No Espírito Santo, os republicanos não estavam organizados em partidos políticos quando ocorreu a proclamação da República, tendo os diversos grupos de se compor com os políticos dos extintos partidos do império: o liberal e o conservador.
A instabilidade política do início da República findou-se com a eleição de Muniz Freire para governador, favorecido pela renúncia de Deodoro da Fonseca. Desse período até 1908 o Partido Construtor480 governou o Estado, sob a liderança de Muniz Freire. 481 Do mesmo grupo político, Cleto Nunes Pereira foi
eleito Governador municipal de Vitória, tomando posse em 19 de dezembro de 1892. 482
A oposição ao governo Muniz Freire ficou a cargo do partido União Republicana, 483 em que figuravam republicanos famosos como Antônio Aguirre e Bernardo Horta.484
480 Fazia parte, inicialmente do diretório do Partido Construtor: Muniz Freire, Henrique Coutinho, Domingos
Vicente, Joaquim Pinheiro, Constante Sodré, e juntamente com diversos filiados como Ataíde Jr., Sólon Ribeiro, Capitão Salles, Antônio de Campos Sobrinho, Gil Goulart, Torquato Moreira, Horácio Costa. Esse partido na campanha constituinte foi defensor do Estado Laico com o casamento civil separado do religioso e a igualdade entre todas as religiões. SALETTO , Nara. Partidos Políticos e Eleições no Espírito Santo da 1ª República. p. 06.
481 SALETTO, Nara. O início da República no Espírito Santo; a reorganização política e institucionalização
do novo regime ( 1889-1896). Op. Cit.
482 NOVAES, M. Stella. História do Espírito Santo. p. 330.
483 Estiveram à frente desse partido o chefe do antigo Partido liberal, o Barão de Monjardim; o líder do partido
conservador Aristides Freire; o liberal Joaquim Lírio, e Horta Araújo. Esse grupo era acusado de ter tendências monarquistas. As “tinturas republicanas” dessa associação foram dadas pelos líderes de Cachoeiro Antônio Aguirre e Bernardo Horta. O Partido da União tentou no período da elaboração da Constituição conseguir a adesão dos Católicos, apelando para seus sentimentos, dizendo-se contra as mudanças laicizantes do partido construtor: “O Partido Construtor quer acabar com nossa religião! Quem for católico, apostólico romano negue o voto ao Partido Construtor”. SALETTO, Nara. Partidos Políticos e Eleições no Espírito Santo da 1ª República. pp. 05-06.
A economia do Espírito Santo , desde o período imperial direcionava-se para a produção do café. A produção na região sul baseava-se na grande propriedade, com a utilização da mão-de-obra escrava. Após a abolição da escravatura adotou- se o sistema de meeiros e paulatinamente a divisão das grandes propriedades. A comercialização nesta região, inicialmente, era feita por intermediários, mas logo a seguir passou a ser realizada diretamente por exportadores, através de empresas sediadas no Rio de Janeiro.
Em contraste com a região sul, na região central a produção era baseada na pequena propriedade privada. Ne ssa região, o comércio era feito internamente por pequenos comerciantes; enquanto as exportações estavam sob o controle de importadores e exportadores, geralmente estrangeiros. 485
A capital Vitória era uma cidade isolada, visto não ter ligações de transporte terrestre com as regiões produtoras do norte e do sul do Estado. Tanto a produção da região sul, que a partir de Cachoeiro do Itapemirim era transportada pela estrada de ferro Leopoldina, quanto a produção da região norte eram escoados diretamente para o Rio de Janeiro. O desenvolvimento da Capital dependia unicamente de sua própria e reduzida produção, possuindo, por isso, características urbanas modestas. 486
Vitória, que no Império tinha forte característica burocrática, passou por um processo de transformação pós-República, ganhando relevância a atividade comercial, em decorrência da expansão cafeeira. 487 Ampliou-se à construção de
casas comerciais e armazéns, foram feitas melhorias na área do porto, além de outras mudanças que realçaram a capital mais pelo tamanho da cidade do que propriamente pelo porte dos investimentos que se faziam. 488 Contudo, o
484 Em 1894 a União se dividiu, sendo formada uma corrente sob liderança do Barão de Monjardim: o partido
Autonomista. A União permaneceu sob a direção de Aristides Freire, com o seu jornal O Comércio do Espírito Santo, e de Bernardo Horta. Também o partido Construtor teve dissidências, perdendo republicanos radicais como Horácio Costa, Novais Mello (deputados federais), Antero de Almeida e Vlademiro da Silveira (deputados Estaduais). SALETTO, Nara. Partidos Políticos e Eleições no Espírito Santo da 1ª República. p. 07.
