2. GENEL BİLGİLER
2.1. Tıbbi Müdahale Ve Unsurları
2.2.2. Tıbbi Müdahaleye Rıza
1994, do Setor Sul, estabelece de maneira geral seus limites através da região formada entre as Avenidas Rondon Pacheco (dividindo o Setor Sul com o Setor Central), Avenida João Naves de Ávila (dividindo o Setor Sul com o Setor Leste), Avenida Getúlio Vargas e
Rodovia MG-455 (dividindo o Setor Sul com o Setor Oeste) e o Rio Uberabinha e a BR- 050 (estabelecendo o limite sul do perímetro urbano da cidade).
Historicamente, a ocupação dessa região se confunde com a formação da própria cidade de Uberlândia. Conforme podemos observar em mapa de São Pedro de Uberabinha (antiga denominação da cidade até 1929) datado de 1891 (Imagem 13, página 81), três anos depois de sua emancipação política, a cidade possuía uma estrada de saída para Santa Maria (atual distrito de Miraporanga), transpondo o Rio Uberabinha (na região atualmente conhecida como a Ponte do Praia, foz do Ribeirão São Pedro), e ainda o Matadouro Municipal e a região denominada Patrimônio D Abadia, transpondo o Ribeirão São Pedro (atual Avenida Rondon Pacheco), já na região atualmente denominada Setor Sul da cidade de Uberlândia.
Para acompanhar o processo de ocupação do Setor Sul, verificar a Figura 02: Uberlândia/MG – Localização Setor Sul, página 69, e a Figura 03: Parcelamento do Solo por Ano de Aprovação, página 79. Os dados referentes aos anos de aprovação dos loteamentos e empreendimentos citados nesse item foram adquiridos na PMU.
Imagem 13: São Pedro de Uberabinha em 1891.
Fonte: http://www.uberlandia.mg.gov.br/uploads/cms_b_arquivos/1882.pdf. Acessado em 07/07/2015.
Portanto, a primeira ocupação da região de estudo, conforme já demonstrado, é o atual Bairro Patrimônio. Esse bairro surgiu no ano de 1883, através da doação de terras ao patrimônio de Nossa Senhora da Abadia. Após a abolição da escravatura em 1888 e juntando-se ao grande percentual de negros e mulatos livres, e ainda trabalhadores assalariados brancos, ocuparam esse local da periferia da cidade, iniciando o povoamento dessa e o surgimento da primeira periferia da então São Pedro de Uberabinha.
Nessa mesma região, instalou-se o Matadouro Municipal, servindo de fonte de empregos para os moradores do bairro. A ocupação peculiar desse bairro através de uma população predominantemente negra e pobre, confinada pela discriminação e por circunstâncias econômicas, criou uma comunidade voltada para si própria e buscando seu lazer, sua religião mesclada e mantendo suas tradições. Diversas manifestações culturais ainda presentes na cidade têm suas origens no Bairro Patrimônio, tais como os grupos de moçambiques, congadas, folias de reis, escolas de samba e time de futebol.
Várias regiões periféricas surgiram na cidade, tais como os bairros Vila Osvaldo (1928), Martins, Roosevelt (1976), Tubalina e Saraiva (as vilas eram denominações locais para referir-se aos bairros periféricos ocupados pela população de baixa renda). As duas últimas eram localizadas no atual Setor Sul da cidade. A Vila Saraiva era localizada, da mesma forma que o Bairro Patrimônio, nas proximidades do Córrego São Pedro, à montante, com relação ao Patrimônio.
O Bairro Tubalina tem suas origens na década de 1950. Nessa época, surgiu a Imobiliária Tubal Vilela S/A que incorporou áreas de terra onde atualmente encontram- se além do Bairro Tubalina (1978), localizado no Setor Sul, bairros do atual Setor Oeste, tais como o Bairro Jaraguá (1964), Planalto (1982), Chácaras Tubalina, Santo Inácio (1983) e São Lucas (1995). Essa década coincide também com o início do processo de verticalização no centro da cidade.
A mesma imobiliária também era proprietária da região do Bairro Pampulha (1953), projetado ainda na década de 1950. Nesta região está localizado o Bairro Lagoinha (década de 1940), que desde o início de sua ocupação, por fazendas que abrigavam portadores de hanseníase, sofreu com um processo de segregação sócio- espacial, refletido até a atualidade.
