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I. DÜNYA VE TÜRKİYE EKONOMİSİNDEKİ SON GELİŞMELER

I.10. Türkiye Ekonomisi

É necessário dizer que, apesar do foco negativo sobre as relações entre homens, mulheres e familiares ou indivíduos que convivem, considera-se também que estas mesmas relações podem possibilitar condições de convivência satisfatória e de reprodução de afetividade. Por isso mesmo, é necessária a erradicação das práticas de

8 Justo que origina a noção de justiça. Não se pretende, neste estudo, realizar esta reflexão, mas este seria o

violência doméstica e de gênero, uma vez que já se encontram condições históricas de dissolução de uniões estáveis e de constituição de outras relações amorosas, quando estas se esgotam.

A violência contra as mulheres é um termo amplo, capaz de demonstrar controle sobre as mulheres, através do uso da força física ou psicológica, ou seja, de coisificação dos seres sociais do sexo feminino. O processo de revisão histórico, feito pelas mulheres sobre sua história, como estratégia de fortalecimento do projeto ético- político feminista, mostrou que a condição de gênero definiu lugares e papéis sociais diferenciados para homens e mulheres nas formas de sociabilidade.

Nesta análise, coube a reflexão que a condição de gênero sustentou a dominação patriarcal, que, em sua constituição, esteve relacionada ao controle masculino sobre o feminino, marcando-se por formas de dominação-exploração sexual e reprodutiva (LERNER, 1990), combinadas a raça/etnia e classe social.

Os estudos mostram que a origem da escravidão se deu inicialmente sobre as mulheres, combinando historicamente o racismo e o sexismo (LERNER, 1990, p. 311; SAFFIOTI, 2005). No corpo feminino encontraram-se formas para objetivação da dominação-exploração através do sexo e da reprodução. A dominação sexual e a reprodução decorrente de sua prática sobre caiu historicamente sobre as mulheres.

No enfoque adquirido nos anos recentes, patriarcado não se refere somente a uma forma de dominação imposta pelos homens, mas que conta com a subalternidade feminina e que se estende para as relações sociais, não se restringindo ao âmbito familiar. É este o fenômeno, entrelaçado a outros modos de dominação que reproduz as condições de naturalização e de manutenção da violência contra as mulheres.

Por isso gênero e patriarcado, constituem-se em possibilidades reflexivas sobre a condição das mulheres e ao mesmo tempo, possibilidades para a construção de uma história que seja capaz de enfrentar os preconceitos derivados destas questões. A violência contra as mulheres ocorre em várias situações e ambientes e, na naturalização e universalidade como fenômeno social, apresenta como característica bastante comum elementos de violência de gênero, com conotações de violência doméstica, mas transpõe-se para as instituições de maneira a repercutir no conhecimento, na tecnologia, etc.

Para Saffioti, gênero é uma categoria de análise, conforme Scott (1990) apontou, e também uma categoria histórica. Segundo a autora, cada pesquisadora enfatiza determinado aspecto da categoria que pode ser genericamente considerado “[...] a construção social do feminino e do masculino” (SAFFIOTI, 2004, p. 45). Considerando que esse entendimento pode referir-se às relações entre homem- mulher; homem-homem; mulher-mulher e abranger a construção social das orientações sexuais. Nesse sentido, a violência de gênero “[...] visa à preservação da organização social de gênero, fundada na hierarquia e desigualdade de lugares sociais

sexuados que subalternizam o gênero feminino” (SAFFIOTI; ALMEIDA,1995, p.

159 – grifos das autoras).

Segundo as autoras o fenômeno da violência de gênero apresenta determinadas características9. Nessas características, explicitam-se duas idéias fundamentais. A primeira refere-se a gênero como forma de relação, que define hierarquias, desigualdades e lugares sociais entre indivíduos do mesmo ou de outro sexo. Essas hierarquias mantêm a mulher em desigualdade de poder na relação com o homem10.

A segunda característica enfatizada pelas autoras sobre a violência de gênero é a sua constituição como forma de mediação das relações de exploração-dominação. Em outro texto Saffioti (1999b) ao analisar a constituição da sociedade em hierarquias expressou:

Os seres humanos também organizam a sociedade hierarquicamente. [...] Nas sociedades, não há um único eixo de hierarquização [...]. As três gramáticas mais importantes são: 1 – a gramática sexual ou de gênero [...]; 2 – a de raça/etnia [...]; 3 – a de classe social [...]; Dentre as outras gramáticas, que poderiam ser chamadas de secundárias, está a que rege as relações entre crianças, adolescentes e idosos, de um lado, e adultos, de outro.

9 Cf. nota de rodapé n. 4 na Introdução desta tese.

10 Isto pode ser visualizado de várias maneiras, sendo a divisão sexual do trabalho uma delas. Por isso,

as feministas francesas adotaram sexo social ou sujeito sexuado, lembrando a todos que a classe tem dois sexos. Esta perspectiva promoveu o debate sobre a desigualdade de gênero no interior do movimento dos trabalhadores e incorporou a dimensão de sexo na divisão social do trabalho (HIRATA; KERGOAT, 1994). CF. Hirata, 2002, p. 17-26.

