BÖLÜM 2 YETİŞKİN EĞİTİMİ
2.9. Türkiye’de Yürütülen Yetişkin Eğitimi Faaliyetleri
Durante a entrevista, os professores foram indagados sobre as percepções em relação ao recebimento da psicanálise por parte dos alunos. Segundo eles, a psicanálise, como qualquer outra área do conhecimento, “não tem um recepção homogênea”. Alguns gostam e
outros não: “Os alunos que assim desejam [continuar os estudos psicanalíticos] vêm para
fazer as disciplinas optativas, TCC45 [...] alunos [os que desejam seguir nos estudos na psicanálise e educação] os quais, ou tem feito mestrado ou doutorado comigo ou com outros
colegas”. Até aí um fato perfeitamente normal em se tratando de educação, onde existem as mais diversas correntes de pensamento e as mais diferentes ‘pedagogias’. Acredito que
estranho seria se os ideais freudianos fossem acolhidos por todos! “Não estou preocupado com a quantidade, assim como já disse Freud, a psicanálise não é para todos” (fala de um dos entrevistados).
Porém, me chamou a atenção quando um dos professores entrevistados contou a respeito da primeira impressão da disciplina de psicanálise e educação. Segundo ele, a psicanálise “oscila entre dois polos extremos, que seriam o extremo do fascínio e o extremo da recusa”. Entre os dois polos, reside aquele grupo de aluno médio, que nem ama nem odeia. Ele está somente ali para comprimir os compromissos curriculares da disciplina, já que ela é
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obrigatória: “passando por essas duas posições [fascínio e recusa], existe o grupo de alunos
que ficaram na dúvida, e que não ‘sacaram’, que dizem assim: ‘Escuta, isso não encaixa na
perfeitamente bem na coisa prática’. E ficam nisso. [...] Esses não parecem muito se importarem com a aula” (fala de um dos professores).
Seria muita pretensão desejar que todos os alunos se interessassem pela psicanálise. Mas, seguindo a fala do professor e analisando os programas das disciplinas, parece haver uma falta de contextualização das teorias psicanalíticas aplicadas ao campo da educação. Esta falta de inserção, partindo do próprio depoimento do professor, parece-me se apresentar como uma resistência. Acredito que seria muita ambição julgar as contribuições da psicanálise somente pelo fato dela fazer parte do currículo do curso, sendo necessário excluir a aproximação deste campo com as práticas educativas.
O pólo do fascínio diz respeito à psicanálise como a teoria “mais completa de todas
sobre a humanidade”. Seria como se os alunos dissessem “Ah! Explica-me! Agora sei porque sou assim”. É justamente no pólo da fascinação que encontramos alguns vícios, como: “Então vou tentar entender a fase oral do meu aluno”. No pólo da fascinação, é interessante perceber
que a psicanálise captura os estudantes através da questão do consumo próprio. No fascínio, vemos surgir resquícios da psicanálise enquanto uma mera teoria do desenvolvimento sexual.
Segundo um dos professores, é no ponto do fascínio que os alunos começam a pensar nas relações deles com o mundo, com as pessoas que eles conhecem; enfim, vão trazendo a psicanálise para sua própria história. “[...] eu diria que é quando se perdem e manifestam que
estão se perdendo eu fico contente porque penso ‘Está funcionando!’. E quem não fica quando
começa uma análise? [...] Enfim, quando o aluno diz isso na segunda aula, eu tenho a sensação de que o negócio [a transmissão da psicanálise] começou a funcionar”. Esse “estar
perdido” me parece convergir com as questões da (re)significação da prática docente, mas não
o entendo como sendo o foco escolhido por alguns dos professores entrevistados. Esta assimilação é feita por uma interpretação minha, e a faço considerando que o “estar perdido” muito tem a ver com a renúncia do lugar do mestre que tudo sabe sobre as crianças. Se perder é se interrogar, é refletir, é não ser tudo.
No outro pólo, temos a recusa, que, segundo um dos entrevistados, “se manifesta, sobretudo na forma de crítica, contestação. Quer dizer, antes de entender a teoria já começam os posicionamentos contrários. Freud chegou a dizer que acusam a psicanálise por aquilo que ela não diz [...] Pedagogia ou qualquer outro lugar onde a psicanálise vá se pronunciar, ela vai sempre sofrer essa tensão na direção do vício discursivo em jogo, no caso daqui [o curso de pedagogia], é o vício do discurso pedagógico”. Este apontamento feito por um professor
justifica, em certa medida, aquilo que no tópico anterior foi chamado de “calibragem das
disciplinas”.