485 GUALBERTO, João. A Invenção do Coronel. SPDC/UFES, Vitória: 1995. pp. 120-121
486 CAMPOS JUNIOR, Carlos Teixeira. O Novo Arrabalde: Vitória no princípio da República. pp. 122-123. 487 CAMPOS JUNIOR, Carlos Teixeira . O Novo Arrabalde. Op. Cit. p. 130.
desenvolvimento da produção cafeeira também significou a sobreposição de Vitória, até então principal cidade do Estado, por Cachoeiro do Itapemirim. 489
Essas condições econômicas explicam a pouca concentração urbana de Vitória, que possuía somente 10% dos habitantes do Estado, enquanto os 90% restantes estavam, na sua imensa maioria, na zona rural, pois a imigração utilizada como recurso para povoar o Estado, se direcionava para o interior. 490 Os primeiros governos republicanos do Espírito Santo tentaram, com projetos particulares, modificar à situação da capital que, “modernizada”, serviria de modelo de progresso a ser implantado em todo Estado.
As propostas projetadas pela primeira administração de José Melo Carvalho Muniz Freire, representam os projetos modernizadores tentados pelo Partido Construtor ao longo do período em que esteve no poder: 1982 até 1908. Esse período foi marcado por grandes expectativas de crescimento, favorecidas pela alta dos preços do café e pelo regime republicano, que possibilitou ao Estado reter o imposto de exportação e a posse das terras devolutas, além da permissão de conceber empréstimos externos e eleger seu governante , o que tornava, aparentemente, viável seu programa de governo .491 Essas novas características possibilitaram o Estado executar uma política própria. 492
Almejava o governador que o Estado deixasse de ser um “fardo da nação”, como dantes no Império. Esse objetivo era viável, visto que, o orçamento do Estado, devido a valorização do café, era cinco vezes maior do que quando ainda era uma província. 493
489 Ibdem. .Op. Cit.. 124. 490 Ibdem. Op. Cit. p. 136.
491 SALETTO, Nara. O início da República no Espírito Santo; a reorganização política e institucionalização do novo regime (1889-1896). Op. Cit. As propostas de governo defendiam a transformação de Vitória em um centro comercial e financeiro importante, privilegiando a produção cafeeira. O programa incluía obras públicas de urbanização de Vitória, além da defesa da imigração européia e uma política de lei de terras.
492 SALETTO, Nara. Transição para o trabalho livre e pequena propriedade no Espírito Santo. (1888/1930).
Edufes: Vitória, 1996. p.89.
493 DERENZI, Luiz Serafim. Biografia de uma ilha. 2. ed. Vitória: PMV, 1995. p. 145. Refere -se o autor às
boas expectativas do primeiro governo de Muniz e descreve o fracasso do plano de urbanização idealizado. pp. 145-146. Também In: CAMPOS JUNIOR, O Novo Arrabalde. Op. Cit. p. 143. O Governo Muniz Freire iniciou um período de certa estabilidade política, no seio da classe que exercia o poder, após a Proclamação da República. No seu primeiro mandato foi favorecido pela situação econômica favorável por que passava o Espírito Santo. O orçamento público foi cinco vezes maior que o da antiga província.
O primeiro boom cafeeiro, por volta de 1893, correspondeu ao Período da primeira administração de Muniz (1892/96) 494 e, embora Vitória continuasse tendo uma urbanização modesta, tinham-se expectativas de desenvolvimento, já que o governador prometia intervir decisivamente para mudar aquela fisionomia registrada em 1892:
Cidade velha e pessimamente construída, sem alinhamentos, sem esgotos, sem arquitetura, segundo os caprichos do terreno, apertada entre a baía e um grupo de montanhas; não tendo campo para desenvolver-se sem a dependência de grandes despesas; mal abastecida de água; com um serviço de iluminação a gás duplamente arruinado, pelo estado material e pela situação de sua empresa. 495
Ao priorizar a construção de uma ferrovia ligando Vitória a Cachoeiro do Itapemirim, Muniz Freire pretendia concentrar a comercialização da produção cafeeira na Capital, tornando Vitória um grande centro comercial, não apenas do Estado mas, se possível, de importantes regiões produtoras mineiras. 496 Para tanto, o projeto elaborado previa a criação do bairro: Novo Arrabalde. 497
Para adequar Vitória às grandes expectativas desse projeto, não bastaria fazer melhorias e dotá -la de infra-estrutura básica. Era imperativo que houvesse grandes áreas na cidade em condições adequadas de salubridade, visto que as que existiam necessitavam de aterros e anexações de áreas do mar. 498
A solução encontrada pelo governo foi o projeto de um bairro, Novo Arrabalde, elaborado por uma comissão presidida pelo sanitarista Saturnino de Brito que pretendia anexar uma área cinco a seis vezes maior do que área que compreendia até então a Capital. O objetivo de transformar a Capital em um
