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4. TÜRKĐYE’DE GIDA SANAYĐĐNDE UYGULANAN GIDA GÜVENLĐK

4.4. TS EN ISO 22000 Gıda Güvenliği Yönetim Sistemleri ve

4.4.7. Türkiye’de ISO 22000:2005 gıda güvenlik sistemi

Ao sintetizar os achados do nosso estudo, relatamos, em primeira instância, os sentimentos que ficam conosco como pessoa e pesquisadora no momento em que caminhamos para a finalização deste empreendimento. Ao olhar para trás e revisitar nossa trajetória vivida, este ato nos dá a feliz sensação de havermos atingido os objetivos desta investigação, mas, na contraposição da complexa realidade evidenciada, coexiste a sensação de uma profunda solidariedade e respeito pela jornada de coragem e de fé na luta pela sobrevivência de seus bebês “frágeis”.

A maioria das mães, ao olhar para o filho, à época da entrevista, dizia, numa tentativa de demonstrar que o pior já havia passado: “Agora, ele está uma bênção!”; “Cheio de cicatrizes, mas dos males o menor”; “Quem olha, nem diz que foi prematuro”. No relato de suas rotinas no cuidado do filho, entretanto, sobretudo nas práticas alimentares desenvolvidas, demonstraram apreensão e ansiedade. Com isso, em meio a muitos aspectos envolvendo a saúde geral da criança, o que prevaleceu para as mães foi o medo de a criança perder peso por alguma doença transitória, demonstrando que o choque vivido na primeira visita ao bebê na UTIN ainda permanecia, de alguma forma, em maior ou menor proporção, ameaçando e mediando a forma como estas representavam mentalmente o corpo da criança na atualidade.

O peso em excesso representa vitória, motivo de celebração pelo duro percurso vivido, desde a separação abrupta, que culminou no parto prematuro e na longa jornada na unidade intensiva de cuidados, aos dias de hoje, que, na vivência materna do “excesso de corpo” se alicerçam a certeza de vida e o triunfo da vida sobre a morte. O medo da perda foi observado por nós como sendo transversal ao curso do desenvolvimento da criança, coexistindo na primeira infância e mediando os estilos parentais que favorecem a superproteção e a superalimentação. Dessa forma, além da assistência centrada nos aspectos biomédicos da criança nascida prematura com muito baixo peso, no seguimento longitudinal ou follow-up, é necessária a capacitação dos profissionais que atuam nessa área no conjunto de saberes e práticas que aferem a saúde mental materna, especificamente nos aspectos que abrangem os efeitos do estresse pós-trauma, vínculo mãe-filho-

169 alimentação, as relações de apego prejudicadas e o dinamismo do processo que constitui a parentalidade. Por outras palavras, o investimento em “tecnologias leves” no alicerce do cuidado se faz urgente, a longo prazo, ante os riscos psicológicos que podem trazer prejuízos à prontidão do amadurecimento emocional da criança, na formação do senso de identidade, que compreendem o caráter processual da individuação, elaboração da imagem corporal e autoestima rumo à autonomia do sujeito. Por essa óptica, assistir a família, especialmente as mães, em seus aspectos mais subjetivos acerca da representação da maternidade em curso, porquanto é um processo singular e que demanda tempo, torna-se um tópico de enorme relevância para ser incluído nas agendas e manuais de educação continuada aos profissionais que cuidam de crianças com necessidades especiais. Elas, mulheres, vão se tornando mães na medida em que avançam nos cuidados com os filhos, numa relação intercorpórea em que um constitui o outro mutuamente.

Por outro vértice de contribuição, vimos a necessidade de investimentos em educação continuada aos profissionais de saúde especializados no seguimento do prematuro, especificamente sobre o metabolismo do pré-termo de muito baixo peso e aconselhamento nutricional ajustado à necessidade de um “organismo poupador”, programado para gastar pouco e com preferências pelos alimentos palatáveis, em épocas de consolidação da transição nutricional. Pelo que vimos, o bebê prematuro não se beneficia com a hiperalimentação. Essa “equação” se torna duplamente nefasta para o risco de desenvolvimento de obesidade e doenças crônicas ao longo do desenvolvimento do sujeito.

Interessante é observar, pelo relato da maioria das mães, que a atenção ao ganho ponderal em excesso só é alertada no momento em que a criança ultrapassa o limite do percentil para a condição eutrófica, no diagnóstico nutricional. Expressões como “mãezinha, tente maneirar”, “dê mais frutas”, “vamos tirar a massa” surgem no acompanhamento, demonstrando que as habilidades do profissional estão centradas na correção do excesso do peso e não, necessariamente, na prevenção.

Vimos que a gênese de um “ambiente alimentar ansiogênico”, reiterada no discurso de todas as depoentes, está relacionada, também, em alguns casos, com a violência doméstica pelo parceiro íntimo, que traz maior

170 comprometimento emocional à vítima, cujo impacto é extensivo igualmente à criança. A associação entre violência doméstica, estado nutricional materno- infantil e insegurança alimentar torna-se outro ponto que sobrecarrega e agrava a condição de saúde familiar integral. À proporção que este problema for amplamente discutido, terá maiores possibilidades de romper com o silêncio que o envolve e situá-lo como realidade social, enfatizando os aspectos político-sociais até as instâncias jurídicas, atingindo, assim, a prevenção primária até a detecção precoce pelos programas de vigilância alimentar e nutricional, consubstanciando uma rede de atenção à saúde ampliada e articulada numa perspectiva complexa na concepção dos determinantes sociais do processo saúde-doença.

Outrossim, a exposição crônica ao estresse psicológico em ambientes envoltos pela violência doméstica se configura por um ambiente abusivo, cujos prejuízos no desenvolvimento do autoconceito, autoestima e autopercepção da imagem corporal podem ser constatados. A atratividade por comida ou compulsão alimentar na infância e adolescência encontra-se devidamente relatada em estudos nacionais e internacionais, nos mais diversos desenhos de pesquisa, que ora indicam e colocam em evidência esses eventos pela correlação positiva entre eles, ora no aprofundamento da compreensão de sua gênese. Ter vivido experiências diversas de abuso infantil, em suas distintas concepções, pode predispor à emergência da insatisfação com a imagem corporal em meio aos excessos alimentares. É emblemático o fato de experiências traumáticas vividas pelo mundo infantil sem o adequado suporte egóico na elaboração desta problemática propiciar a impressão de autoestima e autoimagem prejudicadas. Assim, os riscos de transtornos do comportamento alimentar ao longo do ciclo vital torna-se uma preocupante realidade, o que, incrementa negativamente o quadro de saúde pregresso, que demanda cuidados especiais pelos riscos biológicos a longo prazo.

Nosso empenho, contudo, se pronuncia aqui, na evidência desta complexa realidade e na tentativa de retirá-la do anonimato e da banalização pelo desconhecimento social, posicionando-a como importante questão de saúde que necessita da urgente instrumentalização dos profissionais de saúde envolvidos no reconhecimento deste agravo e, principalmente, das questões simbólicas envolvidas, que requisitarão do profissional um olhar cuidadoso que

171 vai para muito além da perspectiva anatomofisiológica, com necessárias conquistas, não só na luta pela sobrevivência desses bebês de risco, mediada pelas “tecnologias duras”, mas, sobretudo, na promoção da qualidade de vida dessas crianças, requerendo, além dos investimentos direcionados para esse intento, a sensibilidade de quem produz o cuidado numa proposta de assistência humanizada à família e ao bebê prematuro.

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