância. Observamos diferenças intrassexuais e intersexuais na freqüência de resposta do questionário aberto. Verificamos também diferenças na avaliação do grau de importância através da escala. Contudo, semelhanças entre os sexos também emergiram nesta análise. Verificamos ainda que algumas características avaliadas em trabalhos com adultos não apresentam grande interesse pelos adolescentes. Nossos resultados sugerem que ambos os sexos buscam parceiros em potencial para viver experiências românticas e/ou sexuais.

PALAVRAS-CHAVE

1. INTRODUÇÃO

Inúmeras pesquisas têm sido conduzidas na tentativa de compreender o processo de seleção sexual. Neste sentido, alguns padrões de escolha de parceiros têm sido sugeridos como universais, com base na escolha de características preferidas por ambos os sexos em parceiros em potencial, como gentileza e amabilidade (Buss & Barnes, 1996). Através da avaliação de características, observam-se também diferenças sexuais, como o que se tem descrito sobre a preferência feminina por parceiros com habilidades para obter e/ou monopolizar recursos, em contraste com a preferência masculina voltada à aparência física das parceiras em potencial (Buss, 1989; Li, Bailey, Kenrick & Linsenmeier, 2002). A preferência pela idade do parceiro também apresenta diferenças sexuais. Kenrick e Keefe (1992) avaliaram casos de preferências por parceiros, em adultos, através da avaliação de parceiros ideais e reais. Os autores encontraram que as mulheres preferem parceiros um pouco mais velhos, independente da idade em que se encontram; por outro lado, os homens não apresentam preferência bem definida no início da vida reprodutiva, mas a diferença entre a idade dele e da parceira aumenta com o passar dos anos, mantendo sua preferência por mulheres mais jovens. Entretanto, algumas características, como o bom humor, por exemplo, parecem ser importantes para ambos os sexos no início da vida reprodutiva (ver Estudo Experimental 1); no entanto, na vida adulta, encontrou-se grande valorização dessa característica por parte das mulheres, mas não para os homens (Bressler & Balshine, 2006).

A investigação da importância de características específicas no processo de escolha de parceiros com adultos tem sido discutida em relação ao seu valor adaptativo, como por exemplo, o odor do parceiro como possível pista de atratividade (Rantala Eriksson, Vainikka & Kortet, 2006; Santos, Schinemann, Gabardo, & Bicalho, 2005), assimetria flutuante indicando a qualidade do desenvolvimento (Jasienska, Lipson, Ellison, Thune & Ziomkiewicz, 2006; Rhodes, Simmons & Peters, 2005) e as proporções ombro-quadril e cintura-quadril refletindo preferências pela atratividade física como indicativo de fertilidade (Jones et al., 2005; Rozmus-Wrzesinska & Pawlowski, 2005). Além da avaliação das características pessoais de um parceiro em potencial, pesquisadores também têm avaliado características que influenciam a qualidade da relação interpessoal com parceiros ideais, tais como, fidelidade e comprometimento influenciando a avaliação do parceiro, especialmente para relacionamentos de longo prazo (Becker, Sagarin, Guadagno, Millevoi & Nicastle, 2004; Marlowe, 2004). Também tem se avaliado traços do relacionamento em parceiros reais, como no estudo de Lucas e colaboradores (2008), que usou duas escalas para medir amor e companheirismo em casais americanos, britânicos, chineses e turcos. O trabalho sugere que características, como boa comunicação entre os cônjuges, podem aumentar as taxas de investimento parental.

Neste sentido, algumas questões emergem no que diz respeito ao processo de escolha de parceiros. As características apontadas como importantes na vida adulta já podem ter sua

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importância evidenciada na adolescência? Além disso, como se apresentam as preferências por determinadas características em relação às diferenças e similaridades sexuais neste momento inicial da vida reprodutiva? Apesar dos trabalhos já realizados sobre o comportamento reprodutivo humano, inclusive sob perspectiva evolucionista, há escassez de trabalhos nesta área com adolescentes. As investigações, até momento, foram de aspectos dos relacionamentos interpessoais entre adolescentes, verificando suas características e influências no desenvolvimento (Collins, 2003) ou buscando padrões para descrevê-los (Overbeek, Ha, Scholte, Kemp & Engels, 2007). Entretanto, as dificuldades em executar pesquisas com adolescentes talvez seja uma das razões para escassez de trabalhos com essa faixa etária, mas conforme ressalta Weisfeld (1999), é de grande importância a investigação das mudanças na adolescência, visto que parte da diferenciação sexual emerge exatamente neste período da vida.

