3. BUHAR KAZANI KONTROL YAPILARI
3.2 Yanma Kontrolü ve Teknikleri
3.2.3 Tam-ölçümlü, çapraz-limitli kontrol
Os textos da V Conferência, realizada em 2007, em Aparecida, mostram que quase nada mudou com relação à situação das mulheres, ou seja, a sua presença permanece como aquela fora das esferas de decisão, ou seja, marcando a continuidade do binômio laicato- hierarquia. Inicialmente, no texto ficava apontado apenas o desejo de acompanhar pastoralmente as pessoas em suas diferentes condições de gênero e faixas etárias: crianças, jovens, idosos, mulheres e homens, fomentando o cuidado com o meio ambiente, como casa comum.204 Depois de alguns acertos foi alterado o texto e as mulheres aparecem com uma outra preocupação: o lugar que desejam ocupar na Igreja.
APARECIDA conservou algumas tradições que foram abertas em Medellín, contudo modificou maneiras de compreender alguns matizes teológicos, tais como libertação, pobres e
203 FRANCISCO TABORDA. Item no 104. O ministério pascal das mulheres. Em Cristo, plenitude dos tempos, a igualdade e complementaridade com que o homem e a mulher foram criados (cf. Gn 1,27) se faz possível, “já que não há varão nem
mulher, porque todos somos um em Cristo Jesus” (Gl 3,26-29). Jesus acolheu as mulheres, lhes devolveu a dignidade e lhes
confiou, depois de sua ressurreição, o ministério de anunciá-lo (cf. MD 16). Em Cristo, plenitude dos tempos, a igualdade e complementaridade com que o homem e a mulher foram criados (cf. Gn 1,27) se faz possível “já que não há homem nem
mulher, já que todos somos um em Cristo Jesus” (Gl 3,26-29). Jesus acolheu as mulheres, lhes devolveu a dignidade e lhes
confiou, depois de sua ressurreição, a missão de anunciá-lo (cf. Mulieris Dignitatem 16).A substituição de “varão” por “homem” poderia ser considerada como estilística. Enfim, na linguagem cotidiana, é mais comum falar-se em “homem” do que em “varão”, mesmo que “homem” não seja o termo específico para o representante do ser humano de sexo masculino. As traduções do NT também preferem muitas vezes essa versão da passagem, certamente por ser a forma mais comum de falar. Mas em si é menos fiel ao original do NT. O termo grego ársen empregado aí deveria ser traduzido literalmente por macho, como o termo thelys, por fêmea21. A tradução adotada no texto original permanecia, pois, mais próxima ao grego do NT e
chamava mais a atenção à diferença de gênero. A troca de “ministério” por “missão” no contexto do discurso sobre a mulher leva à suspeita de que se quer evitar o termo “ministério”, referindo-se a mulheres. Tendo em vista que se tratava de um “ministério” confiado pelo próprio Ressuscitado, isso poderia suscitar a discussão sobre a ordenação de mulheres. “Missão” é um termo mais genérico e pode ser atribuído aos leigos. Se a suspeita é correta, o texto oficial foi nesse ponto mais “cuidadoso” que o Papa. No texto papal referido como fundamentação do que foi afirmado, não existe semelhante preocupação. Pelo contrário, o papa chega a chamar Maria Madalena de “apóstola dos apóstolos”, citando a significativa expressão de Hrabanus Maurus22. 105a As mulheres na pastoral. A Nova Evangelização deve ser promotora decidida e ativa
da dignificação da mulher; isto supõe revisar também o papel da mulher na Igreja e na pastoral.A Nova Evangelização deve ser promotora decidida e ativa da dignificação da mulher; isto supõe aprofundar o papel da mulher na Igreja e na sociedade. O mesmo cuidado que se suspeita tenha levado à modificação anterior, poderá ter propiciado as três mudanças deste parágrafo. Não se quer “revisar” o papel da mulher, pois isso poderia levar a conseqüências mais profundas. “Revisar” é um verbo prático, de conversão. O verbo “aprofundar” dá a ilusão de dizer muito, mas pode limitar-se ao plano teórico. O texto original insistia muito enfaticamente no problema intra-eclesial. Para promover a dignificação da mulher é preciso “revisar
também” seu papel na Igreja, não só na sociedade.
