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TAŞINMAZ TİCARETİ HAKKINDA YÖNETMELİĞİN İNCELENMESİ

O conceito de expans‹o da linguagem foi apresentado, pela primeira vez, na dŽcada de 70, por Gene Youngblood (1970), autor do livro Expanded Cinema. Nesta Žpoca, Youngblood, que j‡ contava com consolidada trajet—ria no campo da cr’tica e da linguagem cinematogr‡fica tradicional, passa a observar as manifesta•›es underground e experimentais no campo do cinema da Žpoca, percebendo da’ que o conceito de cinema tradicional j‡ n‹o se sustentava, e reivindicava mudan•as.

Foi em vista disso, que ele desenvolveu o conceito de cinema expandido, levando em considera•‹o dois aspectos fundamentais: conhecer e entender as novas manifesta•›es do cinema, tornado expandido pela influ•ncia de outros meios, e avaliar a expans‹o do c—digo cinematogr‡fico como decorr•ncia da amplia•‹o da consci•ncia. Esta ideia encontra-se diretamente relacionada com o rompimento das fronteiras estabelecidas entre as diferentes m’dias que, por sua vez, possibilitaram as inter-rela•›es entre- linguagens e a consequente expans‹o da percep•‹o do homem.

Discutir as transforma•›es propostas pelo cinema expandido era refletir sobre uma espŽcie de esgar•amento da linguagem cinematogr‡fica com rela•‹o a como ela vinha sendo entendida e produzida atŽ ent‹o. O interesse no conceito de cinema expandido desta maneira, consistia em Ò... explorar as novas mensagens que existem no cinema e examinar algumas das novas tecnologias de produzir imagens que prometem estender as capacidades perceptivas do homem alŽm de suas j‡ extravagantes experi•ncias visuais.Ó (YOUNGBLOOD, 1970, p. 41).

Assim, para Youngblood, passou a ser de fundamental import‰ncia pensar o cinema de uma nova maneira, a partir da influ•ncia de outros meios, como a televis‹o, o v’deo, as artes pl‡sticas e visuais, alŽm daquela decorrente das novas tecnologias e, tambŽm, da multim’dia. E, neste sentido, Ž interessante recuperarmos aqui o pensamento de Arlindo Machado acerca destas quest›es, mas forjado numa perspectiva, ap—s um longo intervalo de tempo decorrido. Assim, em 2007, Machado considera que Ònesse sentido expandido de arte do movimento, televis‹o e v’deo tambŽm passam a ser cinema, assim como a multim’dia. Pensado dessa maneira, o cinema encontra uma vitalidade nova, que pode n‹o apenas evitar o seu processo de fossiliza•‹o como tambŽm garantir a sua hegemonia perante as demais formas de cultura.Ó (MACHADO, 2007, p. 66).

H‡ ainda outro aspecto de fundamental import‰ncia apontado por Youngblood em suas reflex›es e que nos permite estabelecer conex›es com quest›es aqui permeadas, em particular, a ideia de multim’dia.

Òrefere-se ao uso simult‰neo de v‡rias m’dias para criar uma experi•ncia ambiental total para a audi•ncia. O significado Ž criado n‹o atravŽs da codifica•‹o das ideias em linguagens liter‡rias abstratas, mas atravŽs da cria•‹o

de uma experi•ncia real por meio do uso da tecnologia audiovisual. Originalmente concebido no campo da arte mais do que na ci•ncia ou engenharia, os princ’pios nos quais a interm’dia se baseia est‹o fundamentados nos campos da psicologia, teoria da informa•‹o, e engenharia de comunica•‹o. H‡ algum tempo tem ficado claro que a arte intermidi‡tica est‡ tendendo para um ponto em que todos os fen™menos da vida na terra ir‹o constituir a palheta do artista.Ó (YOUNGBLOOD, 1970, p. 348).

Estas renova•›es atreladas ao conceito de cinema expandido, pressupunham muito mais do que reinventar a linguagem. Youngblood propunha que a expans‹o do c—digo cinematogr‡fico estivesse atrelada ˆ expans‹o da consci•ncia, um aspecto de relev‰ncia indiscut’vel neste contexto.

