4. DENEY TASARIMI VE TAGUCHI METODU
4.1. TAGUCHI METODU
Com uma vertente legal e outra ética, a questão dos direitos autorais é uma das mais importantes a ser abordada no âmbito das unidades de informação. O constante impasse entre o direito à informação e aos direitos autorais, em especial, no meio digital, tem sido um desafio aos bibliotecários e usuários.
O conceito de direito autoral abarca a proteção das produções intelectuais, ou seja, obras imateriais presentes em produções artísticas, culturais, literárias, científicas, por exemplo, apresentadas em diversos formatos, sem a obrigatoriedade de registro, desde que provado o responsável pela criação da obra.
Sabe-se que, desde 1662, existiam internacionalmente legislações que obrigavam registrar as obras. Com a invenção da imprensa, e a cada vez maior profissionalização da produção intelectual, a ideia de proteção e remuneração de autores ganha importância. Após a Revolução Francesa, a importância do papel do autor, dos seus direitos inalienáveis e da proteção de sua obra por toda a sua vida se solidifica (MARTINS FILHO, 1998).
Com o objetivo de promover a proteção de produções intelectuais em vários Estados, vários países europeus firmaram, em 1886, a Convenção de Berna para a Proteção de Obras Literárias e Artísticas. Em 1952, com mais Estados membros, como, por exemplo os Estados Unidos, foi formalizada a Convenção Universal do Direito do Autor. Essa foi revista, sob o aval da Unesco, em 1971, em Paris. Apesar de contar com o apoio de mais de cerca de 150 países, cada Estado teve autonomia de fazer legislações próprias atendendo as especificidades de suas nações (OGAWA, 2007, FERNANDEZ-MOLINA, 2003). Atualmente, na realidade brasileira, a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 199811, é a responsável por ditar as regras brasileiras de proteção intelectual. Utilizando-se dessa lei, é possível alterar, atualizar e consolidar a legislação sobre direitos autorais. Existem dois tipos básicos de direitos autorais para o criador de uma obra: os direitos morais e os direitos patrimoniais.
Os diretos morais são inalienáveis e irrenunciáveis e estão ligados à personalidade do autor, garantindo-lhe o direito de seu nome constar na obra, de modificá-la, divulgá-la e/ou restringi-la. Além disso, os direitos morais garantem o reconhecimento do autor da obra.
Os direitos patrimoniais estão vinculados às relações jurídicas de uso das obras e regulamentam o uso econômico de uma obra, garantindo que a sua produção não pode ser
reproduzida sem sua autorização prévia e expressa por parte do autor. A exploração econômica de uma obra tem prazo de 70 anos a partir da morte autor, já o direito moral não tem prazo (BRASIL, 1998; MARTINS FILHO, 1998, GAMA, 2008, GOULARTT, 2009; FERNÁNDEZ-MOLINA; VIVES-GRÀCIA; GUIMARÃES, 2011).
Os direitos patrimoniais básicos são quatro:
1) Reprodução - permite a comunicação e obtenção de cópias do todo da obra original e/ou parte desta;
2) Distribuição - permite a disponibilização ao público da obra original ou cópias por meio de venda, aluguel, empréstimo e outras formas;
3) Comunicação pública - permite o acesso à obra sem a distribuição prévia; 4) Processamento - permite a modificação da obra, gerando obras diferentes. Considerando os direitos autorais e a realidade das unidades de informação, temos um embate, pois, ao mesmo tempo em que são demarcadas as fronteiras do direito do autor, é afirmado, como trabalhamos anteriormente, o direito à informação.
Sabemos, que por um lado, os profissionais da informação buscam maneiras de acessar a informação completa e a baixo custo para a sua comunidade. Por outro lado, está aquele que possui o direito patrimonial à informação, tentando obter mais lucro e benefícios (FERNÁNDEZ-MOLINA, 2000).
