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Türkiye’de Modernleşme Problemleri ve Tartışmaları

3. BATI MODERNLĠĞĠ VE TÜRKĠYE’DEKĠ YANSIMALARI

3.4. ModernleĢme Sorunları ve TartıĢmaları

3.4.2. Türkiye’de Modernleşme Problemleri ve Tartışmaları

O processo de urbanização em Penápolis, como ocorreu na maioria das cidades brasileiras já estudadas, modificou as propriedades meteorológicas do ar urbano com o incremento da temperatura e decréscimo da umidade nas áreas urbanizadas, configurando assim o “clima urbano”.

No entanto, com base no conjunto de análises, da caracterização geoambiental e urbana, da geração de dados, do processamento e representação destas informações, foi possível não somente constatar a existência de um clima urbano na cidade de Penápolis, como correlacionar a variação das diferenças de temperatura e umidade à estruturação do espaço intraurbano.

Portanto, foi possível identificar áreas que, pelas suas características paisagísticas se apresentaram mais aquecidas do que seu entorno, dando origem assim, às ilhas de calor. Houve também áreas menos aquecidas, que formaram as ilhas frescas. Diferenças na umidade também foram verificadas, sendo constatadas as formações de ilhas úmidas e ilhas secas.

As ilhas de calor foram identificadas nos setores mais densamente edificados, logo, todos os bairros centrais mais antigos apresentaram elevação da temperatura e queda da umidade, ou seja, sofreram com os desconfortos da presença da ilha de calor e seca em sua máxima magnitude. As temperaturas mais baixas, e, consequentemente, as menores intensidades da ilha de calor, foram observadas nos bairros periféricos pouco adensados, nas áreas rurais e fundamentalmente nos fundos de vale do meio rural próximo à malha urbana.

Assim, os pontos iniciais e os finais dos percursos, com regularidade, obtiveram as temperaturas mais amenas e os maiores valores de umidade relativa do ar, fortalecendo a ideia de que o campo termo-higrométrico é diferenciado entre às áreas rurais próximas e as áreas intraurbanas. Como exceção podemos citar os bairros periféricos a leste, que em alguns episódios de inverno se apresentaram aquecidos devido a suas características de elevada densidade de edificação e baixa vegetação.

A respeito da intensidade da ilha de calor, a mínima identificada foi de 4,6ºC em condições de inverno e a máxima foi de 9,5ºC em condições de verão. Dentre os dezesseis episódios analisados, nove apresentaram intensidades em torno de 6ºC, três em torno de 7ºC e dois em torno de 5ºC. Deste modo, de acordo com Fernández García (1996), que estabeleceu a classificação das magnitudes das ilhas de calor, em Penápolis foram registradas ilhas de calor de magnitude forte e muito forte.

Esses resultados se apresentam em conformidade com o primeiro estudo climático de Penápolis realizado por Silva; Tommaselli; Amorim (2002), pautado na instalação de sete

miniabrigos meteorológicos em diferentes locais do perímetro urbano. Foram coletados dados térmicos e higrométricos horários durante todo o mês de julho de 1999. Dentre os pontos destaca-se três que também foram utilizados nessa pesquisa: a prefeitura, a sede do DAEP e o Ribeirão Lajeado.

Os resultados apontaram o ponto da prefeitura situado no centro comercial antigo como o de maior temperatura, com maior aquecimento em praticamente todos os horários analisados, salvo o período da tarde. O ponto da sede do DAEP, também utilizado nessa pesquisa nas medidas fixas, apresentou aquecimento secundário, já o ponto que se refere ao Ribeirão Lajeado foi considerado o mais frio e úmido, ou seja, com menor temperatura e maior umidade. Às 21h, em dias de tempo estável, a diferença entre os pontos da Prefeitura e do Ribeirão Lajeado chegou a 8ºC (SILVA; TOMMASELLI; AMORIM, 2002).

