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2.3. TÜRKİYE

2.3.3. Türkiye’de Beden Eğitimi ve Sporun Gelişimi

No Brasil, para além dos aspectos relativos à violência, pode-se dizer também da vulnerabilidade da população jovem no que tange à relação estabelecida com a educação institucionalizada, a escola. Anteriormente, contudo, considera-se necessário realizar uma distinção entre sujeito jovem e sujeito aluno/estudante.

Não é raro observar o uso dos termos “estudante” e/ou “aluno” como sendo sinônimos de um momento da vida dos sujeitos (infância, adolescência ou juventude). É o que aponta José Gimeno Sacristán:

[...] na vida cotidiana e do ponto de vida histórico, ser aluno nos é apresentado como equivalente a ser menor, que está na infância. Ambos os conceitos – infância (menores em geral) e aluno – compartilham um mesmo significado para nós porque ambos foram construídos simultaneamente. (SACRISTÁN, 2005, p. 21) (Grifo meu).

Ou seja, dizer de “jovens” não é – ou, pelo menos, não deveria ser – o mesmo que dizer de “alunos”. Ambas as categorias, ainda de acordo com o excerto acima citado, são construídas histórica e socialmente, agregando especificidades. Observar tais aspectos torna- se importante por considerar-se que é a partir do modo como se compreende o ‘outro’ que as relações são estabelecidas, isto é: “[...] o significado intelectual e moral que damos como certo e convencionado a todas essas categorias situa diante de nós as pessoas e nos inclina a vê-las, valorizá-las e nos comportarmos em relação a elas com uma determinada predisposição” (SACRISTÁN, 2005, p. 20).

Entendendo o termo aluno como familiar e, a partir daí, recorrendo à máxima da Antropologia: “[...] estranhar o familiar e familiarizar-se com o estranho [...]” (GEERTZ, 1989, p. 17), pretende-se problematizar a concepção vinculada ao termo. Para tanto, recorre- se novamente à Sacristán (2005), o qual aponta os modos da construção social e histórica dessa categoria, dentre os quais, destacam-se dois. O primeiro diz respeito à “subjugação” da categoria aluno ao olhar do adulto, ou seja, um “terceiro” que, em muitos casos, vivenciou a experiência escolar, podendo, assim, carregar consigo percepções pessoais do que a constitui.

O segundo é a vinculação do conceito de aluno à consolidação da instituição escolar, um forte aparelho de socialização e regulação social.

Quanto à relação entre aluno e adulto, o que se pretende destacar é o risco de tal subordinação resultar em posturas, de algum modo, preconceituosas. O adulto constrói sua concepção de aluno a partir de suas vivências sociais e também, costumeiramente, a partir de sua experiência como estudante. Construção que, muitas vezes, resulta no estabelecimento de parâmetros de “normalidade” e, por consequência, de “anormalidade”. Há de se considerar, entretanto, o dinamismo do contexto social, bem como das relações nele estabelecidas, e, portanto, o risco de se elaborar categorias “estáticas”.

Sobre a instituição escolar, também é preciso desnaturalizá-la. Semelhantemente ao que ocorre com o aluno, percebe-se que a escola, muitas vezes, é compreendida como uma instituição “a-histórica” (seu “nascimento” não é problematizado) e “natural” (sua cultura não é questionada). Faz-se necessário, entretanto, lembrar que à escola marcas muito específicas vinculam-se. Os modos de organização do seu espaço e do seu tempo são bons exemplos.

Agrupar-se (em pequenos ou grandes grupos) em salas de aula, com determinações de tempos e de espaços, para exercer uma ação, definitivamente, não é uma prática inerente ao homem. Aliás, o que se observa, sobretudo com o acesso das camadas populares à escola, é que tais práticas, também denominadas de “cultura escolar”, muitas vezes, se distanciam exponencialmente da experiência de vida dos estudantes em espaços não escolares, discussão a ser realizada em seção posterior deste estudo.