Na tentativa de preencher algumas lacunas, buscamos identificar quais características são consideradas importantes no momento da escolha de parceiros e avaliamos o grau de importância de tais características, possibilitando a construção de instrumentos de avaliação do processo de escolha de parceiros para adolescentes. Além disso, buscamos evidenciar padrões que permitam comparações com aqueles encontrados para adultos nas pesquisas já realizadas.

2. MÉTODOS

Participantes

Nossas amostras foram compostas por 467 estudantes do município do Natal, Brasil, com idade entre 12 e 19 anos. Amostra 1: 108 meninas (media  dp = 15,35  1,78 anos) e 56 meninos (média  dp = 15,84  1,66 anos); Amostra 2: 201 meninas (média  dp = 15,88  1,96 anos) e 102 meninos (média  dp = 15,87  1,97 anos).

Procedimento

Para ambas as amostras, iniciamos a aplicação questionário ou da escala, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN e da direção das instituições de ensino, e do consentimento dos pais e adolescentes. O preenchimento do questionário foi individual, com participação voluntária e não remunerada. Os resultados do Instrumento 1 (Amostra 1) foram quantificadas e categorizadas, para confecção do Instrumento 2, aplicado na Amostra 2.

Utilizamos dois instrumentos para efetuar o levantamento das características de parceiros em potencial consideradas importantes pelos adolescentes (Amostra 1 e Instrumento 1) e avaliar a importância das características citadas por eles (Amostra 2 e Instrumento 2). Em ambos os

instrumentos, solicitamos que os adolescentes informassem sexo (masculino/feminino) e idade (anos completos).

Como Instrumento 1 utilizamos um questionário aberto com o seguinte enu iado: Você preencherá os espaços abaixo com as características que você considera mais atraentes em uma pessoa para ficar ou namorar. As respostas são pessoais. Preencha cada linha com apenas uma característica . Logo a ai o, ha ia ui ze li has pa a serem preenchidas com as características, di idida e t s atego ias: a a te ísti a físi a , a a te ísti a o po ta e tal e out a a a te ísti a ; esta últi a atego ia i luiu a a te ísti as ue ão se e uad a a as atego ias anteriores, segundo a opinião dos participantes. Os participantes foram instruídos a preencher com até cinco traços para cada categoria apresentada.

No Instrumento 2, utilizamos uma escala Likert de cinco pontos com 60 itens, para avaliação do grau de importância de características físicas, comportamentais e hábitos pessoais e sociais em parceiros em potencial. Os valores atribuídos na escala foram: (-1) não gosto, este traço não é importante; (0) sou indiferente a este traço; (1) gosto pouco, este traço é pouco importante; (2) gosto, este traço é importante; e (3) gosto muito, este traço é muito importante.

Análises Estatísticas

Para o Instrumento 1, agrupamos as respostas segundo as categorias fornecidas e comparamos as freqüências com o teste Qui-Quadrado. Executamos comparações intrassexuais entre as categorias e intersexuais para cada categoria.

Para análise do Instrumento 2, nós utilizamos o teste de análise de componente principal (análise fatorial) com método de rotação Varimax. Para averiguar a confiabilidade da escala, efetuamos a adequação amostral através da medida de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO), além de verificarmos a precisão com o Teste de Esfericidade de Bartlett. Para determinação do total de variância explicada da amostra por interdependência das respostas, consideramos o autovalor limite maior ou igual a 1, o que determinou o número de fatores da análise. Para compor os fatores, consideramos as características com cargas de pelo menos |0,30|. Consideramos as medidas de adequação amostral maiores ou iguais a 0,5 (correlação de anti-imagem) para cada item da escala. A partir do coeficiente de regressão de cada fator (variável dependente), extraídos através da análise fatorial, executamos o teste GLM Univariado para verificar diferenças entre os sexos (variável independente) em relação à importância atribuída às características que compõem cada um dos fatores.

