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1.11. Tam Porselen Sistemler

1.11.1. Tam Porselen Sistemlerin Sınıflandırılması

Blogs foram utilizados como ferramentas de comunicação entre os participantes ao longo dos cursos e puderam ser considerados como fontes de evidências sobre a percepção dos participantes do processo, dado que “são uma forma popular de auto-relato e auto-reflexão”. (KAUN, 2010, p. 134). De acordo com Hookway (2008, p. 92), um blog é:

[...] um site que contém uma série de postagens atualizadas com frequência, em ordem cronológica inversa, em uma página web comum, geralmente escrita por um único autor (Bar-Ilan, de 2005;Herring et al, 2005;. Serfarty, 2004). Blogs são caracterizados por publicações instantâneas de textos/gráficos, um sistema de arquivo organizados por data e um mecanismo de feedback em que os leitores podem "comentar" postagens específicas. Blogs são normalmente alojados por programas de software que permitem aos usuários de baixa competência técnica apresentar material on-line atrativo e atualizado regularmente (Thelwall e Wouters, 2005).

Os blogs também foram utilizados nesta pesquisa como fonte de evidência em função de um conjunto de características próprias deste meio. Primeiro, a característica de os blogs serem arquivados “os torna passíveis de exame de processos sociais ao longo do tempo, [...] para lançar luz sobre os processos sociais no espaço e no tempo [...]” (HOOKWAY, 2008, p. 93).

Ademais, “como a maioria das estratégias de investigação online, eles também permitem o acesso às populações geograficamente ou socialmente retiradas do pesquisador (Hessler et al, 2003;. Mann e Stewart, 2000).” (HOOKWAY, 2008, p. 93).

Essas características foram fundamentais para a viabilização desta pesquisa, uma vez que o fenômeno estudado, no contexto brasileiro, apresentou limitações próprias.

Obteve-se acesso a relativamente poucos casos, de curta duração, e relativamente pouco recentes, ocorrendo entre 2007 e 2011, com prevalência nos anos de 2007, 2008 e 2009, portanto alguns casos já ocorreram há mais de 4 anos, havendo a possibilidade de a pesquisa, de outra forma, poder apenas contar com a memória dos envolvidos.

Some-se a isso o fato de que as características da tecnologia utilizada, que viabilizava a participação de indivíduos geograficamente dispersos, e a indisponibilidade de acesso aos envolvidos, dificultaram a utilização de técnicas como entrevista ou mesmo o envio de questionários.

Portanto, seguiu-se com a utilização dos blogs, os quais foram analisados como se fossem diários, pois:

[...] eles capturam um “presente em constante mudança” (Elliott, 1997: 3), onde existe uma união forte entre a experiência cotidiana e o registro dessa experiência (Toms e Duff, 2002). Esta proximidade entre evento e registro significa que os diários são menos suscetíveis a problemas de perda de memória e reconstrução retrospectiva do que entrevistas e grupos focais (Verbrugge, 1980). (HOOKWAY, 2008, p. 95).

No entanto, apesar de serem textuais, assim como os diários de papel, os blogs são tipicamente escritos para um público implícito ou explícito. E é esta presença potencial de um público e sua proximidade aos autores que é uma das principais diferenças dos blogs das formas tradicionais de diário pessoal, além do fato de permitirem o diálogo e até mesmo coprodução entre autores e leitores. (HOOKWAY, 2008).

Portanto, “[...] os cientistas sociais têm usado diários como uma técnica de coleta de dados sobre a vida cotidiana e como meio de compreensão dos atores sociais, como observadores e informantes da vida social (Toms e Duff, 2002:1233).” (HOOKWAY, 2008, p. 95).

Hookway (2008) propõe que existem diários não solicitados que são mantidos espontaneamente pelos entrevistados e solicitados que são criados e mantidos a pedido de um pesquisador.

Já Bolger, Davis e Rafaeli (2003) distinguem entre diários baseados em tempo que seguem agendas fixas ou variáveis definidas pelo pesquisador com base nos objetivos e questões de pesquisa e diários baseados em eventos que são mantidos durante ou depois que certas circunstâncias acontecem, por exemplo, depois de uma grande perda como a de parentes próximos.

Nesta pesquisa foi assumida a tipologia proposta por Hookway (2008) e, dentro dela, adequaram-se os blogs estudados ao tipo de diário não solicitado, dado que se tratavam de uma forma de “diários de classe” onde o professor fazia as anotações e permitia aos alunos comentarem sobre as aulas. A utilização dessa

fonte de evidência permitiu não só ter acesso à percepção dos professores, mas também dos alunos que participaram do processo.

O segundo passo foi realizar entrevistas focais, com participantes do Caso 3, conduzidas de forma espontânea e assumindo o caráter de uma conversa informal, mas seguindo um conjunto de perguntas pré-estabelecidas (YIN, 2001). O roteiro de entrevista, construído a partir dos constructos apresentados no modelo geral desta pesquisa é apresentado no Apêndice A.

Deve-se destacar que entre o envio do e-mail aos alunos para participação na pesquisa e a realização das entrevistas, alguns alunos responderam sobre o aceite e incluíram espontaneamente, nesse e-mail resposta, suas impressões pessoais sobre o curso. Esses e-mails foram considerados junto às entrevistas como fontes de evidências.

Além de dados das entrevistas focais e dos blogs, obteve-se dados que auxiliaram na caracterização dos casos estudados a partir de uma entrevista com o professor responsável pelo curso do Caso 1, o blog do curso do Caso 1, apenas o blog do curso no Caso 2, e observação participante, entrevistas e e-mails no Caso 3. É importante destacar que, no que diz respeito à dimensão ética desta pesquisa, buscou-se a participação voluntária dos participantes, por meio da troca de e-mails informais que solicitavam a participação dos professores e alunos do curso em entrevistas, e formalmente, por um e-mail, na forma de um termo de consentimento informado de participação no curso (Apêndice B), gerado com base em uma consulta aos alunos do Caso 3.

Ainda, considerando que muitos dados, como o dos blogs, foram coletados em páginas públicas na Internet, buscou-se apresentar os dados de uma forma que garantisse o anonimato dos participantes e dificultasse sua rastreabilidade, como sugerido por Beaulieu e Estalella (2009).

Quanto aos procedimentos, dada a dispersão geográfica dos participantes, as entrevistas foram realizadas online, utilizando ferramentas de chat de texto, como o Messenger, o mundo virtual Second Life, e ainda e-mails, sendo as entrevistas gravadas e transcritas, quando necessário.

Os blogs foram transformados em arquivos em formato pdf, para armazenamento e posterior análise com o auxílio dos softwares ATLAS.ti e UCINET, utilizando técnicas de análise de conteúdo e escalonamento multidimensional.

Benzer Belgeler