B. ĠĢveren Sendikası Kuruculuğu Ġçin Aranan ġartlar
IV. TÜZÜĞÜN HAZIRLANMASI VE BĠLDĠRĠLMESĠ
Quanto às águas subterrâneas a região do reservatório de Capivara localiza- se junto ao Sistema Aquífero Guarani, na região sudoeste do estado de São Paulo e Norte do estado do Paraná.
O Sistema Aquífero Guarani, “é considerado o maior aquífero do Brasil e um dos maiores do Mundo, com 1,3 milhões de Km2 (Rocha, 2007), sendo um sistema hidroestratigráfico da era Mesozoica, constituído por depósitos de origem fluvio- lacustre/eólicos do período Triássico, como das Formações Botucatu e Serra Geral” (MANZIONE, 2015, pág. 99). Este aquífero se estende também aos países limítrofes ao território brasileiro, o Paraguai, Argentina e Uruguai.
O planejamento de uso conjunto das águas do Aquífero Guarani, é fundamental para garantir não apenas o uso das águas para abastecimento, geração de energia, hidrovias, irrigação agrícola; mas, para se adotar medidas de monitoramento da utilização de suas águas, impactos gerados pela ação antrópica e a proteção das principais áreas de recarga deste importante manancial de águas subterrâneas.
Dentre os impactos verificados se destacam o uso de agroquímicos em culturas como soja, milho, algodão, trigo, cana-de-açúcar; além de esgotamento e rejeitos industriais de cidades localizadas em áreas de recarga do Aquífero Guarani, principalmente no oeste paulista e norte do Paraná, a região Metropolitana de Londrina, junto ao baixo Tibagi e ao reservatório de Capivara no Rio Paranapanema.
Sua maior área de ocorrência, cerca de 174.000 km2, mergulha em sentido oeste, onde é confinado pelos basaltos do Aquífero Serra Geral e pelas rochas sedimentares do Aquífero Bauru, com águas de ótima produtividade e qualidade (MANZIONE, 2015).
O zoneamento destas áreas de recarga do Sistema Guarani é fundamental, também, para garantir o ciclo normal de manutenção das águas subterrâneas, que suprem todas as sub-bacias formadoras dos rios que formam o Rio Paranapanema, e suprem o reservatório de Capivara. (Figura 11).
Figura 11 – Mapa Hidrográfico da Bacia do Rio Paraná, com a Bacia do Rio Paranapanema. Fonte: ANA– Governo Federal. Acesso 22 agosto 2015.
Há também na região junto ao reservatório de Capivara, uma intensa utilização de poços artesianos e sub-artesianos, que exploram as reservas do Sistema Aquífero Guarani na bacia do Rio Paranapanema, principalmente do Sistema Serra Geral, com a perfuração indiscriminada de poços para utilização nas propriedades agrícolas, irrigação, fornecimento de água a animais de criação de porcos e avicultura.
Quanto à captação da água, para atendimento ao meio urbano da região do reservatório de Capivara, são utilizados poços subterrâneos que beneficiam indústrias de bebidas, cervejas, e até mesmo chácaras de lazer e condomínios contam com a perfuração de poços para suprirem sua demanda de água de qualidade e gratuita.
Predomina na região do reservatório de Capivara o uso das águas superficiais, apesar de haver uma considerável reserva de águas subterrâneas. Devido sua posição geográfica e bases geológicas de seus principais centros dispersoras, o reservatório de Capivara, apresenta uma interação entre as águas superficiais e suas águas subterrâneas (MANZIONE, 2015, pg.163), sendo esta relação de fundamental importância no entendimento de seu ciclo hidrológico.
Na Figura 12 é destacado o poço do Aquífero do Sistema Serra Geral junto ao vale do rio Tibagi, Sub-bacia do rio Paranapanema, utilizado para estudos e monitoramento por parte da SANEPAR, PR; e de estudos hidrológicos por parte da Universidade Estadual de Londrina (CICILIATO, 2010, p.75).
Figura 12 – Poço do Sistema Guarani, Baixo Tibagi (SANEPAR). Foto: Ciciliato, 2012.
Esta relação é vital para manter o volume de água do reservatório praticamente em cota média e máxima durante os meses do ano, considerado pela empresa concessionária de energia vital também para garantir os volumes dos reservatórios das UHE de Taquaruçu e Rosana em sua jusante.
Os municípios mais populosos da UGRHI 17-MP são Ourinhos e Assis, que superam os 100.000 habitantes, sendo que os demais apresentam população entre 20.000 a 40.000 mil habitantes, como Cândido Mota, Paraguaçu Paulista, localizados na margem direita do reservatório de Capivara. As densidades demográficas destes municípios são inferiores a média do estado de São Paulo, o mesmo ocorre com os municípios da margem esquerda do reservatório no estado do Paraná, como Sertaneja, Sertanópolis, Primeiro de Maio e Porecatu, que não ultrapassam os 30.000 mil habitantes. (Fonte: IBGE, 2014) A disponibilidade hídrica na região UGRHI 17-MP do médio Paranapanema é de 85,7 m³/s, sendo que menos de 25% deste total é de fontes subterrâneas. (DAEE, 2008).
A região conta com 680 mil habitantes no lado Paulista e 300 mil habitantes no lado paranaense, nas áreas de influência do reservatório de Capivara, para atender principalmente irrigação, uso industrial e abastecimento urbano. (SABESP, 2012).