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3. RESULTADOS

Instrumento 1: Questionário Aberto

Obtivemos 2.247 respostas apontando características importantes em um parceiro em potencial, dentre as quais 763 foram características físicas, 1.015 foram características comportamentais e 469 foram outras características.

Outras duas comparações foram efetuadas com base na freqüência das respostas para cada sexo em cada categoria (Figura 1). Primeiro, comparamos as freqüências entre os sexos para cada categoria e observamos diferenças significativas nas três comparações: meninos citaram mais a a te ísti as físi as ue e i as χ2=41,77; p=0,001), enquanto meninas citaram características o po ta e tais χ2= , ; p= , e out as a a te ísti as χ2=38,00; p=0,001) mais do que meninos. Segundo, comparamos as freqüências entre as categorias para cada sexo: (a) meninas citaram mais característi as o po ta e tais do ue a a te ísti as físi as χ2=19,14; p=0,001) e out as a a te ísti as χ2=136,13; p=0,001), além de citarem mais características físicas do que outras a a te ísti as χ2=53,05; p=0,001); e (b) meninos citaram menos outras características do que a a te ísti as físi as χ2= , ; p= , e o po ta e tais χ2=27,05; p=0,001), entretanto, não houve diferença significativa entre o número de citações de características físicas e comportamentais

χ2=1,18; p=0,419).

Instrumento 2: Escala

Na p i ei a a álise fato ial da es ala Like t o ite s, e ifi a os ue os ite s al a e ti idez , o dição fi a ei a , ãos , a iz , p s e oz ap ese ta a edidas de ade uação amostral inferiores a 0,5, indicando que a inclusão destes itens não permitiu a formação de fatores que descrevessem de forma satisfatória as variações das respostas dos participantes. Por esta razão, estes itens foram descartados e uma nova análise fatorial foi executada com 54 itens, os quais continuaram apresentando medidas de adequação amostral superior a 0,5 nesta nova análise.

Verificamos adequação amostral para a escala (KMO=0,716) e grau de confiabilidade ele ado Ba tlett: χ²= . , ; gl= . ; p , . Na a aliação dos ite s da es ala, o se a os a formação de 17 fatores, os quais explicam 66,34% da variância total da amostra. Através da comparação das médias dos coeficientes de regressão de cada fator, pudemos observar diferenças sexuais para alguns fatores, mas não para outros (Tabela I).

Figura 1 – Percentual de resposta para cada categoria, por sexo. O (*) indica diferença estatística significante nas comparações intersexuais para cada uma das categorias. As letras minúsculas diferentes acima das barras representam diferenças estatísticas significantes nas comparações intrassexuais entre as categorias. Para todas as comparações representadas na figura (gl=1).

Observamos que os fatores 2, 4, 5, 8, 12 e 17 não apresentaram diferenças sexuais em relação aos valores médios dos coeficientes de regressão extraídos através da análise fatorial. O fator 2 (hábitos saudáveis) foi composto das característica não fumante, não usa drogas ilícitas, e não consome álcool; o fator 4 (similaridades) formou-se com as características mesmo gosto musical, mesmo gosto esportivo, mesma religião, cor de pele, e aprovação familiar; o fator 5 (bom caráter) honestidade e sinceridade, fidelidade e lealdade, maturidade e responsabilidade, e inteligência e sabedoria; o fator 8 (bom humor) foi composto pelas características bom humor e diversão, animação e extroversão, autoconfiança e ousadia, e simpatia e socialidade; o fator 12 (peso) formou- se com as características peso e barriga; e o fator 17 (castidade) foi constituído apenas pela característica ser virgem.

