BÖLÜM III ARAŞTIRMA
TAHMİN EDİLEN Niyet
A primeira reforma do sistema educacional em Angola aconteceu entre 1976 e 2001, fruto de uma abrangente reestruturação política e social do país. Entre as medidas adotadas, destacam-se o rompimento com a cultura colonialista, a inclusão de políticas educacionais voltadas para a valorização da cultura local; o desenvolvimento de um sistema das ciências e das técnicas nacionais, o desenvolvimento da democracia política e da justiça social, a reforma agrária e o estabelecimento da unidade nacional africana (NGULUVE, 2006).
A reorganização do sistema educacional partia da urgência em adequar aos novos tempos um regime de ensino colonialista, classificado como ineficiente, limitado e a serviço de Portugal.
Mas os partidos políticos, ao incitarem a guerra, permitiram a destruição das poucas escolas herdadas do governo português. Isto aumentou ainda mais os problemas e as dificuldades de acesso ao ensino básico, acentuando a baixa qualidade de ensino, a não efetivação do projeto de ampliação dos espaços escolares, entre outros entraves (NGULUVE, 2006).
O plano nacional de educação que se seguiu à independência procurou estimular as famílias a participarem das atividades escolares dos filhos e da luta pela redução do analfabetismo. Através da organização de salas de aulas, não apenas nos espaços escolares, mas também nas fábricas, nos quartéis militares, em cooperativas agrícolas e nos bairros, incentivava-se a alfabetização de adultos.
Outro desafio é ao fato de que algumas línguas nativas não possuem escritas que possibilitam a alfabetização. Assim sendo, em Angola, um país plurilíngue, onde coexistem a língua portuguesa e as línguas nacionais, as pessoas comunicam-se, dentro das escolas, em língua portuguesa e, fora das escolas, também utilizam dialetos.
Conforme ressaltado pelo Diretor do Instituto de Línguas Nacionais (ILN), em uma entrevista concedida durante o IV Encontro sobre as Línguas Nacionais, foram aprovados, a título experimental, os alfabetos das línguas nacionais kikongo, kimbundu, umbundu, cokwe, oxikwanyama e mbunda e suas respectivas regras de transcrição, por meio da Resolução nº 3/78, de 23 de maio de 1987, do Conselho de Ministros.
Porém, segundo o diretor, havia dificuldades quanto à formalização do quadro de pessoal e à obtenção de financiamentos para a execução do projeto de elaboração e publicação de gramáticas, léxicos e dicionários, impedindo que a alfabetização em línguas ou dialetos africanos fosse efetivada nas escolas.
A estrutura do ensino, implantada em 1978, discriminava:
A educação pré-escolar (creche, jardim de infância); Ensino de base regular, adultos e especial (primeiro nível que partia da 1ª classe à 4ª classe, obrigatórias); o segundo nível partia da 5ª a 6ª classe – formação profissional; o terceiro nível partia da 7ª a 8ª classe – formação profissional; o ensino médio ou pré-universitário: médio normal de 9ª a 12ª classe; médio técnico 9ª a 12ª classe; pré-universitário de 9ª a 11ª classe. Ao ensino superior coube o primeiro nível: do 1º ao 3º ano - Bacharel; o segundo nível, do 4º ao 5º ano - Licenciatura. Junto do ensino normal, segundo e terceiro nível, havia a formação profissional (adultos e jovens), direcionada à aprendizagem de conhecimentos com aplicação prática ao trabalho (NGULUVE, 2006, p. 88).
Além de representar uma questão desafiadora para o país que acabava de nascer e que se pretendia edificar sob a bandeira da paz e da liberdade, a organização do sistema educacional, em 1976, envolvia igualmente a noção de uma educação fundamentada nos valores culturais da sociedade angolana.
De acordo com a Lei Constitucional, os princípios de obrigatoriedade e gratuidade estavam restringidos à frequência no primeiro nível de ensino de base. O processo de massificação lançado com o novo sistema educativo se inicia com o aumento significativo dos efetivos escolares que chegam a atingir em, 1980, 1,8 milhões de alunos, numa progressão anual de 10%.3
• maior concentração de alunos por turmas;
Esta situação atesta Nguluve (2006, p. 90), representava a busca de uma nova estratégia política de investimento educacional para evitar que as crianças permanecessem fora da escola. Porém, dada a fragilidade do sistema político, o aumento do número de alunos não obteve, do Estado, uma resposta adequada, resultando em consequências como:
• pouca capacidade, por parte da escola, para albergar os alunos e responder suas necessidades;
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Cronograma e estratégia de implementação da Lei de Bases do Sistema da
• inúmeros entraves relacionados a condições materiais, estrutura física e gestão pedagógica;
• taxa de repetência altíssima e aumento de alunos desistentes antes de atingir o segundo nível (5ª e 6ª séries);
• baixo nível acadêmico dos professores, decorrente da falta de programas de formação docente, e outros fatores como a saída massiva do professorado por causa da guerra.
Tais resultados obviamente determinaram outra reforma educacional, ocorrida logo depois do diagnóstico realizado no ensino básico, em 1986. O diagnóstico apontava vários aspectos negativos e frequentes, concernentes ao fraco aproveitamento escolar dos alunos nos diferentes níveis de ensino e localidades do país, e ao despreparo dos professores que atuavam nas escolas. Registrava, ainda, a fragilidade do ensino básico como um dos fatores de estrangulamento do sistema educacional.
O sistema de educação sofria, sobremaneira, os efeitos da guerra nos seus principais dispositivos, tais como: “currículos, processo de ensino e aprendizagem, corpo docente, administração e gestão, e recursos materiais”.4
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Lei de Bases do Sistema de Educação, n.o 13, de 31 de Dezembro de 2001.
Outro ponto enfatizado pelo diagnóstico tratava dos objetivos que o sistema educacional programou em 1978 e que pretendia alcançar em curto prazo: eram demasiado ambiciosos. Dadas as condições em que o país se encontrava os recursos que o Estado destinava ao setor administrativo e de gestão eram insuficientes diante das demandas do ensino.
Em função do ambiente sociopolítico e econômico de Angola, o relatório do diagnóstico recomendava um estudo e análise mais apurados das anomalias que se vinham registrando no ensino em vigor, com o objetivo de estabilizar o sistema educacional e procurar refletir sobre a concepção de nova estrutura para ele. Este contingente forçou os governantes a promover uma segunda reforma educacional, comentada a seguir.