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1. GİTAR AİLESİ ÜST YÜZEY İŞLEMLERİ

1.5. Tamamının Sistirelenmesi ve İnce Zımparasının Yapılması

A escola tem diretora que é efetiva no cargo, a vice-diretora que está na função há dois anos e é professora efetiva da escola, a professora coordenadora foi indicada pela diretora e cuida da parte pedagógica do trabalho escolar. As três são unidas, fazem o discurso da Secretaria da Educação, cumprem rigorosamente o que Secretaria da Educação determina, uma vez que sofrem pressões advindas da Diretoria de Ensino que, por sua vez, tem de prestar contas à Secretaria da Educação (SEE).

A equipe gestora é enfática nas suas ações: sabem o que fazem, são determinadas, dada a convicção com que defendem seus argumentos, embasados na legislação. As três são presentes na escola, cumprem com rigor seus turnos de trabalho, primam por uma exigência de ordem e limpeza, apesar de algumas falhas, como por exemplo, não conseguem enxergar os latões sujos e os panos de limpar o chão estendidos no local onde as crianças fazem as refeições.

A escola é um campo de “condutas sociais”, sendo assim, é pertinente fazer referência à “noção de experiência” que Dubet (1994, p. 15) apresenta quando trata essas condutas sociais, para fazer uma relação com o interior da escola pesquisada e com o modo como os atores criam estratégias para enfrentar os problemas. Estes problemas emergiram durante a pesquisa e dizem respeito, principalmente, às questões de ensino e aprendizagem. Como a escola recorre aos rótulos, às profecias, à questão do dom e naturaliza os resultados, atribuindo a culpa à criança, à pobreza, aos pais, isenta-se de qualquer responsabilidade. Ora é porque a criança é imatura, ora é porque “ele é preguiçosinho”, ora é porque os pais não se importam com seus filhos.

A universalização do ensino básico, que se efetiva no século XX – era dos direitos – trouxe uma certa emergência da organização para incluir um grupo que sempre fora

historicamente marginalizado. A dívida social5 deveria ser paga, concordando com as reivindicações da sociedade; não dava mais para escamotear as denúncias de que a sociedade era injusta para a maioria desfavorecida economicamente. Portanto o improviso, a emergência foram acionados para acolher essa população desafortunada principalmente do ponto de vista cultural.

A equipe gestora converte seu fazer diário em ações que segundo elas, têm respaldo da lei que legitima esse fazer, tornando-as inquestionáveis. Isso serve para os demais funcionários, que criam mecanismos para justificar seus atos. Mas nem por isso a equipe está isenta de cometer infrações. Dessa união resulta o perfil da escola. Cumprem com rigor o que a Secretaria da Educação determina, mas sabem fazer seus arranjos que culminam em atender a todos e têm como lema: “não vamos causar polêmicas”. Por exemplo, quanto ao pessoal de apoio, representados pelas merendeiras, faxineiras, agentes escolares que são o “braço direito da diretora”. Considerando a Lei 10.261 de 28 de outubro de 1068, com alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 942/2003 que dispõe sobre o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de São Paulo, quanto a proibições, temos:

Artigo 242 – Ao funcionário público é proibido:

VII – exercer comércio entre os companheiros de serviço, promover ou subscrever listas de donativos dentro da repartição.

5 A dívida social é um conceito que historicamente foi se estruturando. Segundo Milton Santos (2003, p. 69), há

diferença no uso das expressões dívida social e pobreza nesses cinqüenta anos. Há três formas de pobreza e, paralelamente, três formas de dívida social, no último meio século. 1) Pobreza Incluída – pobreza acidental, às vezes residual ou sazonal, produzida em certos momentos do ano, uma pobreza intersticial e, sobretudo, sem vasos comunicantes. 2) A pobreza chamada de Doença da Civilização ou Marginalidade. Tal pobreza era produzida pelo processo econômico da divisão do trabalho, internacional ou interna. Admite-se que poderia ser corrigida o que era buscado pelas mãos dos governos. 3) A Pobreza Estrutural que do ponto de vista moral e político equivale a uma dívida social. Ela é estrutural e não mais local, nem mesmo nacional; torna-se globalizada, presente em toda parte do mundo. Há uma disseminação planetária e uma produção globalizada da pobreza, ainda que esteja mais presente nos países mais pobres.

No entanto esses agentes – as faxineiras, as merendeiras e as agentes escolares – exercem o livre comércio e a equipe gestora faz de conta que não vê. Este é um tipo de arranjo não questionado por ninguém, justificado porque essas funcionárias precisam melhorar o orçamento, são muito necessitadas financeiramente.

Voltando à “noção de experiência” (que é a experiência social) esta, segundo Dubet (1994, p. 94) surge no contexto de uma sociedade que não está mais representada por uma visão clássica. Nesta visão clássica, a organização primava por ser homogênea, o desenrolar dos atos eram previstos e cada um ocupava o seu espaço, determinado socialmente. Esta visão é inadequada para explicar esta sociedade do século XXI, que se caracteriza pela complexidade das ações. Agora, os atores são obrigados a gerir simultaneamente várias lógicas da ação que remetem para diversas lógicas do sistema social, que não é já um sistema, mas a co-presença de sistemas estruturados por princípios autônomos” (Dubet. 1994, p. 94). A experiência social pela sua natureza, possibilita a atividade dos indivíduos, uma visão crítica e uma distância em relação a si mesma.

Por isso a naturalização dos fatos, como, por exemplo, uma criança chegar a 4ª série sem saber ler e a escola não se mobilizar suficientemente, não esgotando suas possibilidades de tirar a criança dessa condição. Essa questão se torna banal, dada a heterogeneidade social na qual a escola está mergulhada. O problema se dissolve, não tocando os indivíduos que mergulhados nessa trama buscam respostas imediatas, que façam prevalecer sempre um clima de pretensa ordem e harmonia, onde tudo está bem porque “nós cumprimos o que a lei

determina” (depoimento da diretora). Ainda, essa “lógica da ação” se dissolve na

heterogeneidade permitindo que os indivíduos sejam estigmatizados, banalizando a violência qualquer que seja sua dimensão, desde chamar uma criança de “preguiçozinho” atribuindo- lhe a culpa por não aprender.

Benzer Belgeler