1.4. EĞİTİMDE FIRSAT EŞİTSİZLİĞİ
1.4.1. Türkiye’de Eğitim: Kalite ve Eşitsizlik Sorunları
De acordo com a plataforma Lattes do CNPQ o professor Lafayette de Moraes possui graduação em Matemática pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Rio de Janeiro(1953), graduação em Física pela Universidade de São Paulo (1963), especialização em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1966), mestrado em Filosofia com o título: Sobre a Lógica discursiva de Jaskowski sob a orientação do professor Newton Carneiro Afonso da Costa, pela Universidade de São Paulo (1970), doutorado em Filosofia com o título: Lógica de Jaskowski e
Modelos de Krípke, sob a orientação do professor Leônidas Hegenberg, pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(1973) e pós-doutorado.em lógica
modal pela Universidade de Munique na Alemanha (1978).
De acordo com Oliveira Filho (2009) o professor Lafayette de Moraes nasceu em Rio Branco, Acre, em 1929. Aos dois meses de idade, juntamente com seus pais, mudou-se para Manaus e aos onze anos, já concluído o curso primário,
62 Em meados de 1963, a Companhia Editora Nacional lançou no mercado de livros escolares 240 mil exemplares do volume 1 para a primeira série do ginásio da coleção Matemática - curso moderno de Osvaldo Sangiorgi. (VALENTE, 2008, p. 28). Essa edição ganhou o "Prêmio Jabuti" na categoria "Ciências Exatas" em 1964. http://pt.wikipedia.org/wiki/Osvaldo_Sangiorgi. Acesso em 29/08/2013.
63Wagner R. Valente, em 2009 aponta que Sangiorgi foi um sucesso editorial no Ginásio, mas, foi um fracasso no Colégial.
mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde terminou o ensino secundário. Em 1949, aos vinte anos de idade, ingressou no Curso de Matemática da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, atualmente denominada Universidade Federal do Rio de Janeiro, formando-se em 1953. Em 1954 mudou-se para São Paulo, concorreu e foi aprovado para o cargo de professor de Matemática no Magistério Oficial do Estado de São Paulo. Enquanto atuava como professor, Lafayette de Moraes concluiu o Curso de Graduação em Física pela Universidade de São Paulo em 1963.
Neste mesmo ano, deixou as atividades como professor e foi trabalhar no Departamento de Física da Universidade de São Paulo com o professor Mário Schenberg. Com a suspensão de verbas pela instauração do regime militar no Brasil e a cassação do professor Schenberg, Lafayette prestou concurso no Departamento de Matemática do Instituto Isolado de São José do Rio Preto, SP e foi aprovado para a cadeira de Cálculo Diferencial e Integral e de Geometria Analítica.
Em 1968, com a criação da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, Lafayette de Moraes foi trabalhar no IMMEC - Instituto de Matemática, Estatística e Ciências da Computação, a convite do professor Nilton da Costa. Segundo Oliveira Filho (2009) o professor Lafayette de Moraes, em 1988, deixou a UNICAMP para trabalhar no setor de Pós-Graduação do Departamento de Filosofia e no Departamento de Matemática da PUC - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Nesta trajetória, enquanto professor do Estado de São Paulo, por ocasião das discussões internacionais em prol da melhoria do ensino de Matemática e a criação do SMSG nos Estados Unidos na virada da década de 1950 para 1960, Lafayette de Moraes foi escolhido pelo IBECC - Instituto Brasileiro de Educação, Cultura e Ciências64 para ir aos Estados Unidos e também com financiamento da NSF - National Science Foundation, para realizar um curso diretamente no SMSG - School Mathematics Study Group, na Fourdan University em Nova York, onde estavam sendo desenvolvidos os livros didáticos do Grupo.
De acordo com Silva (2013), no período do programa de verão, de julho a agosto, além de participar, obrigatoriamente, dos seminários do SMSG, Lafayette de Moraes fez dois cursos. Um era essencialmente para tomar conhecimento, ler e
criticar os textos que, na época, estavam na "versão preliminar". O outro curso foi de Geometria, ministrado por um professor colombiano, que utilizou o livro de Cool Setter. O aproveitamento dos cursos era avaliado mediante testes diários, os quais eram obrigatórios para que os participantes fossem aprovados.