A região do Bairro Carajás (1940) foi parcelada pela empresa Viga Empreendimentos Imobiliários, propriedade de Virgílio Galassi, que era um grande proprietário de terras na cidade e foi prefeito da cidade (1970-1973/1978-1982/1989- 1992/1997-2000).
Entre a região delimitada pelo Rio Uberabinha, o Bairro Tubalina (1978) e a atual Rodovia MG-455, localizavam-se terras de propriedade de Aldorando de Souza, então proprietário da Imobiliária Oesteval. Nessa região, surge no final da década de 1970 um loteamento denominado Cidade Jardim (1978), que pretendia ser destinado a uma classe de renda mais elevada, cujos lotes teriam dimensões de aproximadamente 1.000 m². Após a construção da atual Ponte do Praia, o bairro consolida-se, na década de 1980, como um bairro de classe de renda elevada.
Na mesma região do Bairro Cidade Jardim, em terras do mesmo proprietário Aldorando de Souza, surgem já no início dos anos 2000 o Loteamento Fechado Jardins Barcelona (2002) e os demais loteamentos denominados Jardins Roma (2004), Jardins Gênova (2010) e, já no ano de 2015, o Jardim Versailles, consolidando a região com predominância nessa tipologia de parcelamentos do solo. No início dos anos 2000, vale mencionar a aprovação e a implantação do Loteamento Convencional Nova Uberlândia (1998), localizado entre os bairros Cidade Jardim e os loteamentos fechados da região, às margens do Córrego Bons Olhos.
No final da década de 1970, no mesmo período de implantação do Bairro Cidade Jardim, a COHAB (Companhia de Habitação) constrói três conjuntos habitacionais na cidade de Uberlândia, localizados distantes até 10 km do centro da cidade, com motivo
alegado de menores custos fundiários. Esses conjuntos são os atuais Bairros Luizote de Freitas (localizado no Setor Oeste), Segismundo Pereira (no Setor Leste) e próximo a este último, mas já no Setor Sul da cidade, o Bairro Santa Luzia (1979), onde foram construídas aproximadamente 800 casas, inauguradas no ano de 1981.
Após a construção do Bairro Santa Luzia, a PMU aprova em 1983 os loteamentos Parque São Jorge I, II e III, iniciando um processo de ocupação que marca a década de 1980, nesta região do Setor Sul de Uberlândia. Nas mesmas proximidades, já no final da década, também é implantado o Loteamento Parque São Jorge IV e no início da década de 1990, surgem os Bairros Seringueira e São Gabriel. Todos esses bairros que surgiram na região entre as décadas de 1980 e 1990 tinham uma característica de moradias destinadas a atender um déficit habitacional das famílias de baixa renda, enquadrando- se nos projetos habitacionais. Essa região está inserida atualmente no denominado Bairro Integrado São Jorge. Já na década de 1990, na mesma categoria dos bairros populares que surgiram nessa região, é implantado o Bairro Laranjeiras, delimitado pelos Bairros São Jorge e Santa Luzia.
A década de 1980 caracteriza um grande crescimento demográfico da cidade de Uberlândia e em especial do Setor Sul da cidade. O Bairro Cidade Jardim, Santa Luzia e São Jorge surgem nesta década. Na mesma época há um grande crescimento no processo de verticalização da cidade com a construção de condomínios verticais multifamiliares no centro da cidade e também em outros bairros distantes do centro.
No ano de 1987, foi inaugurado o primeiro shopping center da cidade, o Ubershopping. O empreendimento era localizado afastado do centro da cidade em uma região deficiente de transporte público, cujo acesso era realizado através da Avenida Nicomedes Alves dos Santos, antiga estrada para o Clube Caça e Pesca Itororó de Uberlândia. O shopping era considerado um dos maiores do estado, com 91 lojas de segmentos variados, no auge de suas atividades. De acordo com Silva (2012), o encerramento de suas atividades foi gradual, iniciado na década de 1990 e, dentre outros fatores, a sua localização e difícil acessibilidade contribuíram para o processo de falência. O principal fator responsável pelo fracasso do empreendimento deveu-se ao modelo de gestão do mesmo, no qual a propriedade das lojas pertencia aos próprios lojistas, de acordo com a autora. A concorrência na década de 1990 com um novo empreendimento, o Center Shopping Uberlândia, foi outro fator que contribuiu para seu fechamento. Depois de sua falência, passou a funcionar no local uma faculdade
particular e um supermercado (2008), além de uma igreja e alguns escritórios e lojas de segmentos diversificados.