Nessas situações de impasse, os bibliotecários, dentro de seu papel de mediadores, são chamados a agir. No entanto, oà uestio a e toà ueà seà segueà :à Essesà p ofissio aisà estariam preparados para poder responder pela unidade e preparar a sua comunidade? .à Autores como Gama (2008), Gama e Garcia (2009), Fernández-Molina, Vives-Gràcia e Guimarães (2011), Carpenter et al. (2011), Muriel-Torrado (2012), Muriel-Torrado, Fernández-Molina (2014a), Muriel-Torrado, Uribe-Tirado, Fernández-Molina (2015), entre outros, destacam que a biblioteca deve assumir o posto de formadora, assessora, orientadora sobre direitos autorais e assinalam que o trabalho vinculado à orientação e/ou à gestão de direitos autorais pode ser encarado como um novo serviço de assessoria desempenhado pelo bibliotecário.
Albitz (2013) detalha a realidade dos profissionais que são responsáveis por atender as demandas relacionadas aos direitos autorais na produção científica em universidades. O autor apresenta universidades que têm um serviço de assessoria sobre direitos autorais regulamentado em seus quadros. Ele destaca que a atribuição ainda é marcada pela falta de
preparação de muitos profissionais, mas é de extrema importância esse tipo de iniciativa, como uma atividade primordial, para a universidade que queira lidar de uma maneira mais adequada com as questões do direito do autor.
O uso de e-books, os repositórios institucionais e os portais governamentais voltados à pesquisa e ao desenvolvimento, o acesso aberto, o uso de licença como Creative
Commons, as ferramentas digitais que controlam o acesso e uso de intelectuais, o uso
correto das normas de documentação para citação e referência, orientação e combate ao plágio, vêm sendo algumas alternativas discutidas e utilizadas para equilibrar os impasses causados com relação aos direitos autorais na produção científica em universidades. Outra alternativa vista como necessária para equilibrar as questões de direitos autorais nas unidades de informação é uma postura mais contundente e proativa por parte dos profissionais (FERNÁNDEZ-MOLINA, 2002, 2000; GAMA; GARCIA, 2009).
Defendemos que essa postura está ligada ao desenvolvimento da dimensão ética da Competência Informacional, tanto dos profissionais quanto de suas ações na educação dos seus usuários, preparando-os para respeitar os direitos autorais, citar e referenciar adequadamente e saber o que pode ou não ser reproduzido, distribuído, comunicado e processado.
Muriel-Torrado (2012), em uma investigação que buscava determinar as atitudes e o conhecimento sobre direitos autorais de professores, alunos e bibliotecários espanhóis, relata que o conhecimento sobre o tema direitos autorais ainda é insuficiente para que as atividades que envolvam a questão de direitos autorais sejam realizadas de maneira adequada.
Os resultados advindos do contexto das universidades brasileiras são preocupantes, também. De acordo com Muriel-Torrado, Uribe-Tirado, Fernández-Molina (2015), 128 bibliotecas universitárias brasileiras foram selecionadas, em 2014, para receber um questionário que tratava sobre as questões da competência informacional, do uso ético da informação e dos direitos autorais, mas somente 44 unidades responderam o questionário. Os resultados obtidos apontam para o fato de a maioria das bibliotecas universitárias ainda se concentrar na realização de formações básicas de usuários e 16% não apresentarem nenhum tipo de formação. Quanto ao uso ético da informação, 43% das instituições desconheciam ou não ofereciam a seus usuários ações do tipo. Sobre direitos autorais, a maioria das bibliotecas reconhece a importância e faz alguma ação a respeito, mas, segundo
os autores, esquece-se de um ponto chave: a maioria das bibliotecas não proporciona conhecimentos básicos para que seus usuários criem ou utilizem as obras de acordo com a legislação. Os autores também apresentaram os temas abordados pelas bibliotecas, a saber: ações punitivas e sanções sobre a questão de direitos autorais, plágio, citações e o perigo das fotocópias.
Enfim, por meio da discussão apresentada, já é possível observar que essa é uma questão que precisa ser mais trabalhada pelas bibliotecas para que seja realizada uma preparação adequada sobre o uso ético da informação, em suas comunidades.