outras tendências que pudessem interferir nas questões sociais. Isso já vinha ocorrendo desde Puebla e ficou mais evidente em Santo Domingo. Utilizou-se verbalmente a expressão “opção preferencial pelos pobres”, mas foi feita de tal forma que em alguns textos foi até ocultada a palavra “preferencial”. Esses e outros fatos da Conferência demonstram que a Igreja Católica se esqueceu de pistas para suas atividades concretas, as pastorais, principalmente aquelas relacionadas aos campos sociais, políticos e ideológicos. Mas os pobres ganharam o seu “rosto” nos textos da conferência205, que não aconteceu com as mulheres.
Questões relativas aos aspectos sociais da Igreja ganharam outras adjetivações no texto conclusivo e algumas temáticas como sexualidade e ministério presbiteral unicamente para homens celibatários ficaram reservadas, o que demonstra que não podendo ser discutidas, essas situações são entraves para o avanço da Igreja.
Em decorrência dessas e de outras negações, as questões relativas às mulheres também ficaram reduzidas, muito embora, com todo machismo que já é peculiar no âmbito eclesial, a temática tenha avançado quanto ao texto de Santo Domingo. Mas, nada caracterizou avanço no sentido de decisão de governo, pois o texto deixa clara a irrelevância e a falta de respeito com a mulher, a qual deve estar presente no espaço destinado ao laicato, ou seja, distante da situação da sociedade moderna onde as mulheres estão ganhando cada vez mais espaços de decisão; na Igreja, ainda elas não podem estar junto aos homens nas esferas de poder decisórios. A temática demonstra que a Conferência não tratou da situação das mulheres como deveria. LIBÂNIO diz:
O grave problema do ministério presbiteral reservado a homens celibatários não teve clima para ser debatido, embora seja um dos maiores empecilhos para a evangelização no Continente. Em relação a Santo Domingo, o parágrafo sobre a dignidade e participação das mulheres trouxe um avanço. Além dos conhecidos ditos de rejeição de todo machismo e da exploração da mulher sob muitas formas, o documento propõe “garantir a efetiva presença da mulher nos ministérios que na Igreja são confiados aos leigos, assim como também nas instâncias de planificação e decisão pastorais, valorizando sua contribuição (n. 458b)”. No entanto, na Igreja Católica, ainda estamos muito distantes da cultura atual em relação aos direitos, à dignidade, à relevância da mulher na sociedade206
Como desde o texto preparatório da última conferência já demonstrava uma insistência no aspecto da catolicidade-romana como único objeto de salvação na teologia, ficou difícil pensar como debater e avançar as questões relativas à presença das mulheres nos espaços de decisão da Igreja. Isso revela que, na prática, a Igreja continua se preocupando em se
205 Ibidem Documento Conclusivo de Aparecida. No. 257
identificar com o clero, e talvez com religiosos/as e, com isso, outras opções ficam como estão, pois se alteradas, tirariam a própria identidade eclesial. O texto parece querer driblar um eclesiocentrismo arraigado ao demonstrar uma missionariedade de vanguarda da Igreja no século XXI, mas ao fugir de questões como o ecumenismo e o diálogo inter-religioso impõem a sua tarefa principal, ou seja, a evangelização da mesma forma como vinha acontecendo nos últimos textos, sem mexer nos ministérios não ordenados e, menos ainda, no binômio laicato- hierarquia.
