TURKEY'S IMMIGRATION POLICY OF THE EFFECTS OF MIGRATION AND ASYLUM SEEKER MOVEMENTS
3.TÜRKİYE’NİN MÜLTECİ POLİTİKALARI 3.1.Sığınma Olgusunun Türkiye’deki Tarihsel Süreci
3.3. Türkiye’nin Suriyeli Mülteci Politikası
Para compreender o poder local destacamos a contribuição de Daniel (1990, p. 11-27), segundo a qual em uma sociedade como a brasileira, caracterizada por profundas desigualdades, a amplitude dos direitos outorgados pela Constituição de 1988, choca-se frontalmente com a estreita capacidade das administrações municipais em absorvê-los.
Na condição de esfera própria do Estado, o poder político local participa da divisão de tarefas dentro de um cenário que tem ”(...) identidade própria fundada numa certa história que é a tradição local e em signos distintivos de sua territorialidade cuja expressão é a comunidade” (op. cit., p. 14).
Esse cenário social, fruto de uma longa construção, tem suas elites sociais e políticas locais, que, ao deixarem as marcas do seu projeto social, fazem dele elemento integrante da hegemonia dominante e do correspondente consenso social. Assim, na implementação do projeto da democracia participativa, é importante reconhecer essa dimensão do real, que é a identidade local.
Nesse caso, torna-se necessário a reelaboração da tradição local, sobretudo abrir espaços para interpretações alternativas às produzidas pelas elites locais. Torna-se necessário identificar e reconhecer como tal as manifestações de valores e as referências, que de algum modo marcaram a identidade local. Há portanto marcas/símbolos que fizeram, ou fazem, parte da vida de seus moradores e integraram valores nos quais se reconhecem e até condicionam seu cotidiano. Isso vale para objetos diversos, “(...) uma edificação histórica como por exemplo, uma fábrica, um teatro, uma equipe esportiva, uma festa tradicional etc”20. (Daniel, 1990, p.15).
Porém, um projeto de município que pretenda assumir a disputa da hegemonia precisa incorporar uma proposta de desenvolvimento local. Para que isso ocorra, cabe pois refletir e agir sobre a vocação econômica do município, suas potencialidades e possibilidades. Mesmo que, se reconheça que as atribuições e condições sejam muito limitadas, as iniciativas sempre são possíveis. Nesse sentido, Daniel (1990), indica alguns fatores a serem considerados com relação ao município: a ação não pode ser medida apenas pelos seus resultados imediatos, mas também pelo seu apelo simbólico. Deve-se
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Ver a respeito o autor que desenvolve essa questão de forma mais ampla sobre a vida de seus moradores e o que marcou a identidade local. É importante reconhecer essa “tradição local”. (Daniel, 1990:14)
considerar ainda a posição e a função do município na divisão espacial do trabalho e as possibilidades de integração regional.
A identidade municipal supõe uma unidade, que se produz não com homogeneização absoluta do espaço da comunidade mas na qualidade de síntese de múltiplas identidades, que por sua vez são relativas a “(...) vários pedaços da cidade-território, da vizinhança, da rua, do bairro onde os moradores se reconheçam por, oposição aos demais espaços do município” (DANIEL, 1990, op. cit., p. 15).
Segundo Daniel (1990), a questão espacial produzida nos municípios brasileiros tende a definir normas urbanísticas, legislação de zoneamento, parcelamento e codificação concebidas à luz de parâmetros de vida urbana altamente elitistas. O que às vezes ocorre na cidade real, produtos de contradições e desigualdades profundas é bastante diferente da cidade “pensada”. Ás vezes a parcela da cidade construída de acordo com as normas, opõe-se outra parcela da cidade, por vezes mais da metade – que vive à margem das normas, e é:
(...) tida como desvio a ser corrigido ou, no limite, extirpado, Por conseguinte, a cidade assim concebida exclui da legalidade – o que quer dizer, dos direitos de cidadania – os setores sociais mais desfavorecidos: moradores de loteamentos irregulares, cortiços, favelas e trabalhadores informais ( ambulantes) ou donos de pequenos negócios irregulares (op. cit., p. 15).
O autor propõe identificar o papel do município na função de dominação vinculada a formas de legitimação “calçadas num conjunto de valores políticos de presença marcante no Estado e na sociedade brasileira “
(...) valores referidos a ‘grandes obras’, grandes feitos, visíveis por si e identificadas a ‘grandes administrações’; as diferentes manifestações do paternalismo como o populismo, pelo qual o líder ‘doa’ direitos sem mediações ao povo, ou o clientelismo, que produz mecanismos de cooptação e amortecimento dos conflitos por meio de troca de favores” (DANIEL, 1990, p, 12).
Assim, construir uma nova identidade torna-se um desafio permanente, em função das inclinações da cultura política brasileira que exige uma inversão nos modos dessa relação. Os meios de subordinação devem ser eliminados por outros de nova qualidade e que viabilizem o controle da sociedade sobre o Estado na esfera local.
Sob a ótica da política tradicional, a relação entre a Prefeitura e a comunidade configura-se um modo específico de legitimação do poder político local: “(...) uma maneira de buscar o consenso social que induz ao controle do Estado sobre a cidade” (op. cit., p. 14) e, nesse sentido, os procedimentos básicos adotados incluem a predominância do ponto de vista do Estado, do populismo e do clientelismo.
Não resta dúvida de que as transformações são necessárias por causa das exigências da democratização do Estado; exige-se uma relação que depende de três agentes: governo, aparelho administrativo e comunidade. Requer a disseminação de procedimentos democráticos, sobretudo entre os agentes, os que ocupam o aparelho administrativo local.
A legitimação fundada na cultura dos direitos precisa também encontrar eco no interior da comunidade e, para tanto, precisa ser também disseminada nas situações concretas de constituição de conselhos dos políticas públicas que devem emergir e ser decididas de forma independente da gestão municipal.
Neste sentido, segundo Daniel (1990) a implementação dessa nova cultura política, calçada na cultura dos direitos, traz como exigência a criação de canais de participação. É necessário considerar que se trata de combinar elementos da democracia representativa e da democracia participativa, o que confere aos elementos políticos, uma qualidade nova, caminhando para as formas de controle da comunidade sobre a prefeitura. Daniel (1990) ressalta que a participação popular é necessária na gestão dos equipamentos e serviços públicos, para garantir que eles estejam de fato a serviço dos seus usuários.
Além dos espaços como os dos conselhos, que têm definida por lei a sua composição, atribuições, seu estatuto, etc. não podem ser desprezadas as situações informais, episódicas, suscitadas pela população em seu cotidiano, a partir de seus interesses e suas necessidades. Pelo contrário, deve-se compreender a riqueza e a potencialidade na abrangência da cidadania e dos direitos.