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JULGAMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA

A restrição ao cabimento dos embargos infringentes também atingiu as hipóteses relacionadas à ação rescisória. Pela antiga regra bastava a existência de divergência no julgamento para se admitir a utilização dos embargos infringentes, o que não é mais possível pela regra atual.

Além da necessária divergência no julgamento, agora é condição essencial à admissão dos infringentes a decretação de procedência da ação rescisória. Fica restabelecido também nessa hipótese o critério da dupla conformidade na medida

269 Nesse mesmo sentido, destaca-se o posicionamento de Leonardo José Carneiro da Cunha: “Enfim, a

anulação de qualquer sentença, seja terminativa ou definitiva, fará com que os autos sejam devolvidos ao juízo de primeiro instância para que profira outro ato sentencial. Nesse caso, inadmissíveis os embargos infringentes, mesmo que o acórdão não seja unânime, pouco importando se a sentença tenha sido terminativa ou definitiva. Uma vez anulada, não se possibilitará o manejo dos embargos” (CUNHA, Leonardo José Carneiro da,

Inovações no Processo Civil, Comentários às Leis 10.352 e 10.358/2001, 1. ed, São Paulo: Dialética, 2002, p. 122)

em que é requisito essencial a existência de um pronunciamento judicial que tenha reformado a decisão rescindenda.

Por se tratar de uma ação, há que se fazer uma ressalva quanto à admissibilidade da mesma. Antes da Lei 10.352/2001 não havia distinção entre o pronunciamento quanto à admissibilidade da ação e quanto ao mérito, sendo suficiente a existência de divergência para justificar o cabimento dos infringentes.

Como pela atual redação do artigo 530 do Código de Processo Civil é essencial que a divergência ocorra no bojo de decisão que julga a ação procedente, o recurso de embargos infringentes caberá somente em situações em que a ação foi admitida, ou seja, em situações em que a admissibilidade da ação foi superada270-271.

A partir dessa constatação, afasta-se a possibilidade de utilização do recurso em caso de discrepância quanto à admissão da ação, sendo necessário o ingresso na questão de fundo da ação e acolhimento da pretensão do autor para utilização do meio recursal272.

Em se tratando de ação rescisória necessária a delimitação do juízo rescindendo (iudicium rescindens) e do juízo rescisório (iudicium rescissorium).

270 No entender de Cândido Rangel Dinamarco “Não há dúvida de que a Reforma da Reforma negou de

modo radical os embargos infringentes contra acórdão que profere algum desses juízos negativos de admissibilidade, porque em todo sistema processual os recursos existentes são aqueles que a lei indica e sob os pressupostos que a lei exige. Não se podem transplantar para o direito vigente os critérios que prevaleceram no ab-rogado, sob pena de alimentar fantasmas de uma ordem jurídica pretérita” (DINAMARCO, Cândido Rangel, A Reforma do Código de Processo Civil, São Paulo, Malheiros, 2ª Ed., 2003, p. 200/201).

271 “Assim, a divergência porventura ocorrida no juízo de admissibilidade, a favor do autor ou do réu, não

torna embargável o acórdão. Do mesmo modo, a rescisória julgada improcedente, por maioria, não é suscetível ao ataque desse recurso. Já a divergência verificada na procedência da rescisória, quer no iudicium rescindens, quer no iudicium rescissorium, autoriza a interposição dos embargos pelo réu, em relação a uma dessas etapas ou ambas” (Assis, Araken de, Manual dos Recursos, 1ª ed, São Paulo, RT, 2007, p. 562).

272 “Agora, é necessário que a ação supere o juízo de admissibilidade e, mais, que por maioria de votos se

julgue procedente o pedido” (BARBOSA MOREIRA, José Carlos, Comentários ao Código de Processo Civil, 13ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 2006, vol. V, p. 531)

Existem casos em que, dependendo o fundamento que deu ensejo à ação rescisória, a decisão atacada pode ser anulada273 ou mesmo rejulgada274.

Assim, caracterizada a divergência no juízo rescindendo ou no juízo rescisório, o que pressupõe a admissão da ação rescisória275, viável a utilização dos embargos infringentes. A modificação da situação anterior com a desconstituição da coisa julgada é suficiente à utilização do recurso de embargos infringentes.

Numa situação onde a ação rescisória está pautada em dois fundamentos (violação à literal disposição de lei e documento novo), como já destacado no tópico onde se analisou os casos de ação com mais de uma causa de pedir, o acolhimento pela unanimidade em relação ao primeiro fundamento é suficiente a inviabilizar o recurso de embargos infringentes caso a divergência se dê em relação ao segundo fundamento.

No caso específico em que haja o rejulgamento da causa (juízo rescisório), uma particularidade deve ser destacada. Para se chegar ao juízo rescisório, necessariamente, deve haver o juízo rescindendo. Num caso em que a maioria acolheu o pedido de anulação (rescindendo), vindo, na fase seguinte, por unanimidade de votos, a julgar a ação rescisória procedente, não será possível a parte ingressar com recurso de embargos infringentes, haja vista que a pretensão inicial foi acolhida pela integralidade com a desconstituição da decisão transitada em julgado276.

273 Num caso de ação rescisória fundada na existência de coisa julgada, superada a fase de admissão, caso

se entenda caracterizada a ofensa à coisa julgada, a decisão atacada será rescindida (juízo rescindendo), não sendo necessário um novo julgamento da demanda (juízo rescisório). Basta a desconstituição da decisão transitada em julgado.

274 Nesse caso, a questão envolve a prévia anulação e um novo julgamento pelo órgão colegiado. Num caso

de ação rescisória fundada em documento novo, superada a fase de admissão, o acolhimento da pretensão do autor passa primeiro pela anulação da decisão atacada (juízo rescindendo) para depois se proceder ao novo julgamento da questão (juízo rescisório).

275 Em caso de preliminar de decadência, Barbosa Moreira reconhece a possibilidade de utilização dos

infringentes: “Ocioso acentual o cabimento dos embargos com base em voto discordante quanto à questão da decadência, que é preliminar de mérito”. (BARBOSA MOREIRA, José Carlos, Comentários ao Código de

Processo Civil, 13ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 2006, vol. V, p. 531)

276 Sérgio Shimura bem destaca essa situação: “Porém, quando houver necessidade de rejulgamento da

10. DA REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO

Benzer Belgeler