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Türkiye’ deki Đşsizliğin Genel Karakteristiği

BÖLÜM 2: TÜRKĐYE’ DE ĐŞSĐZLĐĞĐN YAPISI

2.7. Türkiye’ deki Đşsizliğin Genel Karakteristiği

Antes mesmo de adentrarmos na dissertação deste capítulo sobre o licenciamento ambiental e seus processos, é importante nos situarmos no contexto histórico para entendermos que fatores antecederam a criação e normatização de procedimentos que autorizam e concedem as devidas licenças para a implantação de qualquer empreendimento que possa impactar e/ou degradar o meio ambiente.

Assim, com o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, se tem início um período de reconstrução do mundo destruído, principalmente a Europa, promovendo o crescimento da indústria mundial e trazendo grandes impactos ambientais, econômicos e sociais, como já amplamente apontado por diversos estudos. Denúncias sobre acidentes ambientais começam a surgir e ganhar força nesse momento, como o que ocorreu em Minamata, no Japão, em 1953, provocando a morte de centenas de pessoas por ingestão de peixes contaminados por mercúrio, alertando a população mundial sobre o seu papel na preservação ambiental. É importante lembrar que a população japonesa já havia sentido os efeitos destruidores provocados pelo lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, causando a morte de milhares de pessoas e deixando o mundo aterrorizado.

A partir dos anos 1960, o crescimento industrial está “a todo o vapor”, a tecnologia avança e a industrialização segue provocando mais riscos à vida humana e gerando mais lucro. Com esse avanço industrial em curso ficam evidentes os efeitos sobre a natureza, por meio dos diversos desastres ecológicos que passam a ocorrer com frequência. Segundo Melo (2012), a questão ambiental emergiu após a Segunda Guerra Mundial, e promoveu importantes mudanças no mundo, a humanidade percebeu que os recursos naturais eram finitos e que seu uso incorreto poderia representar o fim de sua própria existência.

Essa consciência ambiental dá origem ao que podemos chamar de “revolução ambiental”, um dos mais importantes movimentos sociais dos últimos anos e que vem promovendo significativas transformações na economia mundial e no

comportamento da sociedade até os dias de hoje. Segundo Goulart e Callisto (2003), os movimentos ambientalistas surgem em protesto aos grandes desastres ecológicos como: derramamentos de petróleo, construção de grandes represas, rodovias, acidentes nucleares, entre outros. Na esteira desses protestos contra os desastres ecológicos, podemos destacar a publicação, em 1962, do livro “Primavera Silenciosa”, da bióloga americana Rachel Carson. Seu livro fez grave denúncia sobre intoxicações em humanos e agressões ao meio ambiente causadas pelos agrotóxicos.

Ela foi a primeira a colocar para o grande público a questão dos resíduos de agrotóxicos no meio ambiente [...] a presença de agrotóxico foi denunciada em quase todos os tipos de alimentos, inclusive no leite materno. Rachel Carson mostrou a real possibilidade de correlação entre resíduos de agrotóxicos em alimentos e muitas doenças crônicas da população, inclusive o câncer. Denunciou que a grande mortandade de pássaros e a destruição dos seus ovos, acompanhados pela morte de peixes e de animais silvestres, eram causados por agrotóxicos, especialmente pelos inseticidas (MOURA, 2009, p. 46).

Com o crescimento dessa consciência sobre os impactos que a indústria provocava ao meio ambiente, bem como por pressão dos diferentes segmentos da sociedade civil organizada, o governo dos Estados Unidos cria uma regulamentação ambiental que ficou conhecida como National Environmental Policy Act (NEPA), publicada em 1969, que instituiu a avaliação de impacto ambiental, propondo a participação efetiva da sociedade no processo de decisão acerca da viabilidade ambiental dos empreendimentos capazes de causar significativa degradação ambiental. Conforme Iara Moreira (1985 apud ROCHA et al., 2005, p. 148), o NEPA previa a identificação dos possíveis impactos ambientais, os efeitos ambientais negativos, a manutenção ou mesmo melhoria do meio ambiente, a definição quanto ao comprometimento dos recursos ambientais, dentre outros pontos. Ou seja, era uma regulamentação que buscava prevenir os possíveis impactos ao meio ambiente, provocados pela implantação de quaisquer empreendimentos, e que também procurava equilibrar a qualidade de vida ao desenvolvimento econômico da época, criando condições para que homem e natureza pudessem coexistir.