Ademais, após esta breve leitura dos textos conferenciais, antes de partirmos para as questões e análises das respostas das pessoas entrevistadas queremos aqui dar ênfase a parte do texto já citado do Documento da CNBB no. 62 207 que versa sobre os serviços prestados por leigos na Igreja do Brasil e os seus pressupostos teológicos:
Alguns dos ministérios que os leigos e leigas exercem são chamados de ministérios de “suplência”, porque, embora o seu exercício não dependa da ordenação, as funções nele implicadas são historicamente consideradas próprias e típicas do ministério ordenado. Portanto, quando as leigas e os leigos as assumem, estão suprindo a falta ou a impossibilidade dos ordenados. A questão de fundo que se poderia colocar em relação a esta situação é a seguinte: se estas funções embora próprias e típicas do ministério ordenado, podem em determinadas circunstâncias serem assumidas por leigos e leigas, por que não se pensar numa reorganização mais ousado dos ministérios, criando verdadeiros e próprios ofícios a serem conferidos a leigos e leigas, estavelmente, e com responsabilidade própria e não como suplência? Do ponto de vista teológico, se um leigo ou uma leiga pode suprir o ministro ordenado em determinadas ações significa que está habilitado para tanto em virtude dos sacramentos de iniciação. Por outro lado, nas atuais circunstâncias, em muitos lugares a suplência não tem o caráter de eventualidade ou provisoriedade, mas de situação pastoral normal e habitual, sem previsão razoável de mudança desse quadro.
Assim, esse documento e essa fundamentação teológica demonstram a existência de situações que extrapolam os discursos da hierarquia da Igreja. Há situações em que as mulheres como notou-se nas pesquisas, já exercem habitualmente, a função dos presbíteros e da hierarquia, e mesmo assim não conseguem que a sua condição seja regulamentada. O poder das mulheres em determinadas comunidades do país já adentra as esferas das decisões hierárquicas e, aonde acontece, é uma realidade irreversível. E a dialética permanece em meio a tensões e idéias antagônicas. Para alguns que não temem a perda do poder e primam pela justiça, a nova condição das mulheres fortalece a Igreja, mas para outros essa situação nem pode ser discutida.
O papa Bento XVI, na primeira encíclica do seu pontificado, Deus caritas est, faz uma interessante e até surpreendente reflexão sobre justiça eclesial. Aliás, do ponto de vista da Homilia na missa inaugural da V Conferência do CELAM, ele parece abrir possibilidade de nova discussão sobre a presença das mulheres na família e na Igreja. Com o seu pensar sistêmico abre expectativas para refletir os espaços ocupados pelas mulheres na Igreja, a partir da idéia do amor incondicional de Deus a todo gênero humano. Ele analisa o poder dos seres humanos em igualdade de condições e, com isso, abre caminhos às novas pesquisas, entre elas a da presença das mulheres na Igreja católica. Alguns discursos da hierarquia católica têm demonstrado o fechamento de muita gente para essas discussões. Mas algumas tendências libertadoras também surgem: A avaliação do arcebispo de Tegucigalpa (Honduras) e membro da Comissão de Redação da V Conferência em Aparecida, cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, ao analisar o Documento Final aprovado pelos bispos na quarta-feira, 04/06/2007, entendeu que: 'essa é uma questão que sempre se pode discutir' e que isso não seria possível na Conferência por tratar-se de uma reunião de bispos208.
Esses e tantos outros discursos da hierarquia católica após a V Conferência do Episcopado Latino Americano demonstram a dívida histórica que a Igreja tem em relação às mulheres, aos desmandos patriarcais, às heranças culturais e aos interesses daninhos que levam os impedimentos delas aos ministérios ordenados. Essas posturas da hierarquia religiosa não são comprovadas apenas por conceitos teológicos, mas demonstram um caráter político e uma práxis milenar subjacente às realidades eclesiais, que tem urgência em ser transformada.