Vem constituindo-se um esforço teórico das feministas, em seu projeto ético- político de busca de construção de uma sociedade igualitária entre homens e mulheres, compreender as formas de exploração-dominação de maneira articulada e sem o estabelecimento de hierarquias.

Esse processo, que estabeleceu hierarquias nas relações sociais, sedimentou-se através de valores, costumes, leis e papéis sexuais, ganhando sustentação histórica na família patriarcal11, cujo formato manteve, durante séculos, grande parte das mulheres reféns dos espaços domésticos, das atividades daí decorrentes e da reprodução, garantindo a sustentação de valores incorporados culturalmente. No século vinte, a questão adquiriu outros contornos, promovidos pela dissolução de uniões estáveis, ganhando ênfase às explicações de que os conflitos que ocorrem em âmbito doméstico não se restringem ao âmbito familiar, constituindo-se parte dos processos de regulação da sociedade, inter-relacionados dialeticamente.

Mas as hierarquias transpuseram-se para a sociedade e sedimentam-se em formas de controle e sustentação de poderes, compondo-se a forma que mantém a apropriação privada dos meios de produção e da divisão social. Compõe-se num processo dinâmico que torna natural o que é histórico e invisível o que é parte do cotidiano.

Uma das formas mais comuns de reprodução da violência de gênero e de manter as hierarquias é a violência doméstica, compreendida como uma forma de sociabilidade, que encontra formas de (re)produção nos grupos básicos da sociedade, exigentes de convivência íntima e de relações de afeto. Conforme apontado acima e baseado em Saffioti (1999b), entre as formas que mantêm os mecanismos de exploração-dominação, encontram-se as secundárias, que regem as relações entre crianças, adolescentes e idosos, de um lado, e adultos, de outro. Esses espaços de parentesco e familiares, muitas vezes, abrigam relações violentas.

A masculinidade quando se demonstra agressiva também encontra sustentação nos mecanismos de (re)produção patriarcal que conforme já dito, compõe-se à subalternidade das mulheres.

A violência contra mulheres, idosos, crianças, trabalhadoras domésticas, encontra ambiente favorável nos espaços domésticos e, através dela, tornam-se mais comuns formas de subalternidade de gênero e geracional.

Melhor precisando, a violência doméstica12 é derivada de conflitos, que ocorrem em espaços de convivência e moradia e também os que ocorrem em outros ambientes, entre indivíduos que convivem e têm relação amorosa ou de parentesco. Por isso, concorda-se que violência doméstica se apresenta como fenômeno mais amplo e capaz de incorporar a violência familiar e a conjugal13. A violação às mulheres em âmbito doméstico caracteriza-se como um fenômeno social, marcado pelo patriarcado.

Nesse âmbito, podem ocorrer variadas formas de violência, como a psicológica ou emocional, a física, a sexual (abuso, estupro), a moral, a patrimonial e o homicídio. A violência psicológica ou emocional, talvez a de maior dificuldade em sua comprovação e, inclusive, de sua aceitação pelas mulheres, pode levar a variadas conseqüências, como ao adoecimento mental e físico.

A superação dessas subalternidades implica uma série de mudanças internas e externas, não havendo definição de forma ou de tempo para cada indivíduo construir as condições objetivas de sua superação. Por isso, a interrupção de relações e a superação das situações de violência exigem apoio objetivo, que possibilite às vítimas o restabelecimento do cotidiano sem violência e também aos agressores, a revisão em suas condutas. Esses apoios objetivos se traduzem na responsabilidade pública sobre o fenômeno, seja, em direitos humanos.

As agressões em âmbito doméstico pressupõem a subjetividade e envolvem relações afetivas, emocionais e a condição étnica, racial e de gênero dos indivíduos envolvidos. Por isso, são consideradas como transgressões éticas e mecanismo de opressão e controle sobre as mulheres, uma vez que favorece os mecanismos de (re)produção do patriarcado, como fenômeno social. Os maus tratos que ocorrem em

12 “[...] a violência doméstica e, em particular, o femicídio inscrevem-se em um campo de forças

determinado, sendo apropriados e retraduzidos, ao nível jurídico, a partir das imagens atribuídas aos protagonistas dos conflitos que os geraram e dos lugares socialmente ocupados pelos mesmos” Almeida (1998, p. 19). A adoção de femicídio pelas mulheres inglesas constitui-se em uma forma de diferenciar o homicídio que tem como prefixo homem. É entendido pela autora como “[...] uma política deliberada e sem-limites de exploração-dominação de mulheres, [...]” (idem, p. 23).