Para melhor compreendermos essas rela•›es que pressup›em o extrapolar do campo das linguagens, das ideias, da mente, da consci•ncia enfim, Ž oportuno termos presente passagens de Marshall McLuhan referentes aos meios de comunica•‹o como extens›es do homem, como, por exemplo, a c‰mera fotogr‡fica sendo uma extens‹o da vis‹o, as rodas, das pernas das quais Youngblood se apropriou ao desenvolver suas ideias. Com pensamento semelhante, Youngblood presume a exist•ncia de interrela•‹o entre a concep•‹o de cinema expandido e a expans‹o da consci•ncia humana como decorr•ncia de processo sinestŽsico provocado pela integra•‹o que ele denomina de interm’dia. Assim,

Òquando dizemos cinema expandido n—s de fato nos referimos a uma expans‹o da consci•ncia. Cinema expandido n‹o quer dizer filmes de computador, v’deos phosphors, luz at™mica, ou proje•›es esfŽricas. Cinema expandido n‹o Ž um filme propriamente: como a vida Ž um processo de tornar-se homem a medida que a historia em movimento nos direciona para manifestar a consci•ncia fora da mente, em frente de seus olhos. N‹o podemos mais nos especializar numa simples e œnica disciplina e esperar verdadeiramente expressar uma imagem clara de seus relacionamentos no ambiente. Isto Ž especialmente verdadeiro no caso das redes intermidi‡ticas de cinema e TV, que agora funcionam como, nada menos do que o sistema nervoso do ser humano.Ó (YOUNGBLOOD, 1970, p. 41).

Desta maneira, ele pressupunha que experi•ncias no campo do cinema, que inclu’am a perspectiva de integra•‹o entre c—digo cinematogr‡fico e outras linguagens, possibilitariam o alcance de formas de manifesta•‹o art’stica capazes de provocar o observador e ampliar sua percep•‹o de forma significativa, determinando como resultado a expans‹o dos limites de efeitos de sentido provocados pela arte, a ponto de ser poss’vel transcender a no•‹o de realidade e repercutir, inclusive, numa estreita integra•‹o entre arte e vida, evidenciada devido ao estabelecimento de novas rela•›es, novos usos sociais, novos entendimentos, novas formas de cogni•‹o e de comunica•‹o. Assim, Òo que Ž significativo na experi•ncia humana para o homem contempor‰neo Ž a expans‹o da consci•ncia, o reconhecimento do processo da percep•‹o (eu defino percep•‹o tanto como Ôsensa•‹oÕ e Ôconceitua•‹oÕ, o processo de forma•‹o de conceitos, usualmente classificado como cogni•‹o. Porque estamos enculturados, perceber Ž interpretar). AtravŽs do cinema sinestŽsico o homem tenta expressar um fen™meno total Ð sua pr—pria consci•ncia.Ó (YOUNGBLOOD, 1970, p. 76).

Da’ a import‰ncia do conceito de cinema expandido caracterizado, por uma linguagem que vai alŽm do pressuposto e dos padr›es estabelecidos origin‡rios, cl‡ssicos, ao propor a integra•‹o entre a arte e a vida e, ao inseri-la na perspectiva do espectador, criar associa•›es e leituras simult‰neas entre imagens e sons, com o objetivo de participa•‹o mais efetiva na forma•‹o da significa•‹o e dos efeitos de sentido das obras. Percebemos, assim, de outro ponto de vista, o das linguagens propriamente, que as modifica•›es que se processam neste contexto estudado no contexto da linguagem cinematogr‡fica extrapolam para transforma•›es culturais e midi‡ticas.

H‡, ainda, mais outro aspecto interessante abordado por Youngblood e que est‡ diretamente relacionado com estas quest›es: a diferencia•‹o que estabelece entre arte e entretenimento e que lhe permite refor•ar sua opini‹o acerca das rela•›es entre cinema expandido/arte e expans‹o da consci•ncia. E, isto porque, a arte, e a’ incluindo as linguagens expandidas, proporciona uma maior amplitude da consci•ncia, possibilitando o envolvimento de todos os sentidos poss’veis em fun•‹o de um efeito estŽtico almejado e capaz de incitar a sensibilidade e percep•‹o humanas. AlŽm disso, a arte Ž a linguagem atravŽs da qual n—s percebemos novas rela•›es em v‡rios aspectos e

em v‡rios ambientes, sendo, portanto, um instrumento essencial no desenvolvimento e expans‹o da consci•ncia.

