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A doutrina do humanismo social busca integrar o homem ao Estado e vem sofrendo inversões, pois entre o indivíduo e o poder político existem grupos naturais, tal qual a família, que estão intrinsecamente relacionados ao conceito de

comunidade, no entanto, estas transformações sócio-econômicas vem conduzindo a comunidade, essencialmente natural, a um artificialismo concentrado na sociedade internacional. Ecoa as palavras de Rousseau, segundo o qual ''o homem nasce livre e em toda parte se acha aprisionado''. 309

Pode-se verificar isto, com a prisão que a sociedade impõe através de uma codificação nacional e internacional, por intermédio da soberania, aos seus cidadãos, especialmente como decorrência da polêmica, mas necessária, globalização. Com o progresso da humanidade a comunidade passou a se relacionar mais, surgindo a sociedade e a globalização, e tudo o que está subjacente a estes pacificando a coexistência internacional.

Os Estados começaram a relacionar-se entre si, assim, as ciências jurídicas logo criaram tratados, convenções, princípios, para regularem esta convivência e as diversas relações existentes entre as sociedade formando uma autêntica sociedade

internacional tal como hoje, agrupada em blocos fundamentalmente, econômicos,

NAFTA, MERCOSUL, CEE, sobrepondo as relações comerciais aos valores culturais, sociais, ambientais das Nações em transcendência ao conceito de povo, como já dizia Emmanuel Joseph Sieyès, em seu clássico "Qu’est-ce que le tiers état?" .310

O mundo está vivendo revezes, justamente por desprestigiar sua natureza e seus conceitos primordiais, anteriormente alicerçados na arcaica comunidade, razão pela qual, fez-se necessária a implantação de uma comunidade internacional para motivar os valores ora relegados.

Nesse sentido, a Constituição brasileira de 1988, em seu artigo 4º, parágrafo único, ensejou a formação de uma Comunidade Latino-Americana de Nações, arrolou princípios de relações internacionais que serviriam como norte para a realização deste objetivo visto ser, no aspecto técnico, a principiologia adequada para as relações com o mundo exterior, mas que, infelizmente, não logrou êxito no âmago do seu escopo.

309 Jean Jacques Rousseau. In: Do Contrato Social. São Paulo Hemus, 1981. 310

Explicamos melhor, a estrutura descrita no artigo 4º, da Constituição Federal de certa forma, retardou à formação da ensejada Comunidade Latino-Americana de Nações, pois obstaculizou, com a axiologia exacerbada da soberania, a viabilização dos princípios que realmente promoveriam os anseios do referido parágrafo único do Texto Constitucional, uma vez que a formação de uma comunidade internacional exige dos Estados a cessão parcial de sua soberania, permitindo a interação de valores ético, morais e culturais, dentre outros humanísticos, se insiram no seio dos povos latinos, fomentando a junção dos povos numa única comunidade.

As diferenças culturais não são obstáculos, mas fatores de encontro, pois são sobre estas peculiaridades, específicas de cada Estado, que se forma uma sociedade comunitária que, motivados pelo laço existente desta relação harmoniosa conseguirá, com maior afinco, o desenvolvimento de outros setores como o econômico, político, além das áreas da ciência e tecnologia.

Raúl Bernal-Meza aponta que o sistema internacional contemporâneo sofreu transformações enormes nas últimas décadas, dentre elas, identifica quatro principais: a) a queda do bloco comunista de economias da planificação centralizada e do desmembramento da União Soviética, ao lado da transição destes países para uma economia de mercado; b) a unificação da econômia mundial por meio de um complexo multidimensional do processo de globalização, em um cenário internacional de forças assimétricas coexistem com forcas centrífugas de dispersão, fragmentação e crise, com centrípetas de entrelaçamento; c) o uso de um paradigma sócio-tecnológico que incluí novos modelos de produção científico-tecnológicos, situados em sistemas territoriais de inovação da especialização elevada para a geração de tecnologias digitais, de infra- estruturas e de redes de acesso universal, que está gerando um novo tipo de organização, denominada, sociedade da informação e; d) uma renovada tendência à formação de espaços regionais de comércio e investimentos com agendas de discussão inéditas pela variedade de temas e alcance das negociações , em uma dinâmica de regionalização do sistema internacional.311

311 “Las principales asimetrías se refieren a la altísima concentración del progreso técnico en los países

desarrollados y, em particular, a la ampliación de la brecha digital; la mayor vulnerabilidad macroeconómica de los países en desarrollo ante los shocks externos; y la asociada al contraste entre la movilidad de los capitales y la restricción al desplazamiento internacional de la mano de obra” In: BERNAL-MEZA, Raúl; SAHA, Suranjit K. Economía mundial y desarrollo regional. Buenos Aires: Nuevohacer/Grupo Editor Latinoamericano, 2005, pp.173-194.