Entre os fatores que apresentaram diferenças sexuais temos os fatores 1, 6, 9, 11, 13, 14, 15 e 16, os quais foram citados com maior grau de importância pelas meninas. O fator 1 (confiabilidade) foi composto pelas características amizade e companheirismo, afetividade e carinho, amabilidade e gentileza, cooperação e ajuda, e compreensão e paciência; o fator 6 (desejabilidade) formou-se com as características cheiro bom, beijo bom, desejável e interessante, estilo e visual, e sensualidade; o fator 9 (hábitos sociais) habilidade em dançar, gosto por festas e baladas, e experiência em relacionamentos; o fator 11 (traços da face) foi constituído pelos traços olhos e olhar

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e sorriso; o fator 13 (higiene bucal) foi composto por dentes, bom hálito e boca; o fator 14 (traços masculinos 1) formou-se com as características costas e ombros, ciúme e braços; o fator 15 (educação) foi composto por determinação e objetividade e comportamento e educação; e o fator 16 (traços masculinos 2) foi composto pelas características altura e cabelo.

Os fatores 3, 7 e 10 foram citados como mais importantes pelos meninos. O fator 3 (traços femininos) foi composto pelas características bumbum, pernas, contorno do corpo, peitoral ou seios, e cintura e quadris; o fator 7 (seletividade de parceiros) formou-se com as características exigência na escolha de parceiros, moral e reputação, e discrição e sutileza; finalmente, o fator 10 (sexualidade) foi composto pelas características desempenho sexual e genitália.

4. DISCUSSÃO

A utilização de um questionário aberto nos permitiu atualizar a lista de características consideradas importantes pelos adolescentes durante a escolha de parceiros, adequando o instrumento de avaliação da importância dessas características para o vocabulário e preferências dos adoles e tes. Po e e plo, a a a te ísti a ha ilidade o ta efas do la este e p ese te a lista de características avaliadas ao longo de décadas (Buss, 1989; Hill, 1945; Hoyt & Hudson, 1981; Hudson & Henze, 1969; McGinnis, 1958), mas não foi citada como uma característica importante nas respostas dos adolescentes em nosso primeiro instrumento. Conforme observado em outras pesquisas com adultos, características relacionadas à condição financeira não são de grande importância para o sexo masculino (Buss, 1989), e as diferenças sexuais parecem manter-se mesmo quando a parceira apresenta a maior renda da família (Moore, Cassidy, Smith & Perrett, 2006). Entretanto, destacamos que o interesse das adolescentes por essa habilidade em monopolizar recursos não se ajustou ao agrupamento das características para composição dos fatores, conforme ap ese tado os t a alhos o adultos, te do a a a te ísti a o dição fi a ei a sido des a tada em nossas análises (Borgerhoff Mulder, 1990; Buss, 1989; Li et al., 2002). Estes exemplos ilustram características que não despertam interesse nos adolescentes por não fazer parte dos valores que eles consideram importantes; o fato de não precisar cuidar ou manter um lar parece ser a realidade para a maioria dos adolescentes, o que descarta estas preocupações no momento da escolha de um parceiro.

Vale lembrar que o adolescente poderia indicar o mesmo grau de importância durante a avaliação das características fornecidas no segundo instrumento, por se tratar de uma escala do tipo Likert, mas observamos grande variação nas respostas, conforme descrição que segue nas similaridades e diferenças sexuais.

Tabela I – Descrição dos fatores através do autovalor, variância explicada (%), variância explicada acumulada (%), número de itens por fator, composição dos fatores e carga de cada item. Para o teste de comparação entre os sexos: valor do teste (F), nível de significância (p) e diferença entre as médias (média das mulheres – média dos homens). As diferenças sexuais nos fatores são representadas pelas caixas de linha contínua (mulheres) e de linha tracejada (homens); os fatores sem caixa em suas cargas não apresentaram diferenças entre os sexos.