494 CAMPOS JUNIOR, Carlos Teixeira O Novo Arrabalde. Op. Cit p. 140. 495 Ibdem. p. 137.
496 CAMPOS JUNIOR, Carlos Teixeira O Novo Arrabalde. Op. Cit. p. 149. 497 Ibdem. p. 138.
grande centro comercial, baseava-se no desenvolvimento dos grandes centros mundiais:
O argumento mais imediato em favor da necessidade dos grandes centros é fornecido pela lição de todos os tempos e de todos os povos. Não há país no mundo de importância política ou comercial, que não tenha as suas grandes praças, e quanto mais notáveis são estas mais levada é a categoria da nação; as primeiras nações do globo são a França, a Inglaterra, os Estados Unidos e a Alemanha, que possuem cidades como Paris, Londres, Nova York, além de tantas outras que figuram em primeira linha após estas.499
Muniz, como outros primeiros governantes republicanos, almejava mudar a imagem da cidade e torná-la moderna, rompendo com o seu passado colonial. 500
O crescimento desejado tencionava uma separação social do espaço, ainda inexistente na Vitória do fim do século XIX, morando próximos, ricos e pobres. A primeira tentativa saliente nesse sentido foi o contrato firmado entre o Estado e a Cia Torrens, que ficou responsável pela organização do serviço de água e esgoto e pelo aterro do Campinho, baixada localizado na parte sul da ilha de Vitória, para ampliar a área de crescimento da cidade. 501
A aspiração de Muniz pela modernidade, segundo Campos Júnior, se limitava à renovação do espaço urbano, ou seja, à parte mais visível, porém “menos comprometedora dos compromissos tradicionais da hierarquia”. A modernização atenderia a novos interesses, sem, contudo, romper com antigos aliados ligados à terra. 502
499 Ibdem. pp. 148-149.
500 CAMPOS JUNIOR , Carlos Teixeira. O Estudo da Construção como uma contribuição à História da
Cidade.http: /sitemason.vanderbilt.edu/files/jBjW9i/Campos%20Jnior%20Carlos%. p. 01. em 31/08/2007 as 15:50
501 CAMPOS JUNIOR , Carlos Teixeira. O Estudo da Construção como uma contribuição à História da
Cidade. Op. Cit. p. 04. Isso, pois segundo o autor os predicados da produção social do espaço não eram ainda diferenciadores relevantes da qualidade dos espaços.
O desenvolvimento desses processos atendia aos compromissos firmados com os novos interesses do comércio, e adotava uma postura que poderíamos identificar como “modernização conservadora”. Embora priorizasse a Capital, eixo político do Estado, pretendia ser esse o direciona mento do progresso a ser desenvolvido, posteriormente, em todo Estado. Essa modernização não poderia abalar as bases econômico-sociais enraizadas na sociedade.
Entretanto, essas pretensões econômicas e políticas, encaminhadas pelo Partido Construtor, foram inibidas pela crise do café , que se iniciou em 1896 e estendeu-se por mais de dez anos. Com a política dos Governadores , o Estado definitivamente ficou sob tutela dos grandes centros: São Paulo e Minas Gerais.
503
O fracasso do projeto de modernização, idealizado por Muniz Freire, 504
correspondeu a todo o período em que esteve à frente do governo o Partido Construtor. A crise econômica debandou todas as expectativas de transformar a Capital em uma cidade moderna. Foram infrutíferas as permanentes tentativas de modernização dos sucessores de Muniz, devido a falta de recursos decorrente da crise da produção cafeeira. Essa situação sofreu mudanças apenas na administração de Jerônimo Monteiro.