âmbito doméstico e familiar sustentam-se histórica e culturalmente, uma vez que adotado como mecanismo natural de controle sobre aqueles considerados com menor poder na família ou no domicílio, sejam crianças e adolescentes, mulheres, idosos, empregados domésticos.

À exceção das crianças, adolescentes e adultos doentes mentais, que encontram possibilidades que lhes reservam outros amparos legais, as mulheres vítimas de violência doméstica subalternizam-se às pressões e agressões, que se traduzem em violência de diversas naturezas. Por isso é necessária a consolidação de direitos que assegurem às mulheres condições de proteção social, mediante a violência a que estão submetidas historicamente.

O mesmo mecanismo de agressividade, muitas vezes, transfere-se ainda para os animais domesticados.

Como forma de tornar evidentes as formas de violência às quais as mulheres estão submetidas agora ampliando para todas as formas de violência, apresenta-se em primeiro momento as informações, baseadas em dois relatórios sobre os direitos humanos. O Relatório da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos (REDE SOCIAL DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS; GLOBAL EXCHANGE, 2002, p. 249-255) aborda a pobreza e a violência das mulheres, baseando-se em informações da ONU. Também reflete sobre possibilidades alternativas para a luta das mulheres. Aponta que a repercussão das transformações ocorridas na conjuntura do período não atingiu da mesma forma homens e mulheres, meninos e meninas. No que diz respeito à pobreza, o relatório analisou que havia reflexos do trabalho na situação econômica das mulheres, agravado pelo crescimento do desemprego e da precariedade das relações de trabalho. Sobre violência, apresentou informação de que se constitui em causa de morte e danos à saúde, havendo incremento do tráfico de mulheres e meninas, da prostituição e do turismo sexual. Apontou as práticas como estupro, de agressões sexuais e de escravidão nas guerras. O relatório também se referiu à mutilação genital em culturas que impõem a sua prática.

O segundo Relatório da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos (REDE SOCIAL DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS; GLOBAL EXCHANGE, 2003, p. 199-204) abordou o emprego e o salário para as mulheres, baseado em informações do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos

e IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e indagou sobre as perspectivas de mudança no governo Lula. Analisou, através de informações quantitativas, a desigualdade de condições de trabalho, salário, desemprego e seguridade social para homens e mulheres.

Também se podem mostrar as formas de violência a que as mulheres estão submetidas, através de documento da I Conferência Nacional de Políticas para Mulheres (2004). Esta contou com a organização de cinco eixos, que agregaram as propostas resultantes das Conferências Estaduais, municipais e do Distrito Federal: 1) a pobreza: geração de renda, trabalho, acesso ao crédito e a terra; 2) a violência contra a mulher: prevenção, assistência, combate e políticas de segurança; 3) o bem-estar e a qualidade de vida para as mulheres com relação à saúde, moradia, infra-estrutura, equipamento sociais, recursos naturais; 4) os direitos humanos das mulheres: civis, políticos, sexuais e reprodutivos; 5) políticas de educação, cultura, comunicação e produção do conhecimento para a igualdade.

A descrição será voltada ao segundo tema, ou seja, àquele que especifica a violência contra a mulher. Isso não significa que os outros eixos abordados não estejam plenos de denúncia de formas de violência contra as mulheres. Os temas, organizados neste eixo temático, referiram-se à política social, Poder Judiciário e a violação aos direitos das mulheres: necessidade de ações integradas, assédio (moral e sexual), assistência, campanhas, capacitação, Casa Abrigo, Centros de Referência, Defensorias Públicas, Delegacias de Polícia, Disque Denúncia, exploração sexual, Instituto Médico Legal - IML, Poder Judiciário, legislação, orçamento, Ouvidoria, pesquisas, política, presídios, prevenção, racismo, segurança, tráfico, violência doméstica, violência sexual.

Dentre estes, aqueles que demonstram as formas de violência a que as mulheres estão submetidas, sendo que as suas práticas combinam variadas formas, são:

- o assédio ocorre nos ambiente de trabalho de natureza pública e privada; - a exploração sexual envolve principalmente crianças e adolescentes e, muitas vezes, desenvolve-se vinculada ao turismo e em áreas consideradas críticas, como atingidas por represamento aos rios, próximas às rodovias, praias, pólos turísticos e área indígena. Também se relaciona ao tráfico de seres humanos;

- a violência sexual ocorre em variadas situações, em âmbito doméstico, urbano ou rural;

- o racismo envolve principalmente as mulheres negras e indígenas e remete a aspectos da cultura, raciais e étnicos. Ocorrem crimes praticados pelos militares contra as mulheres indígenas e ribeirinhas (abuso de autoridade e sexuais, estupros, abandono de paternidade e outras violências), principalmente em áreas de fronteiras;

- o tráfico de mulheres envolve também meninas e seres humanos, em escala internacional e nas regiões de fronteira, entrelaçando-se ao turismo e à exploração sexual;

- a violência doméstica que gera custo social com dimensões difíceis de serem mensuradas.

Benzer Belgeler