Além do tempo e do espaço, a escola também estabeleceu um parâmetro de normalidade do indivíduo por ela atendido: o aluno. Esse ofício, que passa a assumir conotação de sujeito, possui determinadas obrigações e direitos, devendo o sujeito portar-se de certas maneiras em detrimento de outras.

Ocorre que, além de histórica, por aderir a determinados interesses em detrimento de outros, a escola é também uma instituição política, conforme evidencia Sacristán (2005, p. 139):

[...] a ordem escolar segue uma lógica econômica, de interesses nacionais, tem a finalidade de reproduzir rotinas convencionadas pela tradição, de discipliná-los, etc., todo um regime de vida para o menor, transformando-o em aluno com base em um sistema escolar prévio a ele.

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94 Nessa perspectiva, conclui-se que a escola não é constituída a partir dos sujeitos, mas os sujeitos são transformados em alunos (em uma perspectiva conservadora dessa categoria) para adaptarem-se à escola e, mais tarde, à sociedade.

Ao realizar a reflexão sobre a construção social da categoria aluno, considera-se que reúnem-se alguns indícios para a reflexão a respeito do que hoje é entendido como “crise da instituição escolar”: os conflitos existentes nesse contexto, acredita-se, estão intrinsecamente relacionados ao distanciamento entre escolas e sujeitos reais, que, nem sempre, coincidem com o (estereótipo de) aluno.

A discussão aqui realizada, além de preparar o cenário para a apresentação dos sujeitos da entrevista e de seus modos de ser aluno, oferece indícios para as discussões que se seguirão a respeito da relação estabelecida por eles com a escola e/ou com o estudo.

Como no caso anterior, em que se apresentou os dados referentes à juventude brasileira, também aqui considera-se importante fazer menção a alguns dados a respeito do contexto educacional brasileiro – e, por consequência, aos alunos do país – para compor o contexto de investigação.

Em primeiro lugar, há de se mencionar o número total de crianças e jovens- adolescentes em idade escolar35, entre os anos de 1991 e 2010.

                                                                                                                         

35

Aqui, toma-se, como referência para a idade escolar, os indivíduos de 6 a 17 anos. A Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013, prevê a ampliação desse período para 4 a 17 anos, passando, portanto, a oferta e a matrícula dos estudantes na Educação Infantil a ser obrigatórias. No entanto, de acordo com a Emenda Constitucional nº 59, de 11 de novembro de 2009, da qual decorre a Lei citada, tal ação deve ser implantada, de maneira progressiva, até o ano de 2016 (BRASIL, 2009a).

Gráfico 7 ‒ Brasil: população em idade escolar ‒ 6 a 17 anos ‒, de 1991 a 2010

Fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 2014)36.

Conforme é possível observar, o número de pessoas entre 6 e 17 anos é bem próximo comparando-se os anos de 1991 e 2000, sendo o segundo (41.055.197) ligeiramente maior do que o primeiro (40.280.768). O que chama maior atenção, entretanto, nesses dados, é a significativa queda do número dessa população no ano de 2010, ao se compará-lo com os números dos anos de 1991 e 2000. Em 2010, a população em idade escolar compreendia 36.116.267 pessoas.

O gráfico que se segue, de comparação entre a parcela jovem e a totalidade da população brasileira, possibilita a afirmação de que essa queda do número de pessoas entre 6 e 17 anos tem se dado em função da diminuição de sujeitos jovens no país, ao longo do anos.

                                                                                                                         

36

Ver site do PNUD. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Ranking IDHM Municípios 2000. Rio de Janeiro, PNUD, IPEA, Fundação João Pinheiro, 2000. (Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no

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Gráfico 8 ‒ Brasil: taxa da população de 6 a 17 anos, de 1991 a 2010

Fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 2014).