Findo seu primeiro mandato, Muniz Freire, conseguiu eleger seu sucessor Graciano Neves,505 que, enfrentando dificuldades econômicas, foi forçado a tomar
medidas restritivas, cancelando todas as obras planejadas pela administração anterior, exceto a construção do sistema ferroviário, que vinha sendo patrocinado por empréstimos externos. Essa situação provocou críticas dentro do próprio partido, enfraquecendo-o politicamente, motivando sua renuncia em 16 de setembro de 1897. 506 Como não havia passado dois anos do mandato do
503 SALETTO, Nara. O Início da república no Espírito Santo. Op. Cit.
504 CAMPOS JUNIOR , Carlos Teixeira. O Estudo da Construção como uma contribuição à História da
Cidade. Op. Cit. p. 05.
505 APE. Fundo Governadoria. Série correspondências. Data 1900/1903/ Ofícios recebidos pelo presidente do
Estado do ES. 1900. Código G. Relatório sobre o governo de Muniz Freire tendo o dr. Graciano dos Santos Neves, eleito para presidir o Estado durante o quadriênio, que hoje se termina, renunciando o cargo [...] em setembro de 1897 [...] nova eleição em 30 de novembro do mesmo ano.
506 CAMPOS JUNIOR , C. T. O Novo Arrabalde. Op. Cit. p. 144. Para Maria Stella de Novaes Graciano
Neves demitiu-se para “não criar embaraços” ao Partido Construtor que era chefiado pelo seu amigo Muniz Freire que se encontrava em comissão do Estado na Europa. O então governador Graciano Neves havia
governador, prazo mínimo exigido pela constituição do Estado, realizou-se nova eleição a 30 de novembro do mesmo ano, sendo eleito José Marcelino Pessoa de Vasconcelos que tomou posse do governo em janeiro de 1898, cumprindo os dois anos restantes do mandato. 507
O novo governador eleito, procurando continuar a construção da estrada sul do Espírito Santo, tomou empréstimo do Banco da República no valor de 1.500: 000$000, autorizado pelo Congresso Estadual em 1899. Como garantia da operação, o Estado apresentou as agências fiscais de Mimoso, Santo Eduardo e Itapemirim. Em contrapartida, suspendeu as escolas primárias das povoações e suprimiu uma companhia do corpo de polícia; além de suspender o trabalho de duas empreitadas e reduzir o que estava sendo feito nas estradas. 508
Os acontecimentos políticos do país repercutiram no Estado, fortalecendo rivalidades, visto o apoio de importantes aliados no nível nacional. Nas eleições para o Congresso Nacional, a principal força política era Francisco Glicério, líder da maioria do Partido Republicano Federal. Esse partido, fundado em 1893 por sua iniciativa junto a outros aliados, foi a primeira tentativa de criar um partido de âmbito nacional na República. 509
Em 1896 o Presidente Prudente de Morais enfrentou forte oposição de florianistas e jacobinos, além de romper no ano segui nte com Glicério. Com a licença do presidente, devido ao seu estado de saúde, assume seu vice Manoel Vitorino, que apóia a ala florianista, da qual fazia parte Glicério.
Após as dissidências, no Partido Construtor decorrentes da eleição presidencial de 1896, 510 novamente ocorreram divergências na eleição para o
senado, pois o partido não seguiu as indicações de Muniz Freire, que se
deixado no governo o vice-presidente Constante Gomes Sodré ao viajar para o Rio de Janeiro, tendo renunciado ao voltar ao Estado. In: NOVAES, M. S. História do Espírit o Santo. Op. Cit. p. 341.
507 NOVAES , M. S. História do Espírito Santo. pp. 341/342. 508 Ibdem. Op. Cit. p. 342.
509 Essa tentativa foi frustada, pois de maneira geral os partidos estaduais se filiaram ao PRF, mantiveram suas
denominações, suas direções e afirmaram sua autonomia. SALETTO, Nara. Partidos Políticos. p. 08.
510 Quando em 1896 ocorreu a eleição para escolher o sucessor de Muniz, este indicou a candidatura de
Graciano Neves, discordando dessa indicação, o senador Domingos Vicente lançou-se candidato, com apoio da União, levando consigo alguns políticos. SALETTO, Nara. Partidos Políticos. pp. 07-08.
encontrava na França . 511 Nesse momento, Luís Siqueira e Torquato Moreira
fundaram uma seção regional do partido Republicano Federal, contando com apoio da ala florianista. A União foi dissolvida e o jornal O Comércio do Espírito Santo passou a apoiar Partido Republicano Federal. 512 Os partidos estaduais ficaram assim definidos: Republicano com a ala florianista e o Construtor com a ala prudentista. O jogo de forças políticas nacionais interferia diretamente na preponderância dos grupos regionais.