Fator 1 2 3 4 5 6 7 8

Autovalor 3,24 2,76 2,64 2,62 2,49 2,47 2,32 2,20

Variância Explicada (%) 5,90 5,01 4,81 4,76 4,52 4,49 4,22 3,99 Variância Explicada Acumulada (%) 5,90 10,91 15,72 20,48 25,00 29,49 33,70 37,70

Número de itens 5 3 5 5 4 5 3 4 Amizade e companheirismo 0,80 Afetividade e carinho 0,71 Amabilidade e gentileza 0,66 Cooperação e ajuda 0,60 Compreensão e paciência 0,53 Não fumante 0,94

Não usa drogas ilícitas 0,91

Não consome álcool 0,78

Bumbum 0,76

Pernas 0,72

Contorno do corpo 0,60

Peitoral ou seios 0,58

Cintura e quadris 0,51

Mesmo gosto musical 0,76

Mesmo gosto esportivo 0,74

Mesma religião 0,59 Cor da pele 0,45 Aprovação familiar 0,41 Honestidade e sinceridade 0,79 Fidelidade e lealdade 0,75 Maturidade e responsabilidade 0,44 Inteligência e sabedoria 0,33 Cheiro bom 0,83 Beijo bom 0,72 Desejável e interessante 0,54 Estilo e visual 0,38 Sensualidade 0,38

Experiência na escolha de parceiros 0,80

Moral e reputação 0,61

Discrição e sutileza 0,46

Bom humor e diversão 0,80

Animação e extroversão 0,71 Autoconfiança e ousadia 0,42 Simpatia e socialidade 0,33 GLM Univariado F 5,85 3,36 21,14 0,70 2,12 7,70 4,00 0,02 P 0,02 0,07 0,00 0,40 0,15 0,01 0,05 0,90

Diferença entre médias 0,35 0,27 -0,65 0,12 0,22 0,41 -0,29 0,02 Continua.

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Tabela I – Continuação.

Fatores 9 10 11 12 13 14 15 16 17

Autovalor 2,14 1,91 1,82 1,79 1,75 1,74 1,69 1,48 1,42

Variância Explicada (%) 3,90 3,48 3,32 3,26 3,18 3,17 3,08 2,69 2,58 Variância Explicada Acumulada (%) 41,59 45,07 48,39 51,65 54,82 57,99 61,07 63,76 66,34

Número de itens 3 2 2 2 3 3 2 2 1

Habilidade em dançar 0,75 Gosto por festas e baladas 0,75 Experiência em relacionamentos 0,45 Desempenho sexual 0,75 Genitália 0,73 Olhos e olhar 0,80 Sorriso 0,53 Peso 0,70 Barriga 0,61 Dentes 0,75 Hálito bom 0,62 Boca 0,43 Costas e ombros 0,71 Ciúme 0,66 Braços 0,40 Determinação e objetividade 0,68 Comportamento e educação 0,43 Altura 0,81 Cabelos -0,35 Ser virgem 0,81

GLM Univariado: coeficiente de regressão e sexo

F 6,24 15,54 6,89 0,02 5,46 14,63 6,14 22,23 2,57

P 0,01 0,00 0,01 0,90 0,02 0,00 0,01 0,00 0,11

Diferença entre médias 0,37 -0,57 0,38 -0,02 0,34 0,55 0,36 0,67 -0,24

Similaridades sexuais

De forma geral, os resultados mostraram maior grau de importância das características comportamentais no processo de escolha de parceiros na adolescência, quando comparadas com características físicas ou outras características, nas análises exploratórias iniciais. Este mesmo padrão de importância pode ser verificado nos fatores que não apresentaram diferenças sexuais: a importância dada para certas características por adolescentes foram observado na avaliação de hábitos de saúde (fator 2), similaridades (fator 4), caráter (fator 5) e humor (fator 8). Este conjunto de fatores demonstra preocupação dos adolescentes por características relevantes em qualquer parceiro, independente do sexo.