Segundo o gráfico acima, nos períodos representados, as taxas foram: em 1991, de 27,4%; em 2000, de 24,1%; e em 2010, de 18,9% do total da população37..

Também fazendo referência ao quadro geral da educação no Brasil, há de se dizer da escolaridade média das pessoas com 25 anos ou mais (TABELA 1).

                                                                                                                         

37

Para fins de reflexão, é importante mencionar que, apesar de o número de pessoas em idade escolar apresentar queda ao longo dos anos, considerando-se a ampliação da idade desse grupo para 4 a 17 anos, o número total de sujeitos que deveriam estar matriculados em alguma etapa da Educação Básica, ou seja, da Educação Infantil ao Ensino Médio, seria de 45.364.276 no ano de 2010, segundo dados do IBGE (2010).

Tabela 1 ‒ Escolaridade Média em Anos de Estudo ‒ Pessoas de 25 anos ou mais ‒ Brasil e Regiões ‒ 2011

ESCOLARIDADE MÉDIA (2011)

Localidade Anos de estudo

Brasil 7,4 Região Nordeste 6 Região Norte 6,7 Região Sul 7,7 Região Centro-Oeste 7,8 Região Sudeste 8,1

Fonte: Todos Pela Educação (2014)38.

Considerando-se que a Educação Básica compreende oito (anteriormente à Lei no 12.796, de 4 de abril de 2013) a onze anos de estudo (posteriormente à mesma Lei), observa- se que, mesmo considerando-se a “situação ideal” de adequação entre idade e série, na média, a população brasileira não tem sequer concluído o Ensino Fundamental, etapa atualmente constituída por nove anos de escolarização.

Nesse sentido, pode-se dizer do “gargalo” do sistema educacional que se constitui nos anos finais39 do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Perspectiva reiterada a partir dos dados abaixo apresentados.

Contudo, primeiramente, há de se dizer das taxas de aprovação e reprovação na Educação Básica, no Brasil e suas regiões, no ano de 2012 (TABELAS 2).

                                                                                                                         

38

Os dados dessa tabela foram obtidos através do site Todos pela Educação. Indicadores da Educação. (Fonte: IBGE/Pnad). Disponível em: <http://www.todospelaeducacao.org.br/indicadores-da-educacao/5- metas?task=indicador_educacao&id_indicador=64#filtros>. Acesso em: 03 jun. 2014.

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Tabela 2 ‒ Taxa de Aprovação ‒ Brasil e Regiões ‒ 2012

TAXA DE APROVAÇÃO (2012) Localidade Ensino Fundamental (anos iniciais) Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio Brasil 91,70% 84,10% 78,70% Região Norte 87,20% 81,20% 74,90% Região Nordeste 88,00% 78,50% 77,70% Região Sudeste 95,00% 88,60% 80,60% Região Sul 94,30% 83,50% 78,60% Região Centro-Oeste 93,30% 86,50% 76,20%

Fonte: Dados disponíveis no site Todos Pela Educação.

Tabela 3 ‒ Taxa de Reprovação ‒ Brasil e Regiões ‒ 2012

TAXA DE REPROVAÇÃO (2012) Localidade Ensino Fundamental (anos iniciais) Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio Brasil 6,90% 11,80% 12,20% Região Norte 9,80% 12,40% 11,30% Região Nordeste 9,40% 14,70% 9,80% Região Sudeste 4,50% 9,20% 13,10% Região Sul 5,40% 14,00% 13,60% Região Centro-Oeste 5,90% 10,00% 14,60%

Fonte: Dados disponíveis no site Todos Pela Educação.

Como é possível verificar nas tabelas acima, quer no Brasil, quer em suas regiões, a taxa de aprovação dos estudantes decresce conforme eles avançam na Educação Básica, sendo também verdade o contrário: as taxas de reprovação no Ensino Médio são, em todos os casos, maiores do que as dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental.