Como já dito anteriormente, me parece que a psicanálise se apresenta pelas vias da desconstrução, ou seja, ela se apresenta por aquilo que ela não é e por seus limites no campo da educação, daí o foco nas questões conceituais dado por alguns professores. Porém, esta
“calibragem das disciplinas” não me parecer iludir os docentes em relação aos efeitos da
psicanálise na formação dos alunos: “Usamos as discussões em sala de aula para reverter esses tipos de distorção [...] Agora, isso tem um limite [...] é o limite da análise pessoal das
pessoas, quer dizer, tem alguma coisa que o mero entendimento racional não vai reverter”.
(fala de um dos entrevistados). Em alguns momentos, fico com a impressão de que há um certo preciosismo em relação à psicanálise. Parece existir uma preocupação muito maior em marcar o lugar que a psicanálise ocupa do que, propriamente, em apresentá-la como uma
teoria que tem “uma palavra a dar para a pedagogia”. Como já citado, vemos esta “necessidade” desde a apresentação da psicanálise pelo nome46
.
Cientes do impossível de educar47 postulado por Freud, os professores mostram que a
preocupação não é com aprendizagem dos alunos, no sentido de esperar um retorno imediato
do que foi apreendido: “[...] eu não me preocupo com aquilo que eles [os alunos] fazem. Eu,
em princípio, me engajo na transmissão, na tentativa de poder passar por essa experiência de transmissão e poder dizer no final que fiz o que devia ser feito, ou seja, eu tento ser o mais
honesto possível com o desejo que me anima na tarefa” (fala de um dos entrevistados). A
dimensão da impossibilidade na educação proporcionou a este professor reconhecer que o ensino da psicanálise, no caso, não se sustenta na ilusão de elidir o abismo existente entre saber e verdade; bem como reconhecer as vicissitudes das aprendizagens como processos individuais. Isto não é outra coisa senão pensar a partir do campo de desejos contraditórios estruturado na linguagem, ou seja, a partir do campo do Outro48.
Devido ao seu engajamento com a transmissão, este professor acredita que alguns alunos, gostando ou não da psicanálise, “têm a sensação de que não perderam seu tempo ao
46Essa questão foi abordada no tópico “Espaço e Resistências” 47
O impossível de educar em Freud se apresenta no reconhecimento do real da educação, ou seja, considerar que no ofício de educar, enquanto uma profissão relacional que lida com os sujeitos, existe uma parcela de fracasso intrínseco (já que a satisfação plena é inexistente), tendo em vista que os resultados da transmissão não são passíveis de previsão, deixando assim o esperado sempre aquém ou além do proposto. Seja com for, se se admite
o sujeito do inconsciente com parte da educação, independentemente dos métodos pedagógicos, “não é possível fixar uma relação de causalidade entre os meios e os efeitos obtidos” (DINIZ, 2011, p.130).
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O termo Outro permite fazer alusão ao inconsciente, notado na psicanálise de orientação lacaniana. O Outro é o lugar do código, da convenção significante, daquilo que está além dos sujeitos falantes envolvidos num diálogo. É justamente neste lugar que o sujeito pode colocar, para si, as questões de sua existência, ou seja, um lugar de questionamento, mas que provem de um saber inconsciente. (KAUFMANN, 1996).
emprestarem os ouvidos” (fala de um dos entrevistados). O professor afirma, com uma
enorme exatidão, esta questão da “sensação de que não [os alunos] perderam seu tempo” a partir do momento em que considera a frequência nas aulas como sendo fator determinante deste interesse. A questão da frequência, inclusive, só foi abordada por este professor:
“minhas aulas não são de frequência obrigatória”. Talvez, este aspecto isolado não consiga
justificar a certeza de que, só porque estão na sala, os alunos não perderam seu tempo. Outro indicativo usado pelo docente tem relação com os estudantes que o procuraram para fazer TCC, mestrado, doutorado. Somente 1 professor, dentre os 4 entrevistados, não se posicionou a respeito do retorno dos alunos. Retorno este creditado à transferência que se estabeleceu durante o tempo das disciplinas de Psicanálise e Educação. Marco aqui as disciplinas como um “divisor de águas” entre o antes e o depois da psicanálise, pois não me foi relatado nenhum caso de alunos do curso de pedagogia que, mesmo antes das disciplinas, já apresentavam interesses pela psicanálise. Enfim, os professores se mostraram satisfeitos com os efeitos que a psicanálise tem provocado em seus alunos. Eles relataram, ainda, que o número de estudantes interessados em “beber da fonte” da psicanálise vem crescendo com o passar do tempo.
