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Tamirhanelerde (10’un altında çalışanı olan) Alınması Gereken

22. OTO SERVIS, TAMIRHANELER VE LASTIKÇILERDE ALINMASI GEREKEN

22.2. Tamirhanelerde (10’un altında çalışanı olan) Alınması Gereken

É necessário que justifiquemos aqui a realização deste trabalho, já que, embora seja suficientemente fundamentado teoricamente, há sempre os que duvidam do potencial comunicativo e discursivo da imagem, principalmente num objeto de discurso que é feito basicamente para ser apenas ouvido. Mas essa concepção, com o passar do tempo, tem mudado. Na atualidade, encontramos produções discursivas de diferentes naturezas cujos autores se utilizam das mais diversas linguagens para obterem o efeito de sentido esperado. Nas mais diferentes esferas, percebemos que determinadas instituições dispõem das mais variadas formas de mídia (SANTAELLA, 2003) para manifestarem seu intuito. Vê-se esse fenômeno na publicidade, no jornalismo, na educação, na televisão, na cibernética, nas artes. Na Literatura, por exemplo, há poesias que só podem ser lidas pela Internet para que se tenha o efeito de sentido esperado, pois elas se utilizam de recursos audiovisuais e, com isso, apresentam-se multiformes, multicoloridas, multissonoras. E esse fenômeno da utilização de vários recursos semióticos também percebemos na música. É com base nesta constatação que pretendemos observar como se dá a articulação dessas linguagens.

É bem verdade que esse fenômeno não é algo que surgiu recentemente e que, não é por isso que merece um estudo científico; se observarmos as produções literomusicais do Tropicalismo, por exemplo, já na década de 60, perceberemos que são utilizados vários recursos semióticos na construção de seu discurso. Uma observação científica desse fenômeno nas produções atuais se justifica pelo fato de que, hoje, com o advento da tecnologia, da instantaneidade da velocidade da informação, da cibernética, em suma, da era da multimídia, essas produções manifestam-se de maneira bastante diversificada. Com

isso, vê-se que esse experimentalismo sempre traz grandes contribuições, de uma forma geral, principalmente, para a estética e para as artes, pois se cria o novo, o diferente.

O fenômeno da imbricação de várias mídias num único discurso proporciona ao interlocutor a visão global pretendida pelo autor. Com isso, tem-se a totalidade necessária para a sua compreensão. É necessário ressaltar que essas linguagens são representações independentes do mundo e que, portanto, uma não substitui a outra. Segundo Santaella (op. cit.), vivemos hoje a cultura da mistura de linguagens e observaremos que essa mistura ocorre nitidamente na atual produção do discurso literomusical brasileiro, que é, por natureza, sincrético (COSTA, 2001).

Tendo em vista essa utilização de diversos recursos semióticos nas manifestações comunicativas da atualidade e que um determinado segmento do discurso literomusical brasileiro adota essa prática, urge que sejam realizados estudos sobre essa produção intersemiótica. Hoje, tem-se uma grande quantidade de compositores que sentem que a utilização apenas da canção não é suficiente para dar conta de seus intentos expressivos. Porém, façamos aqui a ressalva de que há alguns cancionistas que utilizam o recurso imagético apenas como um elemento complementar ao sentido presente nas canções. A exemplo disso, têm-se os discos de Zezé di Camargo e Luciano, em que as canções que os constituem não chegam a construir uma unidade temática; e as imagens que são apresentadas nos discos não possuem qualquer relação de sentido com as canções, muito menos estabelecem uma intersemiose com as canções para construir essa unidade. Nesse caso, a imagem é utilizada como mero elemento ilustrativo, que não chega a ser uma semiose constituinte do sentido do disco.

Portanto, percebemos que há, dentro da produção literomusical brasileiro um determinado segmento, um corpo de cancionistas brasileiros que utilizam o discurso imagético não como um mero elemento ilustrativo, mas como um elemento constituinte do sentido de um disco. Este respaldo dado à imagem como um elemento constituinte da unidade temática de um disco é contemplado, por exemplo, por Marisa Monte, Zeca Baleiro, Lenine, Maria Rita, Chico César e Arnaldo Antunes, que são alguns dos que promovem uma integração entre linguagens (verbal e não-verbal) de maneira que elas interagem e, com isso, geram um determinado efeito de sentido que só é possível depreender através da articulação dessas linguagens. E mais ainda: acreditamos que cada

disco é concebido baseado numa unidade temática, ou seja, a seleção do repertório para a concepção de um disco obedece a um núcleo temático em torno do qual as canções vão construindo um corpo (Tatit, 1998) homogêneo, coeso. Tendo em vista essa unidade, verificaremos em que medida a imagem presente no encarte do disco contribui para essa unidade temática presente em cada disco.

Com esta análise, observaremos como a intersemiose se realiza na produção literomusical de Adriana Calcanhotto e de que maneira essa articulação de linguagens, de diferentes mídias co-significam dentro de cada disco para constituir uma unidade de significação. Assim, com a análise que será realizada, daremos a necessária relevância ao investimento gráfico que o autor fornece ao encarte; dessa forma, atentaremos para a necessária leitura também do encarte para que se tenha compreensão geral do disco. Essa nossa pesquisa pressupõe a idéia de que, quando um ouvinte tem acesso apenas à canção, sem ter o contato com o encarte (por exemplo, a pessoa que compra um CD pirata), ele compreende apenas uma parte do disco; mas, se ele, enquanto ouve as canções, tem acesso ao encarte, possivelmente chegará mais facilmente à leitura proporcionada pelo texto verbomusical.

E é com Perrone (1988, p. 15) que concordamos, quando, num trecho de seu

Letras e letras da Música Popular Brasileira, ele afirma que

As letras impressas são mais do que um cartaz que serve de guia para as atitudes culturais em mutação, ou mero auxílio para a memorização ou acompanhamento da canção.(...) muitas vezes, pode-se afirmar que um compositor ou letrista revela intenção de escritor quando registra suas letras na capa ou no encarte de um LP.

Para as análises que se seguirão contaremos também com o auxílio de alguns modelos de leitura provindos da Semiótica Discursiva de Greimas, através de autores como Fiorin (2000) e Tatit (2000).