2. KAYNAK ARAŞTIRMASI
2.8. Türkiye’de Taşınmaz Değerlemesi, Haritacılık Ve Konut Finansman Sistem
2.8.1. Taşınmaz değerlemesinde genel durum
Vamos ao exemplo das asceses epicuristas por trazerem a dimensão docorpoaliada a uma subjetividade que propõe fazer da vida uma intensificação da relação para consigo em um plano não transcendente, onde o sujeito se constitui como sujeito dos seus atos. Uma ascese que forma uma abstinência mostrando de que maneira – a satisfação das mais elementares necessidades – podia-se encontrar um prazer mais pleno, mais estável do que nas volúpias trazidas pelo supérfluo. Abordaremos uma ascese corporal que almejava o equilíbrio sobre si, onde a felicidade estava atrelada a uma vida cercada de amigos, junto à natureza.
Nas asceses epicuristas, as sensações do corpo ganham muito importância, bem diferente do platonismo, no qual o cuidado de si estava completamente distinto do cuidado do corpo, pois estava apenas voltado para alma. Para Reale(2011a) aversão ao platonismo nasceu em Epicuro38, uma vez que os
ensinamentos de Platão estavam voltados para o imaterial, centrados no suprasensível e no transcendente, onde o conhecimento das coisas não se dava por meio dos sentidos, pois estes cegavam a alma ao invés de revelar as coisas ocultavam-na. Epicuro não só nega que a sensação esconda as coisas, como afirma que ela constitui o mais sólido critério de verdade, assim como os pré-socráticos, Epicuro ignora a dimensão imaterial do ser concebendo a alma e o corpo como homogêneos, ou seja, ambos feitos de átomos materiais e nesse contexto, o homem fazia parte do cosmos.
Para o filosofo, o mundo é feito de átomos que se combinam sem regra, o próprio homem seria uma combinação de átomos frutos do acaso – quando o sujeito morre tudo se dissolve. Daí o motivo pelo qual não é necessário se preocupar com a vida futura, nem mesmo com a morte, porque enquanto ainda se existe, a morte não está presente, todavia, quando ela chega, então não se existe mais.
38 De acordo com Gomes, Epicuro nasceu na sociedade helenística, mais ou menos na época em que o domínio macedônio e depois romano, alterou o quadro da vida grega na Antiguidade, ou seja, nesse período a Grécia passou a ser imenso organismo político, com um grande aglomerado de povos,entre eles, povos orientais, fato que não acontecia antes do domínio de Alexandre. Epicuro nasceu em 341 a. C em Samos, ilha grega onde começou seus primeiros estudos de filosofia. Morou também em Atenas, Cólofon e Lâmpsaco, vindo a falecer em Atenas em 270 a. C., quando tinha setenta e dois anos de idade. Informações tiradas do site www.sel.eesc.usp.br/informatica/graduacao/material/etica/.
Além da relação que liga corpo e alma, Epicuro também se contrapunha ao platonismo em relação aos ensinamentos das virtudes com a finalidade que os sujeitos as exerçam na polis, aperfeiçoando-se como cidadãos. Em Platão, o cuidado de si estava estritamente relacionado com o exercício do cuidado na cidade, estava destinado ao sujeito que deveria tomar politicamente os destinos da cidade. Segundo Reale (2011a),Epicuro ensina a virtude do homem privado, ou seja, o homem considerado em si, fora da convivência em um Estado - contestando assim, a identificação do sujeito como cidadão e proclamando a política como inútil. Em sua época,Epicuro não se meteu em assuntos públicos, não desempenhou nenhum papel político, daí a necessidade dos epicuristas de viver afastados da cidade.
Na época de Epicuro, Alexandre havia atrelado a Grécia às suas formas de governo, diminuindo a autonomia da polis grega, nessa conjuntura o filósofo preferiu viver afastado da cidade, pois vivia em um período em que a polis em suas escalas de valores passavam por uma crise, ou seja,
O grego da era clássica, como sabemos, sempre considerou a polis como horizonte único da vida moral, além do qual o homem não podia conceber a própria existência nem com relação aos outros nem com relação a si mesmo, tendo identificado quase completamente o homem e o cidadão, é fácil compreender a ruína espiritual que a revolução de Alexandre provocou. De cidadão, o homem torna-se simples súdito. (REALE, 2011a, p. 6)
De acordo com Reale (2011a), muitas escolas gregas helenísticas enxergavam a felicidade atrelada à paz de espírito, ou seja, a felicidade era mais renuncia do que conquista, era mais eliminações de exigências humanas do que enriquecimento delas. Para conseguir essa paz, os epicuristas pregavam uma vida simples voltada para o campo, no retorno a natureza.
Segundo Foucault (2006), no período I e II da nossa era, o cuidado de si tinha como principal característica um movimento de conversão do sujeito que implicava o retorno ao centro de si mesmo, ou seja, concentrar o pensamento na própria ação, a fim de não se deixar levar pelo turbilhão de pensamentos. Era preciso se desligar do exterior para encontrar o guia interior. Não se tratava de se ter como objeto de conhecimento, como campo de consciência e inconsciência, mas uma consciência atenta que dirigia a meta para o eu, ou seja, está presente em si mesmo. Era preciso volver a alma para as coisas que são mais agradáveis e fugir do interesse pelos infortúnios dos outros. Um bom exercício era colocar iguarias
agradáveis e desagradáveis e a elas resistir. Plutarco dá três exemplos de exercícios do cuidado de si: estudar os segredos da natureza; ler as histórias escritas pelos historiadores, pois os infortúnios dos outros estão recuados no tempo; se retirar para o campo, a fim de sentir prazer com a calmaria reconfortante que surge ao redor.