Verificamos que a grande importância dada aos traços de saúde pode sugerir, entre causas próximas e finais, respectivamente, o investimento em um parceiro que não traga problemas de saúde ao relacionamento, por exemplo, evitando doenças sexualmente transmissíveis, conforme sugerido na hipótese de Hamilton e Zuk (1982), e que possa contribuir na produção de filhos saudáveis. Além disso, este conjunto de traços também aponta para qualidades que contribuem para

a formação de relacionamentos românticos, por exemplo, quando bom caráter, bom humor e algumas similaridades culturais (atividades do cotidiano) são avaliados com mesmo grau de importância para ambos os sexos. Os traços agrupados no fator similaridades podem refletir o interesse destes adolescentes por determinadas características compartilhadas no grupo social. preferir parceiros que apresentem hábitos e valores sociais e semelhantes pode tanto facilitar a avaliação do parceiro em potencial quanto à aproximação e a convivência, levando à relacionamentos menos conflituosos (Alvarez & Jaffe, 2004; Buston & Emlen, 2003; Lutz-Zois, Bradley, Mihalik & Moorman-Eavers, 2006; Morry, 2005).

Diferenças sexuais

Além das similaridades descritas acima, diferenças sexuais também emergiram das análises exploratórias e confirmatórias. De modo geral, as diferenças sexuais aproximam-se das preferências relatadas para adultos (Buss, 1989), o que confere grande importância a este período de transição da infância para a vida adulta no que diz respeito ao desenvolvimento dos padrões de preferências no processo de escolha de parceiros românticos e/ou sexuais.

Ao analisar mais detalhadamente os resultados exploratórios, verificamos que os meninos valorizaram mais características comportamentais do que as físicas, na comparação intrassexual; contudo, na comparação intersexual os meninos valorizaram mais características físicas do que as meninas, conforme observado em trabalhos com adultos (Li, Bailey, Kenrick & Linsenmeier, 2002). As análises confirmatórias apóiam estes resultados, como podemos observar na composição dos fatores mais valorizados pelos meninos: traços físicos femininos (fator 3), seletividade (fator 7) e sexualidade (fator 10). Estes padrões de preferência por determinadas características em parceiras em potencial sugerem que, além das características comuns a ambos os sexos, o menino também avalia as parceiras em potencial em virtude de sua reputação (fatores 7 e 10). Além disso, apresentar preferência pela atratividade física feminina sugere que os meninos utilizam essas características como via para identificação da maturidade sexual da parceira em potencial.

A análise exploratória inicial mostrou que, entre as meninas, houve maior interesse em características comportamentais do que físicas. Além disso, elas mostraram maior interesse nos traços comportamentais e menor interesse nos traços físicos, quando comparadas aos meninos. Quando detalhamos essas preferências na análise de fatores, observamos a preocupação das meninas em um número maior de fatores (oito fatores) do que os meninos (três fatores). Entre os fatores com maior grau de importância, as meninas demonstraram preferência pela confiabilidade (fator 1), desejabilidade (fator 6) e hábitos sociais (fator 9) nos seus parceiros em potencial. Essas características indicam não apenas o interesse na formação, mas também na manutenção de relacionamentos.

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Buss e Schmitt (1993) sugerem que pessoas mais jovens e aquelas que estão entre um relacionamento de longo prazo e outro apresentam maior disposição de utilizar relacionamentos de curto prazo como estratégia para acessar o seu valor enquanto parceiro e o valor do parceiro deste novo relacionamento, mais do que pessoas mais velhas ou aquelas que estão em relacionamentos de longo prazo. Nos adolescentes, essa disposição pode ser verificada pelo interesse em vivências experiências românticas e/ou sexuais. Essas experiências requerem a criação de vínculos (Adams, Laursen & Wilder, 2001), especialmente para meninas, e as similaridades sexuais apontam para a busca de parceiros com características semelhantes em determinados aspectos que facilitam a formação e manutenção do relacionamento. Portanto, algumas similaridades sexuais nas preferências parece ser parte da estratégia de busca e retenção de parceiros em potencial. Além disso, as características que apresentaram diferenças na avaliação de meninos e meninas também podem sugerir a busca por parceiros em potencial, mas aqueles que preencham necessidades

Benzer Belgeler