Quando Prudente reassumiu a presidência, os florianistas perderam força, principalmente após a derrota de Glicério para a presidência da Câmara. O atentado sofrido pelo presidente, que resultou na morte de seu ministro da guerra, reforçou seu apoio popular e justificou a perseguição à oposição jacobina. O inquérito sobre o atentado envolveu Glicério, Manoel Vitorino e muitos outros. No Espírito, Santo Torquato Moreira perdeu força e prestígio político. 513
O Partido Republicano do Estado, enfraquecido, sobreviveu até 99, quando vários de seus membros se uniram ao partido da situação na defesa da candidatura de Muniz Freire para governador nas eleições de 1900. Os opositores reuniram-se na Concentração Republicana. Jerônimo Monteiro desligou-se do Partido Construtor em 1898 e no ano seguinte junto com Ramiro de Barros (chefe político de Afonso Cláudio) fundou o Partido da Lavoura que , com apoio do Partido da Concentração lançou Ramiro de Barros como governador. 514
Vitorioso, Muniz Freire inicia em 1900 o seu segundo mandato, marcado por profunda crise econômica. 515 Na mesma data, tomou posse no cargo de
511 NOVAES , Maria Stella. História do Espírito Santo. Op. Cit. p. 348. Muniz Freire viajou para França e
regressou no dia 07 de abril de 1899. Estava numa comissão representando o Estado.
512 SALETTO, Partidos Políticos. Op. Cit.O jornal O Comércio faz duras criticas à Cleto Nunes e a Henrique
Coutinho, membros os PRC acusando-os de traírem Muniz. p.09.
513 O Comércio do Espírito Santo. Vitória, 04 de dezembro de 1897. p 02 Rapidamente foi organizada pelo
padre Bermudes, capelão do exército e o tenente da Armada nacional Manoel T. Machado Dutra, uma missa em homenagem ao ex-ministro da guerra, se posicionando sobre o atentado e se afirmando aliado ao governo de Prudentista.
514 SALETTO, Nara. Partidos Políticos. Simpósio ANPUH. 2005. p. 10.
515 Mensagem apresentado ao congresso legislativo na abertura da terceira sessão da 3ª legislatura pelo
presidente de Estado Dr. José de Mello Carvalho Moniz Freire. (353.98152. E 77m /1900. APE). Nessa mensagem de 13 de setembro de 1900. Papelaria e Tipografia A.Moreira Dantas. Moniz Freire descreve seu desânimo com a situação de crise vivida pelo Estado, devido à seca que provocou o desfalque considerável nas safras dos anos de 1898 e 1899 e maior na de 1899 e 1900. Relata a grande dívida flutuante do governo e que por esse motivo fechou quase todas as escolas de povoações e suspendeu outros “sem prejuízo do
presidente municipal o Cel. Joaquim Corrêa Líri o. 516 Diferentemente do período
de sua primeira administração, Muniz Freire foi compelido a pedir moratória aos credores estrangeiros. 517 Mesmo após esse quadriênio de “amargura política e
financeira”, 518 o Partido Construtor permaneceu no poder, com a eleição do Coronel Henrique Coutinho, para o quadriênio 1904-1908. Já empossado, rompeu com a corrente munista. 519
Segundo Saletto, assim como outros partidos políticos das primeiras décadas da República, o Partido Construtor, mostra um distanciamento progressivo em relação aos princípios republicanos e liberais defendidos na propaganda republicana. O partido, que inicialmente permite a participação da oposição e se preocupa, ao menos no discurso, em combater as fraudes, aos poucos passa a utilizar como recurso, para manutenção do poder, práticas condenadas. Dessa forma, a defendida autonomia, advinda com a República, acabou por representar apenas uma licença para que as oligarquias estaduais
“exercessem sem freios a dominação sobre a população”. 520
A elevação do Estado a Bispado ocorreu no período em que as previsões em relação ao Espírito Santo ainda eram favoráveis. Estando em uma região privilegiada, próximo dos grandes centros, parecia que , através do café, deixaria de ser uma unidade “menor” dentro do cenário nacional. Essas expectativas foram malogradas pela seca e crise cafeeira vivenciada por todo país, sendo alarmante para o Espírito Santo, já que as “grandes expectativas” representaram grandes projetos e grandes gastos para o governo . 521
A crise econômica afetou diretamente o bispado de dom Nery, que observou a dificuldade “dessas épocas de horríveis provações” em que se
ensino”, deu um corte profundo na força pública, reduzindo-a ao estritamente indispensável para a manutenção da ordem, também reduziu e fez reduzir o pessoal do tesouro, da recebedoria e de outras estações