Assim, os autores concluíram que Penápolis já apresentava a formação de um clima urbano e que este se expressava através da formação da ilha de calor urbana, a qual ficava mais nitidamente definida a partir das 19h, com pico de definição às 21h e sua desintensificação a partir das 23h. Esse mesmo padrão também foi visualizado em nossos registros de campo, realizados às 20h, 21h e 22h.

Portanto, as variações de temperatura e umidade mostraram correspondência com a densidade de edificações, pois notou-se que sempre as áreas mais aquecidas foram as mais densamente construídas. A quantidade de vegetação arbórea também mostrou correlação com as variáveis climáticas analisadas, em que sua maior quantidade esteve associada à temperatura baixa e umidade elevada, por outro lado, bairros com vegetação arbórea ausente e/ou baixa demonstraram elevado aquecimento.

Desta forma, as análises com base nas medidas móveis confirmaram que o tamanho da cidade não é fator determinante nas intensidades das ilhas de calor, mas sim a forma como se estrutura o espaço urbano, uma vez que se entende que as modificações na atmosfera urbana ocorreram pela supressão de áreas verdes, aumento das áreas impermeabilizadas e utilização de materiais construtivos com alta condutividade térmica e capacidade calorífica.

Assim, os problemas encontrados na área de estudo não estão no estágio inicial, logo, solucioná-los são demandas importantes e imediatas, que necessitam de metodologias adequadas. A principal delas é o maior investimento em ações de planejamento e gestão que priorizem os aspectos ambientais, principalmente os benefícios trazidos pela vegetação, como por exemplo, o aumento da arborização das vias, a implantação de áreas verdes e a revitalização das que já existem, dado que muitas dessas nos últimos anos tiveram sua vegetação arbórea reduzida, e, portanto, não cumprem com suas funções de regulador térmico.

Além da necessidade de maior cobertura arbórea na área urbana, deve-se destacar também a importância das coberturas frescas, já que mesmo os bairros de arborização elevada apresentaram intensidade de ilha de calor significativa, especialmente em episódios de verão, quando os desconfortos naturalmente gerados por esta condição de tempo se faziam presentes.

À respeito dos benefícios das coberturas frescas destaca-se o maior conforto dentro dos edifícios, economia de água e luz, menos manutenção, redução dos picos de demanda de energia, níveis de poluição do ar reduzidos e menos resíduos de materiais de coberturas enviados para aterros. Portanto, a substituição de coberturas existentes por coberturas frescas também diminuem os efeitos das ilhas de calor em nossas cidades, uma vez que este tipo de cobertura tem como característica a alta refletância solar, conhecido também como albedo, e a alta emissividade térmica, que a mantém mais frias sob o sol, geralmente atingindo picos de aquecimento do alvo na ordem de 40-60ºC, enquanto as coberturas tradicionais alcançam temperaturas entre 50-90ºC (GARTLAND, 2010).

Medidas em relação ao uso e cobertura da terra também se fazem necessárias, fundamentalmente no sentido da fiscalização da ocupação, para que a taxa de ocupação não ultrapasse os valores estabelecidos e para que as exigências de construção sejam respeitadas. Ainda, é fundamental a criação por parte do poder público de espaços livres de edificação, como áreas de lazer, áreas verdes e parques públicos, os quais compensam o calor gerado em alguns setores e evitam a intensificação da ocupação. É importante destacar que essas medidas mitigadoras poderiam ser facilmente aplicadas em Penápolis, uma vez que seu pequeno porte populacional colabora para ações de planejamento ambiental urbano.

Por fim, em uma perspectiva ambiental mais ampla, se prevê o aprofundamento do estudo do campo termo-higrométrico de Penápolis em etapas futuras. Com base na análise do clima urbano e no uso de indicadores ambientais, os quais mantém estreita relação entre si, pretende-se avaliar a qualidade ambiental urbana dessa cidade.

Benzer Belgeler