As taxas de abandono escolar também apontam para as problemáticas envolvidas nos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

Tabela 4 ‒ Taxa de Abandono ‒ Brasil e Regiões ‒ 2012

TAXA DE ABANDONO (2012) Localidade Ensino Fundamental (anos iniciais) Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio Brasil 1,40% 4,10% 9,10% Região Norte 3,00% 6,40% 13,80% Região Nordeste 2,60% 6,80% 12,50% Região Sudeste 0,50% 2,20% 6,30% Região Sul 0,30% 2,50% 7,80% Região Centro-Oeste 0,80% 3,50% 9,20%

Fonte: Dados disponíveis no site Todos Pela Educação.

Assim, se, no caso dos anos finais do Ensino Fundamental, o percentual de evasão escolar não chega a 3,00% na região com maior taxa de abandono, no caso do Ensino Médio, os índices são sempre superiores a 6,00%.

Nessa perspectiva, e considerando-se o dado anteriormente apresentado, o qual se refere à média de anos de escolaridade da população brasileira acima de 25 anos de idade (7,4 anos), pode-se dizer que, além de ser uma pequena parcela da população aquela que ascende ao Ensino Médio, os que ali chegam estão mais vulneráveis tanto às reprovações quanto ao abandono da escola.

Para compor um quadro analítico dos dados que serão posteriormente apresentados, há de se apresentar ainda as taxas de distorção entre idade e série.

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Tabela 5 ‒ Taxa de Distorção Idade-Série ‒ Brasil e Regiões ‒ 2012

TAXA DE DISTORÇÃO IDADE-SÉRIE (2012)

Localidade Ensino Fundamental (anos iniciais) Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio Brasil 16,60% 28,20% 31,10% Região Norte 27,40% 40,50% 47,00% Região Nordeste 23,50% 38,60% 41,80% Região Sudeste 9,90% 19,60% 23,00% Região Sul 11,30% 22,80% 23,30% Região Centro-Oeste 13,50% 26,50% 30,50%

Fonte: Dados disponíveis no site Todos Pela Educação.

As diferenças entre as taxas de distorção idade-série já são significativas ao se comparar os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental: os últimos são, na maior parte dos casos, superiores aos primeiros em mais de dez pontos percentuais.

Sobre o Ensino Médio, faz-se necessário apontar que, em todas as regiões, assim como no Brasil, mais de um quarto dos estudantes apresentam uma defasagem entre sua idade e a série escolar que cursam. Mais do que isso, duas das cinco regiões apresentam índices próximos dos 50%, ampliando essa realidade para quase a metade dos alunos matriculados nessa fase da escolarização.

Por fim, também é possível observar uma queda no rendimento dos estudantes conforme eles avançam nos anos de escolarização, na Educação Básica. É o que revela o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2011, conforme Tabela 6.

Tabela 6 ‒ Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ‒ Brasil e Regiões ‒ 2011 ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA (2011)

Localidade Ensino Fundamental (anos iniciais) Ensino Fundamental (anos finais) Ensino Médio Brasil 5,0 4,1 3,7 Região Norte 4,2 3,8 3,2 Região Nordeste 4,2 3,5 3,3 Região Sudeste 5,6 4,5 3,9 Região Sul 5,5 4,3 4,0 Região Centro-Oeste 5,3 4,3 3,6

Fonte: Dados disponíveis no site Todos Pela Educação.

A apresentação desses dados faz-se importante, em primeiro lugar, por serem sempre referentes à faixa etária na qual os sujeitos desta pesquisa se enquadram (entre 15 e 18 anos). Além disso, como será possível verificar a seguir, na época deste estudo, todos os estudantes estavam matriculados no Ensino Médio, tendo experienciado o Programa Escola Integrada nos anos finais do Ensino Fundamental, ou seja, integravam dois momentos “delicados” da escolarização, segundo o quadro analítico aqui construído.

A seguir serão apresentados os sujeitos desta pesquisa quanto às suas características sociais e escolares.

Benzer Belgeler