Não acredito, no entanto, que a psicanálise tenha todo este espaço que me foi relatado. Claro que, se compararmos com outras épocas, hoje, no cenário brasileiro, a produção no campo é muito mais expressiva comparada com outras épocas. Esse panorama pode ser
observado a partir do “Estado da Arte em Psicanálise e Educação (de 1987 a 2012)”
(PEREIRA; KUPFER; SOUZA; FIDELIS; 2013). Dentre os mais de 600 artigos listados, mais da metade foi publicada a partir do ano de 2007, ou seja, a produção dos últimos 6 anos foi maior, em números, do que em vinte anos (de 1987 a 2007), no que concerne ao cenário brasileiro. Penso que a satisfação dos professores diz mais a respeito do espaço que a psicanálise tem hoje dentro da educação do que propriamente aos números de TCC, dissertações e teses, já que, comparada com outras áreas, a produção ainda é muito inferior49. Apesar disso, percebemos que, comparado com a época em que os professores começaram seus estudos, o número de publicações nos dias atuais é infinitamente maior. Trago estes números pois acredito que, mesmo com um cenário bem mais favorável do que em outras épocas, no que tange às universidades pesquisadas, a psicanálise ainda está alicerçando seu lugar no campo da educação, principalmente dentro dos cursos de formação de pedagogos.
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Em pesquisa feita por André et al. (1999), entre os anos de 1990 e 1996, entre teses e dissertações, foram 284 trabalhos sobre a formação de professores. Nesse mesmo período foram encontrados somente 19 trabalhos no campo da psicanálise e educação.
Como já dito anteriormente, a adesão da psicanálise não é unânime, mas todos os professores se dizem satisfeitos com os retornos dados pelos alunos. Segundo os entrevistados, este retorno está muito relacionado com a prática, principalmente a docente. Isto é algo marcante em todas as entrevistas. A operatividade da psicanálise dentro dos estudos da educação está diretamente atrelada à prática docente, à atuação do pedagogo perante seus alunos, por mais que a psicanálise não ofereça uma metodologia de ensino aos pedagogos. Pelas entrevistas, tenho a impressão de que é justamente quando vão para a
prática que os pedagogos percebem a psicanálise enquanto uma teoria que traz “uma
perturbação crônica das certezas pedagógicas” 50. De fato, é precisamente pela relação que a transmissão da psicanálise estabelece com a prática docente que durante as entrevistas alguns casos me foram relatado. Nestes casos, alunos, quando encontram seus antigos mestres, dizem que a psicanálise muito os tem ajudado no dia-a-dia da sala de aula e que, verdadeiramente, só no exercício da profissão eles perceberam a real função da psicanálise para o campo da educação: “Eu não sei se eles [os estudantes] conseguem avaliar, nesse momento [durante as disciplinas], a operatividade da psicanálise, essa aplicação da psicanálise na educação
imediatamente. Eu recebo retorno quando começa a trabalhar” (fala de um dos entrevistados).
Essa questão do contexto da prática docente parece ser um ponto importante a se considerar no ensino da psicanálise nos cursos de formação de pedagogos. Segundo um dos entrevistados, é comum observar que os estudantes que já estão inseridos no exercício da profissão têm uma maior facilidade em avaliar a psicanálise enquanto um dispositivo: “Os [alunos] que já têm uma prática em sala de aula ficam muito mais ligados, mais interessados”. Outro caso sobre esta questão da prática surgiu a partir de uma comparação feita, por um dos entrevistados, entre os alunos dos cursos de pedagogia e dos cursos das outras licenciaturas51:
“Os estudantes das outras licenciaturas vêm fazer as disciplinas com uma formação mais
sólida, eles já passaram pelos estágios, eles têm uma discussão sobre o paradigma da ciência. Eles tendem a perceber com maior frequência do que os pedagogos que não é uma teoria aplicativa, que ela oferece uma espécie de perturbação às certezas pedagógicas” (fala de um dos professores).
Porém, quando trago aqui a discussão da prática como um fator a ser considerado no ensino da psicanálise, não estou querendo dizer que as disciplinas devem estar atreladas a estágios, ou que elas só podem ser cursadas por estudantes com experiência em sala de aula.
50
Esse dado diz respeito a estudantes que após a formação foram atuar com professores. Não estou considerado relatos de estudantes que depois da graduação em pedagogia fizeram a pós-graduação.
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Nessa faculdade os alunos de outras licenciaturas fazem disciplinas sobre de psicanálise e educação no final de seus cursos. A disciplina de Psicanálise e Educação é comum à pedagogia e as demais licenciaturas.
Por outro lado, procuro apontar o que vem sendo estudado e defendido, desde os anos 80, pelos estudiosos da formação docente:
Construir ou reconstruir o currículo da formação de professores para favorecer a mudança da escola, significa assim navegar à vista entre o realismo conservador e otimismo ingênuo, procurar a distância ideal entre a formação e as condições efetivas da prática (PERRENOUD, 1993, p. 101).