O interesse e as ações direcionados para promover o sistema performance-based no contexto americano ocorreram recentemente (década de 90). Havia necessidade de desenvolver uma base estrutural para aplicação dos princípios da Engenharia de Incêndio com ferramentas apropriadas e aprovadas de forma mais aprofundada, como ocorrera em outros países.
Desde sua criação, em 1950, a SFPE tinha como objetivo promover a Engenharia de Incêndio. Atualmente, sua missão envolve a disseminação da tecnologia e o desenvolvimento de atividades nas áreas educacional e profissional. Em 1995, a SFPE iniciou um trabalho de identificar, avaliar e implementar na prática as ferramentas e metodologias da Engenharia de Incêndio (MEACHAM, 1998).
Para isso, a SFPE utiliza duas publicações periódicas: a SFPE Bulletin e o SFPE
Journal of Fire Protection Engineering, que são veículos fundamentais para adicionar
conhecimentos sobre os vários aspectos técnicos e legais do PBC e da Engenharia de Incêndio, estimulando o desenvolvimento e atualizando os temas pertinentes (MEACHAM, 1998).
A SFPE também publicou o SFPE Handbook of Fire Protection Engineering, um documento de referência que consiste em uma compilação de métodos quantitativos de cálculo para a resolução dos problemas da Engenharia de Incêndio. Desde sua primeira publicação, em 1988, o Manual tem sido atualizado e implementado com os últimos métodos para análise dos riscos, cálculos, uso e aplicação de modelos computacionais (MEACHAM, 1998).
A SFPE trabalha intensamente na difusão do conhecimento sobre os conceitos do sistema performance-based e da Engenharia de Incêndio, por meio de seminários, simpósios, conferências e cursos, além do desenvolvimento de documentos técnicos sobre ferramentas e metodologias disponíveis e como aplicá-las ao processo de projeto (MEACHAM, 1998; SFPE, 2000).
b) International Organization Standardization (ISO)
Fundada oficialmente em 1947, a ISO é uma organização mundial com sede na Suíça, que congrega várias instituições responsáveis pela normalização e padronização de produtos em seus respectivos países. Atualmente (2005), conta com a participação de 148 países membros e com entidades nacionais de normalização, tais como: Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), American National Standards Institute (ANSI – EUA), Deutsches Institut fur Normung (DIN – Alemanha) e British Standards
Institute (BSI – Reino Unido).
No início da década de 90, a ISO atuou de forma incisiva na área do projeto de segurança contra incêndio baseado em desempenho. A comissão técnica que se dedicava à normalização de incêndio em edificações, TC92, era inicialmente responsável por testar componentes e elementos estruturais em situação de incêndio. Reconhecendo a necessidade de avaliar e padronizar os métodos de projeto de Engenharia, utilizados já em âmbito internacional no projeto de segurança contra incêndio, a ISO TC92 formou vários subcomitês e um específico, SC4, para atuar na área de Engenharia de Incêndio. Cada subcomitê criou vários grupos de trabalho específicos em cada área determinada. A criação e a extinção tanto das comissões técnicas como dos subcomitês consistem em um processo muito dinâmico, dependendo da necessidade da própria ISO.
c) International Council for Research and Innovation in Building and Construction (CIB)
Fundada em 1953, o CIB é uma organização internacional com sede na Holanda que promove o intercâmbio e a cooperação mundiais em pesquisas e inovações tecnológicas no setor da construção. É uma organização que utiliza a competência coletiva de seus membros para fomentar inovações e criar soluções viáveis para os problemas técnicos, econômicos, sociais e organizacionais dentro da sua área de atuação (CIB269, 2001). Seus membros associados incluem a comunidade de pesquisa, indústria, área governamental e educacional (em torno de 500 organizações e 5.000 membros individuais). Atualmente, a organização do CIB conta com mais de cinqüenta grupos de trabalho.
