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gia de língua de sinais tem em comunidades surdas, em todo o mundo.

2. Introduzindo a tipologia de língua de sinais

2.1 As fontes da tipologia de língua de sinais

A tipologia de língua de sinais é influenciada por duas disciplinas base da lingüística que anterior- mente apresentavam pouco contato entre si. Como o próprio nome sugere, essas duas disci- plinas são: a pesquisa em língua de sinais e tipo- logia lingüística. A interação entre elas é ilustra- da, de maneira esquematizada, na Figura 1, que demonstra o duplo sentido inerente à tipologia de língua de sinais. Por um lado, a tipologia de língua de sinais utiliza recursos teóricos e meto- dológicos da tipologia lingüística, mas amplia a gama de línguas disponíveis para incluir as lín- guas de sinais. Por outro lado, a tipologia de lín- gua de sinais utiliza os resultados da pesquisa em língua de sinais, mas concentra-se na diversidade lingüística no grupo de línguas de sinais, a partir de uma perspectiva tipológica.

Em relação ao escopo total de sub-dis- ciplinas lingüísticas na pesquisa em línguas faladas, nenhum campo é mais naturalmente predestinado a ter um grande interesse em línguas de sinais do que o campo da tipolo- gia lingüística. De um modo geral, desde seu surgimento na segunda metade do século 20, a tipologia lingüística tem se preocupado em avaliar as diferenças e semelhanças entre as línguas. O artigo seminal de Greenberg (1963) é freqüentemente citado como um ponto crucial no desenvolvimento da tipo- logia lingüística e, desde então, tem havido um grande desenvolvimento na área. Ainda que os tipologistas utilizem uma ampla va- riedade de dados lingüísticos para estudar os padrões de variação das línguas, incluindo muitas línguas “exóticas” de todas as par- tes do mundo, os dados das línguas de si- nais são praticamente ausentes de pesquisa em tipologia lingüística. Muitos tipologistas de línguas faladas provavelmente comparti- lham a impressão explicitada no trabalho de Haspelmath (1997:17), em que o autor expli- ca que as línguas de sinais não estão presentes em seu principal estudo sobre artigos indefi- nidos porque “o estudo interlingüístico das línguas de sinais ainda está em seus primór- dios e minha competência não me permite dizer coisa alguma sobre uma língua indivi- dual de sinais” (nossa tradução)3.

O segundo tópico que é crucial à tipologia lingüística e que está intimamente relaciona- do ao primeiro, como a outra face da mesma moeda, é a busca por universais da linguagem (por exemplo, Comrie 1989, Whaley 1997, Song 2001). O que é que todas as línguas têm em comum e que, portanto, pode-se consi- derar como sendo a verdadeira natureza da Figura 1: As disciplinas base da tipologia de

língua de sinais

Pesquisa em

língua de sinais linguísticaTipologia Tipologia

de língua de sinais

3 “[t]he cross-linguistic study of sign languages is still in its infancy, and my own competence does not allow me

Ulrike Zeshan

Questões T

eóricas das P

esquisas em Línguas de Sinais

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linguagem humana? Além de qualquer outra pergunta de pesquisa, torna-se imediatamen- te evidente que os tipologistas devem estar mais interessados no que a pesquisa em lín- gua de sinais tem a dizer sobre um tipo total- mente diferente de linguagem visual-gestual que ainda não tenha sido considerado antes.

Assim como a maioria dos tipologistas que ignoraram as línguas de sinais, os pesquisado- res de língua de sinais ainda não levaram em consideração uma perspectiva tipologicamente informada em seus dados. Contudo, há muito a se ganhar com essa perspectiva, conforme se torna claro na seção 3, a seguir. De fato, a verda- deira extensão da diversidade lingüística entre as línguas de sinais só se torna aparente quando se aplica uma perspectiva tipológica aos dados conhecidos e aos dados recém descobertos e esses resultados continuam a surpreender até mesmo os lingüistas mais experientes.

Apesar da evidente ligação entre tipolo- gia de língua de sinais e suas duas áreas base, não estamos lidando apenas com uma fusão dos dois outros campos. Ao invés disso, a ti- pologia de língua de sinais traz consigo todo um conjunto de hipóteses e metodologias. Tais hipóteses e metodologias são detalhadas nas seções 2.2 e 2.3, respectivamente.

2.2 Os objetivos e metodologias da tipologia de língua de sinais

A tipologia de língua de sinais possui dois ob- jetivos inter-relacionados, ambos associados a metodologias diferentes. A documentação detalhada de línguas de sinais individuais em todo o mundo se sobrepõe, em linhas gerais, à pesquisa descritiva correspondente em lingüís- tica de sinais, porém com um foco um tanto diferenciado. Por outro lado, o estudo inter- lingüístico sistemático de amostras amplas de línguas de sinais genética e geograficamente

não relacionadas constitui uma nova tarefa sem precedentes paralelos em lingüística de sinais, mas em vários aspectos similares ao tra- balho correspondente na tipologia de língua falada. Esses dois tipos de investigação têm o objetivo de conduzir a uma teoria de variação entre línguas de sinais, o que é o objetivo se- cundário mais importante da tipologia de lín- gua de sinais. Considerar os padrões de dife- renças e semelhanças entre as línguas de sinais nos possibilita, também, reavaliar a questão dos universais da linguagem, tanto para as lín- guas de sinais quanto para as línguas faladas, bem como a questão das diferenças de moda- lidade entre línguas de sinais, por um lado, e línguas faladas, por outro. A figura 2 mostra um fluxograma de inter-relacionamento dos principais objetivos acadêmicos da tipologia de língua de sinais. Os objetivos não-acadêmi- cos da tipologia de língua de sinais estão deta- lhados na seção 5 deste artigo.

Figura 2: Os objetivos da tipologia de língua de sinais

2.2.1 Documentação de línguas de sinais individuais

Uma vez que apenas uma minoria das línguas de sinais existentes no mundo foi documen- tada até agora, estudos individuais de tantas

Documentação de língua

de sinais individuais Estudos interlingüísticos de língua de sinais

Teoria da variação entre línguas de

sinais

Universais da linguagem que não dependem da modalidade

Diferenças de modalidades entre línguas sinalizadas e línguas faladas

Raízes, folhas e ramos – A tipologia de línguas de sinais

Questões T

eóricas das P

esquisas em Línguas de Sinais

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Benzer Belgeler