Como visto, no final da década de 80, a guinada da América Latina em direção à democracia foi um processo contínuo e significativo. Em novembro de 1989, o Brasil realizou sua primeira eleição presidencial direta desde 1960 e o Chile, a primeira desde 1970. Essas eleições completaram o processo de democratização no continente e presidentes eleitos foram levados pelo voto popular ao poder em todos os países da América do Sul, pela primeira vez em sua história.312

As regras democráticas prevalecem hoje como tendência geral na América Latina, mas as democracias da região não estão consolidadas. Pelo contrário, correm sérios riscos de serem substituídas novamente por regimes autoritários em virtude de várias causas, como o agravamento da desigualdade e da miséria, que atinge progressivamente camadas cada vez mais amplas da população; tráfico de drogas e movimentos terroristas, que atuam intensamente na região; desmoralização dos poderes públicos executivo, legislativo e judiciário - e dos partidos políticos, em decorrência da freqüente denúncia e divulgação de casos de corrupção e tráfico de influência; reduzida participação da população nos acontecimentos políticos e no processo de desenvolvimento do país.

Na América Latina, a cooperação e a integração tem tido, historicamente, características distintas daquelas que se têm dado na Europa Ocidental, ou entre os Estados Unidos e o Canadá, posto que as metas que se perseguiam com estes instrumentos se relacionam diretamente com o desenvolvimento econômico.

Com efeito, a exigência de integração se sujeitava a certas insuficiências estruturais já identificadas na região em 1949 por Raúl Prebisch. De ali em diante, as análises da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, CEPAL, da qual Raúl Prebisch foi seu Primeiro Secretário, detectaram diversos fatores críticos presentes nos sistemas sócio-econômicos dos países latino-americanos, tais como, insuficiência na estrutura produtiva; escassa oferta de exportações; inadequados avanços na construção institucional, como por exemplo, de mecanismos financeiros de pagamentos; atraso e estancamento da economia rural junto a zona baixa

312 Como observa o Relatório de 1990 do Instituto Aspen: “Agora, o poder na América Latina é transferido de

modo rotineiro e pacífico de um presidente eleito a outro. Nos últimos anos, em países tão diversos como Argentina, Bolívia, República Dominicana, Equador, Peru e Uruguai, governos estabelecidos no poder cederam os cargos a adversários eleitos em alguns casos, pela primeira vez. Desde 1928 que um presidente democraticamente eleito não sucedia a outro na Argentina." In: MONTORO, André Franco. Perspectivas de

integração da América Latina. Boletim de Integração Latino –Americana, ILAM, n.15- outubro/dezembro São Paulo, 1994, p.47.

produtividades e excessivos latifúndios; ausência de uma base tecnológica endógena em setores dinâmicos; falta de mobilidade social; extrema desigualdade na distribuição de renda; pobreza; exclusão e forte fragmentação social; dentre outras.313

O conceito que resumia esta situação era a heterogeneidade estrutural, que juntamente a uma enorme dependência do setor externo e um desenvolvimento industrial débil, impossibilitava recuperar a deterioração existente entre o intercâmbio de produção e o sistema importador-exportador. Os países da região haviam se incorporado tardiamente a uma economia mundial dominada pelos setores industriais mais inovadores nos países centrais.314

A discussão sobre regionalização e integração na América Latina não é fenômeno recente. Desde o final da Segunda Guerra, esta temática esteve fortemente presente nos debates sobre a industrialização e desenvolvimento latino- americano, pois derivam de um processo histórico decorrente de diversas modificações a medida que o cenário econômico e político sofria alterações, se inseriam novos desafios ao processo integrador da região.