De acordo com Oliveira Filho (2009) Lafayette voltou ao Brasil com o compromisso de debruçar-se na tradução e na divulgação dos textos do SMSG no Brasil, contando com o apoio da professora Lydia Condé Lamparelli, com prioridade para a tradução dos livros do Curso Colegial justificada pela ausência de livros em Matemática Moderna neste nível. Lafayette, juntamente com alguns membros do IBECC, era chamado por algumas escolas que queriam utilizar o material como uma espécie de representante do SMSG no Brasil, como o caso da EPCAR - Escola Preparatória de Cadetes do Ar, da Aeronáutica em Barbacena, MG, e os CECIs - Centro de Ensino de Ciências, em várias capitais do Brasil.
Na época os materiais didáticos dos 7º e 8º graus, Junior High School e dos 9º ao 12º graus, High School, do SMSG já estavam sendo distribuídos nos Estados Unidos. Por esse motivo, o professor Lafayette pôde trazer os livros originais para serem traduzidos.
De acordo com Oliveira Filho (2009), os livros do SMSG traduzidos para o português começaram a circular no Brasil em 1964, parametrizando um currículo65 de Matemática para o Ginásio e para o Colegial. Neste mesmo período circularam as publicações de Sangiorgi para o Ginásio.
No total foram traduzidos 15 livros para o português, os quais, não eram vendidos, mas doados para as escolas. Como o programa de ensino no Brasil era diferente do americano66, foram feitas adaptações de acordo com programa oficial estabelecido pelo MEC - Ministério de Educação e Cultura, o qual, na época, estabelecia um "Programa Mínimo", instituído, como vimos, pela reforma "Simões Filho" de 1951.
De acordo com Valente (2008) os livros de Sangiorgi, como já mencionado, tiveram sucesso editorial enquanto que as traduções feitas pelo IBECC nem tanto. Talvez pelo fato de que, a produção dos textos pelo IBECC não priorizava o
65 Currículo que vigorou desde 1964 até a implantação da LDB 5.692 de 1971. (Oliveira Filho, 2009, p.139). 66 Por exemplo, Estatística era um conteúdo abordado nos Estados Unidos, mas não constava no currículo no Brasil. Nos EUA cada estado americano era responsável por seus regulamentos, enquanto que no Brasil, o programa é o mesmo em todo o território nacional. (Lafayette de Moraes, em entrevista cedida à Oliveira Filho, 2009).
interesse comercial e incorporava o caráter experimental dos textos originais do SMSG. Não houve sofisticações nas edições, como por exemplo, capa dura, papel de alta qualidade, ilustrações coloridas, entre outras características que tornariam as publicações "atraentes". A realidade editorial brasileira na época era outra, estávamos em um momento em que a produção didática ganhava sofisticação. Segundo Valente (2008), o novo livro didático de Osvaldo Sangiorgi Matemática -
Curso Moderno volume I, foi, de fato, novo também em sua materialidade, nova
diagramação na apresentação dos conteúdos, no uso de tipos de letras e números diferentes nos tamanhos e nas formas, inclusão de cores, fotografias, desenhos, deixando para trás a estética dos livros de Matemática dos anos 1950.
Silva (2013) aponta, nas palavras do próprio tradutor da obra:
Os livros traduzidos do SMSG, apesar da qualidade do texto, não tinham motivação nenhuma, eram impressos em papel de jornal, não tinha figuras, as poucas que tinham eram esquemáticas, somente os livros dos mestres traziam as respostas dos problemas propostos e também não tinham apelo visual, eram livros comuns, não eram para comercializar, ademais, na "moda", estavam os livros do matemático belga Georges Papy (1920-2011) que eram coloridos, cheios de ilustrações. (LAFAYETTE DE MORAES, 2009, apud SILVA, 2013, p.144-145).
Tais livros acima mencionada pelo professor Lafayette merece destaque. De acordo com o IMACS – Institute for Mathematics and Computer Science67, em meados da década de 1950, os matemáticos acadêmicos influentes estavam liderando os esforços para melhorar a qualidade da educação matemática na França. Em paralelo com estes desenvolvimentos, Geroges Papy68 tornou-se profundamente interessado em melhorar a qualidade do ensino de matemática ao nível do ensino secundário e assumiu uma posição de liderança na Bélgica do
67 http://www.eimacs.com/blog/2012/01/georges-papy-mathematics-educator-gifted-math-curriculum/. Acesso em 27 de Dezembro de 2014.