Com um olhar nessa trajetória e diante do contexto das pessoas ouvidas, quisemos neste momento levantar alguns dados que pudessem contribuir para o entendimento dessa temática, que se acha entre a habitual persistência das mulheres e a sua ausência ainda não oficializada nos espaços decisórios. Uma das mulheres entrevistadas na paróquia e que dentro da simplicidade da resposta mostra a relevância de pensar-se além da categoria de igualdade no trabalho, diz:
Analisar apenas o critério de igualdade ou desigualdade não seria a melhor forma de ver os trabalhos das mulheres aqui [na Igreja], mas [seria melhor] ver que todos possam exercer todos os ministérios.
208 O bispo disse “A Conferência é de bispos e só eles têm voto. Convidam-se outras pessoas como padres, religiosas e leigos, mas claro que se pode imaginar outras assembléias com todo Povo de Deus, onde todos podem ter voto”, considerou ainda. Outro exemplo é a análise de D. Demétrio Valentini, num artigo, ao afirmar o dever que a Igreja tem diante da superação de preconceitos e tradicionalismos organizacionais. Ele diz: “A Igreja como toda a instituição corre o risco de consolidar preconceitos para justificar sua tradicional organização”.
Ela mostra as relações de poder que há no exercício de todos os ministérios conjuntamente, e que é isso que gera a igualdade ou desigualdade nas atividades eclesiais.
Conclusão
Queremos destacar neste final dentre outras proposições evidenciadas nos documentos e relativas às preocupações desta tese, dois objetivos. Eles comprobatórios de que comunidades brasileiras e documentos eclesiásticos já reconhecem as mulheres como gerenciadoras e “possuidoras” de espaços de decisões, pois uma vez que eles pedem garantias, significa que elas já se apropriaram do poder dessas atividades. Esses objetivos foram apontados numa análise de conjuntura feita por delegados e as delegadas das dioceses e
prelazias presentes em Manaus em 23 de setembro de 2007, no V Intereclesial das CEB’s do Regional Norte II209, e são relativos à presença e a condição das mulheres naquela Igreja. Para justificar a pertinência da temática aqui estudada e o significado desse assunto para os futuros estudos sobre a práxis católica, destacamos o que o texto solicita ao governo religioso:
Garantir a presença da mulher nos diferentes ministérios, inclusive nos ministérios ordenados e nas instâncias de decisão da Igreja; e intensificar a formação integral à luz da metodologia popular considerando a conjuntura local com destaque para as relações de gênero210
Assim, as esferas do poder religioso não pode-se deixar escapar dos múltiplos condicionamentos e interferências da modernidade nas quais conseqüências, tanto negativas quanto positivas deixarão muita gente na história e a marcarão como um tempo de profundas mudanças e radicais transformações em todos os planos e sistemas que governam a vida humana. Entre eles as diversas conexões das pessoas dentro do poderoso universo simbólico das instituições religiosas, ainda hoje governado por homens. Para muita gente, com a globalização e os efeitos das tecnologias sobre a vida das pessoas, a sociedade moderna conseguiu ao mesmo tempo em que se conecta tudo com todos também se desconectar todos com tudo. Para alguns estudiosos o pior agravante é a presença de uma poderosa “liquefação” humana surgida pelos impactos da era tecnológico-global e presente no que há de mais significativo para as pessoas: a busca de sentido e segurança na atualidade.
209 Nesse evento estiveram reunidos 691 delegados e delegadas da região amazônica, conforme texto da carta desse Interclesial das CEBs - Regional Norte I, cujo tema foi “CEB’s Igreja Missionária e libertadora, com rosto amazônico” . 210 Esclarecemos que essas reinvindicações foram feitas no Intereclesial Regional e, com certeza, de uma forma ou de outra, serão levadas para reflexões no Nacional. A propósito, destacamos que o 12º. Interclesial da CEB’s (Nacional) se realizará no período de 21 a 25 de julho de 2009, em Porto Velho - RO.