Além das contribuições da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe – CEPAL, importantes resultados a partir de processos de integração como a criação da Associação Latino-americana de Livre Comércio – ALALC (1960), Associação Latino-americana de Integração – ALADI (1980), Comunidade Andina das Nações – CAN (1969) e, mais recentemente, o Mercado Comum do Sul - MERCOSUL (1991) dentre outros.

O insucesso da ALALC, como primeira experiência consolidada de integração regional, é apontado por muitos como o símbolo do fracasso da idéia integracionista latino-americana naquele momento histórico. Este insucesso, entretanto, não deve ser visto como um fator que torna irrelevante o estudo da história da integração na região, muito menos como o final da idéia integracionista na América Latina. 315

313

Raúl Prebisch. Hacia una dinámica del desarrollo latinoamericano, p. 206.

314 Raúl Bernal-Meza; Gustavo Alberto Masera. El Retorno del Regionalismo.Aspectos Políticos y Económicos

en Los Procesos de Integración Internacional. Cadernos PROLAM/USP,ano 8 - vol. 1 - 2008, pp. 173 - 198.

315 “Além da importância das dificuldades surgidas com a ALALC, torna-se necessário entender as implicações

dessa tentativa e seus desdobramentos. A Comunidade Andina das Nações surge justamente como decorrência destas dificuldades e, apresenta, pelo menos na tentativa, uma forma mais sofisticada e homogênea de formação de bloco.” In: BRAGA, Marcio Bobik; PINTO, Hugo Eduardo Meza. A lógica do regionalismo na América Latina e a Comunidade Andina das Nações. In: BIELSCHOWSKY, Ricardo (org.). Cinqüenta Anos de

Para Carlos Roberto Husek, a regionalização ocorre como um caminho natural da era do globalismo. Os Estados se unem para a defesa de seus interesses, propiciam novas oportunidades aos seus nacionais, que acabam ampliando suas possibilidades profissionais, sociais, culturais e econômicas e se impõe com outra roupagem, como novos interlocutores no mundo globalizado.316

A regionalização, em sua relação com a dinâmica de globalização pode ser analisada sob duas perspectivas, de uma banda, a que considera que elas sejam dois processos simultâneos no comércio, no investimento e no desenvolvimento tecnológico, apesar de se distinguirem por sua natureza, visto que a regionalização é um projeto político-econômico essencialmente interestatal e a globalização é um processo socialmente complexo e multidimensional. 317

Sendo assim, há quem afirme que o curso da economia mundial tende a dois processos paralelos, embora por momentos possam ter trajetórias coincidentes, como os motores da integração global, ou talvez oposto, globalização versus

regionalização.

De outra banda, há quem as examine como processos derivados casualmente, isto é, que um gera ou é princípio do outro. Esta última diferenciação tem, por sua vez, duas possibilidades de leitura. 318

A primeira, onde a formação das regiões seria um corolário ou uma conseqüência da globalização crescente. A favor deste ponto, se considera que a globalização não tem gerado, até agora, um mundo em que as nações interagem muito igualitariamente umas com as outras, mas que, a atividade econômica, embora pareça mais dispersada, está se concentrando cada vez mais nas três grandes regiões continentais, América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico.

A segunda, onde o surgimento de regiões internacionais constituiria uma realidade antecedente a globalização. A articulação progressiva dos espaços e dos blocos formaria uma trama complexa dos espaços da cooperação e a integração, que permitiria impulsionar o desenvolvimento mundial.

316

Carlos Roberto Husek. Curso de direito internacional público, p. 210

317 Andrew Hurrell. Regionalismo en las Américas. In: LOWENTHAL, Abraham; TREVERTON, Gregory

(Comps.). América Latina en un MundoNuevo, México D.F., Fondo de Cultura Económica, 1994, pp. 199-226.