Na década de 1980, Santos (2002) cita que foram implantados na cidade empreendimentos que utilizaram os conceitos das cidades jardins , destacando os bairros Umuarama, City Uberlândia (1980), atualmente denominado Jardim Inconfidência e Jardim Karaíba (1980). Os dois últimos foram implantados no Setor Sul, nas proximidades do Ubershopping, possibilitando o desenvolvimento de seu entorno, ocupado por grandes vazios urbanos dotados de infraestrutura.
Ainda de acordo com Santos (2002), os bairros localizados nesta área apresentam bom índice de ocupação e acomodam uma boa parte das classes média e alta da cidade, através dos bairros Morada da Colina, Jardim Karaíba (1980), Itapema Sul (1987), em contraste com o City Uberlândia que, apesar da boa qualidade de seu plano urbanístico, apresenta baixo índice de ocupação.
O Bairro Shopping Park é resultado de um loteamento ilegal, iniciado no final da década de 1980 por Carlos Sabagg, proprietário da fazenda Ibiporã, no Setor Sul da cidade originando os Bairros Shopping I e II. Mesmo não tendo sido aprovado o loteamento, as obras de abertura das ruas foram iniciadas sem pavimentação ou qualquer outra infraestrutura. O loteamento foi aprovado alguns anos depois, em 1992, de acordo com dados da SEPLAN.
Toda essa diversidade territorial construída ao longo do tempo resulta em uma região dotada de grande diversidade no que refere aos perfis sociais encontrados no Setor Sul, até mesmo a diversidade de tecido urbano evidenciado através da morfologia dos bairros da região. Isso se confirma quando Sposito (2013) coloca em questão a ideia da cidade como uma unidade espacial, através de três pontos.
Primeiramente, ela observa que os tecidos urbanos se estabelecem em descontinuidade, mesmo que exista observação de que os meio de transporte e comunicação possibilitam uma continuidade espacial, entretanto as descontinuidades se mantêm nas formas desses tecidos urbanos. Em segundo lugar, a falta de unidade espacial é evidenciada devido aos diferentes modos como as pessoas se movimentam e se apropriam do espaço, segundo interesses e escolhas individuais e ainda determinadas ao longo da história, de acordo com diversas formas de segmentação tais como a idade, perfil cultural, as condições socioeconômicas, a segmentação profissional, preferências
de consumo de bens e serviços etc. Evidenciam-se nesse ponto as variáveis tempo- espaço para a apropriação do espaço urbano.
Em um terceiro ponto, a autora defende a impossibilidade de ver a cidade atual como uma unidade devido às articulações entre o urbano e o rural, pois essas relações não se estabeleçam apenas relativamente à divisão técnica, social e territorial do trabalho, mas também são expressas em formas espaciais em que a cidade e o campo se imbricam, sobrepõem-se, nas suas mais diversas escalas, e não apenas na escala local. Dessa forma, Sposito (2013) destaca que não é possível ver a cidade atual como unidade, não sendo possível delimitá-la, pois não há o dentro e o fora:
Reconhecer, assim, o fim da cidade como unidade espacial, comparativamente aos períodos pretéritos, tomando-se como referência a longa duração, implica em aceitar que a cidade não pode ser pensada em si. Tem que ser avaliada como um espaço aberto, do ponto de vista das formas e dos fluxos, do ponto de vista objetivo e subjetivo, do ponto de vista concreto e abstrato (SPOSITO, 2013, p. 135).
Muito pertinente e complementar ao estudo de localização elaborado por Villaça (2001) e o histórico da ocupação do Setor Sul de Uberlândia, bem como a impossibilidade de observação da cidade como uma unidade, como destaca Sposito (2013), pode-se citar outro autor, François Ascher (2010), que traz novas definições de uma chamada Terceira Revolução Urbana, protagonizada por uma sociedade chamada hipertexto e marcada por uma forma de dispersão urbana denominada metápolis. Uma das mudanças caracterizadas por essa revolução é a redefinição das relações entre os interesses individuais, gerais e coletivos. Trataremos desse assunto no tópico a seguir.
1.4. SOCIEDADE HIPERTEXTO – COLETIVO X INDIVIDUAL