Já em sua época, Epicuro foi crítico do equívoco de confundir consumo com felicidade e por isso procurava uma vida sem estímulos aos prazeres comumente incitados pela cidade. Segundo Reale (2011a), o filosofo escolhe um jardim afastado da cidade e do tumulto da vida política, próximo à natureza e do silêncio do campo para ensinar. O jardim era um horto nos subúrbios de Atenas, longe do tumulto da vida pública, era lugar onde todos os homens eram iguais, sem distinção. No jardim, todos tinham direito de almejar a paz de espírito, por isso a característica de abrir as portas para todos: nobres, livres e escravos; mulheres e prostitutas. Segundo Reale (2011a, p. 153),
O novo discurso proveniente do jardim era, pois, original no seu espírito informador, na cifra espiritual que o caracterizava: ele não constituía um movimento da moda, com uma atração puramente prioritária ou intelectual, mas antes, era um apelo de um modo de vida verdadeiramente inusitado. No Jardim, havia trocas de reflexões, nas quais, de acordo com Gomes39, era ensinado que filosofia consistia em uma atividade destinada a estabelecer, por meio de raciocínios e discussões, uma vida feliz, onde o filosofar não era apenas uma questão de palavras, mas antes de tudo atos. Para o filósofo, os sujeitos perdem tempo em buscar conhecimentos apenas pela curiosidade, ou seja, procurar assuntos que em nada vai acrescentar ao seu ser, quando na realidade deveriam concentrar todos os seus cuidados sobre coisas que dizem respeito à felicidade.
As reflexões que eram tocadas e pensadas entre amigos, era uma forma de cuidado com o outro, com a comunidade que se revelava na amizade. Segundo Foucault (2006), a amizade era exaltada para os epicuristas, pois era uma forma do cuidado de si que começava pela utilidade, ou seja, pelas trocas sociais e serviços que vinculavam os homens. Todavia era pela própria amizade que ela devia ser escolhida e não apenas pela utilidade. Isso significava que a amizade se tornou desejável em si mesma, não pela supressão da utilidade, mas por certo equilíbrio entre a utilidade e alguma coisa diferente da utilidade. A amizade era desejável
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porque traz felicidade quando recebemos, nem tanto a ajuda dos amigos, mas a confiança nesta ajuda, ou seja, é esta independência em relação aos males do mundo assegurada pela presença dos amigos que traz felicidade. É essa confiança na ajuda dos amigos e a independência em relação ao meio exterior que proporciona a felicidade. Por isso, para os epicuristas, a sabedoria se cerca de amigos, pois favorece um estado de ausência de perturbação encontrada na amizade.
Epicuro defendia a busca dos prazeres, pautado nas sensações do corpo, todavia o prazer propagado no epicurismo nada tem relação com o prazer estético voltada para interesses egoístas em que o sujeito se põe em superioridade frente aos outros, por meio da disciplinarização, a fim de se ter um corpo perfeito e funcional como foi visto nas bioasceses contemporâneas. O prazer para o filosofo não estava ligado a individualismos, mas se encontrava também na amizade e na convivência comunitária.
Epicuro classificou os prazeres em três tipos: prazeres naturais e necessários; prazeres naturais, mas não necessários; prazeres não naturais e não necessários. Os prazeres naturais e necessários estão ligados apenas a conservação da vida do indivíduo e são considerados os únicos que verdadeiramente trazem benefícios. Esse prazer transparece quando se tira a dor do corpo, quando se dá de comer quando se tem fome e de beber quando se tem sede. O verdadeiro prazer está na ausência da dor no corpo e na falta de perturbação do espírito e “uma vez alcançado isso, dissolve-se-á qualquer tempestade da alma, não tendo o ser vivo outra exigência a satisfazer nem outra coisa que possa tornar completo o bem da alma e do corpo.” (MENECEU apudORTEGA, 2008, p. 213).
Os prazeres naturais, mas não necessários, são as categorias voltadas para variações supérfluas dos prazeres naturais, ou seja, comer bem, beber bebidas refinadas, vestir-se de modo elegante. Os prazeres do terceiro grupo são os voltados para o desejo de status sociais, riqueza e poder. Para Epicuro os prazeres do primeiro grupo são os que de fato devem ser satisfeitos, pois elimina a dor e o prazer não cresce, pois a natureza tem um preciso limite que consiste na eliminação da dor. Os do segundo grupo não têm limites, uma vez que não tiram a dor corporal, mas variam o prazer causando uma insatisfação permanente. O terceiro não tira a dor corporal e sempre traz insatisfação à alma.
Limitemos, pois, os nossos desejos, reduzamo-los àquele primeiro núcleo essencial, e teremos a riqueza e a felicidade copiosa, porque, para nos dar aqueles prazeres, bastamos a nós mesmos, e nesse bastar-se a si mesmos (autarquia)40 estão as maiores riquezas e felicidades. (REALE, 2011a, p. 215).
Para os epicuristas, a vida na cidade, a vida política compromete a paz de espírito, pois para algumas escolas filosóficas da Antiguidade, os prazeres que muitos propõem a partir da vida política são ilusões, uma vez que, da vida política os sujeitos almejam poder, fama e riqueza que não são considerados nem naturais nem necessários, portanto falsas ilusões. “Se a segurança diante dos homens deriva, até certo ponto, de bem fundada situação de poder e riqueza, a segurança mais pura provém da vida serena e do afastamento da multidão.” (SÊNECA apud REALE, 2011, p. 223).