318 Osvaldo Sunkel. Las relaciones centro-periferia y la transnacionalización.Pensamiento Iberoamericano.

Se os movimentos para a globalização e a regionalização forem simultâneos, é quase inevitável o surgimento de tensões, pois os agrupamentos regionais limitam a globalização absoluta da economia mundial. Este conflito estaria afetando a continuidade e a implantação de um sistema internacional de comércio eficiente, aberto e equitativo e, obviamente, mais multilateral.319

De fato, a crise da atual rodada das negociações de Doha, daria a evidência como para que a deflexão do comércio, o protecionismo vigente em certos setores e a consolidação de áreas do comércio discriminatórias estaria ameaçando a continuidade do sistema multilateral.320

Por outro lado se a regionalização é um corolário da globalização da economia mundial, desde uma perspectiva centrada nos problemas da America Latina, a formação de espaços de integração e a cooperação poderiam representar uma estratégia coadjuvante das políticas de desenvolvimento 321

Marie-Claude Smoutts, professora da Universidade de Paris afirma que a integração regional pode ser analisada sob a aproximação dos ganhos derivados da formação de um espaço regional: a) a potencial cooperação nos planos e dimensões do sistema social, político, tecnológico, cultural e industrial entre os países membros do acordo; b) a linha estratégica fundamental para uma inserção competitiva dos países na economia internacional; c) a transformação das sociedades após um modelo de desenvolvimento e crescimento; d) a coordenação de posições da economia política nos fóruns internacionais, ao lado dos outros membros do acordo; e) a criação de um espaço defensivo, tanto no plano econômico quanto na dimensão política e cultural, frente aos avanços de atores mais poderosos.322

Pelo exposto, concluímos que a ligação entre globalização e regionalização nos permite compreender a estrutura do sistema internacional sob uma perspectiva temporal da expansão do capitalismo global e que as transformações recentes estão desenvolvendo uma poderosa teia de integração regional entre os países.323

319

Jacques Adda. La mondialisation de l’ économie, s/n.

320 “Rodada de Doha fracassa após sete anos de negociações” Fonte: EFE de Madrid. Editorial Jornal Folha de

São Paulo. 29/07/08

321

Raúl Bernal-Meza; Suranjit K Saha. Economía mundial y desarrollo regional, pp.173-194.

322 Marie-Claude Smouts. Les nouvelles relations internationals. Pratiques et théories, p. 414.

323 Raúl Bernal-Meza. Globalización, regionalización y orden mundial: los nuevos marcos de inserción de los

países en desarrollo. In: RAPOPORT, Mario (Ed.). Globalización, integración e identidad nacional. Análisis comparado Argentina- Canadá. Buenos Aires: Grupo Editor Latinoamericano, 1994, pp. 45-65.

O CEPAL- Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, elaborou um estudo sob uma visão de conjunto da estrutura e da economia mundial sustentada na identificação de duas áreas vinculadas assimetricamente: o centro e a periferia da América Latina.

A partir desta morfologia, Raúl Prebisch formulou sua teoria do “Intercâmbio Desigual”, que passaria a ser um dos fundamentos específicos das políticas orientadoras a impulsionar o processo da integração, mediante incentivo do desenvolvimento social, cultural, adequações jurídicas, legais e alfandegárias, substituição das importações, crescimento industrial da região combinado com o aumento das exportações e a participação no comércio internacional.324 A idéia central é que através da implementação de políticas de cooperação regional se possa modificar situações estruturais de subdesenvolvimento.

Celso Furtado afirma que uma das principais vantagens de um espaço integrado recai sobre, o que ele chama de economias de aglomeração. Embora reconheça haver uma coordenação ampla, sobre os prismas nacionais e regionais das políticas de investimentos, fiscais, salários e preços, para evitar a tendência à concentração geográfica e, conseqüentemente, a desigualdade dos benefícios e dos esforços da acumulação.325

Se levarmos em conta o marco da interpretação geral que nos oferece a disciplina das relações internacionais, podemos afirmar que o regionalismo na América Latina oscilou historicamente entre dois pólos: por um lado, mediante o desenvolvimento de integração “intra-latinoamericano” sem a presença dos Estados Unidos e por outro lado, com o estabelecimento dos espaços da cooperação sob o égide norte-americana, desde o “panamericanismo” do século XIX ao projeto ALCA do final do século XX.

A área de livre comércio das Américas, ALCA, desde o seu lançamento em 1994, representava uma nova versão do modelo de dominação hegemônica dos Estados Unidos no hemisfério, não somente porque incluiu em sua agenda questões que foram além das comerciais - como investimentos, serviços, acesso aos mercados, etc. - mas porque sua efetiva constituição poderia trazer conseqüências

324 Juan Ayza; Gerardo Fichet; Norberto Gonzalez. América Latina: integración económica y sustitución de

importaciones, p. 232.