Na década de 1970, países desenvolvidos influenciados pelo NEPA, buscaram constituir mecanismos de gestão ambiental, de caráter preventivo, que subsidiasse a tomada de decisão sobre seus projetos de desenvolvimento. Com

isso, a aplicação da avaliação de impactos ambientais generalizou-se rapidamente por outros países: a Alemanha em 1971, Canadá em 1973, Austrália e Nova Zelândia em 1974, França e Irlanda em 1976 e Holanda em 1979 (FERREIRA, 2010, p. 16). Outro fator importante que viria a contribuir para a consolidação dos instrumentos de avaliação dos impactos ambientais como instrumento de preservação do meio ambiente, ocorreu com a publicação do relatório do Clube de Roma, intitulado “Limites do Crescimento”, em 1972, que analisou os limites do crescimento econômico levando em conta o uso crescente e desenfreado dos recursos naturais e apontou a industrialização acelerada, o rápido crescimento demográfico, a escassez de alimentos e o esgotamento de recursos não renováveis, como principais fatores de deterioração do meio ambiente. (MEADOWS et al., 1973). No mesmo ano da publicação do relatório do Clube de Roma, e sob sua influência, foi realizada a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, em Estocolmo na Suécia, que discutiu a degradação da qualidade do meio ambiente em função da poluição industrial nos países desenvolvidos, bem como a ausência de marcos regulatórios, tecendo uma dura crítica ao modelo indiscriminado de desenvolvimento econômico. A Declaração de Estocolmo, em seu Princípio 14, cita que “o planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar às diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente”. Este princípio já apontava para a necessidade de se planejar, com cuidado e atentamente, as questões relacionadas ao meio ambiente, propondo uma equalização entre o desenvolvimento econômico e a preservação da qualidade do meio ambiente. Segundo Mebratu (1998 apud BORGES; TACHIBANA, 2005), a Declaração de Estocolmo “reconheceu a importância do gerenciamento ambiental e o uso da avaliação ambiental como uma ferramenta de gestão”. Nesse mesmo ano, como desdobramento da Conferência, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), importante organismo mundial para a defesa do meio ambiente.

Os efeitos de todos esses acontecimentos também repercutiram em alguns países na América Latina. Em 1972, a República Dominicana criou a Comissão para Análise da Poluição Ambiental vinculada ao gabinete da Presidência da República. (MOREIRA, 1989, p. 58). Em 1974, a Colômbia instituiu o Código Nacional dos Recursos Naturais e Renováveis e a Proteção Ambiental, que dispunha sobre a

apresentação de relatórios de impacto ambiental para atividades causadoras de danos ambientais. Outra iniciativa que merece destaque por sua importância histórica é a Lei Orgânica do Ambiente, promulgada na Venezuela em 1976, que estabeleceu princípios diretores para o planejamento e gestão ambiental e determinou medidas de controle das atividades econômicas. (MOREIRA, 1989, p. 59).

No Brasil, os desdobramentos do NEPA e da Conferência de Estocolmo não tardaram a repercutir. Em 1972, devido ao financiamento pelo Banco Mundial, o processo de construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Sobradinho é submetido à avaliação de impacto ambiental, se tornando o primeiro empreendimento a sofrer essa avaliação ambiental no Brasil. (BRASIL, 2012).

Mesmo com todo esse processo de gestão ambiental e de precaução por meio das avaliações de impacto ambiental, em prática na década de 70, o crescimento econômico e industrial continuou impactando de forma degradadora e poluidora o meio ambiente, provocando desastres ambientais de enormes proporções e que estão na memória de muitos pela repercussão na mídia mundial.

Isso fica evidente, como citam Goulart e Amaral (2009, p. 2), nos acidentes ambientais ocorridos na década de 80, tais como, o vazamento de gás na fábrica de pesticidas da Union Carbide, em Bhopal na Índia, o acidente nuclear de Chernobyl, o acidente com um petroleiro da Exxon Valdez, no Alasca, dentre outros. Em 1984, um vazamento de gasolina ocorrido na cidade de Cubatão-SP, provocou um incêndio e deixou aproximadamente uma centena de mortos. Outro acidente de grande proporção no país ocorreu na cidade de Goiânia, em 1987, e ficou conhecido como o acidente do Césio-137, elemento radioativo que vazou de um aparelho de radioterapia abandonado a céu aberto por um hospital e que contaminou grande parte da população local.

Em virtude de todos os acidentes ambientais ocorridos nas décadas de 70 e 80, fica evidente a importância da participação da sociedade mundial na proteção do meio ambiente e nos processos de implantação de atividades industriais potencialmente poluidoras.