2. MALZEME VE TUTKAL
2.1. Tambur Yapımı İçin Uygun Ağaçlar
No segundo período descrito como de expansão das experiências de Orçamento Participativo, entre 2001 e 2004, é que se iniciam os OPs nas cidades estudadas, precisamente desde 2001, a partir do primeiro ano de gestão dos prefeitos do PT Newton Lima Neto, em São Carlos, e Edson Silva, ou “Edinho” como é mais conhecido, em Araraquara.
Possuindo prefeitos do PT e com a população entre 100 mil e 500 mil habitantes, estas cidades se inscrevem dentro do perfil da maioria dos municípios com OP no estado de São Paulo, como se pôde observar também nos dados sobre a expansão das iniciativas de OP anteriormente descritos (2001-2004).
O estudo dos casos de OP em São Carlos e Araraquara, com vistas à comparação de algumas dimensões das duas experiências, segue pela descrição do desenvolvimento de sua implementação entre os anos de 2001 e 2004, acrescentados alguns dados que se considere relevantes de anos posteriores, é produto da análise dos dados primários colhidos a partir de:
i) Documentos explicativos, produzidos pelos governos das duas cidades, sobre o processo participativo;
ii) Regimento Interno do Conselho do Orçamento Participativo (São Carlos) e Regimento Interno do Orçamento Participativo (Araraquara), nas versões de cada ano para os mesmos, entre 2001-2004;
iii) Levantamento das demandas deliberadas pelos dois OPs, junto aos órgãos do executivo municipal de Araraquara (na Coordenadoria de Participação Popular – CPP) e de São Carlos (Equipe do OP) diretamente ligados à dinâmica do processo participativo. E verificação das demandas que foram efetivadas pelos respectivos governos, o que se pesquisou também junto aos órgãos responsáveis no poder executivo das duas localidades;
iv) Atas do COP, do Fórum de Delegados, das plenárias regionais e das plenárias temáticas (nos anos em que estas ocorreram) de cada cidade entre 2001 e 2004;
v) Dados do Cadastramento Único e do número de famílias beneficiadas pelo programa federal de transferência de renda “Bolsa Família”, em São Carlos e Araraquara, atualizados em 2006, cedidos pelas prefeituras de cada uma das cidades, respectivamente por meio da Secretaria de Cidadania e Assistência Social e pela Secretaria de Inclusão Social e Cidadania;
vi) Observação participante em reuniões do COP – em São Carlos e Araraquara – e em plenárias regionais – apenas em São Carlos57; vii) Entrevistas semi-estruturadas com os agentes do executivo
responsáveis pela coordenação do OP de São Carlos – com o coordenador da Equipe do OP – e do OP de Araraquara – com o coordenador da Coordenadoria de Participação Popular (CPP) e dois membros de sua equipe; e
viii) Entrevistas a partir de questionário fechado (estruturadas), com dez (10) conselheiros e três (3) delegados do OP em São Carlos e quatorze (14) conselheiros do OP em Araraquara58.
57 Como a pesquisa de campo ocorreu em 2005 e 2006, a observação participante não capta diretamente a dinâmica do período 2001-2004, mas nos dá apontamentos para a sua compreensão. 58 O questionário está disponível no Anexo 4. É necessária uma ressalva sobre a utilização destas entrevistas, pois a dificuldade na aplicação das entrevistas estruturadas se transformou num problema metodológico para seu aproveitamento à pesquisa. A intenção original era realizar entrevistas com participantes, conselheiros e delegados que passaram pelo processo do OP em Araraquara e em São Carlos no período de 2001 até 2004, com a possibilidade de traçar um perfil do participante das instâncias intermediárias (COP e Fórum de Delegados em São Carlos e Araraquara) e recolher um número significativo de impressões destes sobre o processo do OP em cada cidade. Iniciados os contatos e as primeiras entrevistas, nos demos conta da dificuldade objetiva em cumprir o que estava estabelecido como intenção inicial, mas não abrimos mão das entrevistas já feitas e buscamos novas entrevistas com conselheiros e/ou delegados do OP, das duas cidades, até que o mínimo de um entrevistado(a) por cada diferente região (13 em São Carlos e 8 em Araraquara), e um por “temática” do OP, apenas em Araraquara (ou seja, mais 6 para esta cidade) fosse completado. Obviamente não há representatividade estatística possível a partir deste número reduzido de entrevistas, para que se possa fazer um perfil do participante “típico” das instâncias intermediárias do OP entre 2001 e 2004 nos dois casos. Porém, tanto as respostas diretas às perguntas do questionário fechado, quanto, e até bem mais, os comentários e proposições sobre o OP dos entrevistados, que não estavam previstas no questionário inicial, mas foram anotadas em caderno de campo, nos pareceram fundamentais como apontamentos da perspectiva dos atores da sociedade civil mais diretamente envolvidos no processo participativo, o que nos fez considerar tais entrevistas ainda como fontes relevantes desta pesquisa.
São fundamentais também para a análise adiante dados secundários colhidos principalmente das seguintes fontes:
i) Estudos já realizados e a que tivemos acesso sobre estas experiências de OP (SAKITA, 2005; MARINO JÚNIOR, 2005; e MORTATTI, 2006) e sobre a história político-institucional dos dois municípios (KERBAUY, 1992; OLIVEIRA, A., 1998; e MARRARA, 1998);
ii) Tribunal de Contas do Estado de São Paulo59;
iii) Fórum Nacional de Participação Popular (FNPP) e Fórum Paulista de Participação Popular (FPPP); e
iv) Instituto Pólis.
Retomando as questões apresentadas no início deste trabalho e o exposto no capítulo anterior sobre a orientação analítica desta investigação, é necessário destacar que se segue daqui principalmente pela análise das variáveis: desenho institucional,
vontade política e capacidade de investimento, retiradas da abordagem sintetizada em
Avritzer (2003), com as observações críticas e adaptações discutidas também no capítulo precedente. A partir destas variáveis busca-se responder com o estudo dos casos de São Carlos e Araraquara:
i) Como se desenvolve o processo participativo institucionalizado nas duas experiências de OP, por meio da descrição de seus desenhos, da participação nos mesmos e de sua capacidade para efetivar as demandas priorizadas no processo participativo entre os anos de 2001 e 2004; além de, subsidiariamente:
ii) Observar indicativos destes como política de redistribuição, ou seja, em que medida ocorre a distribuição dos recursos de investimento,
59 Vistos nos aspectos econômico-finaceiros de São Carlos e Araraquara, nos exercícios de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 no sítio <www.tce.sp.gov.br>. Com a ressalva de que estes dados, apesar de públicos, ainda estão em processo de confirmação no TCE – SP.
decididos a partir destes OPs, para as áreas dos dois municípios onde reside o maior número de suas famílias pobres60; e
iii) Procurar se estes OPs, e como isso ocorre, incorporam os atores subalternizados – negros(as), mulheres e os mais pobres – a partir de suas demandas, construindo uma política de reconhecimento da
diferença no processo participativo.