Para atendimento desta população e de suas necessidades, foi verificado o aumento no número de perfurações de poços artesianos em toda a região limítrofe ao reservatório de Capivara, principalmente em áreas de turismo e lazer, condomínios residenciais e chácaras. Estes poços visam a atender as demandas da população sazonal durante os finais de semana e feriados, fazendo aumentar o consumo de águas subterrâneas sem ou com pouco controle e havendo muito desperdício.
Quanto aos possíveis impactos nas águas superficiais e subterrâneas, a maior contaminação ocorre por conta do esgotamento urbano, principalmente do município de Ourinhos, além dos esgotamentos oriundos da RML, Região Metropolitana de Londrina, no baixo curso do Rio Tibagi (IAP, 2010). Além disso, algumas das principais nascentes formadoras do rio Paranapanema localizam-se junto aos municípios mais populosos da região, onde as condições de saneamento tendem a pressionar no futuro mais intensamente a situação dos recursos hídricos da bacia hidrográfica (IAP, 2015).
Quanto à qualidade das águas interiores da região do reservatório de Capivara, a UGRHI 17 - MP (Médio Paranapanema) apresenta três pontos de monitoramento, sendo o principal localizado a 800 metros da jusante da barragem de Capivara, entre os municípios de Porecatu, PR e Taciba, SP, sendo que a classificação analisada pela SABESP estabelece uma qualidade considerada Ótima. (SABESB, IAP, 2007).
A baixa densidade de pontos de monitoramento, atingindo apenas 0,24 pontos/1000 Km², não permite uma análise mais precisa dos níveis de qualidade da água em todo o reservatório de Capivara. Estudos já realizados na vertente paranaense da bacia hidrográfica do médio Paranapanema, junto à Região Metropolitana de Londrina (IAP, 2012), revelam um aumento preocupante dos níveis de contaminação da água na região do baixo Tibagi, que atinge a região de Primeiro de Maio e o reservatório em sua porção média.
Em dezembro de 2015, o IAP, analisou as águas desta região devido a grande proliferação de algas verificando a contaminação das águas do reservatório de Capivara junto aos municípios de Primeiro de Maio e Alvorada do Sul, identificando como principal agente de contaminação os esgotamentos clandestinos existentes nestas cidades e em ocupações feitas em suas áreas lindeiras. O Reservatório de Capivara, em Primeiro de Maio, apresenta floração de algas na
região, o que ocorre pelo excesso de matéria orgânica e nutrientes na água e afeta as condições de balneabilidade. (Boletim de balneabilidade do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), 17/03/2016).
Esta região apresenta atualmente a construção de grandes empreendimentos de lazer e Turismo, como loteamentos às margens do reservatório de Capivara, hotéis e resorts, pois é a mais preservada e não apresenta nenhuma cidade de porte num trecho de 40 quilômetros, via lago do reservatório entre Florínea no estado de São Paulo e Primeiro de Maio no estado do Paraná, cidades estas que somadas apresentam apenas dezesseis mil habitantes.
A região de Primeiro de Maio/Paranagi, Distrito de Sertaneja no Paraná, é muito pitoresca, tipicamente rural onde predominam grandes propriedades, (IAPAR,2013), de modo que os próprios proprietários estão construindo estes empreendimentos juntamente com imobiliárias e incorporadoras das grandes cidades da região como Londrina e Cornélio Procópio, localizados a 70 km dos limites do lago de Capivara.
Este conjunto de estruturas e de atividades tendem a pressionar ainda mais as águas subterrâneas, e consequentemente afetando o fluxo e a qualidade das águas superficiais e do reservatório de Capivara.
4. 1.9 Usos da terra na área de estudo
Dentre os diversos usos da terra, a paisagem regional no médio curso da bacia do rio Paranapanema, junto ao reservatório de Capivara, caracteriza-se pelas culturas agrícolas e, no baixo curso, pelas pastagens. Nos últimos anos, observa-se igualmente um avanço do plantio da cana-de-açúcar, sendo esta uma das atuais características da paisagem na região, podendo gerar uma nova etapa de impactos nos recursos hídricos.
A intensa presença de culturas agrícolas extensivas próximas às margens do reservatório sugere a compactação dos solos pelas máquinas utilizadas e a contaminação do lençol freático e do rio, devido ao uso de defensivos agrícolas, graxas e combustíveis, podendo causar a redução das espécies da fauna aquática e a mortandade de peixes (STIPP, 2000).
Nas áreas urbanas destacam-se os setores de serviços e comércio, com alguma industrialização em torno dos maiores núcleos urbana. As características do
solo da região facilitaram implantação e a modernização da agricultura visando à produção intensiva e extensiva de grãos para gerar excedentes, baseando a criação de grandes complexos agroindustriais. As culturas mais importantes são a soja, o milho, o trigo e a cana de açúcar, havendo ainda pastagens.
Tal situação gerou uma rápida eliminação das matas para ocupação agrícola do solo e foi a partida para o desequilíbrio ambiental, ocasionando graves problemas de erosão. Como consequência, ocorreu e ocorre ainda hoje, o assoreamento dos cursos de água e a deterioração dos mananciais cujas águas abastecem as cidades e se prestam a outras finalidades e empreendimentos. Grande parte da região é ocupada com a classe de agricultura intensiva (IAPAR,2000).
Nos últimos anos foi verificada a expansão da monocultura canavieira, principalmente na margem direita do reservatório de Capivara, junto aos municípios de Gardênia, Iepê, Nantes, em áreas que eram ocupadas principalmente por pastagens e pela cobertura vegetal natural dos cerrados e cerradões e transição com a floresta tropical semi-decídua junto às margens das sub-bacias da região, como dos rios Capivari, São Mateus, Jaguaretê.
CAPÍTULO V – RESULTADOS E DISCUSSÕES