325

profundas para os países latinoamericanos. Poderia ter significado, por exemplo, dado ao nível das assimetrias e ao caráter desigual dos interesses em jogo, o fim dos esquemas subregionais, como o MERCOSUL.

A ALCA personificou para os Estados Unidos um instrumento de sua estratégia global e segurança nacional, porque tinha sido constituído pelo bloco mais importante do mundo enquanto cifras econômicas, demográficas, etc. Ademais, a ALCA teria possibilitado, dentre outros fatores, a melhoraria de seu posicionamento de negociador na OMC e contido a presença da União Européia e dos tigres asiáticos na região.326

O surgimento do regionalismo latino americano, segundo Andrew Hurrell, pode ser analisado sobre três enfoques, quais sejam, competência política e

mercantilista do poder; fatores de interdependência e fatores internos.327

Neste contexto, esclarece que a “competência política mercantilista do poder”, segundo o enfoque do regionalismo é uma resposta as pressões sistêmicas exercidas por uma determinada configuração de forças internacionais e a competição exercida por aqueles grupos de países rivais, com ou sem a presença de uma potência hegemônica, que acumule o poder.

Esta aproximação é denominada “regionalização estratégica” e pode ser avaliada, por exemplo, nos termos da participação nos mercados, regras de paz, políticas públicas comuns, direitos humanos e meio ambiente.328

Sob este enfoque, no tocante aos “fatores da interdependência”, o regionalismo surge como resposta funcional aos problemas criados pelos laços de interdependência assimétrica e vertical, por conter países do hemisfério norte e sul, como por exemplo, ocorre no NAFTA, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte e a relação entre os Estados Unidos e o México.

Por sua vez, os “fatores internos” seguem também nesta perspectiva, o movimento para o regionalismo põe em relevância os elementos comuns dos países que participam do esquema da integração e cooperação regional, como é o caso,

326 Raúl Bernal-Meza; Gustavo Masera. Desarrollo regional en el nuevo contexto global: una perspectiva o

estructuralista desde la periferia En: BERNAL-MEZA, Raúl; SAHA, Suranjit K. Economía mundial y desarrollo

regional. Buenos Aires: Nuevohacer/Grupo Editor Latinoamericano, 2005, pp. 173-194.

327 Andrew Hurrell. Regionalismo en las Américas. In: LOWENTHAL, Abraham; TREVERTON, Gregory

(Comps.). América Latina en un MundoNuevo, México D.F., Fondo de Cultura Económica, 1994, pp. 199-226.

328

por exemplo, da homogeneidade étnica e lingüística, fatores que reforçam o sentido da identidade de uma região e permitem atuar como ator unitário na obtenção de certas metas e plataforma de promoção dos interesses comuns.329

Conforme Samir Amin, a trajetória histórica da integração regional na América Latina, desde a ALALC ao MERCOSUL, nos mostra uma dificuldade inerente em gerar espaços econômicos ampliados dentro da estrutura de poder subjacente na economia mundial. O regionalismo nos tem revelado, em outro patamar, a especificidade de estruturas sócio econômicas da periferia e as limitações políticas, econômicas, sociais, culturais que derivam da integração e das condições de subdesenvolvimento.330

A reprodução das estruturas centro-periféricas no interior dos blocos junto com a assimetria do desenvolvimento desigual das regiões é também uma amostra deste. Segundo Samir Amin há, portanto, de se levar em conta a afirmação de que

(...) as periferias dinâmicas continuarão sendo periferias, é dizer, sociedades atravessadas por todas as principais contradições produzidas pela justaposição de enclaves modernizados, cercada por um oceano pouco modernizado. 331

Pois bem, certo está que o regionalismo é um elemento chave da nova ordem econômica internacional surgida após a Segunda Guerra mundial, no qual, os países que compartilham de um espaço regional são unidos para obter uma melhor capacidade de negociação internacional, competitividade nos mercados mundiais e, potencialmente, para alcançar alguns objetivos mediante a coordenação dos esforços nos fóruns internacionais, dentre os quais, a atração dos investimentos e desenvolvimento de projetos industriais e tecnológicos conjuntos.

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