Em se tratando de assuntos relacionados com a segurança contra incêndio, o CIB possui o Working Commission 14 (W014), cujos objetivos consistem em (MEACHAM, 1998): - priorizar as pesquisas para o desenvolvimento de uma base técnica para os métodos
de cálculo da segurança contra incêndio;
- promover a aceitação desses métodos e o seu uso nos códigos baseados em desempenho;
- fornecer dados sobre a tecnologia de segurança contra incêndio às demais comissões de trabalho;
- difundir internacionalmente as informações de Engenharia de Incêndio.
Em 1990, o CIB W014 iniciou sua atividade na área do PBD. Foi criado o TG37 (Performance Based Building Regulatory Systems), grupo de trabalho direcionado especificamente para atuar nessa área. O objetivo desse grupo é fomentar o desenvolvimento do sistema performance-based nos países, por meio de informações, programas educacionais, publicações e todo um conjunto de ferramentas específicas para tal fim.
Concluindo essa resenha histórica, percebe-se que, atualmente, o performance-based
fire safety design está em plena difusão mundial. Os exemplos de aplicações são os mais
edifícios residenciais, cujas análises englobam cálculo do tempo necessário para o escape, falhas estruturais, capacidade de ativação de chuveiros automáticos, capacidade de exaustão de fumaça, controle de materiais combustíveis e resposta das equipes dos bombeiros. Apesar do crescente progresso, há áreas que precisam ser mais aprofundadas, por exemplo (MEACHAM, 1999):
– discussão sobre os níveis de riscos toleráveis (pessoais e sociais);
– estabelecimento de especificações claras sobre as metas e os objetivos de segurança contra incêndio e sobre os critérios de projeto e de desempenho;
– maior entendimento sobre o comportamento do incêndio (início, desenvolvimento e propagação);
– maior entendimento sobre como as várias medidas de segurança (ativas e passivas), inclusive a atuação do corpo de bombeiros, podem atenuar as potenciais perdas do incêndio;
– maior entendimento sobre o comportamento humano em situações de incêndio;
– desenvolvimento de ferramentas e metodologias sobre os aspectos de projeto acima descritos;
– necessidade de considerar os impactos financeiros sobre as decisões relativas à segurança contra incêndio;
– necessidade de considerar as incertezas nas análises e no processo de projeto.
Ratificando o avanço extremamente rápido do desenvolvimento do performance-based
design, Tubbs et al. (2004) afirmam que, em dezembro de 2004, estava prevista a
publicação do International Fire Engineering Guidelines (IFEG). Trata-se de um documento similar ao que foi publicado em 2001, o Fire Safety Engineering Guidelines, (FSEG), cuja elaboração incluiu a participação dos seguintes organismos: National
Research Council Canada (NRC); United States International Codes Council (ICC); Building Industry Authority, New Zealand (BIA); e Australian Building Codes Board
(ABCB). As diretrizes previstas no IFEG consistiriam em uma versão internacional do FSEG, válidas para aqueles países: Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália. Resumidamente, o IFEG será dividido em quatro partes: Parte 0 – Introdução; Parte 1 – Processos; Parte 2 – Metodologias; e Parte 3 – Dados. As principais mudanças em relação ao FSEG, dizem respeito aos seguintes itens:
- a terminologia Fire Safety Engineer/Engineering muda para Fire Engineer/Engineering, esta aceita internacionalmente;
- as unidades do sistema inglês e internacional passam a ser aceitas; - a inserção de dados internacionais adicionais na parte 3;
- a metodologias adicionais incorporadas às partes 2 e 3; - a inserção de referências internacionais adicionais;
- os títulos dos subsistemas (SS) foram modificados para melhorar a compreensão: SS- A: início, desenvolvimento e controle do incêndio; SS-B: desenvolvimento, propagação e controle da fumaça; SS-C: propagação, impacto e controle do incêndio; SS-D: detecção, alarme e extinção do incêndio; SS-E: desocupação e controle de saída dos ocupantes; SS-F: intervenção das equipes de combate.