Como bem diz Youngblood, ÒO processo de arte Ž o processo de aprender como pensarÓ (YOUNGBLOOD, 1970, p. 419) e, portanto, a expans‹o da linguagem Ž a perspectiva de instaurar uma nova vis‹o de mundo.

Por outro lado h‡ o entretenimento, cujos efeitos de sentido provocados s‹o restritos, repetitivos, embotados, e reiteram um estado de narcose, de prostra•‹o diante da vida. Deste modo, Òo entretenimento comercial trabalha contra a arte, explora a aliena•‹o e o tŽdio do pœblico, perpetuando um sistema de resposta condicionada a f—rmulas. O entretenimento comercial n‹o Ž apenas n‹o criativo, ele na realidade destr—i a habilidade da audi•ncia de apreciar e participar do processo criativo.Ó (YOUNGBLOOD, 1970, p. 59).

Com o intuito de estabelecer conex‹o entre as v‡rias quest›es abordadas ao longo deste trabalho, lembramos que, na era p—s-industrial, instala-se uma mudan•a na din‰mica da vida cotidiana, quando o tempo de lazer se torna mais longo, mais intenso e mais importante, o que, sem dœvida, repercute na oposi•‹o arte e entretenimento, que est‡, tambŽm, relacionada com as quest›es de sinestesia e de expans‹o da consci•ncia promovidas por estas rela•›es intermidi‡ticas, caracter’sticas do cinema expandido. Trata-se de mudan•a sociocultural importante, pois Òa transi•‹o de uma cultura que considera o lazer um problema para uma cultura que demanda lazer Ž um prŽ-requisito de um comportamento civilizado, Ž uma metamorfose da primeira magnitude.Ó (YOUNGBLOOD, 1970, p. 180).

Por fim, lembramos que as inova•›es tecnol—gicas como que s‹o incorporadas dentro das mensagens estŽticas, integrando-se ao seu fazer art’stico e aos efeitos de sentido para o qual contribuem. Associado a isto tudo, observamos que estas inova•›es tecnol—gicas, atreladas ˆs perspectivas de rela•›es entre-linguagens, discutidas ao longo desta reflex‹o, refor•am a concep•‹o de que o cinema expandido vem se atualizando e se tornando cada vez mais pertinente e importante, repercutindo na concep•‹o do audiovisual, aqui institu’do enquanto par‰metro simb—lico da cultura da converg•ncia.

Podemos inclusive considerar o cinema expandido como uma das primeiras formas ou modalidades de se pensar a ideia de converg•ncia, conforme mencionado por Arlindo Machado em Arte e M’dia:

ÒGene Youngblood Ž, possivelmente o primeiro a pensar a converg•ncia, num livro hist—rico sobre o tema intitulado Expanded Cinema. Ele percebe, a partir do exemplo do cinema experimental norte-americano e do surgimento da televis‹o, do v’deo e do computador, que o conceito tradicional do cinema havia explodido.Ó (MACHADO, 2007, p 66).

Depreende-se, portanto, que as rela•›es h’bridas decorrentes das inova•›es intermidi‡ticas n‹o permitem leituras preconceituosas ou olhares mais apressados em rela•‹o a seus mais variados componentes. E observamos, tambŽm, que as experimenta•›es, que hoje vemos fazendo parte da trajet—ria atual, integram-se a muitos projetos art’sticos que extrapolam a escala tradicional e se apresentam sob o viŽs da multiplicidade, s‹o experimenta•›es j‡ previstas por Youngblood em Expanded

Cinema.

H‡ que se ressaltar que, a partir das ideias propostas por Youngblood, o cinema encontra novas perspectivas que reverberam atŽ mesmo em suas linguagens pares, renovando-as de tal forma que ecoam inclusive na contemporaneidade. Dito isto e com o intuito de entender como estas quest›es se manifestam no ‰mbito do c—digo fotogr‡fico, objeto do nosso maior interesse, retomamos mais uma vez a vis‹o de Arlindo Machado acerca da repercuss‹o da ideia de expans‹o da linguagem em outros campos. Assim, para Machado Òa ideia de Ôexpans‹oÕ germinou muito nas dŽcadas seguintes: em certo sentido, todos os meios e artes entraram num processo de expans‹o, como se os c’rculos definidores de todas as artes e meios amea•assem se fundir num œnico c’rculo do tamanho do campo inteiro da cultura.Ó (MACHADO, 2007, p. 67).

Benzer Belgeler