68 Georges Papy nasceu em Anderlecht, um pequeno distrito de Bruxelas, na Bélgica, em 4 de novembro de 1920. O país ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial que tinha terminado apenas há dois anos. Quando jovem durante a ascensão de Hitler, Georges foi membro das forças de resistência na Bélgica durante 1941-1945, servindo, em especial nas áreas de inteligência e ação. Um educador desde o início, ele ministrou cursos clandestinos para os alunos da Universidade de Bruxelas, durante 1941-1942, e ensinou em uma escola clandestina para os judeus durante 1942-1943, na cidade de Méan, 50 milhas ao sudeste de Bruxelas. Após o fim da II Guerra Mundial, Papy obteve seu doutorado em matemática pela Universidade de Bruxelas, em 1945, obteve o seu diploma de ensino avançado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Bruxelas, em 1951. Foi professor titular na Universidade de Bruxelas e se tornou membro do prestigiado Instituto de Estudos Avançados de Princeton, New Jersey.
movimento que ficou conhecido como o New Math, inspirado em parte, pela Conferência de Royaumont em 1959 na França, pela Agência, que em 1963 se tornaria a OECD - Organization for European Cooperation and Development. A Conferência seguinte foi realizada na Iugoslávia, sob a presidência do matemático americano Marshal Stone e deu origem ao currículo de matemática para o ensino secundário, que foi publicado em Paris, em 1961, sob o nome Matemática Moderna.
De acordo com o IMACS, em 1961, Georges Papy fundou o CBPM - Centre Belge de Pédagogie de la Mathématique. A partir de1962, Papy foi chamado como um especialista em educação matemática por vários grupos internacionais, incluindo a UNESCO, IBM, e a OECD. Entre 1963-1966 Georges Papy com a colaboração de sua esposa, Frédérique, também matemática, publicou a série inovadora de seis volumes intitulada Matemática Moderne, pela Editora Marcel Didier, Bruxelas, Paris, a qual representou uma reforma fundamental do currículo de matemática do ensino secundário da França com base nos temas unificadores de conjuntos, relações, funções e estruturas algébricas (como grupos).
Durante 1960-1970, Georges Papy atuou como presidente da CIEAEM – Comision Internacionale pour L´Etude L´Amelioration de L´Enseignement des Mathemathiques e foi presidente fundador do Groupe International de Recherche en Pédagogie de la Mathématique.
Seus interesses em Educação Matemática se expandiram para a escola elementar. Em 1967, sob os auspícios da CBPM, Frédérique lecionou em classes experimentais de matemática para crianças de seis anos. Nos anos seguintes, Papy e Frédérique publicaram vários volumes que compreendem uma quantidade de operações anotadas dessas classes experimentais. Os fundamentos matemáticos do trabalho da escola elementar permaneceram semelhantes ao trabalho da escola secundária de Papy, proeminente com o uso de diagramas de setas coloridas para representar as relações e as funções.
A exemplo dos livros de Papy, as novas edições de Sangiorgi, a partir de 1963, foram impressos em duas cores.
Mesmo com tantas diferenças, do início da década de 1960 a meados da década de 1970, os livros didáticos da coleção brasileira SMSG – Matemática -
Curso Ginasial, traduzidos para o português pelo Professor Lafayette de Moraes e
Osvaldo Sangiorgi no mesmo período, de alguma maneira, se fizeram presentes na História da Educação Matemática no Brasil.
É nossa intenção, no próximo capítulo, fazer uma análise interna do primeiro Volume de cada uma destas Coleções, bem como estabelecer uma comparação entre os mesmos. Todavia, como nosso primeiro objetivo é analisar como que, nos apoioando na idéia de estrutura, o estruturalismo esteve presente nas obras analisadas, o próximo capítulo tem como fundamento as definições acerca dos construtos "estrutura" e "estruturalismo" perpassando por alguns autores, cada qual em seu domínio, apresentando a aplicação do estruturalismo nas ciências sociais e submergindo, sobretudo, no estruturalismo da Matemática do Grupo Bourbaki, o qual tinha o objetivo de reorganizar toda a Matemática por meio das estruturas de Grupo.